quarta-feira, 17 de agosto de 2016

COMO PERDER DEZ MILHÕES DE REAIS

Imagem Google

“Tudo que vem fácil, você perde rápido...”
(Osvaldir, tio do Osvandir)

A quadrilha era mesmo especializada em assalto a bancos.

Não faltava nada, tinha áreas de explosivos, carros, mecânica, logística.

Um arsenal, garagem ampla, escritório, tudo provisório. Não ficavam muito tempo num local. Viviam mudando de área, de estado.


Era muito difícil localizá-los por terra, ar ou por águas. Tudo era camuflado e desmontável.

Se corriam um risco qualquer, imediatamente recebiam ordem para sair daquele local.

Se a PF prendia alguém, este não tinha conexão com as outras células.

O pessoal de pesquisa de campo visitavam as cidades com meses de antecedência, traziam todas as informações necessárias para o próximo assalto.

Com os mapas em mãos a direção determinava as datas. Assinalava as entradas e saídas, além de marcar os pontos críticos, tais como tráfego, localização do prédio de vigilância, PF, PM, Prefeitura, Postos de Saúde e outros detalhes onde pudessem apresentar algum perigo ou ajuda para seus objetivos.

No dia do ataque as equipes de engenharia de trânsito e explosivos iam a frente.

Hora marcada, tudo controlado e os empecilhos eliminados pela explosão, entravam os especializados em portas de cofres, a seguir os maleiros que transportavam tudo para os carros.

Na retirada, vários veículos acompanhavam a camionete que transportava o dinheiro. Alguns ficavam pelas estradas para impedir a perseguição das autoridades.

Na volta do último assalto, um dos motoristas parou perto de posto de combustível. Alguém dava um sinal com o braço direito. Achou que aquele homem, bem trajado de blusão e touca preta era algum contato da quadrilha. O motorista disse para ele subir na carroceria da camionete.

Ele jogou a seu malote e rapidamente subiu dizendo que desceria na próxima cidade. Conversou pouco e observou muito.

Aquela madrugada estava bem escura. Cinquenta Km à frente o misterioso homem de preto deu sinal que saltaria ali naquela cidade. Desceu e pediu para que jogassem o seu malote, o que foi feito sem muita atenção.

Notando que aquele não era o seu, tentou avisar ao pessoal, mas eles já iam muito longe.

Colocou-o nas costas e notou um peso bem maior que o de sua mochila.
Ao abri-lo ficou estupefato, ali estavam, separadas em pacotes menores, muito dinheiro. Nem pensou em ficar mais tempo por ali. Pediu uma carona e entrou no carro bem rápido, colocando tudo no seu colo.

Em sua casa alugada é que foi conferir tudo. Quase dez milhões de reais.
No outro dia desapareceu daquela cidade. Ninguém mais ouviu falar do vendedor de água mineral de beira-de-estrada.

Algum tempo depois um amigo, recebeu um cartão postal de Lisboa, Portugal.


Manoel Amaral

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