terça-feira, 1 de março de 2016

O LEILÃO DA VIRGINDADE

O LEILÃO DA VIRGINDADE

O leilão da virgindade já havia começado pela internet, fazia algumas horas.

Cris, 21 anos, corpo escultural, informou que só aceitaria o pagamento em dinheiro.

Era de origem simples, zona rural, gostava de cavalos e de passear pela natureza.

Teve a ideia do leilão quando leu numa revista a história de uma brasileira que foi para a Austrália para vender a virgindade.

O primeiro dia várias pessoas entraram em contato, mas a amiga de Cris, que publicou a notícia no Facebook achou os lances muito baixos. Disse que era melhor esperar mais alguns dias.

O texto viralizou na internet, muitos jornais e a TV queriam entrevistar Cris.
Em alguns casos virou piada nacional.

Muitas pessoas queriam uma reportagem mais completa, com fotos e saber se tinham laudo médico comprovando a virgindade.

Marília, a sua amiga, com mais experiência, foi levando tudo na seriedade, tentando elevar cada vez mais o valor do leilão.

Publicou um segundo texto, mas o rosto da pessoa ficou virado ao contrário, não dava para saber nada, ainda tinha umas árvores para complicar.

Mas alguém mais esperta mandou analisar aquela foto, que poderia até ser falsa e aumentou o lance, era goiana, 30 anos, fazendeira, disse mais que cobriria todos os lances. Pagaria em dinheiro, gado ou cavalos.

Tinham homens e mulheres interessados no assunto, mesmo sem saber a identidade real daquela pessoa.

Montou-se um pequeno escritório para responder as perguntas e Marília pediu que Cris só viesse ali usando disfarce.

A fazendeira dava lances diários, teve um dia que entrou em contato três vezes.
O final do leilão estava aproximando-se e o suspense foi aumentando.

Apareceu até um chinês interessado no assunto. Disse que traria uma indústria para a cidade e que pagaria em dinheiro. Mandou uns textos complicados, mas um professor ajudou a traduzir.

Um rico fazendeiro estava disputando em lances com a goiana. Uma briga feia. Todos queriam Cris.

Apareceu um Diretor querendo fazer um documentário sobre o assunto.

Até políticos queriam tirar fotos para render votos, mas isso não foi permitido.

Um Promotor disse que isso era ilegal e que moveria um processo contra Cris e Marília. Aí a coisa piorou, isto é melhorou. Os lances aumentaram, chegando a um milhão de reais.

Apareceu uma empresa interessada em utilizar a imagem de Cris para propaganda de seus produtos. Mesmo preservando a sua identidade, a proposta foi descartada.

Leilão encerrado, tudo documentado. Lavrou-se uma ata. Total final: Um milhão e setecentos e cinquenta mil reais. A vencedora: Maria das Graças, proprietária de uma grande fazenda em Goiás.

Marcou-se o dia para o encontro, num hotel de uma cidade cujo nome não foi divulgado.

Tudo deu certo conforme informou Gracinha, o pagamento já estava no banco.
E Cris que não era Cristina e sim Cristiano, agora casado, era também um fazendeiro muito rico, lá pelos lados de Goiás.


Manoel Amaral

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