segunda-feira, 29 de junho de 2015

A MANDIOCA

A MANDIOCA




 “Hoje estou saudando a mandioca. Acho uma das melhores conquistas do Brasil” Dilma Rousseff

Naquele terreno recém-preparado, o pessoal estava plantando mandioca.

Cada pé foi cortado em partes de uns 20 cm cada. A preferida é a Cacau. E para outros produtos também servia como as demais.

Cacau tem a casca roxa, cozinha facilmente e pode ser utilizada dentro de pouco tempo depois de plantada.

Ótima para fazer o prato “Vaca Atolada”, principalmente agora que a “Vaca foi pro brejo”. A carne bovina desfiada é melhor na confecção desta apreciada iguaria.

Na nossa região os fazendeiros usam esta qualidade de mandioca para fazer uma ótima farinha-de-pau.

E o mingau, que é muito delicioso, também apreciado pelos índios.

Croquete, Bolinho como molho de jabuticaba, Gratinado com carne moída, Quindim, Bolo caipira e coco, Creme com manga, Bolo com calda de maracujá, Escondidinho de costela, Nhoque recheado, Caribéu (com carne-seca), Tapioca de tomate seco, Creme com cogumelos e ovas de peixe. Tudo feito com a mandioca.

Nos bares da cidade podemos comer a mandioca frita, tomando uma boa cerveja.

Não podemos esquecer que o pão-de-queijo mineiro é feito com polvilho doce e está à venda até em NY.

Existem mais de 300 tipos de bolos de aipim, escolha o seu numa boa receita.
Nunca use a mandioca-brava se não souber bem a receita, ela é muito venenosa.

Ia esquecendo-me da Farinha Multimistura, que é composta da folha da mandioca bem torradinha. Ela possui uma das maiores fontes de vitamina A, aminoácidos e sais minerais encontrados em folhas.

A fraude da mandioca: O golpe aconteceu na cidade de Floresta, Pernambuco, entre 1979 e 1981, durante a ditadura militar e envolveu Banco do Brasil e Proagro.


Existem estudos para aproveitamento dos resíduos derivados da produção de etanol da mandioca para geração de eletricidade.


Aqui se produziu etanol a partir da mandioca, na década de trinta, na Usina de Gravatá, a primeira do Estado. No local, hoje funciona o Teatro Gravatá.

Vários são os nomes da dita cuja: Aimpim, Cacau, Candinga, Castelinha, chitinha, Macamba, Macaxeira, Mandioca-brava, Mandioca-doce, Mandioca-mansa, Manduba, Manioca, Maniva, Maniveira, Moogo, Mucamba, Pão-da-América, Pão-de-Pobre, Pau-de-Farinha, Tapioca, Uaipi e Xagala.

Na sua região podem existir ainda muitos outros nomes para ela.

Por esta razão eu também louvo a mandioca, e digo mais: “nesta terra, em se plantando, tudo dá”, como já dizia Pero Vaz de Caminha, na descoberta do Brasil.


Manoel Amaral

terça-feira, 23 de junho de 2015

MULHER PASSOU O FERRO NO MARIDO

MULHER PASSOU O FERRO NO HOMEM

“Quem com o ferro fere, com ferro será ferido.”


Aquela mulher era mesmo uma peste, vivia batendo no seu homem.

Não é que num dia desses Jesuíno foi internado às pressas, na UPA - Unidade de Pronto Atendimento de Saúde, do Bairro, com queimaduras por todo corpo.

O que se soube é que Margarida passou o ferro quente no homem e as marcas confirmavam isso.

“Quem com ferro fere, não sabe como dói,” já dizia do ditado modernizado.
As brigas do casal não pararam por aí. Num outro dia ela tentou matá-lo com uma faca velha e enferrujada.

Não passou nem uma semana ela veio para cima do pobre Jesuíno com um espeto de ferro e ele não era ferreiro nem nada.

O tempo foi passando e mais agressões foram aumentando no dia-a-dia.

Na última sexta-feira ela foi mais violenta ainda, pegou o pobre homem dormindo, depois de uma longa semana de trabalho pesado e acabou cortando o seu pênis.

A sorte dele é que uma vizinha chegou na hora, colocou o velho no carro e deixou-o no hospital mais próximo.

E ali já se fazia experiências com transplante daquele órgão. Na mesma hora havia chegado um motoqueiro que acidentara no centro da cidade.

Apesar de todos os esforços o jovem morreu. Imediatamente os médicos extraíram aquele precioso membro e fizeram o transplante para velho.

Deu tudo certo e dentro de poucos meses o paciente já estava em forma. Não foi desta vez que ele morreu.

Cuidou da papelada e separou-se daquela maligna mulher.

E já pensava até em ter filho com a nova esposa:

-- Coisa boa é sentir o prazer de poder gerar um filho novamente, --dizia.

Mas a história não parou por aí. Um dia, Jesuíno resolveu bolar um plano para se vingar da bruxa velha.

Naquela casa tinha uma banheira daquelas antigas. O local de passar roupa era ali por perto.

A meia noite os vizinhos ouviram um grito e um silêncio profundo.

No outro dia encontraram Margarida morta na banheira, abraçada com o ferro elétrico.

A Polícia concluiu que foi um simples acidente doméstico.

“Quem com o ferro fere, morre eletrocutado.”


Manoel Amaral

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O REX

O REX

O cão é o melhor amigo da mulher” (Dito popular)

Abri os jornais e não fiquei nada satisfeito com as notícias: inflação, propinas, corrupção, assassinatos, já fazem parte do nosso prato diário.

Só uma coisa me chamou a atenção hoje de manhã; D. Cotinha pegou um táxi perto de minha casa.

Só vi esta senhora andar de ônibus, pois agora aposentada, não paga mais nada.

Mas ela estava toda arrumadinha, parecia uma mulher de uns 30 anos, apesar de ter bem mais.

Saia branca de bolinhas azuis, tipo anos setenta e uma blusinha clara que mostrava mais do que escondia.

-- Onde a Senhora vai descer?

-- Lá no centro, na rua de baixo. Vou fazer exames de sangue e fezes.

O endereço, incompleto, seria o suficiente para aquele taxista experiente.
Seguiu por entre carros, motos, caminhões velhos e ruas estreitas.

Corrida: R$15,10, mas o jovem arredondou o preço, tirou R$0,10.

Ela agradeceu e ficou ali como uma estátua esperando o sinal verde para atravessar a rua.

D. Cotinha era muito respeitadora, não atravessava com sinal vermelho.
Chegou ao laboratório que tinha até um nome sugestivo: “Sangue é Vida.”

Pegou a senha, um número muito alto, mas a atendente explicou que muita gente já tinha saído.

Ela ficou ali pensando do porque o seu médico havia solicitado aqueles exames, não chegou a nenhuma conclusão.

Olhou de lado, uma moça deixou a sua bolsa cair e um monte de coisas esparramou pela sala: batom, cortador de unhas, lixas, lenços, copo e até um aparelho muito esquisito: um cabo para ligar na energia, parecia um tubo de shampoo muito comprido.

-- D. Cotinha... – chamou a mocinha de avental branco.
-- Sim, estou indo.

Levantou-se, deixou a embalagem com urina para trás, voltou e pegou.
Lá no quartinho, a jovem tentou tirar o seu sangue, mas as suas veias não estavam colaborando.

-- Fecha a mão, fique firme, não vai doer nada.

Depois de três picadas, acertou e a velhinha foi liberada.

Resultado do exame seria para daí a três dias.

Como demorou a passar, foi ao supermercado, ao salão, ao cabelereiro, ao Banco e ainda faltava um dia.

Aproveitou e foi visitar a D. Mariazinha lá da rua de cima, bateram um papo, puseram as fofocas em dia e ainda deu tempo de passar no açougueiro, aquele moço bonitão que a atendia tão bem.

No dia seguinte, as 17 horas, lá estava ela no balcão do laboratório.

Pegou os exames e perguntou:

-- Qual foi o resultado?

-- Boas notícias, a Senhora está grávida...

Ela saiu dali meio cabisbaixa e pensando como aquilo poderia ter acontecido:
“Seria o bombeiro hidráulico? Não, não poderia ser, ele demorou muito pouco. E o eletricista? Aquele já estava velho e só roncava...”

“Então só sobrou o Rex, que não me larga a noite inteira.”


Manoel Amaral