segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ÁGUA DE COCÔ

ÁGUA DE COCÔ

Durante a semana passada o assunto em pauta era a Crise da Água, mas antes uma notícia interessante era a de que um dos maiores gênios da informática, Bill Gates, aparecia num vídeo bebendo um copo d’água. Até aí nada de mais, só que ele informou que a água era reciclada de esgoto, água de cocô.

Ouve-se um oooooh!
-- Água de cocô? Como pode ser uma coisa dessas?
– Eu não beberia, que coisa nojenta.

Aí fui lembrar que na década de 70, no Povoado da Prata de Cima, em São Gonçalo do Pará/MG, houve uma coisa semelhante, com ajuda do Banco Mundial, fez-se um tratamento dos esgotos nas ETEs e a água saía limpinha lá embaixo.

Consumo da água: Cada copo de 250 ml de cerveja gasta 75 litros de e em uma xícara de café está 140 litros de água. Um quilo de carne consome 15.500 litros, um quilo de queijo cinco mil litros. E em algumas empresas o assunto é ainda muito pior: indústria de carros.

E esta folha de papel consumiu 10 litros de água.

Se o assunto é solução da Crise de Água, o melhor modelo é o do Paulista de Valinhos que inventou uma máquina que retira a água do ar. A máquina menor custa R$3.500,00 e libera 30 litros de água por dia.

Fala-se muito hoje em dia em outorga, mas o que é isso?

A outorga de direito de uso da água representa um instrumento, através do qual o Poder Público autoriza, concede ou ainda permite ao usuário fazer o uso deste bem público.

Acontece que o usuário na maioria das vezes não paga nada ou paga uma ninharia.

Temos 36 bacias hidrográficas no Estado de Minas, éramos a Caixa D’água do Brasil. Das duas uma: a bacia ou a caixa está furada.

A Crise da Água é bom reforçar que 70% do consumo estão com os Agronegócios, 20% com as Indústrias e 10% com o Povão. E o controle começa de baixo para cima.

Falhas que levaram ao problema
I - Falta de gestão inteligente dos recursos hídricos; 
II – Programação deveria ter começado há dez anos; 
III – Degradação dos rios e córregos; 
IV – Falta tratamento esgotos; 
IV – Sem controle no uso de águas subterrâneas e sem cobrança; 
V – Desmatamento causado por grandes empreendimentos.

O que precisa fazer urgente: 
I – Sistemas de Irrigação sustentáveis, pago; 
II – Investir em gestão das águas; 
III – Recuperação de nascentes e revitalização de córregos e rios; 
IV – Revisar o sistema de outorgas, com maior rigor na autorização; 
V - Transparências nas ações políticas ambientais.

O Governo não pode combater apenas os vazamentos e “gatos” dos pobres, deve fiscalizar as outorgas e as “onças” das mansões, “proibir desvio de cursos d’água e intervenções em áreas de preservação.”

Obra parada: A transposição do Rio São Francisco, que já consumiu bilhões é um caso perdido.

Governo de Minas pede R$1 bilhão para obras sobre as nossas águas.

São Paulo quer retirar água do Rio Paraíba do Sul para socorrer o Sistema Cantareira e pode prejudicar o Estado do Rio de Janeiro.

Guerra da Água já começou!

Manoel Amaral

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