quinta-feira, 10 de julho de 2014

PALAVRAS ASSASSINAS

O PODER DA PALAVRA ESCRITA
 Imagem Google

O jogo não dera certo, de repente a seleção contrária disparou a fazer gols e ninguém a segurava.

Foi uma decepção, veio o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto e assim até o nono.

Ninguém sabia o que tinha acontecido. O goleiro estava pasmo, nem ele acreditava.

Aquele campeonato tinha ido por água abaixo e muito rápido.

Nada adiantou os treinos, as massagens, as corridas, as palestras de ânimos e a fala da psicóloga, sem contar os médicos de plantão.

O capitão não sabia onde enfiar a cara, o treinador apresentou a sua demissão.

A torcida, da euforia passou a histeria, queria estrangular qualquer um para cristo.

Foi aí que começaram a surgir boatos na internet, mais especificamente no Twitter e no Facebook.

Alguém tinha adentrado no estádio antes do jogo e colocado qualquer coisa na água dos jogadores, um comprimido calmante.

Então era isso, quem tomou daquela água antes, durante e após o jogo foi ficando com o corpo mole, pedindo cama.

Estava estabelecida a época da caça, sem mais nem menos apareceu no Facebook um cara suspeito.

As câmeras espalhadas pela entrada do estádio e internamente não registraram coisa nenhuma de anormal. Mas espera aí, ali estava o suspeito, roupa preta, era um ninja.

Logo apareceu o seu primeiro retrato falado. E todos foram “à caça das bruxas.” Voltamos à Idade Média!

Com um pedaço de pau numa mão e na outra aquela foto borrada, que poderia ser qualquer pessoa.

Começaram no entorno do estádio, olharam num bar, entraram no comércio local e nada!

Estava escurecendo. O estádio quase fechando as portas. Eureca! Ali estava o homem. Era o Zelador, o seu nome? Ninguém sabia.

Começaram a espancá-lo e o caso virou manchete de todos os jornais da região, do país e até do exterior.

Foi encontrado por um passante, ensanguentado, quase morto internado num posto de saúde municipal, daqueles que não tem nada, nem esparadrapo, muito menos médico de plantão.

O povo ficou na dúvida: seria aquele mesmo o homem culpado?
Também nada ficou comprovado sobre o calmante na água.

Ninguém perguntou pela família do pobre homem que faleceu ali naquelas macas sujas de sangue seco, velho, de outros pacientes.

Tudo começou com umas palavras assassinas jogadas maldosamente nas mídias sociais e absorvidas avidamente pelo povão que gosta de ver o sangue correr.

Manoel Amaral

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