quarta-feira, 14 de maio de 2014

O SOLDADINHO DE PLÁSTICO

O SALDADINHO DE PLÁSTICO


Imagem Google


Naqueles tempos, onde não tinha apagão e nem Ministro Lobão, um velho General, grande herói de guerra, resolveu fazer vinte e cinco soldadinhos, com espingardas ao ombro, todos  de sucata de garrafa pet, para dar de presente ao seu netinho.

O aniversariante abriu a caixa de presente e foi colocando-os enfileirados. Eram quase todos idênticos, um deles tinha apenas uma perna, porque o plástico acabou e não deu para completar o bonequinho, mas isso não impedia que ele ficasse em pé junto aos outros.

Ali naquela sala tinham vários brinquedos caros, da indústria nacional e outros bem baratinhos vindos da nação vizinha.

Mas o que mais chamava a atenção do soldadinho de plástico era uma bela garotinha, que estava à porta de um castelo de papelão com um lindo vestido de bailarina, de tecido de TNT e um xale cheio de pedrinhas brilhantes de biju.

Ela tinha os braços e uma perna levantados e ficava a dançar ao som de uma música eletrônica; o soldadinho de plástico mal conseguia parar em pé, mas nem lembrava que só tinha uma perna de tanta emoção.

Morador de uma caixa de tênis, o seu batalhão, vivia marchando prá lá e pra cá.

Em noite de lua cheia, quando não havia queimadas, nem outras fumaças no ar, fazia chorosas serenatas para sua amada.

No meio da festa apareciam juntinhos e ele sempre olhando para aquele belo rostinho.

De outra velha caixa de sapatos surgiu um ser estranho, que foi confundido com o Saci Pererê, mas este tinha as duas pernas. Ele ficou nervoso e gritou com o soldadinho de plástico:
― Pode largar a minha bailarina!

O Soldadinho nem deu atenção, só ficou agarrado à linda mocinha.

Aí o feioso personagem gritou com mais força ainda:
― Depois da meia-noite você vai ver!  As coisas vão ficar pretas!

Quando chegou meia  noite o velho relógio de parede da mansão bateu: dim, dom; dim, dom.

Depois da última badalada tudo escureceu! Apenas uma luz de um raio no céu e o barulho do trovão.

O soldadinho foi atirado na rua e aquela chuva forte provocou uma enorme enxurrada que tudo levou. Grande quantidade de terra e pedras  desceram das encostas.

E o pequeno soldado de plástico seguia acompanhando a águas. Deu sorte, pois no meio do rodamoinho havia um bueiro, aí  ele conseguiu voltar ao ponto de  onde caíra.

Foi resgatado por seus amigos do batalhão, olhou para um lado e para o outro e vislumbrou aquela menininha linda que chorava num cantinho.

De repente uma das crianças jogou o soldadinho na lareira e ele sentiu um calor envolvendo o seu corpo. Achou até que seria o imenso amor que sentia pela bailarina.      

Conseguiu, ainda, dar uma última olhada para sua amada. Ela retribuiu, atirando o seu xale o que piorou a situação, o fogo aumentou. Um  vento forte que vinha da janela da sala e sem ninguém soubesse como,  levou a bailarina para a lareira.


Uma luz azulada foi vista pelas crianças lá pelos lados da fogueira. Dos dois só sobraram algumas pecinhas de biju da bailarina e um pedacinho de plástico do soldadinho.

Manoel Amaral
www.osvandir.com.br

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