quinta-feira, 28 de novembro de 2013

OSVANDIR E AS TESTEMUNHAS

OSVANDIR E AS TESTEMUNHAS
Imagem Google

“A caçada para o índio, representa uma luta até as últimas
consequências, com o objetivo da matança”.
Rosane Volpato

Numa daquelas noites, depois do trabalho duro na mata, à beira da fogueira, Osvandir ouviu do Pajé Katimbú esta história:
“Foi há muito tempo, quando tudo era só mata fechada naquela região. Os índios tinham como costume iniciar os jovens guerreiros em uma caçada no meio da floresta.
O primeiro grande animal que aparecesse era para caça do índio iniciante. Ninguém podia atacá-lo, salvo em caso de perigo eminente para ele.
Assim foram preparados para o grande dia, as cerimônias de iniciação dos jovens. O Cacique da tribo acompanharia a todos nesta caçada, pois seu filho também estaria entrando na fase de jovem para guerreiro. Era o ritual tradicional da caça. Alguns pintavam o corpo, destacando-se o vermelho e preto e usavam o termo "mrü kubin" que quer dizer “matar caça”.
No centro da mata, um barulho forte de um grande animal correndo. Todos de armas em punho. Era hora de demonstração de força, ação e reação. Luta corporal para vencer ou ser derrotado.
O guerreiro partiu de um lado, do outro a onça pintada, faminta, sem saber por onde atacar.
O ponto de encontro seria numa velha árvore próximo de um desfiladeiro.
A visão do animal um pouco embaçada, ia mais pelo olfato, de acordo com o vento.
O homem, também com visão prejudicada, via com os sentidos, pelo tato.
Ela ouviu um grito, ele ouviu um urro. Lança em punho, garras estendidas.
A luta era eminente. Ela sentiu um gosto de sangue na boca, ele um estranho contorcer do estômago.
Eles nem perceberam que por ali estavam mais sete guerreiros da tribo.
Um bem próximo da cena, outro bem afastado. Aquele lá embaixo no desfiladeiro e além, o do alto da pedra gigante. Um na frente e outro atrás.
A luta ia começar quando o valente guerreiro caiu sobre o animal que também estava morto.
A testemunha que estava próxima afirmava que tinha visto tudo. O Valente guerreiro transpassara o animal com a sua lança, mas recebera uma flechada de outro guerreiro que assistia a cena. Só que a flecha era para o animal.
A segunda testemunha que se encontrava mais distante disse que tudo ocorrera ao contrário. O animal foi morto pela lança do guerreiro e que uma faca atirada na onça por outro, acertou o índio.
A terceira foi mais objetiva, ela observava do alto da pedra gigante; disse que ao atacar, a onça se espetou sozinha na lança e o guerreiro caiu em cima de sua faca.
A quarta que estava lá no fundo da grota informou que o fato se deu da seguinte maneira: o guerreiro veio correndo tropeçou numa moita ao atirar a lança, esta atingiu o animal que lhe deu uma dentada na veia jugular.
A quinta veio da frente falou que tanto a onça como o guerreiro, deram uma trombada, a lança espetou-se no animal e o guerreiro com a faca na mão cortou o outro pulso e morreu.
A sexta que estava atrás da moita, disse que não pôde observar direito porque o mato atrapalhou a sua visão, mas o que viu por último foi os dois caindo, primeiro a onça e depois o guerreiro.
O pajé que tudo ouvia, sem nada dizer, resolveu chamar a alma do guerreiro. A fumaça branca subia pelo céu azul, um cheiro forte de alecrim e outras plantas pairava no ar.
Aos poucos uma pequena imagem, parecida com holografia, foi se formando ao lado de um arbusto. Todos em silêncio. Uma fina brisa caía sobre a mata.
Pajé Katimbú fumava um cachimbo indígena, feito de barro; cada baforada trazia uma nova mensagem, segundo suas crenças.
Daí a um certo tempo ele contou como tudo aconteceu segundo lhe foi revelado pela alma do índio.
“Eu vinha correndo em direção ao animal para matá-lo. Atirei a lança, que acertou em seu coração. A minha faca caiu ao lado da onça. Ao ver a caça ali no chão, sofri um ataque cardíaco de tanta emoção. A morte foi instantânea. Este é o meu depoimento”.
O sábio Pajé da mata levantou-se, bateu a poeira, deu um espirro e falou:
__ Nem tudo é o que parece ser, nesta grande floresta.

Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE

 Imagem Google

 "Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país." John F. Kennedy


O jornal noticiou que um louco fora internado no hospital. Tinha mania de querer matar o Presidente.

O Presidente estava preparando-se para partir. Iria visitar um estado que lhe era hostil, para acalmar os ânimos na política.

A política da esposa era outra e avisava sempre: __ Cuidado querido. Quero que você volte vivo! A gente nunca pode confiar num louco. Ele é sempre capaz de cometer desatinos...
__ Desatinos! O que há? Está com medo querida? Já viajei tanto e nunca me aconteceu nada. Tudo é a prova de bala no carro...

O carro americano, modelo 1963, deslizava suavemente no asfalto e a rádio anunciava que um louco fugira do hospital. O rádio do carro foi desligado por um instante.

Há instante dali, num recanto da cidade mais próxima a conversa era diferente: __ Você já está com o fuzil?
__ Já!
__ Então faça tudo como te ensinamos. Você não deve perder tempo. Estaremos te esperando do outro lado da rua.

Do outro da rua principal dera entrada o carro presidencial e vinha uma fila enorme de outros carros atrás. Os Senadores, Deputados, Governadores e Jornalistas sempre acompanhavam o presidente onde quer que ele fosse. Um forte dispositivo de segurança estava preparado.

Preparado ninguém está para o imprevisto. O presidente sentindo muito calor (teria o ar condicionado enguiçado?), mandou abaixar as capotas à prova de bala, justamente na hora em que virava a esquina.

Na esquina, do alto do prédio mais próximo, um tiro partiu. Todos ouviram, mas ninguém foi atingido. Outros três foram disparados de locais diferentes e o presidente foi atingido na cabeça e no pescoço.

Pelo pescoço abaixo o sangue escorria e hemorragia instalou-se naquele cérebro.

Naqueles cérebros a confusão se formava: __ Mataram o presidente! Assassinos loucos!

O louco saiu correndo, escada abaixo, atravessou a rua mas foi preso por um soldado que já estava ali para isso.

Enquanto isso, o carro presidencial dava entrada no hospital da cidade.

Na cidade o comentário era muito grande e um boato começou a ser espalhado no meio da multidão:
__ Um louco matou o presidente, dando três tiros lá de cima!

De cima, mais alto em pensamento do que a camada popular, os jornalistas imaginavam diferente:
__ Foram três tiros vindo de locais diferentes, o louco preso não era o assassino, o tiro vindo do prédio da esquina não atingiu ninguém.

Ninguém imaginava que o suposto assassino do presidente ia para o matadouro. Os saldados levaram o psicopata para a rua central da cidade. Ele não parecia doente mental, alguém que perdeu a razão, pelo contrário, articulava bem as palavras e seus gestos eram bem compreendidos. Contudo qualquer coisa o impedia de falar o que desejava. Queria gritar para todos que não estava louco. Que aquilo tudo não passava de uma farsa! Até a fotografia com o fuzil! Tudo combinado! Planejado!

Planejado também estava a sua morte! Quando fez um esforço maior para falar, um tiro a queima-roupa provocou uma fumaça no meio da multidão e a câmara da TV pode captar o último gesto do inocente útil, ainda algemado a um soldado.

Um soldado sem qualquer esforço pegou o atirador, ainda com a arma na mão.

Na mão da polícia estava o segredo da morte dos dois e ninguém se atreveu a verificar a verdade. O Relatório famoso, dizia que não havia complicação com organismos internacionais e que o único culpado era o “assassino louco,” o outro era apenas um “espectador exaltado.”

MANOEL AMARAL
Em dezembro de 1963

Do Autor de "Osvandir na Amazônia"
E-booK, na Editora Amazon:
http://www.amazon.com.br/s/ref=nb_sb_noss_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&url=search-alias%3Daps&field-keywords=Osvandir

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

OS APÓSTOLOS DA IGREJA DOS MENSAGEIROS

OS APÓSTOLOS DA IGREJA DOS MENSAGEIROS
Imagem Google


A sua Igreja era muito diferente, ninguém contribuía financeiramente, pelo contrário, recebia.

Eram bolsas de todos os tipos, cursos onde eles eram pagos para frequentar as aulas.

Quando era para votar, recebiam uma graninha extra. O dinheiro “corria solto” naquelas paragens. Vinha numas malas pretas de um banco escolhido a dedo pela organização.

O mestre era o contrário dos outros mestres religiosos: não via nada, nada comentava e não sabia de nada.

Mas muitos milagres lhe eram atribuído: a multiplicação do dinheiro e a transformação da água em pinga. Tinha até a transposição de um rio que não acabava nunca e moía um dinheirão.

Funcionava assim: um Projeto era feito para consumir “x”, mas acabava com vários “xxx”. A alegação era de que tudo subia no período das construções. Também aquilo não iria beneficiar os pobres, ali só os ricos fazendeiros teriam água à vontade.

Se o povo manifestava, logo apareciam os “homens de preto” e quebravam tudo, por ordem da Igreja.

A internet e as eleições eram completamente dominadas por eles. Se aparecia um para falar bem de um contrário as direções da Igreja, no mesmo momento mais de mil, postavam a favor do Mestre dos Mestres.

A urna eletrônica, apesar de sua propalada modernidade, foi rejeitada por todos os países vizinhos. Era muito fácil fraudá-la.

Naquela Organização tudo era planejado para arrecadar dos órgãos públicos o máximo possível. Inventaram as Instituições Filantrópicas que conseguia limpar todos os fundos.

Naquela Igreja eles não tinham preconceitos contra as mulheres e as nomeavam para todos os escalões.

Ali todo “fiel seguidor” era pago e muito bem orientado. Quando havia eleições eles se transformavam em verdadeiros cabos eleitorais.

Mas como toda instituição, existe altos e baixos, a corrupção também atingiu a Igreja dos Mensageiros.

Foi tanto dinheiro distribuído que até os santos desconfiaram. Aí a justiça resolveu processar 12 apóstolos.

Os novos apóstolos não eram pescadores, mas lavavam o dinheiro na rede.
Os apóstolos da mídia desciam a rua cercado por seguranças e muitos carros pretos. Eram muito assediados.

Alguns foram pregar nas cadeias, outro se apressou e foi para Itália.

Muita coisa ainda está sendo investigada e acreditamos que a maioria vai escapar de uma punição, mas já é um bom começo.

O perigo é transformar estes Apóstolos em mártires.

No meio dessas confusões novas Igrejas surgirão.

Manoel Amaral

www.casadosmunicipios.com.br

domingo, 17 de novembro de 2013

OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO II - FINAL

Capítulo II

O CAVEIRÃO

“A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”
(Papa João Paulo II)

Tudo parecia tranquilo naquela manhã de quinta-feira, Osvandir acabava de chegar de mais um passeio turístico pelas praias de Copacabana.
Tomara banho e seguira para o restaurante do hotel para almoçar.

Quando estava saboreando o último gole do vinho francês Chateauneff que estava sobre a mesa, o seu celular tocou. Era a Bebel, mulher do Agostinho, solicitando ajuda. Alguém iria passar no Hotel para apanhar Osvandir e levá-lo até o local.

Naquela apreensão sem saber o que seria, Osvandir ficou lendo uma revista Época, ou melhor, olhando as figuras. Mulheres lindas desfilavam na calçada de Copacabana. Um friozinho vinha do mar e assolava a todos.
Um carro parou na entrada do hotel, o coração de Osvandir começou a bater mais forte, mas acalmou-se logo após, quando notou uma bela mulher loura, descer do veículo.

Era a acompanhante que iria levá-lo até onde estaria o seu novo amigo Agostinho. O motorista, meio suspeito, portava uma estranha barba ruiva e um longo bigode a atravessar-lhe o rosto. Um chapéu panamá encobria-lhe parte da cabeça. Os óculos escuros de aro largo, cobria todo seus olhos. Tinha mais ou menos uns 35 anos. Falava pouco e media as palavras.

Um mistério rondava o ar, o que seria que estava para acontecer? Agostinho estaria em perigo de vida? Fora assaltado mais uma vez?

Torturado por estes pensamentos começou logo a conversar com a passageira, sua acompanhante.

― O que foi que aconteceu? Mais um assalto?
― Não! Não! Você vai ficar sabendo logo que chegarmos a Favela da Rocinha.
Um barulho, já seu conhecido, fez-se ouvir lá nos morros. Era uma metralhadora, cuspindo fogo em algum lugar.

Num balanço do veículo, Osvandir pode notar uma arma na cintura do motorista. Parecia uma Pistola Taurus PT 92, para 12 tiros. O medo foi tomando conta do nosso aventureiro.

Rio de Janeiro não era brincadeira não. Uma autoridade paralela governava o Estado. Estava escrito no rosto daquele motorista.

Os Grupos de Elite, das favelas possuem armas muito mais pesadas e mais possantes que as armas dos policiais. Tem até um  Fuzil HK G3 - de calibre 7.62x51 mm atira 600 tiros por minuto e suas balas percorrem mil metros em um segundo. Olha só o absurdo, 600 tiros por minuto. É bala que não acaba mais. Por esta razão que existe tantas mortes por bala perdida. Não são perdidas, saem desta arma; quando os atiradores, bêbados ou drogados, saem atirando a esmo.

Dava para perceber que se aproximavam do local, devido a barulhada de balas cruzando no espaço. A Favela da Rocinha é a maior da América Latina, tem 150.000 habitantes, que na maioria é gente simples, honestas, que trabalha para ganhar o seu suado pão de cada dia. Tem de tudo, é uma cidade dentro da cidade. Tem até governo próprio. Os traficantes dominam maior parte do local, com seus possantes AK-47 que é  a arma mais usadas por eles, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Desceram num local nada recomendável, havia um barracão lá no fundo, com telhas de amianto e uma pequena varanda na frente. Estava ainda por terminar, as paredes de tijolos velhos, sem reboque.

Osvandir ficou com um pé atrás, com a pulga atrás da orelha. Qualquer coisa não ia bem. Os homens estavam nervosos, correndo para um beco bem estreito e escuro. Vários tiros foram ouvidos ali por perto, anunciavam qualquer coisa.

A mulher agachou-se atrás de uns velhos tambores de óleo. O motorista sacou a arma e atirou para os lados do beco. O clima estava quente. Os sequestradores perderam o homem da TV Globo. Agostinho havia fugido do cativeiro. Não havia nada que negociar. Osvandir também arrumou um jeito de escapar daqueles dois.

Enquanto o Caveirão, carro especial da Polícia, roncava lá em baixo e um confronto era montado, as pessoas fugindo do local. O comércio cerrava as portas. Tudo parecia um clima de guerra. Quem não está acostumado com aquilo, fica muito assustado.

Foi aí, que por um milagre, apareceu no começo da rua, um táxi. 

Osvandir deu sinal e ele foi parar mais embaixo. Entrou apressadamente e mandou e que seguisse para o Hotel Copacabana Palace:

― Vá direto, não faça nenhuma parada, pago o dobro da corrida!
         ― Sim Doutor! Disse o taxista.

        Quando já refeito do susto, saboreando um copo de água mineral, Osvandir ficou sabendo pela TV que havia um confronto na Favela pelo desaparecimento de Agostinho da TV Globo, do cativeiro.

        Os repórteres informavam que ninguém sabia de mais detalhes...


FIM

Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

NOTA DO AUTOR: Este texto foi enviado, graciosamente, para Rede Globo para compor algum capítulo da Série "A Grande Família", em resposta o autor recebeu o seguinte e-mail: 

Manoel Amaral

Rede Globo quer se relacionar e interagir com seu público, criando uma programação cada vez mais próxima de quem nos assiste. Informamos, contudo, que a nossa política interna não permite o recebimento ou a análise de materiais (tais como sinopses, roteiros, modelos de programas, formatos etc.) elaborados por profissionais que não são contratados pela emissora. Agradecemos seu interesse e sua audiência.


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sábado, 16 de novembro de 2013

OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO

OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO I
Imagem Globo

Capítulo I

COPACABANA PALACE

"Fica sempre a dúvida: essa guerra ali, essa guerra acolá, porque há guerras em todos os lugares, é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para vender essas armas no comércio ilegal?"
(Papa Francisco)

Osvandir estava rememorando as aventuras por que passou no meio da Floresta Amazonas, algumas palavras mais pronunciadas naquela região, veio-lhe a mente a linda imagem de Caá-Potyra, a “Flor do Mato”, morena de olhos azuis, com aquela meiguice de índia ainda não aculturada.

O avião moveu-se para cima e depois para baixo, qualquer coisa não ia bem. Uma fumaça saía de um lado da asa direita. Passageiros em polvorosa. As máscaras de gazes caíram, dando a impressão que a coisa era mesmo grava. Mas já estávamos próximo ao Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro.

Naquela segunda-feira, uma névoa intensa cobria a região, não se avistava ninguém, nem nada, a partir de uns 50 metros de distância.

Ao apanhar as malas notou um motorista de táxi de bigode fino, olhos castanhos, magro, de uns 30 anos, nem bonito nem feio, aquele tipo de pessoa que qualquer um pode reconhecer na rua. Ali estava AGOSTINHO, motorista de táxi, típico carioca, com aquele linguajar característico, soltando o “s”, contador de histórias.
― Olha só quem eu encontro no Rio, falou Osvandir.
― Sim Senhor, para onde vai? Respondeu Agostinho.
― Para Copacabana.
― Vou levar o Senhor para um bom hotel, pode deixar.

No trajeto, Agostinho começou a contar uma história, mas Osvandir estava com sono e não ouvia muita coisa. O motorista aproveitou-se para dar umas voltas, enquanto o velocímetro rodava, rodava e os valores iam subindo. A corrida teve seu preço triplicado.

Ele pegou a Via Perimetral, virou na Av. Presidente Vargas, passou pela Praça da República, virou a esquerda e já estava saindo do centro.

Uma parada acordou Osvandir, um barulho de metralhadora pipocou no ar. Eram as quadrilhas em constante luta pela posição de comando nas favelas. Estávamos atravessando a Favela Dona Marta.
― Já estamos quase chegando doutor, pode ficar tranquilo.

Agora sim, ele contornara uma rua estreita, naquela escuridão e voltara para o local indicado: Copacabana.

Passou pelo túnel André Rebouças seguiu direto beira mar, pegando a Av. Atlântica e algumas quadras depois deixou Osvandir no Copacabana, aquele lindo hotel que os chineses estão tentando construir uma réplica lá em Pequim.
― Agostinho, quando foi inaugurado o Copacabana Palace?

― Em setembro de 1923, considerado o mais suntuoso edifício do gênero que possui a América do Sul e um dos mais lindos do mundo. O hotel tornou-se um ponto de convergência da alta sociedade carioca e turistas do mundo inteiro. Tenho trazido para cá pessoas dos EUA, França, Alemanha, Rússia, são tantas que nem lembro mais.

Ao descer do veículo Osvandir dirigiu-se a portaria do hotel para confirmar sua reserva.

― Apartamento Luxo Clássico, com vista para a praia de Copacabana e sala de estar. Falou o atendente.
― “Rio, Cidade Maravilhosa". Temos atrações incríveis como museus, igrejas e prédios históricos e com suas belezas naturais como o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico e o Parque da Lage; o Rio é uma cidade incomparável! O carregador de malas não cansava de explicar.

Osvandir cansado, dirigiu-se ao apartamento para uma soneca.
Uma hora depois desceu para o café da manhã no Restaurante Pérgula, próximo à piscina.

Naquele primeiro dia iria visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, na parte da manhã.

Ligou para o Agostinho, o celular não atendia. Aguardou alguns instantes e tornou a ligar.

― Alô, é o Agostinho? Aqui é o Osvandir, lembra-se, de ontem, quando você levou-me até o Copacabana Palace Hotel.
― Onde você está?
― Estou na portaria do Hotel.

Meia hora depois chegou o motorista de táxi, apavorado, dizendo que tinha sido assaltado pela terceira vez neste mês.

Explicou onde queria ir e seguiram rápido, primeiro para o Cristo Redentor, aquela estátua maravilhosa de onde pode avistar-se grande parte da cidade maravilhosa. Várias pessoas e países diferentes estavam ali aos pés de uma das maravilhas do mundo.

Seguindo para o Pão de Açúcar, uma pequena parada para tomar água de coco e devorar aquele churrasquinho de camarão.

― Osvandir, o bondinho do Pão de Açúcar é considerado um dos mais seguros do mundo. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em todos os pontos. O percurso é todo programado e controlado por equipamento eletrônico.

― Sei disso Agostinho, são três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos.
― Você vai subir comigo?
― Não! Tenho medo de altura!

Enquanto nosso amigo subiu da Urca até o Pão de Açúcar o Agostinho ficou por ali, batendo papo com turista e se metendo em confusão.

Do bondinho podia-se ver a Praia Vermelha e adjacências.

De volta para o hotel, Osvandir resolveu ler os jornais do dia.
Pegou o Estadão e a primeira manchete que viu foi a seguinte:

Globo vai dar continuidade ao programa “A Grande Família”.

A seguir tecia uns comentários sobre a audiência do programa que ia muito bem.


(Continua)


Manoel Amaral

NOTA DO AUTOR: Este texto foi enviado, graciosamente, para Rede Globo para compor algum capítulo da Série "A Grande Família", em resposta
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Cordialmente,
Globo.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

COMO COMPRAR E-BOOKS SEM O KINDLE

COMO COMPRAR E-BOOKS SEM O KINDLE


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Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br