terça-feira, 17 de setembro de 2013

OSVANDIR EM VENEZA




Capítulo II

NOVA ORDEM MUNDIAL

“Uma nova ordem mundial vai emergir da atual crise econômica.”

Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown


Ainda na ala de desembarque do aeroporto de Roma, Osvandir ficou sabendo que alguns voos, inclusive o seu com destino a Veneza, estavam atrasados. A ideia era de Roma seguir em um táxi-aéreo até o aeroporto de Treviso, que fica situado a 30 km da cidade de Veneza.

Uma vez em Treviso, pegaria um trem, idéia do próprio Osvandir, um romântico por natureza, cujas as partidas são em Paris e acontecem todos os dias as 20h30, na Gare de Bercy, uma estação ao sul da Catedral de Notre Dame e que, excepcionalmente nesta semana, faria parada em Treviso antes de finalmente chegar até Veneza.

Depois de muitas horas de leitura dos jornais, regadas ao legítimo capuccino e se interando das últimas notícias do terremoto que assolou a cidade de Áquila, no norte da Itália, finalmente Osvandir embarcou no táxi-aéreo, especialmente fretado para ele, com destino a Treviso.

Cansado da viagem, mas feliz por estar novamente na Veneza das antigas histórias, Veneza das ruelas, das pontes sobre os canais, Veneza da "escada louca" ou “escada turca", onde os personagens da comunidade armeno-judáico-egípcia se reuniam a beira do poço de hera, no "pátio secreto", ou do "arcano". Conta a lenda, que para lá entrar era preciso abrir sete portas, e cada uma delas tinha gravado o nome de um shed, demônio da casta dos Shedim criada por Adão quando foi separado de Eva, após o seu ato de "desobediência".

Ainda nesse estado, meio sonhando acordado, Osvandir voltou rapidamente à lucidez, em um insight, lhe veio a mente o nome Aurélia, só podia ser isso, o nome da proprietária da coleção de livros raros era uma alusão a outra Aurélia, a borboleta, a guardiã da sabedoria gnóstica, que oferecia seu saber a cada um que o desejasse em milhares de reflexos coloridos.

Osvandir pegou o celular e ligou para o seu amigo Sandi, o jovem médico que estava sendo perseguido, dia e noite, por um mercenário na tentativa de silenciar qualquer informação a respeito da estranha doença que vinha atacando os monges do monte Etna. A ligação estava muito ruim, mas Osvandir conseguiu que o amigo, que era nascido na cidade de Toledo, Espanha, se lembrasse das maravilhosas histórias que os mais velhos contavam em sua infância, em uma delas estava a chave que explicava a loucura dos monges.

Agora mais tranquilo, Osvandir resolveu aproveitar e tomar um banho na banheira relaxante do hotel. Pediu uma garrafa de vinho e em sua mente, como em um filme antigo, surgia as palavras proféticas: na vida dos homens que querem saber há sempre as sete portas secretas. Osvandir sabia que a manhã seguinte seria de muito trabalho e aproveitou o bom vinho em seu banho regado a sais e água morna.

Logo ao alvorecer procurou uma R.:L.:Hermes, ou como são mais comumente chamadas, loja maçônica, precisava obter mais informações da lendária Guarda Negra que há séculos pertence à Maçonaria e que anteriormente pertencia a uma ordem monástica militar, a dos Templários.

Começava aí a explicação que o seu perseguido amigo Sandi tanto procurava.


Jose Ildefonso

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