quinta-feira, 11 de julho de 2013

O JOVEM CANDIDATO I

O JOVEM CANDIDATO I
Imagem Google

A luta entre os dois poderes era muito grande. De um lado os poderes do mal: os maus políticos, os traficantes, as drogas e os milhões. Do outro lado os do bem: a polícia, a justiça e a população sem tostões.

Tudo estava virando de cabeça para baixo. A eleição estava chegando.

Havia um candidato jovem, bonitão e rico. As estatísticas (compradas) indicavam que o candidato jovem subia como um foguete.

Dinheiro não faltava e apoiadores nem se fala. Doações caiam na rede como peixe. O partido novo estava vencendo em todas as regiões.

Seguindo a moda a agremiação não começava com a palavra partido. O nome escolhido foi União Renovadora Nacional -URNA. O partido foi registrado com a maior facilidade, um ano antes das eleições.

Não faltavam apoiadores e candidatos mil. A maioria das cidades que tinham tantos candidatos que era necessário fazer uma triagem: eliminavam a metade e só a outra metade poderia concorrer.

As cores estavam espalhadas por todos os morros, centros e bairros. As capitais estavam todas coloridas de verde e branco.

As fotos do candidato estavam dependuradas até em árvores, nas porteiras. Outdoors gigantes espalhados pelos prédios abaixo. Em todos os muros foram desenhados as imagens do partido. Não sobrou espaço para nenhum outro, que estavam encolhidos mediante o gigantismo daquele candidato. Todas as maneiras de propaganda foram utilizadas.

O símbolo era uma mão segurando a outra sobre um fundo verde e branco.
Inventaram milhões de insinuações de que o desenho tinha duas pistolas de cano longo, uma suástica etc. etc.

Milhões de bandeirinhas, bandeiras e bandeirões, bem como faixas de todos os tamanhos circulavam nas mãos de crianças, jovens e velhos.

Muitas mulheres foram arregimentadas para trabalhar como batalhão de frente. Os velhinhos estavam ganhando muito bem distribuindo santinhos por todo lado.

As escolas públicas e privadas, ávidas por algumas verbas a mais, promoviam debates imitando os candidatos e o jovem sempre ganhava de todos.

As grandes empresas estavam todas com aquele candidato apesar de distribuir doações para todos.

Os candidatos a Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais daquele partido estavam muito bem colocados. Onde aparecia as cores verde e branco tudo ia de vento em popa, em todos estados.

De Norte a Sul aquele partido ia vencendo a olhos vistos. Não faltavam eleitores, todos muito empolgados.

As urnas eletrônicas passaram por uma revisão. Agora não precisava nem de título eleitoral. Bastava a pessoa colocar o indicador no visor e os seus dados apareciam na tela.

Marcar o candidato ficou mais fácil ainda, por todos os lados tinham as fotos e os números.

Aquela besteira de proibir Showmício acabou. Por todo canto havia um candidato divulgando os seus textos e pensamentos.

Na TV, o prazo da União Renovadora Nacional - URNA era o maior devido as inúmeras coligações.

Os eleitores estavam muito bem tratados. Todos os dias recebiam bolsas, camisas, bonés e até dinheiro devidamente colocado num envelope branco. Sem contar os alimentos, que agora estavam mais baratos. Algumas cestas tinham até carne de primeira e papel higiênico.

Tanto candidato dando as coisas que estava difícil atravessar a rua. Pequenos brindes estavam espalhados em cada esquina, era só o eleitor apanhar.

Em cada casa tinha uma bandeira, nos prédios os bandeirões. Nas mãos das crianças as bandeirinhas.

Adesivos nos carros, placas nos quintais e nas esquinas, de todos tamanhos e gostos.

O dia 15 de novembro estava chegando, a vitória estava próxima.

Houve alguém que até disse que este candidato seria o “divisor de águas,” nunca ninguém fizera uma campanha eleitoral igual a esta.

Toda a eleição decorreu na maior tranquilidade.

Só aconteceu um caso muito interessante: um pequeno povoado com mil e poucos eleitores teve mais votos que habitantes.

Manoel Amaral


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