sexta-feira, 7 de junho de 2013

O VELHINHO III

Velho Sabido

“A verdade é o que é.”

Osvandir ficou sabendo desta interessante história e foi até Três Serras, para conferir.

Teve acesso ao inquérito policial, examinou os laudos da seguradora, conversou com as pessoas e concluiu:

A polícia estava enganada, o velhinho era mais esperto do que se imaginava.
Atentando para um detalhe que passou despercebido pela polícia, acabou suspeitando do resto da história.

Naquela morte de sua esposa pelo amante e vice-versa, as provas recolhidas não conferiam. A balística informou que os primeiros tiros que atingiram Catarina e Osvaldo saíram cada uma de uma arma, mas os outros que apenas acertaram nas paredes, as armas estavam trocadas, o calibre era diferente, fácil de notar.

Osvandir então procurou por outros indícios, na garagem da casa de Osvaldo. Descobriu uma câmara, num canto atrás da escada, meio invisível.

Pegou a gravação e examinou quadro a quadro,  pode perceber que tudo ocorrera bem diferente do que imaginavam, houve um assassinato.

Josias enviou as mensagens para Catarina e Osvaldo combinando um encontro na garagem. Ficou de tocaia. Assim que eles chegaram disparou seguidamente nos dois com as armas.

Pegou uma pôs na mão do morto deu um tiro na parede e fez o mesmo com a outra, ele queria deixar pólvora nas mãos deles, para não levantar suspeitas, só que se esqueceu e colocou as armas em corpos trocados.

No contrato da seguradora achou interessante que foi uma amiga quem assinou por Catarina, por meio de procuração. Não se sabe se foi Josias que providenciou isso.

Se o incêndio foi criminoso ou não, é outra história, não mais interessa.  O velhinho já estava bem longe e com todo o dinheiro do seguro na mão.


Manoel Amaral

O VELHINHO II

“Nem tudo parece ser o que é.”

O Homem Fraco

O povo tomou conhecimento que houve um tiroteio na garagem da casa do amante. Morreram duas pessoas: Catarina, a esposa do velho e Osvaldo, o homem da academia. Alguns até pensaram em assalto seguido de morte, mas tal hipótese foi descartada pela polícia.

No inquérito ficou constatado que o casal brigou e cada um deu dois tiros no outro.

A polícia recolheu as armas e quatro balas incrustadas nas paredes. Havia pólvora nas mãos dos dois.

Foi recolhido na internet e nos celulares conversas dos dois amantes, no último recado em que combinaram de encontrar-se lá na garagem.

Para a polícia aquilo bastava, assunto encerrado.

Muitos puderam notar a tristeza do velho no enterro e nos dias seguintes.
O azar quando começa nunca acaba. Numa tarde de verão a casa de Josias pegou fogo.

Alguns meses depois Josias foi procurado pela seguradora que havia um seguro da casa.

Sua esposa Catarina fez este seguro, conforme documentação informou o corretor.
Engraçado, nem sabia disso, insinuou Josias.

A seguradora verificou se a documentação estava em ordem e mandou encaminhar para as providências legais.

Em poucos meses o valor do seguro foi depositado em sua conta, conforme combinado.

Todos se esqueceram do assunto, Josias mudou-se para outra cidade.

Manoel Amaral


O VELHINHO I

A Mulher Forte
“Nem tudo é o que parece ser.”

O povo dizia:
Este casal tem tudo para não dar certo.
Uma linda jovem, forte, musculosa, alta e ele baixinho, magrinho e muito feio.

Nisto tudo havia interesse de certa forma. Ela procurava abrigo, apoio e situação financeira equilibrada. O velho ganhava bem.

Ele procurava carinho, tranquilidade, apoio moral e foi o que encontrou nela.
Ele sempre foi um cara muito legal. Nas rodadas de cerveja gostava de pagar todas para os amigos.

Eles casaram-se e foi até engraçado na lua de mel ela pegou-o nos braços e adentrou o quarto. Ela fazia de tudo para agradar o marido.

Apesar das insinuações aquele casal estava sempre nas grandes festas da cidade. Frequentavam os clubes bem vestidos, um carrão, sempre a causar inveja a muita gente.

O tempo foi passando e as relações amorosas foram diminuindo. Ela já não queria saber de nada na cama. Um dia estava com dor de cabeça outro fingia que estava dormindo e assim foi por um tempo até que Josias desconfiou de alguma coisa.

Passou a segui-la e notou que ultimamente ela estava frequentando a academia com muita frequência. Notou até mais vigor na face da jovem esposa.

Pediu a um amigo detetive que a seguisse e focasse o trabalho ali naquela academia.

Não precisou nem um mês e o contratado já veio com fotos flagrando o casal num beijo atrás da aparelhagem de musculação. Mais alguns dias e novas fotos num motel, com o mesmo rapaz.

Josias procurou conversar com a mulher, mas o que recebeu foi um soco no olho e algumas costelas quebradas.

Para os amigos dizia que havia caído da escada. Fez um Boletim de Ocorrência na Delegacia, lá só zombaram dele. É que fazia questão que ficasse registrado aquele fato.

Os dias se passaram e em cidade pequena tudo se sabe.

Manoel Amaral