domingo, 4 de novembro de 2012

O SÁBIO SABIÁ SABIA TUDO


O SÁBIO SABIÁ SABIA TUDO

Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros.
(Augusto Cury)
Vou contar para vocês o que me aconteceu esta semana, só esta semana: Estava no quintal de minha morada, que é uma grande escola, fácil de descobrir, começa com Padre, tem as mesmas vogais do meu nome, Matias.
Logo abaixo uma bela praça e na frente um igreja muito bonita, já entrei lá para clarear as ideias. Estava assim meio tristinho porque a minha querida disse que era chegado tempo de por alguns ovos.

Pensei logo nas dificuldades que passei da última vez, morava num local totalmente desprovido de alimentação. Seco, sem árvores, só prédios e mais prédios, um atrás do outro.

De vez em quando aparecia uma alma caridosa que molhava o chão para lavar o seu carro aí a gente podia ciscar e descobrir algumas iscas. O lixo era farto, mas nós não vivemos de lixo. Somos mais sofisticados, comemos as saborosas minhocas dos jardins.

Dia desses fiquei sabendo que alguém até escreveu um livro só dedicado a mim: “O Sabiá e o Abacateiro.” Nem sei quem foi, mas fiquei muito envaidecido, até que enfim alguém se lembrou da gente.

Mas a minha nega (será que alguém vai se importar de chamá-la de nega? Esse negócio de afrodescendente é pura bobagem). Pois é ela estava lá chocando os seus ovinhos numa janela que vivia fechada. Quando descobriram que a gente estava lá, apareceram tanta pessoas só para atrapalhar. Era um tal de abrir e fechar a janela, só para bater fotos e mais fotos, que eu já estava perdendo a paciência.

Não xinguei, mas arranquei alguns cabelos de uns chatos. Aproveitei e levei para o ninho, eles são macios e bons para isso.

Outro dia, lá na praça, vi uma fumaça danada, era uma turma de jovens. 
Pensei que meus filhos estivessem no meio, mas que nada, há muito tempo eles não aparecem por estas paragens, foram para as bandas do grande Bairro do Niterói.

Os jovens são assim mesmo, a gente os cria e quando começam nascer penas já vão logo voando por outros cantos e abandonando a gente.

Esteve um biólogo aqui na Escola, só para estudar as minhas idas e vindas, achei aquilo meio chato e mandei ele embora com uma boas bicadas. 

Biólogos, ah! Estes caras meio doidos, querendo conversar com a gente.

Aqui conversamos só com o zelador da escola, ele é legal com as crianças e com gente. Molha as plantas todas as manhãs e alí conseguimos o nosso alimento preferido debaixo daquelas folhas e gramas.

Sabina, a minha nega, anda muito preocupada com algumas crianças malvadas que estão atirando pedras no nosso ninho. Já falei para ela que não precisa se preocupar, qualquer dia desses eu ataco esta turma e vão ficar com a testa marcada para sempre.

Alguns estão até reclamando do meu linguajar. Ora, aprendemos com os humanos, que falam muito palavrão e gíria. E agora para completar, um besteirol sem fim da internet. Facebook, ah! Coisa besta, ficam lá no computador horas e horas quando deveriam estar fazendo qualquer coisa de útil. Estudando, por exemplo. Ou então conversando com os filhos.

E este tal de celular? Nossa Senhora, que aparelho inútil. Só serve para fofoca. Quando precisam utilizá-lo para emergência, não tem bateria.
Vi gente quase morrer, daqui desta praça, tentando atravessar a rua sem olhar para os lados.

Uma coisa horrorosa este tal de celular. Uns falam alto. Já outros simulam barulhos e falam a esposa que estão no trabalho ou na escola, quando na realidade estão nos bares enchendo a cara.

Estes dias encontrei um até moderninho, tinha rádio, tocava umas músicas até bonitas. Mas daí a pouco começou aquela enxurrada de música, que dizem modernas, mas de um gosto muito além do pior.

Por hoje é só, mas se quiserem ouvir umas lindas músicas dos velhos tempos é só clicar aí em baixo:



Manoel Amaral   -  http://osvandir.blogspot.com.br

3 comentários:

  1. Prezado amigo Manoel precisamos ouvir e interpretar as mensagens da natureza e o sabiá é um digno representante. Ouvir o Sabiá cantar ao nascer do dia é maravilhoso e traz paz e serenidade para nossa vida. Eu adoro os pássaros, mas livres sem gaiolas e com toda liberdade de me visitar quando quiser. Mantenho o meu pé de Abacate só para ter a companhia dos pássaros. Muitíssimo obrigado por citar no seu magnifico texto o meu singelo poema. Bravo, adorei sua crônica.
    Grande abraço.
    Almir.

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  2. Almir,

    Não sabia que era o seu este poema.
    Para todo efeito fica aqui registrado.
    É que existe por aqui um livro com
    este título "O Sabiá e o Abacateiro".
    Vou voltar ao seu site para ler novamente o poema.

    Abraços
    Manoel

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  3. Querido amigo Manoel, estava com saudades de te ler, então,fui ao blog de Osvandir, adorei a estória daquele sabiá, achei ele um pouco soberbo, meio metido(rsrsr). Cheguei a postar um comentário, mas não foi pois não aceitou este meu e-mail aqui, sabe adorei a maneira que o sabiá chamava a dona sabiá, mas cuidado ,vá que o movimento negro veja e ache ofensa(rss), então o sabiá ia ter que se explicar,brincadeira meu amigo, espero que tenhas um ótimo restinho de semana, fique com Deus,carinho Rosinha. bjs.
    ROSA BLUE

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