quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O CANDIDATO QUE GANHOU A ELEIÇÃO


O CANDIDATO QUE GANHOU A ELEIÇÃO



Candidato: palavra que vem do latim, “cândido,
ou seja, puro, sem pecado, desprovido de ganância e
maldade que visa o bem comum e não pessoal.”

Feliz está o candidato que ganhou a eleição. Foi tanta emoção, tanto apoio (forçado), que quase morreu do coração.

Trabalhou tanto. Nem vamos falar nos cafés vencidos, biscoitos duros, conversas fiadas, pedidos dos eleitores, dinheiro gasto, campanha contra o tempo, outros concorrentes e tudo mais.

Vários cabos eleitorais ajudando em todos os bairros, interessados na partilha de cargos.

Vereadores rasgando a sola do sapato para elegê-lo e ficar na lona, sem nada. Aguardar a próxima. Quem sabe uma migalha na Prefeitura para servir de consolo.

Nem vamos falar da decepção com os eleitores de duas caras, que mostram uma e depois aplicam a outra. Prometem votar em todo mundo e não votam em ninguém. Às vezes nem títulos têm, ou são analfabetos, votam errados em números que não existem.

Candidato a Prefeito é bem mais fácil que Vereador. Todos ajudam quem tem ou não tem interesse.

As coligações e aquele batalhão de pessoas tentando convencer outro batalhão de indecisos.

As pesquisas (compradas) são despejadas em todos os lugares, convencendo até poste a votar no dito cujo.

Em cidade pequena é ainda melhor, poucos são os que votam e muitos os que ajudam.

Os candidatos de primeira viagem são logo orientados pelos experientes chefes de campanha (!).

As mulheres, não acostumadas, sofreram várias cantadas e quebraram muitos saltos de sapatos. As rasteirinhas deram uma verdadeira rasteira nelas, mas chegaram à reta final, ilesas.

No início, os santinhos não chegavam, era aquela ansiedade, quando chegavam tinham muito erros. Eram distribuídos assim mesmo, não havia tempo para correção. As gráficas todas cheias de promessas não cumpridas.

O programa photoshop ajudou muitos candidatos. Uns ficaram até irreconhecíveis. Algumas plásticas aqui, outras acolá. Botoque no cantinho dos olhos. Sobrancelhas levantadas, cílios e pelos das sobrancelhas arrancados e uma porção de truques levaram os candidatos à vitória.


Os prometidos patrocínios chegaram rápido e canalizado para a sua candidatura. Os candidatos a Vereadores ficaram a ver navios.

Os apelidos não ajudaram em nada, pelo contrário, atrapalharam. Hoje as urnas eletrônicas não querem saber de nome, sobrenome ou apelido, só engolem números e vomitam resultados.

Muitos eleitores não sabiam em quem votar devido ao grande número de papéis na cidade. Partidos então, um montão. Nem sabemos para que tanto partido. Três ou quatro já seriam ótimos.

Os bons, os maus e os que não tinham a menor ideia de nada, estavam ali, sendo malhados pelo povo, como se palhaços fossem.

Santinhos, cartazes, eram todos massacrados, rabiscados, amarrotados e jogados no lixo. Sem contar os bigodinhos, óculos, dentes de vampiros, chapéus e outros nomes impublicáveis, eram acrescentados em tudo que era distribuído ao eleitor.

Todos queriam um candidato perfeito. Não existe candidato perfeito, todos têm os seus defeitos e qualidades.

Era uma festa! Agora só papel, papel e mais papel. E nem serve para rascunho, está escrito dos dois lados.

Muitos candidatos inexperientes distribuíram páginas inteiras nas ruas. Não adianta o povo não lê. Quanto menos texto melhor. O que vale são as imagens. Jornal tem que ter muitas fotos e um texto pequeno. No caso da internet, quanto menor o texto, melhor.

Ah, ia esquecendo. E alguns candidatos que largaram a rua e enveredaram na internet. Ficaram só facebookando, tuitando, youtubando e internetando. Pura bobagem, em cidade pequena não surtiu efeito nenhum. Também curtir, sair seguindo alguém, vendo pequenos e horríveis vídeos caseiros ou pesquisando site e blog de candidatos não quer dizer voto garantido.

Ainda bem que os vencedores deram um basta ao Facebook, coisa de quem não tem o que fazer. Ora pois, pois; ficar clicando a noite inteira não traz nenhum eleitor para as urnas.


Muitos ficaram pelo meio do caminho: assassinados, enfartados, sequestrados, “acidentados”, tudo por paus-mandados.

E depois das eleições, a posse e finalmente as contas para pagar.

Manoel Amaral


Veja o "Candidato que perdeu as eleições" no link abaixo:
http://osvandir.blogspot.com.br/2012/10/o-candidato-perdeu-eleicao.html

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