terça-feira, 4 de setembro de 2012

VAMOS CAÇAR TATU?


VAMOS CAÇAR TATU?


Lua cheia, na zona rural, casal de namorados na varanda:
-- Que lua linda – diz romanticamente a garota.
-- Boa para caçar tatu – responde o rapazola.

Para entender o sentido desta piada que corre na zona rural e mesmo nas cidades, leiam o texto abaixo.

O Zeca convida o seu amigo Joselito para mais uma caçada de tatu, lá no meio do matagal.

Os dois seguem pirambeira abaixo e bem próximo ao rio os dois se separam e cada um vai por um lado.

Daí a poucos instantes o Zeca grita:
-- Achei um Joselito, venha correndo para começarmos a caçada.

O amigo dispara pasto afora e na beira da pequena floresta encontra o Zeca já preparado para enfiar a mão no velho cupim que imagina ter sido escavado naquela noite por um tatu.

O tatu, como todos sabem, quando atacado, crava as suas garras na terra e não sai do buraco “nem a pau.”

Mas o nosso amigo Zeca tem uma técnica especial para caçar tatu. Aprendeu com o seu avô há muito tempo. E vem passando de geração em geração. Todos faziam a mesma coisa.

Ele enfia a mão no buraco, com todo cuidado, pega no rabo do tatu, vai com o dedo anular por baixo e toca as partes íntimas do bichinho. Estes sentindo aquele estranho invadindo a sua privacidade, esquece-se de tudo e se protege enfiando as patas debaixo de sua carapaça. Aí o caçador, mas que depressa, puxa o bicho para fora do buraco e coloca no saco.

Nesta noite os dois não estavam no melhor dia. O lampião não queria parar aceso. Joselito tropeçou num toco de alecrim e quase arrancou a unha do dedão (eles estavam de sandálias havaianas). O outro quase caiu no rio quando tentava achar um cupim.

Zeca não reparou direito, aquele buraco não era novo, já tinha até teia de aranha.

Quando ele enfiou a mão e deu um grito, retirando-a imediatamente, o seu amigo Joselito não entendeu nada. Só  depois que Zeca disse:

-- Fui atingido por qualquer coisa pontiaguda – é que ele entendeu que o seu grande amigo fora picado por uma cobra.

Preparou um pedaço de pau e retirou-a do buraco. Era um cascavel, das grandes.

Na zona rural dizem que “picada de cascavel quando não mata aleija”.

Pegaram as bicicletas e correram para o povoado. Eram seis horas da manhã e posto ainda não estava funcionando. Esperam e esperam, só abriu lá pelas sete e meia que eles foram atendidos.

O Zeca começara a ficar com o dedo roxo. O posto fez apenas um pequeno curativo no dedo anular e encaminhou-os dois para a cidade.

O tempo estava correndo contra a vida de nosso amigo caçador de tatu.

Assim que chegaram ao posto de saúde da cidade o médico perguntou qual era a cobra e foi logo pegando o soro antiofídico.

O profissional da saúde disse que não poderia garantir nada, pois já havia passado várias horas desde a picada e o atendimento.

O que aconteceu foi que Zeca ficou com aquele dedo inutilizado até o dia em que teve de operá-lo, arrancando as falanges, pois já prejudicava os movimentos da mão.

PIRAMBEIRA – Ladeira muito inclinada.

Manoel Amaral

Nenhum comentário:

Postar um comentário