quarta-feira, 5 de setembro de 2012

JOÃOZINHO E MARIA



JOÃO, MARIA E A FLORESTA DA INTERNET

Mamãe Esmeralda estava na cozinha. Quando observou as chamas, o gás havia acabado.

Pediu a João e Maria que fossem pegar o carro para buscar um botijão de gás.
-- Não busquem muito longe, tem um depósito aqui por perto.
-- Pode deixar mamãe, vamos voltar rápido!

Na realidade não queriam ir ao centro da cidade, mas a curiosidade falou mais forte e resolveram arriscar.

Para não se perderem fizeram um mapa no GPS.

Já havia escurecido e nada dos dois garotos voltarem.

Os hackers, denominados Pássaros da Floresta, invadiram o computador de bordo e traçaram outro caminho para João e Maria. E nada de encontrarem a sua casa.

Cada vez foi complicando mais. Até que...

Até que João subiu num prédio muito alto e avistou umas luzes, bem longe.
Seguiram as luzes e encontram uma casa especial onde tinha sanduiches, doces, bolachas, pipocas, computadores, internet, jogos, tudo de graça.
A casa era dirigida por uma velha que mais parecia uma bruxa.

Disse aos jovens:
-- Venham cá jovenzinhos! Aqui vão se divertir e comer muita coisa gostosa. Poderão jogar os mais incríveis jogos,  entrar no Facebook e fazer interessantes pesquisas.

Maria achou ótimo, pois já estava muito assustada com os ruídos dos veículos na noite da cidade.

Como os dois estavam morrendo de fome, foram descendo do carro e entrando na misteriosa casa da diversão.

-- Entrem meus amigujinhos, podem comer o que quiserem e jogar ou fofocar pela internet.

Eles entraram e nem se lembraram de avisar a mamãe. Maria até tentou, mas o celular estava fora de área. Na casa deles era como em quase todas as famílias. Eles compram aqueles aparelhos da moda para os filhos, mas não colocam créditos.

-- Amanhã acharemos a casa de vocês – insinuou a malvada velhinha. – Estou com umas camas bem macias para vocês passarem a noite.

Cansados de tanto usar a net, foram dormir e acordaram com o sol a raiar. Olharam para os lados, a maravilhosa casa havia sumido como que por encanto.

No seu lugar havia uma prisão. Um prédio muito velho, numa comunidade da periferia. João atrás das grades e Maria lavando pratos na cozinha.

A velha era traficante de jovens. Vendia por altas somas para quem queria garotos para adoção ou para retirada de órgãos humanos para transplante.

Nisso ouviram uma gargalhada da velha. Alguém viria comprar alguma coisa dela. E lá tinha um papagaio que repetia sempre:
-- Velha malvada, malvada, malvada...
-- Vocês pensaram só no bem-bom? Agora trabalhem até os meus clientes chegarem... E você João trate de ficar bem bonito, porque rapaz feio ninguém quer. E você Maria trate de fazer um jantar especial, vou receber visitas.

Ao passar próximo daquela velha malvada Maria pode reparar que ela enxergava pouco. Quando ia ler o jornal tinha que levá-lo próximo aos olhos.
Para saber se João estava ficando bonito e gordinho pedia para ele mostrar um dedo das mãos.

João muito esperto, já sabendo das intenções da velha, mostrava sempre a fiação do Mouse do computador da cela.

Ela apertava e dizia:
--- Maria! Faça mais comida! Ele tem que engordar.

João já nem sentia fome, queria mesmo era voltar para casa com a sua irmã. Estudou toda a cela, mas a chave ficava dependurada bem longe da porta.

Pediu a Maria para enganar a velha malvada e pegar a chave e destrancar a cela. Eles só pensavam na fuga.

A bruxa apesar da pouca visão conhecia muito bem os jovens e sabia que estavam tramando alguma coisa.

-- Fiquem quietos, parem de conversar. João vá comer bolachas e usar o computador. Tem muitas coisas por aí – disse a Velha.

Maria fazia coisas gostosas, mas João não queria alimentar-se, sua irmã repetia:
-- Você precisa ser forte para sairmos daqui.

Muitas vezes tentou pegar a chave, no que foi impedida pela dona da casa.
Numa noite, enquanto ela dormia, subiu numa escadinha e apanhou a chave e soltou João bem depressa.

Os dois correram e se esconderam na selva de pedra. Entraram na garagem, pelos fundos, pegaram o carro e fugiram em desabalada carreira, daquele lugar maldito.

Quando estava amanhecendo conseguiram encontrar o caminho de casa. Aquele bairro era bem longe.

Esta história Osvandir ouviu de seu avô Osamir.

Manoel Amaral

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