domingo, 9 de setembro de 2012




CORPO COLADO

“Esta cola, cola tudo mesmo.”
Osair, primo do Osvandir

Osvandir estava numa viagem de negócios para os lados do Rio Grande do Sul, atravessando aquelas lindas serras gaúchas quando sem mais nem menos o carro derrapou, deus duas cambalhotas, foi atirado a uns 100 metros, caiu num barranco.

Os passageiros sofreram ferimentos por todo o corpo. Um acabou tendo com um enorme corte na barriga, próximo ao umbigo. O outro teve ferimentos nas pernas e nos braços.

O que acontecera?  Teria o motorista dormido ao volante ou foram outros fatores externos?

Osvandir apressou-se em levantar, mas quando olhou estava sangrando na barriga, com um grande corte.

Procurou no porta luvas uma maletinha de primeiros socorros, onde guardava alguns objetos como cortador de unhas, um vidro de Dipirona, esparadrapos, fita adesiva, álcool, comprimidos e um tubo de cola tudo.

Pegou a cola passou no corte, comprimiu com as mãos por uns segundos, depois cortou um pedaço da fita adesiva, aquela marrom de fazer embrulhos e colou sobre todo o ferimento.

No seu colega apressou-se em colocar sobre as feridas algumas gotas de Dipirona Sódica, contra as dores; truque este que aprendera com seu tio. Deve ser usado somente em casos de emergência.

Todos os que por ali passaram e prestaram os primeiros socorros ficaram admirados dos dois estarem vivos, parecia um milagre. O carro ficou com a lataria bem amassada, irreconhecível.

Quando chegaram ao hospital mais próximo, os médicos e enfermeiros acharam muita graça no que o Osvandir fez. Não tinha nada de convencional, mas funcionou.

Um deles até comentou sobre uma notícia que viu nos jornais recentemente. Veterinário colou a pata de um cão com o mesmo tipo de cola que Osvandir usou.

Quanto o uso de dipirona nos ferimentos leves, não acharam que daria algum resultado, mas como o paciente não reclamava de dor, anotaram nos seus caderninhos, e-book, tablet e outros meios de ajudar a memória a recordar de alguns fatos.

O cirurgião chefe disse que “no caso de retirar a cola super bonder da pele é muito simples, basta aplicar acetona no local e esfregar um pouquinho, mas que não poderia ser usado sobre feridas, a seguir lavar a região afetada, com sabonete.”

E Dr. Alvimar acrescentou: “se cair nos olhos lavar com água morna e procurar um médico imediatamente.”

Um veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu disse que o uso do veterinário colando patas de animais era coisa normal nas clínicas. Tem até um trabalho publicado na internet sobre o assunto.

A proprietária do cachorrinho disse que iria processar o médico porque o animal ficara com as perninhas tortas.

O fato é que tanto Osvandir e o seu colega estão bem de saúde e a cola funcionou, nem cicatriz ficou. Teve apenas alguns problemas para retirar a fita adesiva que aderiu a cola e a pele.

Manoel Amaral
osvandir.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário