sábado, 18 de agosto de 2012

VIÚVA E O SEQUESTRO III


A VIÚVA E O SEQUESTRO – III

(Na visão da viúva)

Cinquenta anos se passaram e Margarida estava ali, mas nunca ficou sozinha, sempre tinha alguém para conversar. Com quatro celulares para aproveitar todas as promoções das telefônicas, fofocava o dia inteiro. Conhecia todo mundo e sabia bem quem era esse tal de Claudinho.

Ele vivia na sua casa almoçando e jantando e surrupiando algumas latas de cervejas da geladeira. Trabalhar mesmo? Neca de pitibiriba.

Acostumada a assistir aqueles horríveis enlatados americanos  aprendera todos os tipos de golpes. Muito mais esperta que aqueles bandidinhos pés-de-chinelos.

Quando os bandidos ligaram a primeira vez ela ouviu muito bem o valor e o local, só pediu para repetir depois, para ganhar tempo.

Queria pensar em alguma coisa e foi aí que se lembrou dos cinco mil reais em notas falsas, compradas pelo marido, no Paraguai.                      
Então pensou:  Chegou a hora de usar esta muamba.

Retornou a ligação e disse o seguinte aos bandidos:
– Só levarei o dinheiro solicitado se vocês deixarem no local dois aparelhos de TV. Mas quero coisa moderna, de Plasma, umas 50 polegadas, qualquer marca serve.

Uma ela pretendia dar para sua vizinha que também tinha uma TV muito velha.

Arrumou uma sacola de plástico preto e colocou lá dentro os cinco mil reais em notas de cem, falsas. Mais falsas do que aquelas notas de três reais que alguns falsários soltaram na praça.

O desfecho final todos sabem: os bandidos ficaram sem as TVs e com um monte de papel que não valia nada. Reclamar para quem?

A decepção chegou muito rápido: quando tentaram passar a primeira nota de cem numa padaria, foram presos.

Neca de pitibiriba = mixaria, nada, ninharia.

Manoel Amaral

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