sábado, 14 de abril de 2012

O PAPEL DO PAPEL


O PAPEL DO PAPEL
Livros

Dias desses adentrei numa livraria a procura de um livro de história, onde encontrei um texto muito interessante sobre a “Social Democracia Europeia.”

O vendedor disse-me que aquele ele não tinha, mas mostrou-me uns primorosos livros infantis. Papel couché de alto brilho, brancura e opacidade inigualáveis, foi a melhor qualidade na impressão que já vi. Fiquei encantado!

Mas como é meu costume, virei o livro e fui verificar a contracapa e como eu suspeitava: era impresso na China. Vários outros que folheei, todos eram de lá.

Quando ia xingar a Deus e todo-mundo, fiquei sabendo pelo mesmo vendedor que também a Índia, Coreia, Colômbia e Chile, estão produzindo livros didáticos para o Brasil. Quase caí de costas!

Da primeira eu já sabia há muito tempo, mas destes outros países, alguns até nossos vizinhos, eu não sabia.
O pior é que o próprio Governo participa disso encomendando livros didáticos, que são produzidos noutros países.

Ai vem o Senhor Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), e diz que “as editoras foram às compras no exterior, com base no argumento de que as gráficas editoriais brasileiras não teriam condições de entregar todas as encomendas dentro dos prazos estabelecidos nos editais.” (Mas hein?)

E não acabou: Karine Pansa, da Câmara Brasileira do Livro declara:
"Gostaríamos que houvesse menos importações em todos os segmentos, não só o livreiro, para o bem do desenvolvimento do Brasil". E acrescenta: "Sabemos que os editores estão buscando a possibilidade de impressão em outros países porque o custo Brasil é prejudicial nesse momento à produção nacional".
Estupefato, não acreditei o que lia no Jornal Estado de São Paulo e 
o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Wanderley Dias de Freitas, acrescentou:

"Se a editora vai fazer a impressão no Brasil, na China, na Europa ou na América do Sul, é um problema dela."

Não é não Senhor Presidente, o problema é de todos nós: ficamos sem montanhas (minérios), sem matas (madeira), sem empregos (tem muitas empresas fechando as portas).

A Presidenta diz que pretende reduzir a “carga tributária” no país: "Elas (as medidas) têm por objetivo justamente assegurar, através de questões tributárias e financeiras, maior capacidade de investimento para o setor privado". (Revista Exame)

É preciso trabalhar com cuidado, do contrário não adiantará nada, reduzirão os impostos para as empresas, mas estas continuarão cobrando os mesmos preços dos consumidores, como é muito comum por aqui.

Papel Higiênico

Se lá em cima eu quase chorei, com esta aqui eu quase morri de rir:
“O principal órgão de supervisão de qualidade da China detectou colônias de bactérias em parte do papel higiênico reciclado fabricado no país asiático e destinado à exportação, informa nesta sexta-feira a imprensa local.”

Muito cuidado na compra de papel higiênico, os chineses exportam para a Europa e Estados Unidos, mas pode estar exportando clandestinamente para o nosso pais, como fazem com brinquedos e outras bugigangas

Se o papel higiênico reciclado, lá da China está contaminado, imaginem o nosso. Será que temos fiscalização?

Todos adoram a reciclagem, vamos proteger o meio ambiente, mesmo que a nossa b(*)da fique quente!

Papel-Jornal

O Brasil produz pouco papel-jornal, não atendendo a demanda por isso tem que importar da Finlândia, da Noruega e Canadá.

Será que existe alguma grande revista brasileira que também está sendo impressa na China, Chile, Colômbia, Coreia ou Índia?

Agora mesmo estaremos lendo revistas, jornais, livros e tudo mais impressos em outros países. E o nosso papel? E nossas indústrias?

Foram todas esmagadas pelos concorrentes.

Por hoje é só. Voltarei qualquer dia desses se o nosso recanto ou o meu blog não acabar nas mãos dos chineses...

Manoel Amaral

FONTE:
http://periscopio.bligoo.com.br
Jornal Estado de São Paulo

3 comentários:

  1. Blz Amigo?
    Eu já não me espanto com nada. Tudo eh possível neste Brazil de Todo Mundo.
    A questão dos livros eh tanto verdade, que tenho 5 coleções infantíns com 12 livros cada, e não consigo editá-las simplesmente porque o preço nas gráficas eh tão alto que fica totalmente inviável.
    Uma editora chegou a me pedir (não eh para rir, eh para chorar) 50.000,00 (cinquenta mil reais) para imprimir uma coleção infantil colorida. Só para cobrir os custo e competir com as publicações chinesas, teria que vender 20.000 coleções.
    No Brazil, vender 20.000 livros faz de voce um Herói.
    Abraços

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  2. Parabéns pela matéria Osvandir!

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  3. Amigos,

    O Brasil vai virar China, em breve, assim como os EUA, onde eles compram até prédios inteiros em plena New York.

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