terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OSVANDIR E A VIAGEM DE SEUS SONHOS

OSVANDIR E A VIAGEM DE SEUS SONHOS


Osvandir procurou a Agência CBB, os preços estavam ótimos, cerca de 50% de desconto, contratou uma viagem marítima entre Santos-SP e Salvador-BA, com partida no sábado do Porto de Santos, no domingo estaria no Rio de Janeiro, na segunda um passeio pelos pontos turísticos e na terça estariam em Salvador num fantástico roteiro como anunciava o próprio panfleto da empresa.

Mas o que aconteceu não foi nada agradável. Tudo deu errado. Um vírus do tipo B da Influenza atacou os passageiros logo na chegada ao Rio de Janeiro. O navio Imperador Peruano, o maior da frota da empresa, robusto, moderno e suntuoso e em todos os seus ambientes, mas quis o destino que alguns passageiros não passassem daquele local, morreram ali mesmo. Nem chegaram a ser levados até a um hospital.

Os outros passageiros saíram do navio e ficaram pelas ruas do Rio de Janeiro, vendo o desfile carnavalesco, mas muito tristes com os acontecimentos.

De volta ao grande navio que com todas as Luxuosas acomodações, amplas áreas sociais e muitas atividades nas áreas de lazer e entretenimento, é o que espera por você a bordo deste fabuloso navio. Alegria, descontração e muita diversão são os itens que agregam ao fantástico roteiro, visitando Rio de Janeiro, Salvador e Búzios. Todo este conforto fica muito mais saboroso, com o exclusivo sistema de “tudo incluído”, com todas as refeições, bebidas, shows e entretenimento a bordo.” conforme dizia o impresso distribuído na agência de viagens, não era mais o mesmo. Tudo estava sombrio.

Seguiram para Salvador, outra complicação se apresentava para o Comandante: rajadas de 100 km/h de vento, vindos do Sul, especialmente em regiões elevadas, estavam atingindo o navio.
Ele balançava de um lado para o outro. Algumas alertas foram dadas aos navegantes. Algo não ia bem naquele elefante marinho. Ele estava beirando demais o continente, parece que estava fora da rota.
Algumas ilhas já estavam à vista nos visores das cabines.
Um barulho se fez ouvir, parecia um grande esbarrão com material mais resistente que o fundo do navio.
Ele foi tombando de mansinho, como uma criancinha caindo da escada. Ninguém pode fazer nada.
Um enorme buraco foi encontrado, por um ajudante da casa de máquinas, naquele casco que era de aço puro.
Alguém até disse, parodiando o acidente com o Titanic:
–Só Deus poderia interromper esta viagem!
E a viagem estava interrompida. Vários salva-vidas foram distribuídos aos passageiros. Barcos foram içados ao mar, cheio de pessoas. Primeiro os velhos, crianças e mulheres.
Muitos homens ajudando, como se fossem da tripulação.
Procuraram o comandante, ele não foi encontrado. Havia abandonado o navio havia meia hora antes. Todo o barco estava inclinado. Parece que queria virar de cabeça para baixo.
O sonho do Osvandir foi por água abaixo. Nem Rio de Janeiro, nem Salvador. A Marinha foi comunicada. Um Comandante em terra estava nervosíssimo, pedia ao Comandante do navio que retornasse ao seu posto.
Nada do homem voltar a sua posição de direção. Os funcionários é que estavam salvando o povo.
Já pensaram? Duas mil pessoas, todas tentando sair daquele monstro marinho? Era um barulho ensurdecedor. E a cada momento ele afundava mais um pouco. Chegou numa posição constrangedora para todos. Os aposentos todos cobertos pelas águas. Tudo perdido.
Osvandir conseguiu salvar só os seus documentos pessoais e um binóculo que trazia ao pescoço.
Tudo perdido, alguns nadando direto para umas pequenas ilhas ali por perto, nem esperaram os barcos que não davam para todos.
Só morreu um casal de velhinhos, que não conseguiu sair dos aposentos.
O vírus tirou a alegria de todos no início e a gora no fim da tarde de terça-feira estava tudo acabado.
Vários ônibus foram alugados pela empresa e seguiram direto para o aeroporto. Cada um foi para sua casa, sem passeio, só tristeza. Foi um duro golpe para todos.
Manoel Amaral
http:Osvandir.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário