quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O LIVRO IMPRESSO NÃO VAI ACABAR

"O LIVRO IMPRESSO NÃO VAI ACABAR"

“No passado, os guerreiros hábeis tornavam-se,

eles próprios, invencíveis. Depois, esperavam as

oportunidades para destruir o inimigo.”

A Arte da Guerra de Sun Tzu, 500 A.C





A COLÔNIA DIGITAL



Já fazia anos que eles estavam no espaço. Eram jovens, não conheciam o seu planeta de origem.

Tudo ali era digital. Não tinha jornais, revistas, livros impressos. Grandes telões davam as notícias do dia. Escolas adaptaram o antigo quadro negro, do planeta mãe, para enormes telas brancas que funcionavam ao toque das mãos.

O ensino também era implantado no cérebro, em chips, por blocos: geografia, história, matemática, química, biologia, línguas e ciências espaciais.

Naquela Colônia cada um fazia o seu trabalho previamente estabelecido por computadores e ninguém reclamava.

Um dia um jovem rebelde veio mostrando a todos os colegas um livrinho em papel antigo e todos da turma ficaram curiosos. Tinha muitas palavras que eles desconheciam, mas era curioso pegar aquelas páginas amareladas pelo tempo e descobrir o que continham.

O primeiro livro que conheceram chamava-se A Arte da Guerra de Sun Tzu, escrito na China há séculos. Depois apareceram livros de poesia e ninguém sabia para que serviam. Uma garotinha apaixonada foi quem descobriu: copiou um texto e enviou para o namorado. Aquilo dali para frente virou uma febre. Queriam mais e mais livros de poesias.

O fornecedor, aquele jovem rebelde, os descobrira numa velha biblioteca do planeta Terra. Como era um dos únicos que estavam sempre viajando pelo espaço, teve oportunidade de conhecer os livros em papel.

Mas o Olho Mágico, não gostara nada disso. Dizia que os livros em papel estariam disseminando ideias loucas, provocativas e contra o Regime Central. Queriam implantar outro regime de governo na Colônia.

Todos os livros recolhidos, entre eles muitos clássicos da antiguidade, foram para a fogueira eletrônica.

Os robôs que serviam de guarda ao Sistema estavam agora aparelhados para recolher todo tipo de livro impresso que encontrassem.

Para sanar este problema os espertos jovens digitalizavam a maioria dos livros que recebiam. Mas o legal mesmo, eles diziam, era ler no livro em papel. E desafiavam os robôs colocando capas coloridas que os qualificavam como produtos eletrônicos. Alguns até liam à noite para não serem surpreendidos.

A maioria dos livros já estava lançada na rede de comunicação extranet, onde todos ficavam plugados dia e noite.

Cada dia novas maneiras de ler o livro em papel era repassadas, ao pé do ouvido, para todos. Os guardas eram enganados de todas as maneiras. Até na hora das aulas eles conseguiam passar pequenas listas com textos, indicando outros livros interessantes.

Tudo estava indo muito bem, até que aquele jovem rebelde resolveu por em prática o que leu no primeiro livro que circulou na Colônia Digital: A Arte da Guerra de Sun Tzu.

Armou uma torre de livros bem na praça central e no meio daquela confusão, todos querendo apanhar o seu, foi aí que ele conseguiu desativar vários robôs.

Criou uma equipe e começaram a desmontar todos eles, não tinham armas, mas tinham inteligência e armavam emboscados para as máquinas que não sabiam raciocinar como eles.

Numa daquelas emboscadas descobriram uma grande nave espacial escondida num enorme galpão.

O jovem rebelde elaborou um plano de fuga daquela Colônia. Um grupo, muito maior do que os androides, furaram o cerco e embarcaram naquela nave. Já sabia navegar pelo espaço devido as suas experiências anteriores.

Dirigiram para o Planeta Azul, demorou dois dias, mas foram dias felizes e todos vinham com um livro nas mãos.

No planeta puderam conhecer várias bibliotecas reais e livros por todos os lados, sem o perigo de serem molestados. Ao contrário, eram incentivados a ler.

MANOEL AMARAL

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