quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

É muito difícil evitar as enchentes. Com obras você pode minorar essas coisas. Mas chegarmos um dia a dizer que nunca mais haverá enchente - isso é utópico. (Mário Covas)

É chuva sobrando em Minas e faltando no Rio Grande do Sul.

Excesso de chuva causa prejuízo na produção de leite, falta de chuva prejudica a lavoura.

É assim o nosso país continental. Uns com sofás, camas, geladeiras, mesas e outros móveis retirados às pressas de suas casas prestes à ruir. Outros cortando cana para dar o gado, que já está muito magro.

É Prefeito sumindo com verba que seria utilizada na reconstrução de sua cidade desde janeiro passado. É Ministro levando muita verba para seu Estado, sua cidade e deixando as outras a ver navios (o pior, no meio do mato).

Morros despencando por todos os lados, pontes caindo, desabrigados desassistidos perambulando por Grupos Escolares, Abrigos e Igrejas.

Carros, móveis, animais e pessoas sumindo rio abaixo. Algumas salvas, por milagre, dependuradas nas copas das árvores.

Só em Minas são 67 municípios em situação de emergência, mas de dois mil imóveis atingidos na Zona da Mata, outros tantos no Centro-Oeste de Minas, milhares de desabrigados.

Ruas viraram rios, moradores navegando, muitas casas debaixo d` água. Moradores ribeirinhos apreensivos podem perder tudo a qualquer momento, depende do rio, que já subira mais de 8 metros.

Deslizamentos de terra, provocado pelas fortes chuvas, amassam carros, matam pessoas, derrubam barracos e prejudicam rodovias.

O pobre não consegue comprar lote de terreno em lugar melhor e vai morar na beira do rio sabendo que mais dia, menos dia tudo será levado pelas águas.

Verbas federais e estaduais, prometidas, demoram anos para chegar (quando chegam...) às cidades devastadas pelas águas.

Na maioria das vezes são desviadas para campanhas políticas. Usam artimanhas de todos os jeitos para passar a mão neste dinheiro que poderia beneficiar milhares de famílias que tudo perderam com as chuvas.

Os bombeiros fazem o possível para salvar vidas, mas às vezes quando chegam já está tudo perdido. As pessoas estão soterradas metros e mais metros de terra. Nada a fazer, só lamentar.

Voluntários aparecem para ajudar e quase sempre conseguem salvar pessoas.

Aqueles se salvaram recebem roupas, água e alimentos, mas o que eles querem é casa para morar e em lugar onde possam viver sem medo.

Agora é só rezar e aguardar as próximas chuvas, não tem jeito, todo ano é a mesma coisa. Trabalhos de prevenção são mínimos e resolve pouco.

E você que está aí no seu cantinho, longe da violência das águas, das encostas dos morros, porque não dá uma ligadinha, faça uma visita ou envie umas roupas, fraldas e brinquedos para as crianças. Tem alguém esperando por você!

Manoel Amaral

http://osvandir.blogspot.com

Com relação ao título da crônica, trata-se de verso da marchinha de carnaval:

SACA-ROLHA
(Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado)

As águas vão rolar
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo a mão na saca-saca-saca rolha
E bebo até me afogar
Deixa as águas rolar...

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