terça-feira, 25 de dezembro de 2012


 

Roteiro de Melquior

Roteiro de Gaspar
Roteiro de Baltazar

OSVANDIR E OS TRÊS REIS MAGOS

Os três reis magos seguiam pelo deserto afora, sendo conduzidos por uma estrela que bem poderia ter sido a conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes. Outros estudiosos dizem que foi um cometa na constelação de Capricórnio que conduziu os três.

“Belquior (ou Melquior) seria o representante da raça branca (européia) e descenderia de Jafé; Gaspar representaria a raça amarela (asiática) e seria descendente de Sem; por fim, Baltasar representaria todos os de raça negra (africana) e descenderia de Cam. Estavam assim representadas todas as raças bíblicas (e as únicas conhecidas na altura: os semitas, os jafetitas e camitas.)”

Os Magos eram considerados entre os Medos, Persas e Caldeus, uma classe de sábios, eruditos, filósofos, astrólogos e sacerdotes, detentores de muitos e variados conhecimentos

A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.Quanto aos seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltazar traduz-se por “Deus manifesta o Rei”. Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo, representando as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Assim, Melquior ou Belquior, representando a raça branca, entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, da raça amarela, o incenso em reconhecimento da divindade; e Baltazar,o negro, a mirra em reconhecimento da humanidade."

A mirra, era uma resina antiséptica usada em embalsamentos desde o Egito.

Os Magos fariam um trajeto de 1000 a 1200 quilômetros no espaço de um ano.
De repente tudo mudou. Uma nuvem escura surgiu no céu, uma tempestade de areia cobriu toda região.

O vento parou, a nuvem de areia abaixou. Os três reis magos haviam desaparecido.

Osvandir estava no Estado do Pará, fazendo uma investigação sobre o aparecimento de ufos em um povoado distante da capital.

As coisas não andavam bem nas suas pesquisas; ficou sabendo que uma estrela diferente surgira no céu, naqueles dias. Informaram mais que três figuras esquisitas, com roupas totalmente fora de época, caíram do céu, sem mais nem menos, em três estados do país. Um de cor negra caíra no sul da Bahia, outro de cor amarela, descera na divisa dos estados do Acre e Amazonas e finalmente um terceiro, de cor branca, foi parar no Rio Grande do Sul.

Eles estavam deslocando-se para o norte do país. O que caira na Bahia dizia chamar-se Baltazar, o que descera no Acre falava que seu nome era Gaspar e o que vinha do sul dizia chamar-se Melquior.

Osvandir estava juntando os cacos para montar a história, era quase fim do ano. Ficou em Belém para ver o que aconteceria.

Acompanhou a trajetória daquelas três pessoas que pareciam ter muita pressa.
O que saiu do Acre, o Gaspar, chegou primeiro em Belém, no que foi seguido por Baltazar e finalmente o Melquior que vinha do Sul do País.

Parece que havia uma coincidência muito grande, pois foram hospedar-se no mesmo hotel onde estava Osvandir.

Aquelas figuras, com roupas estranhas, despertaram grande interesse em toda a população.
No hotel, ficaram conversando entre si, contando as aventuras por que passaram.

Osvandir quis conhecer aquelas brilhantes figuras e entrou no meio da conversa. Explicou que andava pesquisando uma estranha estrela que aparecera em Belém há alguns dias. Os magos ficaram interessados.

Gaspar, da raça amarela, contou que até chegar a Belém passara por muitos povoados e cidades e viajou principalmente pelos rios. Negociou o ouro nos garimpos da região.

Melquior, o representante da raça branca, disse que foi o que fez o maior percurso. Saiu de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, passou por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e muitas cidades que nem lembrava os nomes. Anotou que passou perto de uma cidade denominada Nazareno, em Minas Gerais. Comprou incenso num dos locais por que passou, não lembrando onde.

Já Baltazar, da raça negra, veio feliz de Salvador, na Bahia, onde conseguiu comprar mirra ou uma substância parecida. Passara por muitas cidades no litoral, inclusive uma que guardou bem o nome: Nova Jerusalém.

Disseram que o objetivo comum era encontrar uma criança, nascida em Belém, num local simples, quem sabe até uma gruta.

Osvandir pegou um mapa da cidade, pesquisou pela periferia e localizou um ponto onde existia algumas grutas.

Foram os quatro para aquele local, verificando onde a estrela indicava.
E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mat. 2 – 11)
Manoel

Fonte Pesquisa:
Mapas: Google;
http://www.miniweb.com.br/imagens/home/dezembro/natal/reis_magos.html
portal.portugalmistico.com/content/view/49/36/ - 35k

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

OSVANDIR E A BOLSA DOURADA


OSVANDIR E A BOLSA DOURADA
Imagem Google

Osvandir vinha descendo a rua principal de sua cidade quando vislumbrou alguma coisa, próxima de uma árvore, no canteiro da praça.

Parou, olhou e pensou: por que estaria, uma bolsa tão bonita, abandonada ali naquele local?

Apanhou-a, verificou, não estava com documentos, parecia vazia. Mas quando Osvandir começou a examiná-la, notou num bolso um pequeno papel com um número de telefone e escrito em cima Márcia.

Examinando melhor achou num fundo falso qualquer coisa tipo papel.

Com a ajuda de um canivete conseguiu cortar a costura e uma surpresa: quatrocentos reais em notas novas de cem.

Pensou até tratar-se de dinheiro antigo, mas não, era o real mesmo. Seriam notas falsas? Também não eram.

Preocupado com aquilo tudo resolveu telefonar para Márcia cujo número de telefone estava num pedaço de papel num dos bolsos.

Ligou, ela informou que não tinha perdido bolsa nenhuma, mas pelas características parecia ser uma bolsa que sua amiga Michelle havia perdido esta semana. Prontamente informou um número de telefone dela.

Osvandir estava mesmo disposto a resolver o problema ligou para o novo número e uma voz fina, parecendo de criança,  surgiu do outro lado:

-- Procurando quem?
-- Michelle, desejo falar com ela – disse Osvandir.
-- Vou chamá-la.
-- Alô, quem me procura? O que deseja?
-- Michelle, sou Osvandir, recebi este número de sua amiga Márcia. Ontem estava descendo a rua principal e encontrei no jardim uma bolsa muito bonita, meio dourada. Estilo chique, parece ser cara.

Com aquela simples descrição do objeto Michelle já foi logo respondendo:
-- Olha Osvandir, estes dias perdi uma bolsa, com todos os documentos e alguns reais, próximo de uma sorveteria, quando lá parei para apreciar um novo sabor de açaí. Pela sua descrição parece ser esta, mas é um pouco longe deste local onde você a encontrou.

-- Vamos fazer o seguinte, marcamos um local e você vem ver se é esta mesmo a sua bolsa perdida, ok? – disse Osvandir, já um pouco aliviado.

Marcaram encontro na mesma sorveteria onde havia perdido a dita bolsa, para o mesmo dia.

Algumas horas mais tarde, Osvandir chegou ao local e lá estava uma linda jovem olhando para um lado e para outro.
-- Michelle?
-- Sim. É o Osvandir?
-- Sou. Pois então, a bolsa é esta. Mas não contei toda a história, no fundo falso encontrei estas notas de cem que somam quatrocentos reais.
-- Este dinheiro não é meu. Lá tinham no máximo uns cinquenta reais.
-- O que faço com ele?
-- Dê para uma pessoa que estiver precisando...
-- Está certo, vou procurar uma pessoa hoje ainda.

Ali na sorveteria saboreando uma verdadeira mania nacional, o açaí, os dois conversaram muito e Michelle disse para ele:

-- Olha Osvandir, você tão inteligente, descobriu o dinheiro num fundo falso que nem eu, dona da bolsa sabia, não ficou sabendo em que esta bolsa pode se transformar.
-- Estou começando a ficar curioso...

Com um simples apertar de mão de um lado e afundamento de outro ela se transformou numa...

-- Bolsa de supermercado...
-- Olha só que coisa mais interessante...
-- Pois é Osvandir, você não explorou todas as possibilidades de um simples objeto.
-- Pode ter certeza Michelle, de agora em diante ficarei mais atento.

E num apertado abraço se despediram, cada um dirigiu para o seu carro. Dias se passaram até que Osvandir recebeu um telefonema:
-- Caro amigo, não há de ver que perdi novamente a mesma bolsa?
-- E você quer encontrar-me onde?

Manoel Amaral

sábado, 17 de novembro de 2012

LIVRO DIGITAL BRASIL É UMA PIADA...


LIVRO DIGITAL NO BRASIL É UMA PIADA...
(DE MAU GOSTO)

Capa do meu último livro.


Amigos leitores, o livro digital no Brasil é mesmo uma piada de mau gosto.
Houve casos em o e-book saia mais caro que os livros impressos, não acreditam? É verdade.

Todas as editoras têm medo de perder a mamata e estão sempre adiando a decisão da venda em e-books.

Agora que os escritores independentes podem negociar diretamente com a distribuidora no caso a Amazon, o Google (nos EUA), na Europa tem a Amazon e outros distribuidores; no Brasil tem a Amazon e algumas Editoras que eles estão caindo na realidade. Começam a enfrentar o futuro somente agora.

Mas falávamos dos e-books mais caros que os impressos, isso nalgumas editoras brasileiras que não tem interesse nenhum em vendê-los. Esta prática iria diminuir muito a sua receita.

Os meus livros estão caminhando em direção à Europa, via e-book. Estou negociando com a Amazon, para um comércio mundial.

Se no Brasil não vende, vamos vendê-los para outros países.

Se aqui e-book é motivo de piada, noutros países o assunto é tratado com mais seriedade. Se aqui é coisa do futuro lá fora já é realidade.

Sou criticado por tomar essa posição, vendendo meus livros por $4,99, $2,99 ou $1,99, não me importo. É melhor vender muitos livros a um preço baixo do que não vender nada com preço alto.

Que os livros de todos os escritores  brasileiros sejam taxados em dólares e sejam lançados no mundo inteiro. Seria bom para os leitores e para os autores.

O livro Cinquenta Tons de Cinza do autor E. L. James é um grande sucesso de ficção e literatura, custo aproximado do ebook na Iba de R$21,90. (www.iba.com.br/livro-digital-ebook).
O mesmo livro, versão impressa na Livraria da Folha custa R$29,90.

Uma busca rápida encontrei o livro 1822, de Laurentino Gomes, versão impressa por R$27,90 no Walmart R$27,90 na Siciliano. Na Saraiva sai por R$16,90 em formato digital.

Manoel Amaral

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O CANDIDATO QUE GANHOU A ELEIÇÃO


O CANDIDATO QUE GANHOU A ELEIÇÃO



Candidato: palavra que vem do latim, “cândido,
ou seja, puro, sem pecado, desprovido de ganância e
maldade que visa o bem comum e não pessoal.”

Feliz está o candidato que ganhou a eleição. Foi tanta emoção, tanto apoio (forçado), que quase morreu do coração.

Trabalhou tanto. Nem vamos falar nos cafés vencidos, biscoitos duros, conversas fiadas, pedidos dos eleitores, dinheiro gasto, campanha contra o tempo, outros concorrentes e tudo mais.

Vários cabos eleitorais ajudando em todos os bairros, interessados na partilha de cargos.

Vereadores rasgando a sola do sapato para elegê-lo e ficar na lona, sem nada. Aguardar a próxima. Quem sabe uma migalha na Prefeitura para servir de consolo.

Nem vamos falar da decepção com os eleitores de duas caras, que mostram uma e depois aplicam a outra. Prometem votar em todo mundo e não votam em ninguém. Às vezes nem títulos têm, ou são analfabetos, votam errados em números que não existem.

Candidato a Prefeito é bem mais fácil que Vereador. Todos ajudam quem tem ou não tem interesse.

As coligações e aquele batalhão de pessoas tentando convencer outro batalhão de indecisos.

As pesquisas (compradas) são despejadas em todos os lugares, convencendo até poste a votar no dito cujo.

Em cidade pequena é ainda melhor, poucos são os que votam e muitos os que ajudam.

Os candidatos de primeira viagem são logo orientados pelos experientes chefes de campanha (!).

As mulheres, não acostumadas, sofreram várias cantadas e quebraram muitos saltos de sapatos. As rasteirinhas deram uma verdadeira rasteira nelas, mas chegaram à reta final, ilesas.

No início, os santinhos não chegavam, era aquela ansiedade, quando chegavam tinham muito erros. Eram distribuídos assim mesmo, não havia tempo para correção. As gráficas todas cheias de promessas não cumpridas.

O programa photoshop ajudou muitos candidatos. Uns ficaram até irreconhecíveis. Algumas plásticas aqui, outras acolá. Botoque no cantinho dos olhos. Sobrancelhas levantadas, cílios e pelos das sobrancelhas arrancados e uma porção de truques levaram os candidatos à vitória.


Os prometidos patrocínios chegaram rápido e canalizado para a sua candidatura. Os candidatos a Vereadores ficaram a ver navios.

Os apelidos não ajudaram em nada, pelo contrário, atrapalharam. Hoje as urnas eletrônicas não querem saber de nome, sobrenome ou apelido, só engolem números e vomitam resultados.

Muitos eleitores não sabiam em quem votar devido ao grande número de papéis na cidade. Partidos então, um montão. Nem sabemos para que tanto partido. Três ou quatro já seriam ótimos.

Os bons, os maus e os que não tinham a menor ideia de nada, estavam ali, sendo malhados pelo povo, como se palhaços fossem.

Santinhos, cartazes, eram todos massacrados, rabiscados, amarrotados e jogados no lixo. Sem contar os bigodinhos, óculos, dentes de vampiros, chapéus e outros nomes impublicáveis, eram acrescentados em tudo que era distribuído ao eleitor.

Todos queriam um candidato perfeito. Não existe candidato perfeito, todos têm os seus defeitos e qualidades.

Era uma festa! Agora só papel, papel e mais papel. E nem serve para rascunho, está escrito dos dois lados.

Muitos candidatos inexperientes distribuíram páginas inteiras nas ruas. Não adianta o povo não lê. Quanto menos texto melhor. O que vale são as imagens. Jornal tem que ter muitas fotos e um texto pequeno. No caso da internet, quanto menor o texto, melhor.

Ah, ia esquecendo. E alguns candidatos que largaram a rua e enveredaram na internet. Ficaram só facebookando, tuitando, youtubando e internetando. Pura bobagem, em cidade pequena não surtiu efeito nenhum. Também curtir, sair seguindo alguém, vendo pequenos e horríveis vídeos caseiros ou pesquisando site e blog de candidatos não quer dizer voto garantido.

Ainda bem que os vencedores deram um basta ao Facebook, coisa de quem não tem o que fazer. Ora pois, pois; ficar clicando a noite inteira não traz nenhum eleitor para as urnas.


Muitos ficaram pelo meio do caminho: assassinados, enfartados, sequestrados, “acidentados”, tudo por paus-mandados.

E depois das eleições, a posse e finalmente as contas para pagar.

Manoel Amaral


Veja o "Candidato que perdeu as eleições" no link abaixo:
http://osvandir.blogspot.com.br/2012/10/o-candidato-perdeu-eleicao.html

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CORPO FECHADO II



CORPO FECHADO II


"Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesu.
Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis
peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae."


Na sua mão direita, queimada pela pólvora, uma bala disparada pela segurança do Governador.

Quase ninguém entendeu o porquê daquela bala estar alojada ali na mão do matador profissional.

Todos os dias quando levantava para o trabalho, rezava a oração de São Jorge:

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos tendo pés, não me alcancem; tendo mãos, não me peguem; tendo olhos não me vejam e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não me alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. “
“Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus com sua Divina Misericórdia e grande poder seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel cavalo meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. “
“Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.”

Além da oração, o profissional levava um patuá junto ao corpo. Uma espécie de “breve”, dobrada e costurada, amarrada a um fino fio de couro.
Estes encantos eram preparados por feiticeiros, que além da oração, poderiam conter muitas outras coisas.

Um raminho de alecrim, outro de arruda, algumas pedrinhas de sal grosso, figas de guiné, estrelas de Salomão, Cruz de Caravaca (oração) e uma imagem ou medalha do santo da devoção do usuário.

Seria como se fosse os atuais escapulários, muito difundidos no meio católico.
A oração da Cruz de Caravaca é a seguinte: “Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. O espírito de Jesus Cristo é vencedor. Cristo reina, Cristo governa. Pelo Santo Lenho em que foi pregado, Cristo pode nos salvar. Se, por qualquer arte mágica, Satanás pretende escravizar-me, nosso Senhor Jesus Cristo, por sua misericórdia infinita, não consentirá e me restituirá a liberdade e a posse da sua divina graça. Senhor meu Jesus Cristo, filho de Deus, eterno e omnipotente, que vos encarnastes no ventre da Santíssima Virgem Maria, para salvação dos pecadores e redenção da humanidade, rogo-vos, Senhor, livrai-me dos maus espíritos. Satanás e todos os espíritos do mal, que pretendeis aprisionar-me e torturar-me, afastai-vos de mim, pelo poder da Cruz do meu Salvador. Amém.”

E o nosso herói, (eu disse herói?), não, ele era um matador profissional e não fazia serviços pequenos. Só trabalhava com ricos fazendeiros, empresários, Deputados, Senadores e outras pessoas importantes.

Após o seu trabalho, entrava numa igreja mais próxima e pedia a Deus, perdão por seus pecados, rezava alguns Pais Nossos e outras tantas Ave Marias e saía dali com a alma mais limpa.

Os seus trabalhos eram garantidos, por isso  era muito disputado pelos “grandes”.

Ele estava ali naquela pequenina cidade, numa sexta-feira, não para matar, mas para redimir de seus pecados.

A bala que não conseguiu penetrar no seu corpo foi apanhada no ar como uma demonstração de poder.

Morreu de outros males; de tiros, facadas, lançadas, flechadas e outros tantos meios de matar ele estava protegido.

Gemiro morreu de ataque cardíaco, um mal que a oração não protegia.

Manoel Amaral

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CORPO FECHADO - I


CORPO FECHADO


Signum Crucis.. In nómine Patris et Filii et Spíritus Sancii. Amen.                                            (Sinal da Cruz em Latim)

Acostumado que estava de andar sempre a cavalo, sentia-se meio desajeitado ao lado daquela linda mulher loura, naquele carro novo, uma BMW preta, que comprara só para aplicar o dinheiro que vinha recebendo.

Deu umas voltas pelas ruas, chamou a atenção de todos, estava querendo mesmo se exibir, coisa que não fizera em toda a sua vida.

Queria enfrentar o Sistema, ser maior que o Chefe de Estado.

O Governador estaria naquela pequena cidade para um rápido discurso. O sistema de segurança era muito grande. Do palanque até a igreja tinha uma batalhão de soldados e outros tantos disfarçados de civis.

No alto do principal prédio da praça três atiradores de elite verificavam as ruas, bares, carros e tudo que girava em torno daquele espaço delimitado pela passagem do político famoso e odiado.

Um rumor surgiu no meio dos homens da segurança: ele está aqui na cidade. Os homens concentraram-se em torno da grande figura.

Prefeito recebendo palmas pelo grande feito de levar o governador até aquele rincão.

Era sexta-feira da paixão, dia 2, um ar de tragédia estava pairando sobre aquelas cabeças.

O povo em festa, nem prestava atenção aos fatos que já começavam a desenrolar.

Um carro desceu mais rápido, um pneu estourou, os homens entenderam que era um tiro, o sinal para começar o tiroteio.

A BMW, com o teto solar aberto, descia e contornava a praça da igreja.
Um dos seguranças gritou:
-- É ele! É ele!
Lá de cima do prédio três tiros foram ouvidos, cá em baixo uma confusão foi estabelecida. Ninguém estava entendendo nada.

O Governador já estava no palanque falando das verbas que liberara para aquele município. Um guarda pulara sobre ele e esconderam-se por trás da mesa. E foi retirado em segurança, para outro local.

Do carro desceu Gemiro, o temido pistoleiro, subiu as escadarias da igreja e caiu logo na entrada.

Algumas mulheres conhecendo a figura saíram em disparada pela rua abaixo.
De bruços e com a mão direita fechada, sem nenhum sangue derramado, serviu de curiosidade para muitos, que foram chegando de mansinho.

O médico foi chamado e foi constatado: ele morrera de ataque cardíaco.
Quanto ao seu carro sumira dali. Ninguém mais viu o veículo.

Parecia coisa do outro mundo. Gemiro morto, corpo estendido dentro da igreja.

Uma missa ia ser celebrada, agora com corpo presente. O caixão, as flores e toda arrumação já estavam pagas há um mês.

Na igreja o sacristão verificou que havia trinta missas pagas por uma única pessoa: Gemiro.

O corpo foi preparado ali mesmo na entrada e o caixão colocado entre os bancos.

O povo começou a chegar e o Governador não pode esperar, partiu para outros compromissos.

Mariazinha, muito devota, começou logo um terço que não tinha fim.

Alguns passavam, olhavam, estremeciam e sentavam-se bem longe.

A missa terminou e o velório continuou mesmo ali, ninguém quis ou não teve coragem de removê-lo para outro lugar.

Na manhã seguinte o féretro iniciou-se, o cemitério era ali por perto.

Estranhamente uma cova já estava aberta, encomendada por um desconhecido, na noite anterior.

O Coveiro, antes de descer o corpo, quis saber o que tinha na mão fechada: abriu-a e assustou-se.

Na sua mão direita, queimada pela pólvora, uma bala disparada por qualquer um daqueles hábeis seguranças.


Manoel Amaral

domingo, 4 de novembro de 2012

O SÁBIO SABIÁ SABIA TUDO


O SÁBIO SABIÁ SABIA TUDO

Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros.
(Augusto Cury)
Vou contar para vocês o que me aconteceu esta semana, só esta semana: Estava no quintal de minha morada, que é uma grande escola, fácil de descobrir, começa com Padre, tem as mesmas vogais do meu nome, Matias.
Logo abaixo uma bela praça e na frente um igreja muito bonita, já entrei lá para clarear as ideias. Estava assim meio tristinho porque a minha querida disse que era chegado tempo de por alguns ovos.

Pensei logo nas dificuldades que passei da última vez, morava num local totalmente desprovido de alimentação. Seco, sem árvores, só prédios e mais prédios, um atrás do outro.

De vez em quando aparecia uma alma caridosa que molhava o chão para lavar o seu carro aí a gente podia ciscar e descobrir algumas iscas. O lixo era farto, mas nós não vivemos de lixo. Somos mais sofisticados, comemos as saborosas minhocas dos jardins.

Dia desses fiquei sabendo que alguém até escreveu um livro só dedicado a mim: “O Sabiá e o Abacateiro.” Nem sei quem foi, mas fiquei muito envaidecido, até que enfim alguém se lembrou da gente.

Mas a minha nega (será que alguém vai se importar de chamá-la de nega? Esse negócio de afrodescendente é pura bobagem). Pois é ela estava lá chocando os seus ovinhos numa janela que vivia fechada. Quando descobriram que a gente estava lá, apareceram tanta pessoas só para atrapalhar. Era um tal de abrir e fechar a janela, só para bater fotos e mais fotos, que eu já estava perdendo a paciência.

Não xinguei, mas arranquei alguns cabelos de uns chatos. Aproveitei e levei para o ninho, eles são macios e bons para isso.

Outro dia, lá na praça, vi uma fumaça danada, era uma turma de jovens. 
Pensei que meus filhos estivessem no meio, mas que nada, há muito tempo eles não aparecem por estas paragens, foram para as bandas do grande Bairro do Niterói.

Os jovens são assim mesmo, a gente os cria e quando começam nascer penas já vão logo voando por outros cantos e abandonando a gente.

Esteve um biólogo aqui na Escola, só para estudar as minhas idas e vindas, achei aquilo meio chato e mandei ele embora com uma boas bicadas. 

Biólogos, ah! Estes caras meio doidos, querendo conversar com a gente.

Aqui conversamos só com o zelador da escola, ele é legal com as crianças e com gente. Molha as plantas todas as manhãs e alí conseguimos o nosso alimento preferido debaixo daquelas folhas e gramas.

Sabina, a minha nega, anda muito preocupada com algumas crianças malvadas que estão atirando pedras no nosso ninho. Já falei para ela que não precisa se preocupar, qualquer dia desses eu ataco esta turma e vão ficar com a testa marcada para sempre.

Alguns estão até reclamando do meu linguajar. Ora, aprendemos com os humanos, que falam muito palavrão e gíria. E agora para completar, um besteirol sem fim da internet. Facebook, ah! Coisa besta, ficam lá no computador horas e horas quando deveriam estar fazendo qualquer coisa de útil. Estudando, por exemplo. Ou então conversando com os filhos.

E este tal de celular? Nossa Senhora, que aparelho inútil. Só serve para fofoca. Quando precisam utilizá-lo para emergência, não tem bateria.
Vi gente quase morrer, daqui desta praça, tentando atravessar a rua sem olhar para os lados.

Uma coisa horrorosa este tal de celular. Uns falam alto. Já outros simulam barulhos e falam a esposa que estão no trabalho ou na escola, quando na realidade estão nos bares enchendo a cara.

Estes dias encontrei um até moderninho, tinha rádio, tocava umas músicas até bonitas. Mas daí a pouco começou aquela enxurrada de música, que dizem modernas, mas de um gosto muito além do pior.

Por hoje é só, mas se quiserem ouvir umas lindas músicas dos velhos tempos é só clicar aí em baixo:



Manoel Amaral   -  http://osvandir.blogspot.com.br