terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A ERVA DO DIABO

A ERVA DO DIABO

“Não preciso me drogar para ser um gênio...”

Charles Chaplin

Hoje ele é muito respeitado como palestrante nas rodas antidrogas; mas já foi um dos caras mais viciados que já conheci.

Passo a palavra para José Imaculado, mas conhecido como Zé da Merda.

“Já fumei, cheirei, injetei, tomei e lambi. Fiz de tudo nesta vida para poder manter o meu vício. Roubei, furtei, assaltei, só não matei. Pulei muro, rasguei o corpo em arame farpado correndo da polícia.”

Sempre assim que ele inicia as suas concorridas palestras para viciados e familiares. O seu bairro ficou pequeno, a cidade também. Fez palestras para todo o estado. Viajou até para o exterior, atendendo a pedidos de universidades norte americanas.

“Não acreditem na amiga da mente, isso é pura ficção. A erva maldita rói seu cérebro, provoca distúrbios nos seus neurônios.”

Ele é mesmo bom de fala, consegue manter a plateia prestando atenção às suas palavras por horas e horas.

“A minha intenção hoje é contar para vocês como foi que larguei o vício. Cheguei a levar a minha família a loucura, vendi tudo para comprar a Noia. Até um liquidificador que tinha dado de presente para minha mãe.”

Por aí ele vai tirando lágrimas e sorrisos de todos que ali estão. Zé da Merda virou mesmo um excelente orador. Preste bastante atenção a interessante história que ele vai contar:

“Por que tenho o apelido de Zé da Merda? Vou explicar: tinha uns viciados na cadeia e estavam sempre pedindo drogas aos visitantes, mas a portaria não deixava passar nada. Nestes dias eu estava lá depois de ser preso tentando vender um celular roubado.”

Haviam encontrado uma nova maneira para traficar o Fumo brabo.

Engoliam várias cápsulas e arranjavam uma maneira de ser preso, uma vez dentro da cadeia era só esperar o bagulho sair.

Acontece que na maioria das vezes a embalagem não era bem preparada e rompia-se no estômago e ao sair dava mais trabalho na limpeza.

Era muito interessante, hilário mesmo, vendo ele contar com toda simplicidade como tudo aconteceu.

“Os presos não queriam nem saber, ia cada um pegando o seu papel para preparar o Brow. Mas na pressa eu peguei um pedaço da maldita e fiz logo o meu Palhão. Quando comecei a tirar as primeiras baforadas percebi um odor diferente. Aí fui verificar como haviam transportado a Planta do diabo até a cadeia e fiquei sabendo que tudo aquilo tinha vindo na barriga do idiota do Lolô, um maconheiro já velho que estava à beira da morte. Vomitei três dias seguidos e nunca mais coloquei qualquer tipo da droga na boca. Fumei merda, aí a razão do meu apelido.”

Dá para acreditar? Podem crer, existem viciados usando coisa muito pior que isso!

Boas Entradas de Ano

Fuja das drogas, droga é uma droga!

Manoel Amaral

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