Capítulo I
O MAPA
Vários garimpeiros foram mortos pelos índios Cinta Fina lá no meio da floresta, num lugar completamente desconhecido do homem branco: na Barranca do Inferno.
Repórteres vieram de várias capitais para noticiar o fato. Um dos homens resolveu levantar a camisa de um dos mortos e aí veio a perplexidade, ali havia uma tatuagem nas costas. Abaixou a roupa devagarinho e disse para os demais que conhecia o defunto e iria providenciar o enterro.
Levou-o para um local, escondeu bem dos demais. Passou na farmacinha do povoado de Cruz das Almas e pegou vários medicamentos.
Como o corpo já estava em estado adiantado de putrefação, teve que trabalhar com muito cuidado para não danificar aquela tatuagem na pele.
Pegou a sua melhor faca, amolou-a bem e foi cortando aquele desenho, com todo cuidado até onde podia. Algumas partes já estavam completamente danificadas. Pegou o corpo e enterrou no quintal, depois de tirar todos os documentos que estavam nos bolsos da vítima.
Começou todo um ritual para curtir a pele, baseado em curtição de couro de cabra.
Estendeu para secar num local bem longe dos olhos de outros companheiros.
Depois destes cuidados o material ficou fino e macio. Aí então cuidou de passar uma cópia para um papel das informações ali contidas, reduzindo-a proporcionalmente.
Parecia um mapa, mas tinha uns desenhos muito interessantes e alguns símbolos que só o morto poderia identificar. Meia dúzia de palavras indígena, uma linguagem desconhecida. O documento todo era um mistério. Como mandara tatuar aquilo tudo nas costas, sendo que não poderia ver? Qual a utilidade teria? Seriam dois companheiros que sabiam daquele segredo? Muitas perguntas ficaram sem resposta.
Alguns traços pareciam rios e outros contornos de montanhas, mas o resto estava meio nebuloso.
O Garimpeiro não quis mostrar para ninguém, tinha medo de descobrirem alguma coisa valiosa e ele ficar sem nada. Resolveu consultar os documentos. Havia um relógio a corda, de bolso, antigo, marca Tissot, uma caneta, um lápis e dois papéis manchados, também com alguns desenhos incompreensíveis.
Manoel Amaral


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