segunda-feira, 26 de setembro de 2011

OSVANDIR NO ROCK IN RIO - I

Capítulo I
NEGOCIANDO COM LADRÃO




Osvandir saiu de casa mais cedo, foi de carro até Belo Horizonte. O seu destino: Rio de Janeiro, para assistir aos shows do Rock in Rio.

Depois de alguns engarrafamentos, pedágios, constrangimentos, conseguiu chegar até BH. Trafegando pela Avenida Getúlio, bem no centro, nas confluências com Rua Maranhão, olha para um lado, para o outro e avista uma faixa inusitada.

“Amigo ladrão, dia 19/09, às 20 h., neste local, você quebrou o vidro do meu carro, roubou um notebook e 2 HDs externos, calculadora HP 12C. Te pago R$1.500,00 pelo notebook e R$500,00 pelos 2 HDs.”

Logo a seguir constava o seu celular e uma notificação final, para tranquilizar o ladrão: “não irei chamar a polícia”.

Nem bem deu tempo de assimilar aquelas informações todas, viu num jornal, tipo pasquim, a seguinte notícia: “Bando vendia notebook de madeira”.

Parou o carro, correu a banca e adquiriu o jornalzinho. Leu toda a reportagem e achou muito interessante de como os bandidos estão ficando cada vez mais espertos e sempre encontrando os incautos para aplicar os seus golpes.

Eles faziam uma espécie de escultura de madeira, parecida com os notebooks e ainda colavam figuras e adesivos das grandes empresas da área. E o pior que tinha muita gente comprando. O material vinha numa sacola e envolvido num plástico de bolhas.

Depois destes acontecimentos todos Osvandir já estava quase desistindo de ir ver os grandes artistas no show do Rock in Rio. Informou a locadora que deixaria o veículo no Aeroporto.
Ao adentrar no avião, viu vários colegas seus que também iam para o Rio.

O Rock in Rio nasceu em 1985, foi montado em Lisboa e também Madrid, sempre com grandes espetáculos.

Osvandir e aquela multidão de espectadores, num espaço de 150 mil metros quadrados, iriam encher a cidade de rock.

Muita confusão na portaria, uns querendo entrar a qualquer custo. Outros com vários ingressos nas mãos vendendo a preços altíssimos.

Na primeira noite estava mais interessado em Cláudia Leite, Sir Elton John, Katy Perry e Rihanna, era emoção demais.

No dia seguinte os cantores e bandas seriam: NX ZERO, Capital Inicial, Stone Sour e Red Hot no palco do Mundo. Nos Sunset, Eletrônica e Rockstreet, inúmeros outros artistas estariam cantando.

Seria um sábado quente, era só aguardar e Osvandir estava preparando-se para isso. Pediu uma água de coco, alguns salgadinhos leves e foi fazer uma caminhada na praia.

No seu quarto, esqueceu em cima da cama, o notebook e a câmara digital.

Quando voltou não viu nem sinal dos seus equipamentos eletrônicos. Levou um tremendo susto, ligou imediatamente para a portaria do hotel. Sentiu um alívio quando a camareira lhe informou que colocara os equipamentos no guarda-roupa e trancou.

Na mesa do restaurante abriu o jornal, depois do almoço, uma manchete chamou-lhe a atenção: “Governo de Minas Cria a ‘Bolsa-Crack´.” Caiu de costas: desmaiou.

E o subtítulo da matéria anunciava: “Estado lança programa para auxiliar famílias com R$900,00, para internar usuários de drogas.”

Manoel Amaral





OSVANDIR NO ROCK IN RIO - II
Capítulo II
RIO DE JANEIRO



Se criarem a “Bolsa do Crack” para o usuário, agora mesmo estarão pensando em um “financiamento especial” para o Traficante ter mais facilidade em comprar um volume maior de drogas, por mais combustível no seu aviãozinho, pagar melhor o piloto, ficando tudo muito mais fácil.


Mas Rio de Janeiro é Rio de Janeiro, é cidade limpa, policiada, estudante não atira em professora, não tem assalto nos ônibus e nem nas padarias. O trânsito é organizado. Será?
O povo é hospitaleiro, recebe muito bem a todos. Estão se preparando para 2014, a Copa do Mundo.


Para receber os turistas do Rock in Rio os hotéis montaram novos equipamento para os jovens. Internet banda larga, telões, filmes selecionados e muita bebida no frigobar dos quartos.


Policiamento redobrado em toda parte. Dentro do perímetro da cidade do rock não haveria nenhuma possibilidade de assalto ou brigas, tudo muito bem organizado, com vários seguranças.



Mas houve algumas confusões, filas e gritarias, normais em grandes eventos.


Osvandir estava bem preparado, não levou celular, nem câmara digital cara, comprou uma baratinha só para bater algumas fotos e passar rápido para o computador para não acontecer como o sujeito que teve que negociar com o ladrão que roubou o seu notebook em BH.
Aguardava ansiosamente o show de sábado e domingo. Voltaria na segunda cedo, pois novas aventuras o aguardariam em outro local do planeta.



Na noite de sábado quando tentou entrar num daqueles ônibus especiais para a Cidade do Rock, foi um empurra-empurra danado. Muitas pessoas queriam entrar de uma vez só. Não se sabe de onde aparecerem tanta gente.


Esperou o próximo. Quando olhou para o lado direito vinha um furacão. A poeira levantava no asfalto, as folhas das árvores voavam no espaço. Era um arrastão, o grupo compunha de mais ou menos uns vinte jovens e adultos, limpando tudo pela frente.


O pobre do Osvandir ficou sem a câmara, algum dinheiro, só sobrou o que ele guardou cuidadosamente em vários bolsos e na meia.


Passado o susto; outro logo em seguida que é para o povo ficar alerta: um bueiro explodiu levando dois turistas ingleses para o alto. O Brasil não usa nem foguetes para enviar alguém ao espaço, usa o gás acumulado em suas tubulações nas ruas.


Confusão geral, os dois infelizes ingleses, vermelhos de raiva nem puderam assistir ao show, foram direto para o hospital mais próximo e ficaram em observação. Um observava a paisagem pela janela e o outro olhando sempre o soro que não acabava nunca.


Finalmente Osvandir pode ver os shows dos cantores e bandas de rock: NX ZERO, Capital Inicial, Stone Sour e Red Hot no palco do Mundo.




OSVANDIR NO ROCK IN RIO III - FINAL
Capítulo III – Final
A VOLTA PARA A REALIDADE


Todos sabem que aquilo tudo que o Osvandir foi ver não passava de pura fantasia, era chegada a hora de cair na realidade do dia-a-dia.



Depois do Show de Domingo à noite, onde viu os últimos astros do rock, preparou as malas para a volta ao seu lar.



Junta material daqui, outro dali e ainda teria que fazer uma última compra no shopping mais próximo de onde estava hospedado.


Tomou o café da manhã, que já não era manhã, quase dez horas. Desceu os últimos degraus do Hotel e caiu na rua para enfrentar o que desse e viesse. E não é que veio mesmo. Não andou nem dois quarteirões e um “di menor” mal-encarado solicitou educadamente que lhe passasse a grana. Mediante aquele pedido tão gentil, com um cano de 38 na nuca, enfiou a mão no bolso e entregou ao ladrão quatro notas de R$100,00 reais. E ele ainda reclamou que era pouco dinheiro para uma figura tão fina.


A sorte foi que os cartões de crédito estavam no bolso da camisa, do contrário adeus compras.
No shopping, passou nas lojas de eletrônicos para saber das últimas novidades. Comprou uma caneta espiã e um binóculo acoplado a uma câmara digital.



Saiu todo feliz e foi buscar as malas no hotel, mas o taxista reparando que era turista cobrou o dobro da corrida.



Dirigiu-se ao aeroporto Santos-Dumont, mais central, consultou a sua passagem e estava marcada saída para s 14 horas. Mas como sempre, estava tudo atrasado.



Assim que chegou em Belo Horizonte, entrou em contato com a empresa de aluguel de veículos e solicitou que lhe trouxessem um “Camaro” esportivo, da Chevrolet que está fazendo sucesso entre os jovens.



Queria a cor vermelha, que é para chegar a sua cidade e causar alvoroço nas ruas.


Mas se deu mal, a locadora informou-lhe, gentilmente, que não possuía aquele tipo de veículo, mas que levaria um Dodge Challenger, com a mesma qualidade e potência e com a cor vermelha conforme solicitara.



Chegando em casa, descansou um pouco e depois foi dar uma volta, resolveu visitar umas agências de venda de veículos. Lá estava o Camaro, lindo, leve e solto. Mas um preço de amargar: R$160.000,00.

Manoel Amaral

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