sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O POBRE VAMPIRO DE SÃO JOSÉ DE BICAS

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de
chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite."
(Clarice Lispector)

Imagem Google


Ninguém sabia o seu nome, apareceu na festa de fim de semana.

Bebeu, fumou e cheirou. Saiu, tropeçou, caiu e dormiu.

De madrugada acordou. Olhou no escuro da noite e não viu nada.

O barulho de veículos foi diminuindo, ele dormiu novamente. Belos sonhos sonhou.
Da manhã, procurou um boteco para tomar um café forte a fim curar a ressaca de tantas drogas ingeridas.

A cabeça doía muito. Parecia que o cérebro havia evaporado. Não conseguia pensar coisa com coisa.

Enveredou por uma ladeira, viu umas mulheres na calçada. Magras, roupas curtas e muito feias. Ainda procuravam os últimos fregueses.

A pequena cidade de São Joaquim de Bicas, com pouco mais de 25 mil habitantes, pertence a pertence a Região Metropolitana de BH.

Não é a melhor nem a pior das cidades do entorno da capital. Tem as suas sequelas. Bandidagem, ladroagem, roubalheira, drogas, drogas e drogas.


O Jornal O Tempo abriu manchete: Polícia estoura laboratório de refino e distribuição de drogas em São Joaquim de Bicas.

Os serviços públicos, como em qualquer cidade brasileira, deixam muito a desejar.
A Prefeitura não tem como atender tantos pedidos de emprego, conserto de ruas, canalizações esgoto, construção de escolas, pontes, creches e outros prédios públicos.

Os Vereadores continuam legislando sobre troca de nome de rua. O prédio da Sede Administrativa é muito moderno.

Tudo ali deveria correr as mil maravilhas ao primeiro olhar, mas na realidade só mudou a construção, continua tudo como qualquer Prefeitura do Interior. A Oposição de um lado e a Situação de outro, cada um tentando mostrar mais serviço.

Lá também tem casos de crianças desaparecidas: Polícia investiga sequestro e encontra jovem em cárcere privado... que foi manchete Nacional.

Mas aquele Senhor sem nome estava no fim da linha. Os pensamentos voavam. Os restos das drogas no organismo faziam, agora, efeito contrário. Ele foi ficando depressivo, precisava arranjar um local para apagar as suas mágoas e arranjou.

Entrou num beco, viu um tambor velho com pedaços de pau queimando naquela manhã serena. Um friozinho subia a sua coluna vertebral e parava ali na nuca provocando um baque. Parecia uma chave de desligamento de energia. O seu corpo ficava mais leve.

De repente, por entre aquelas ruas estreitas surgiu um louco com uma estaca de metal.

Sem que tivesse tempo de desviar, recebeu aquele forte impacto no peito. Metal frio arregaçando as carnes.

Ainda vivo, tentou encontrar socorro na beira da rodovia, ficou ao lado de um Fiat Palio, de cor prata.

Foi encontrado pela Polícia Rodoviária Federal o homem, de 33 anos, com vida, no km 509 da rodovia, mas morreu logo após dar entrada no hospital.


Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

2 comentários:

  1. Olá, Osvandir.

    Podes usar a ideia do 1001 Noites Revisadas, sem preoblemas. Apenas, gostaria que referisse a fonte, mencionando o blog.

    Abraço

    Sílvio

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  2. A história sendo contada, a gente acompanhando sem vontade de parar de ler... Muito bom, seu conto. Um abraço da Marina Alves.

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