sexta-feira, 3 de junho de 2011

O MOTORISTA DE TÁXI E O BANDIDO

Justino, o justo, motorista de táxi há mais de cinco anos em sua cidade, passou por maus momentos naquele dia.

Quase chegando ao ponto de trabalho, por volta de oito horas da manhã, ao atravessar a rua, foi atropelado por um motoqueiro e sua máquina infernal. Teve ferimentos leves, seguiu mesmo assim para o trabalho.

Refeito do susto, do outro lado da rua, encontrou os seus colegas que falavam de assaltos e liam uma jornal que compravam todos os dias e que apreciavam muito; publicava: mulher pelada, futebol e página policial.

Um deles disse que na noite anterior recusara uma chamada para um bairro afastado dizendo que não podia ir por ter outro compromisso, mas na realidade era medo de ser assaltado.

O dia não começara bem, tentava pegar logo algum passageiro para não ter prejuízo e cumprir a cota do dia.

Uma chamada, ali por perto, foi urgente levar aquele passageiro onde desejava.

A viagem foi ficando muito longa, quase dez horas daquela manhã conturbada, o passageiro arrancou da cintura um revólver e anunciou o assalto, ali mesmo, no meio da rua de grande movimento.

Mandou o motorista parar numa rua mais estreita e sem movimento, amarrou-o com fita adesiva que carregava no bolso. Vedou seus olhos e tampou a boca com o mesmo material.

Justino ficou totalmente imobilizado, foi jogado no porta-malas do veículo.

O bandido rodou a cidade inteira com o pobre motorista quase morrendo asfixiado naquele ambiente próprio para malas e nunca para pessoas.

Parou perto de um posto de combustível para comprar um litro de gasolina. Ninguém ficou sabendo para que.

Nesse meio tempo Justino soltara a amarra dos pés e pressionando o banco traseiro conseguiu sair do veículo, ainda com as mãos presas e os olhos vedados, não conseguia gritar tinha a fita atravessada em sua boca.

Cambaleando ali no meio da rua, sem saber onde estava. Recebeu uns socos de alguém que acabara de chegar. Era o assaltante que pegou o carro novamente e fugiu em disparada para outro bairro.

Justino foi socorrido pelo primeiro morador que já o conhecia do ponto de táxi no centro da cidade.

Retirada as fitas dos olhos, boca e das mãos, reconheceu onde estava e agradeceu ao senhor Joaquim que o ajudou.

Na outra ponta da cidade o assaltante continuava a andar no veículo e fazendo até corridas quando solicitado.

Nestas alturas dos acontecimentos o proprietário do veículo já sabia de toda a história e acionou a polícia.

O idiota do assaltante foi preso na zona rural, por desconfiança de um passageiro que fretou o veículo, achou o preço muito baixo e desconfiou do taxímetro desligado durante a corrida.

Manoel Amaral

Um comentário:

  1. passando para agradecer o seu comentário,e aproveitando para dar uma olhada nos seus textos,que eu já conheço mas sempre gosto de lê,gosto muito dos seus textos também!
    são muito bons!
    Parabéns pelo blog,tá indo bem.

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