domingo, 15 de maio de 2011

ELA ERA SÓ UMA GAROTINHA (*)

“É estranha, é surpreendente.

Ela pode estar sorrindo de tudo, e de repente...

estar chorando por nada.

Não tente adivinhar suas ações ou suas reações...”

Autor desconhecido.


Quando completou 13 anos ganhou o seu primeiro celular. No aniversário seguinte ela ganhou, entre outros presentes, um MP4 e uma linda mochila da moda.

Estudava numa escola bem próxima de sua casa. Bastava atravessar uma rua e dobrar a próxima esquina. Não andava de ônibus, nem de van ou de carro, ia e voltava sempre a pé.

Menina aplicada, só tirava boas notas e tinha ótimas amigas. De manhã não esperava a sua mãe ir acordá-la. Ligava o despertador do celular e levantava na hora certa. Algum dia ficava mais tempo no computador e às vezes errava a hora. Tomava seu café da manhã bem rápido, corria ao atravessar a rua e chegava sempre no horário certo em sua escola.

Naquela sexta-feira, o cansaço baixou-lhe no corpo. Estava um pouco triste mas fez as provas, no seu entender tinha acertado muitas questões.

No período da tarde deveria voltar para participar de uma gincana promovida por sua turma. Aceitou a sua participação e levou o material solicitado.

Na volta para casa, ao cruzar a rua, ainda com sinal verde no semáforo, foi atropelada por um veículo que não respeitou as regras de trânsito.

No chão jazia Cristina, 14 anos, um fone do MP4 no ouvido esquerdo e o celular na mão direita, à altura da cabeça.

No chão, junto com alguns cadernos, um recorte de jornal alertava:
“No Brasil, são 50 mil mortes anuais em acidentes de trânsito (4% das mortes que ocorrem no mundo).”
“Em 70% delas, o (a) motorista havia ingerido bebida alcoólica.” (Folha de São Paulo)

(*) Baseado em fato real.

Manoel Amaral

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