segunda-feira, 4 de abril de 2011

OSVANDIR E O CÁLICE SAGRADO

O cálice da Santa Ceia tem o valor simbólico da celebração da eucaristia.

Já seu poder mágico é só uma lenda",

Rafael Rodrigues Silva,


A procissão sairia de uma Igreja do centro e iria para um bairro mais próximo, cerca de 1 km, tudo entre ruas movimentadas, carros, motos e bicicletas. Cada um levava sua vela e lanterna, aquele símbolo do fogo, desde os tempos remotos dos cristãos. A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ”Este é o meu corpo, isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim”. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.


Osvandir ia por ali, entre uma jovem de longos cabelos na frente e dois velhinhos atrás.


O Santíssimo logo adiante, com aquele esplendor, iluminado pelo sol forte do fim de tarde. Como uma cobra que se contorcia, a procissão, com centenas de pessoas, seguia rua abaixo, virava aqui e acolá, onde estava determinado o trajeto. De repente uma faísca nos céus, um brilho nos olhos e Osvandir: estava na Idade Média à procura do Santo Graal, o Cálice Sagrado.


Ao lado de um cavaleiro, nomeado pelo Rei Arthur, ali estava ele, ouvindo mais uma fala do Mago Merlin, profeta, conselheiro e Grão-druida.: ― Cavaleiros! Vocês estão aqui hoje, reunidos, nessa mesa redonda que é para nunca haver discussão, para saber qual o próximo passo ordenado pelo nosso Rei. “A cadeira situada à direita do rei está reservada a um único cavaleiro. A esse cavaleiro eleito caberá uma santa missão. Vocês sabem que, no dia em que Jesus foi crucificado, um romano convertido, José de Arimatheia, recolheu o sangue de suas chagas em uma taça, o Graal. Só o cavaleiro que a encontrar poderá ocupar a “Cadeira Perigosa.” Osvandir ouvia tudo em silêncio. Merlin fazia os últimos juramentos, transmitindo a todos cavaleiros: ― Juro partir em busca do Cálice Sagrado...


Osvandir foi destacado para um determinado local, onde havia um castelo em ruínas, mal assombrado. Um friozinho percorreu-lhe a espinha. Estava com muito medo. As buscas começaram ali mesmo na entrada.


Tudo foi vasculhado, com ajuda de três dos seus companheiros. Um pequeno detalhe chamou-lhe a atenção: várias frases em latim numa parede. Com seus precários estudos da língua, pode notar que alguém contava uma história muito estranha.


Abaixo do texto um pequeno buraco em formato de cruz. Osvandir retirou do seu bolso um medalhão antigo, com uma saliente cruz, colocou-o naquela abertura e girou para a direita. Ouviu apenas um pequeno barulho além da parede. Girou novamente, desta vez para esquerda e uma porta se abriu. Lá no fundo uma sala inteira só com peças em ouro, diamantes, esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas.


Admirado com todo aquele tesouro bem ao alcance de suas mãos, mandou transportar tudo até a presença do Rei Arthur. Arthur estremeceu, quando verificando no meio daquelas coroas todas cravejadas de diamantes, encontrou um velho cálice com o símbolo sagrado da igreja cristã. Na reunião, à noite, o Rei chamou alguém para assentar-se ao seu lado, na “cadeira perigosa”.


Vinha com o rosto coberto, ele assentou-se naquela cadeira ricamente bordada e ao levantar o olhar, por sobre a mesa estava escrito o nome: Osvandir, - em letras gravadas a ouro. Quando o Rei fez um brinde a todos, uma faísca brilhou no céu.


Um tropeção numa pedra de calçamento e acordou daquele cochilo por um milésimo de segundo, uma pequena fração do tempo.


Os olhos de Osvandir estavam direcionados para aquele Ostensório, ou custódia, formosamente decorado e pintado a ouro; ele seguia lentamente naquela procissão, já quase chegando o ponto final.


Manoel Amaral

Um comentário:

  1. Interessante o texto, é uma pena que ele acordou.
    Que o sonho acabou.

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