sexta-feira, 11 de março de 2011

D. CAIXOTE SEM MANCHA E SANTO PRANCHA III

Capítulo III
Cavaleiros Andantes
"Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória!"
(Cavaleiros Templários)



Os cavaleiros andantes agora eram apenas andarilhos. Os animais foram roubados, algumas coisas de uso pessoal também. A fome era tanta que correram para o mato a procura de alguma fruta. Encontraram bacupari e alguns coquinhos cujas castanhas eram muito difíceis de retirá-las. As mulheres seguiram o seu caminho, a residência delas era num pequeno povoado a alguns quilômetros daquele local.


Com o estômago cheio de castanhas, o efeito intestinal, naquele sol, não foi dos mais agradáveis. Dom Caixote seguia pela estrada e daí a poucos passos, entrava no mato. Prancha passou a caminhar diretamente no mato, ficava mais fácil, era só agachar e evacuar.

Numa das agachadas o desastrado servo passou a mão nalgumas folhas para limpar-se e sentiu uma coceira dolorosa, era uma taturana venenosa. O pobre Prancha ficou sem poder sentar-se por um tempão. No povoado, um farmacêutico aplicou-lhe uma injeção para atenuar a dor anal.

As mulheres já haviam esparramado a notícia sobre o assalto aos dois e aumentaram bem o fato. Ficaram conhecidíssimos na região. História passada de boca-em-boca, cada um aumenta um pouco, chega até a virar romance, e que romance!

Todos queriam ver a armadura medieval de Dom Caixote e rir das desventuras do cavaleiro sem cavalo, o Prancha.

As viagens continuaram e cada vez mais, naquela alucinação, D.Caixote imaginava estar vivendo na idade média à procura de sua amada Teteia. Por onde passava era saudado ou apedrejado pelo povo.

Ele precisava manter aquele sonho: encontrar a sua doce namorada fictícia. A colocava no altar como uma santa.

Viajando por aquele grande Estado encontrou um rebanho de bovinos, confundindo-os com um exército inimigo avança contra os animais, mas é surrado pelos boiadeiros além de ser pisoteado pelos bois. No meio daquele pasto verde, ficou muito ferido e acabou perdendo alguns dentes, foi aí que Santo Prancha vendo aquele figura horrível, denominou-o de “O Cavaleiro de Triste Feiura”.

Mas o seu desejo de combater as injustiças e encontrar sua Dama segue viagem, sempre enfrentando situações ridículas e seguido por seu fiel escudeiro.

Pegam carona num camionete cheia de gente mal-encarada. Na próxima cidade eles assaltam um banco e nosso herói ajuda aos ladrões pensando estar libertando escravos.

No meio daquela confusão foi pego por alguns policiais, enquanto os ladrões fugiam com todo o dinheiro.

Na delegacia foi que o Delegado descobriu que Dom Caixote e Santo Prancha não tinham nada com o assalto, foram simplesmente utilizado com “Comissão de Frente”.

Finalmente encontram duas senhoras naquela cidade que ele imaginava ser uma a mãe e a outra a sua adorada e eterna namorada.

Alguns comerciantes deram aos dois alguma alimentação, até que a ambulância parou numa rua estreita, dois homens de branco desceram e os colocaram numas camisas de força e foram internados como loucos, num sanatório bem longe da cidade.

Dom Quixote ainda imaginava que aqueles dois eram enviados do Mago Merlim que viria para impedi-los de trabalhar contra as injustiças do mundo.

(Pode continuar, ou não.)

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

Leia:
Dom Caixote sem Mancha I – O Pangaré

Dom Caixote sem Mancha II – O Resgate dos Escravos

http://osvandir.blogspot.com.br/2011/03/d-caixote-sem-mancha-e-santo-prancha.html

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