sábado, 26 de fevereiro de 2011

ROBIN FOOD E ZORRA

“Resolvemos matar dois coelhos com uma facada só.”
Tataravô do Osvandir


Foi num tempo não tão perto e nem tão longe, existiu um homem que era muito rápido em conseguir comida para todos, foi chamado de Robin Food.

Quando o povo estava tendo dificuldade em qualquer coisa, procurava-o e ele sempre ali à disposição da população pobre.

Seus amigos João Grandão e Frei Duck estavam preparados para o que desse e viesse. Um pequeno assalto a um fazendeiro ricaço, um desvio de verbas, tudo gerava renda para Robin ajudar o povo.

Acontece que um Presidente muito mau, aumentou os impostos, diminuiu o poder de ganho dos operários, não pagou a dívida externa, privatizou as grandes empresas e deu o “cano” em todo mundo e ainda queria ser conhecido como o “Homem do Século”.

Tinha bilhões de dólares e barras de ouro, depositados nos Bancos da Suíça. O povo era pobre, mas ele muito rico, bilionário. Segundo a Revista Tobs, estava em 5º lugar entre as pessoas mais ricas da terra.
Ele mesmo mandava assaltar os bancos, as grandes empresas, as cargas valiosas e jogava culpa em outras pessoas.

Foi aí que Robin Food chegou ao seu refúgio, uma floresta de eucaliptos e pinheiros, de propriedade de uma grande indústria de papel, ia preparar uma ação para derrubada do político corrupto. Porém um contratempo surgiu, o malvado Presidente atacou primeiro e prendeu alguns de seus companheiros.

Mas guerreiros é que não faltavam, armas também não. Muitos arcos modernos, verdadeiras maravilhas da técnica e eletrônica estavam à sua disposição. Sem falar no canhão portátil, que derrubava até aviões.

João Grandão veio aflito informando para o chefe que o maldito Político havia raptado a namorada do nosso herói, a querida e amada Zorra.
― Só poderia ser aquele bandido, que nem foi eleito por nosso povo e com mais de trinta anos no poder. Vamos convocar todos, através da internet. Avise o pessoal da WikiLeaks e mande convocar a todos para derrubar este crápula do poder. ― disse exaltado Robin Food.

― Pode deixar mestre, vou avisar a todos que tem computador para enviar a mensagem da reunião na Praça das Flores.
Minha amada não pode ficar nas mãos deste bandido cruel. Ele mandará apedrejá-la no meio de uma rua qualquer da capital.

Zorra, vinha de uma família pobre, tinha um cavalo branco, o prodigioso chicote, e com sua espada fazia sempre um “S”, em suas vítimas. Ninguém entendia a razão daquilo. Era astuta, travessa e gostava de andar mascarada.
Robin a encontrou num Estado próximo, quando de suas andanças em busca de alimentos para o seu povo.

Todos convocados, lutas corporais, os tanques nas ruas, tiros de fuzil (diziam que eram balas de borracha, mas eles causavam um estrago), muita gente ferida.

Robin subiu num pequeno prédio e agitou a sua bandeira, o povo gritou:
― Viva o nosso herói! Viva o nosso herói! Morra este bandido!
A mocinha Zorra estava amarrada a um poste, lá no meio da praça central e ia mesmo ser apedrejada por partidários do Presidente.

Frei Duck rastejou por entre paus e pedras e conseguiu desamarrá-la sem que ninguém visse. Cobriu-a com um manto vermelho e saiu em disparada para o lado oposto da fileira de soldados.
Com seu possante binóculo Robin viu que a sua amada estava salva, aí então deu sinal para que o povo tomasse o palácio.

Os soldados não resistiram, já estavam mesmo do lado do povo.

Alguém gritou no meio da multidão:
― Quem vota em Robin Food para Presidente, levanta a mão!
Todos levantaram as mãos e assim ele foi eleito democraticamente.

Esta é a verdadeira história de Robin Food, um dos maiores heróis do nosso tempo!
Manoel Amaral


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ALADIM E O CARTÃO MÁGICO

Imagem Google

“Dinheiro não traz felicidade: manda buscar.”
Márcio Casaroti

Aladim caminhava por uma rua estreita e escura, de um pequeno bairro de cidade grande, quando uma coisa brilhou no chão.

Aproximou-se para ver do que se tratava, olhando para os lados, pensando logo em algum bandido.

À luz do sol ela brilhava muito. Subitamente um grande clarão surgiu como se fosse uma lâmpada de mercúrio.

Aladim estava ali a olhar aquela lâmpada brilhante quando notou uma fumacinha branca subindo aos ares.

No meio daquele rodamoinho surgiu um gênio com várias ideias na cabeça, oferecendo tudo, parecendo político em época de eleições.

Oferecia três pedidos para o cidadão Aladim. Riquezas sem fim, modernidades mil, viagens até à lua, marte ou outros planetas.

Aladim, muito comedido perguntou:
― O Senhor tem aí um tal de Cartão Corporativo?
― Cartão corporativo? Onde você viu falar isso meu filho?
― Aqui mesmo em nosso diminuto reino.
― Tá, vou pesquisar... huuuuummmm. Tem vários cartões de Crédito, serve?
― Não, quero somente Cartão Corporativo!
― Do Reino Unido?
― Isso mesmo!
― Está aqui o seu Cartão! Agora você só tem direito a mais dois pedidos, viu?

Aladim pensou, pensou e revolveu pedir mais dois Cartões Corporativos.

O gênio muito encabulado perguntou:
― O que você vai fazer com uns cartõezinhos de plástico?
― Muita coisa – respondeu Aladim.

Uma nuvem branca surgiu e levou aquele gênio maluco.
Aladim ficou ali por muito tempo, admirando aqueles três cartões de plásticos, brilhantes, com faixa dourada.

Lembrou que esta praga de cartões fora criada para facilitar a transparência das contas do reino e diminuir os gastos por meio da comprovação de notas.

Naquele reinado, onde o petróleo jorrava em todo lugar, o cartão podia ser utilizado para qualquer tipo de compra, desde passagens aéreas até pagamento de prestações de vários tipos e saques em dinheiro. Enfim, o cartão era de muita utilidade para qualquer cidadão que trabalhasse na área pública.

Mas Aladim nunca ocupou cargo público, como ficaria a sua situação? Ninguém sabia, também nunca ouve fiscalização dos ditos cartões e todos os usuários estavam usando como bem entendessem aqueles magníficos e brilhantes, suporte de vida!

Foi vivendo e aprendendo, primeiro sacou cem mil para comprar uma casinha. Entusiasmado fez uma viagem pelos países vizinhos, gastando uma nota preta (ou seria uma nota afrodescendente?).

Na volta observou se havia algum comentário, nada, tudo estava como deixara.
Resolveu então arranjar uma namorada e gastar a vontade em bailes, restaurantes, viagens, carros, roupas, e tudo que o cartão poderia comprar. Por enquanto estava usando apenas o primeiro cartão, em caso de problemas passava imediatamente para outro, por que ele não era bobo.

Assim foi enriquecendo cada vez mais, sem ninguém saber como, muitos até pensavam que ele esta vendendo drogas, mas depois chegavam a conclusão que aquele bom moço não iria chafurdar na lama do sistema violento dos traficantes.

Mas um fato muito interessante aconteceu: o gênio Midala resolveu voltar para ver como estava vivendo Aladim.

Chegou, bateu na porta do palácio (palácio?), é, o esperto mocinho já comprara um velho palácio na rua principal do lugarejo e mandara reformá-lo, era o melhor prédio daquele local.

― Enriqueceu muito meu velho amigo! Como foi que fez isso? Com aqueles cartõezinhos de plástico?
― É preciso destreza e muita sabedoria. Não pode ir como muita sede ao pote. Tem que saber usar o que ganha. Movimentar o capital. Nunca desperdiçar. Hoje estou aplicando muito dinheiro em ecologia. Está vendo aquela fábrica? É tudo reciclagem, muitas pessoas trabalham ali. O valor das vendas é dividido entre eles.
― Aladim, meu filho, como você está se tornando sábio. Toma mais alguns cartões, onde poderá usar com sabedoria.
― Obrigado meu gênio. Você poderá visitar-me quando quiser. Agora vamos almoçar com tudo que temos direito e depois uma sobremesa com frutas da região, por que ninguém é de ferro!

O gênio Midala aprovou tudo que Aladim fizera e disse que voltaria sempre.

Manoel Amaral

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ALI BARNABÉ E OS 40 LADRÕES


ALI BARNABÉ E OS 40 LADRÕES
“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão” (Dito Popular)


Ele morava ali na periferia daquela grande cidade. Muito pobre, honesto, mas esperto.

Um dia Ali andava por ali e viu um bando de 40 pessoas na porta de um grande galpão, o chefe gritava:
- Abre-te Sésamo! – apertando um botão numa caixinha preta.

E a enorme porta de madeira rangendo, movia-se, mostrando o seu interior. No meio do escuro pode distinguir grandes mesas, tapetes, computadores, aparelhos eletrônicos de alto valor. TV de LCD de última geração. Vários microfones e caixas de som.

Quando todos foram embora Ali foi se achegando e encontrou um pequeno aparelho do tamanho de um maço de cigarro, no chão, virou para a enorme porta e gritou:
- Abre-te Sésamo! – apertando o botão daquele pequeno aparelho.

A porta se abriu e ele foi adentrando para verificar o tesouro que havia encontrado. Na adega as mais caras cachaças brasileiras e os mais puros vinhos da Europa. Na garagem muitos carros importados, novinhos, pinturas brilhantes.

Colocou alguns materiais de valor na sua velha Brasília e partiu para casa. Com um aparelho de TV de LCD com 52 polegadas, no carro, foi até a casa da sogra e deu-lhe de presente.

Quando o marido viu aquela linda TV, pensou no futebol de domingo, nos filmes; não teve dúvida, foi logo concedendo a mão de sua filha em casamento, imediatamente. Ali disse aos sogros que já estava apaixonado por sua filha há muito tempo.

Ali ficou muito feliz e resolveu contar para todos que ia se casar. Mas para isso precisava comprar uma casa para a sua namorada. Voltou ao prédio, olhou para um lado e para o outro, certificando que não havia ninguém e gritou:
- Abre-te Sésamo! – e apertou o botão do controle remoto.

A porta rangeu, demorou a abrir. Lá dentro pegou só coisas de ouro e outras de muito valor. Colocou no carro e foi embora.

Acontece que um dos quarenta ladrões estava escondido e viu Ali sair do prédio carregando todo aquele tesouro em equipamentos. O cara foi logo contar para o seu chefe. Resolveram pegá-lo.

Com o material valioso que levou deu para comprar uma casinha lá no subúrbio e avisou a todos que daria uma festa no dia do seu casamento.

Os bandidos ficaram sabendo e se dividiram em dois grupos de vinte e ficaram dentro dos caminhões de chopp que iriam para o casamento de Ali.

A festa estava tão animada que o próprio Ali foi até aos veículos para pegar barris do apreciado chopp. Antes, parou para ouvir umas conversas e desconfiou que seriam ladrões.

Um perguntou:
- Já deu meia-noite? Vamos atacar aquele magricela agora?
- Não, esperem a festa acabar, precisamos pegar aquele ladrãozinho que nos rouba todos os dias.

Ali pegou o celular e ligou para polícia que veio muito rápido e prendeu os quarenta bandidos.

No outro dia leu no jornal Estad...: Polícia prendeu 40 bandidos especialistas em roubo de carga.

Foi aí que ali teve a brilhante ideia de comprar outro galpão, bem longe dali e guardar tudo nele.

Manoel Amaral
(Da Série Histórias Infantis)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O DIA EM QUE OS GOLFINHOS DA DINAMARCA SE REVOLTARAM

Foi numa tarde de domingo, nas distantes Ilhas Faroé, quando o sol estava bem quente, que uma linda mocinha comemorava os seus 15 anos, num enorme salão de festas, bem no centro do pequeno povoado.

As bebidas eram servidas, apesar da advertência das autoridades, os menores beberam e beberam muito, como em qualquer lugar do planeta.

Algumas brigas aqui, cadeiras voando acolá, para acalmar os ânimos a valsa final foi executada.

Pais e filhos, numa alegria enorme, aproveitaram os momentos finais como se aqueles fossem os últimos minutos de suas vidas.

A aniversariante desceu a ampla escadaria do salão, toda de branco, com um buquê de flores brancas nas mãos, um vestido com longa cauda, como noivas de antigamente.

No salão seus pais a esperavam, bem como o namoradinho. Todos aflitos: os pais por ver a linda garotinha, que completava os 15 anos e o namorado que queria logo dançar a valsa e mostrar para seus colegas que havia treinado vários dias e sabia como rodopiar no salão.

A festa acabou. O calor estava sufocante, mesmo naquelas terras onde o frio é uma constante.

Os jovens desceram o morro para refrescar-se nas águas, da pequenina praia denominada Boca do Caldeirão.

Todos entraram no mar, jogando água um nos outros, naquela brincadeira inocente no final de um domingo quente.

Centenas de Tubarões brancos vieram sem ninguém perceber, nas profundezas das águas, atraídos pelo barulho que os jovens faziam

De repente a água que era azul, linda ao sol da tarde, tornou-se vermelha.

Muitos, acostumados com a matança anual, acharam que seriam os golfinhos e mais e mais se embrenharam nas águas.

Gritos se ouviram, pedaços de roupas, braços, pernas ficaram boiando e cabeças rolaram.

O sangue humano invadiu aquelas águas, onde outrora, acontecia a matança dos Golfinhos Calderon.

Algumas pessoas que não entraram nas águas ainda puderam ouvir um som parecido com choro de crianças.


Manoel Amaral
Visite este site: http://meumundosustentavel.com/noticias/massacre-de-golfinhos-na-dinamarca/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Soldadinho de Plástico

"Como os tempos mudaram, nem existe mais brinquedos de chumbo."
Osair, tio do Osvandir


Naqueles tempos, onde não tinha apagão e nem Ministro Lobão, um velho General, grande herói de guerra, resolveu fazer 25 soldadinhos, com espingardas ao ombro, todos de sucata de garrafa pet, para dar de presente ao seu netinho.

O aniversariante abriu a caixa de presente e foi colocando-os enfileiradinhos. Eram quase todos idênticos, um deles tinha apenas uma perna, porque o plástico acabou e não deu para completar o bonequinho, mas isso não impedia que ele ficasse em pé junto aos outros.

Ali naquela sala tinham vários brinquedos caros, da indústria nacional e outros bem baratinhos vindos da nação vizinha.

Mas o que mais chamava a atenção do soldadinho de plástico era uma bela garotinha, que estava à porta de um castelo de papelão com um lindo vestido de bailarina, de tecido de TNT e um xale cheio de pedrinhas brilhantes de biju.

Ela tinha os braços e uma perna levantados e ficava a dançar ao som de uma música eletrônica; o soldadinho de plástico mal conseguia parar em pé, mas nem lembrava que só tinha uma perna de tanta emoção.

Morador de uma caixa de tênis, o seu batalhão, vivia marchando prá lá e pra cá.

Em noite de lua cheia, quando não havia queimadas, nem outras fumaças no ar, fazia chorosas serenatas para sua amada.

No meio da festa apareciam juntinhos e ele sempre olhando para aquele belo rostinho.

De outra velha caixa de sapatos surgiu um ser estranho, que foi confundido com o Saci Pererê, mas este tinha as duas pernas. Ele ficou nervoso e gritou com o soldadinho de plástico:
― Pode largar a minha bailarina!

O Soldadinho nem deu atenção, só ficou agarrado à linda mocinha.
Aí o feioso personagem gritou com mais força ainda:
― Depois da meia-noite você vai ver! As coisas vão ficar pretas!

Quando chegou meia noite o velho relógio de parede da mansão bateu: dim, dom; dim, dom.

Depois da última badalada tudo escureceu! Apenas uma luz de um raio no céu e o barulho do trovão.

O soldadinho foi atirado na rua e aquela chuva forte provocou uma enorme enxurrada que tudo levou. Grande quantidade de terra e pedras desceram das encostas. E o pequeno soldado de plástico seguia acompanhando as águas. Deu sorte, pois no meio do rodamoinho havia um bueiro, aí ele conseguiu voltar ao ponto de onde caíra.

Foi resgatado por seus amigos do batalhão, olhou para um lado e para o outro e vislumbrou aquela menininha linda que chorava num cantinho.

De repente uma das crianças jogou o soldadinho na lareira e ele sentiu um calor envolvendo o seu corpo. Achou até que seria o imenso amor que sentia pela bailarina. Conseguiu, ainda, dar uma última olhada para sua amada. Ela retribuiu, atirando o seu xale, o que piorou a situação, o fogo aumentou. Um vento forte que vinha da janela da sala e sem que ninguém soubesse como, levou a bailarina para a lareira.

Uma luz azulada foi vista pelas crianças lá pelos lados da fogueira. Dos dois só sobraram algumas pecinhas de biju da bailarina e um pedacinho de plástico do soldadinho.

Manoel Amaral