terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A ERVA DO DIABO

A ERVA DO DIABO

“Não preciso me drogar para ser um gênio...”

Charles Chaplin

Hoje ele é muito respeitado como palestrante nas rodas antidrogas; mas já foi um dos caras mais viciados que já conheci.

Passo a palavra para José Imaculado, mas conhecido como Zé da Merda.

“Já fumei, cheirei, injetei, tomei e lambi. Fiz de tudo nesta vida para poder manter o meu vício. Roubei, furtei, assaltei, só não matei. Pulei muro, rasguei o corpo em arame farpado correndo da polícia.”

Sempre assim que ele inicia as suas concorridas palestras para viciados e familiares. O seu bairro ficou pequeno, a cidade também. Fez palestras para todo o estado. Viajou até para o exterior, atendendo a pedidos de universidades norte americanas.

“Não acreditem na amiga da mente, isso é pura ficção. A erva maldita rói seu cérebro, provoca distúrbios nos seus neurônios.”

Ele é mesmo bom de fala, consegue manter a plateia prestando atenção às suas palavras por horas e horas.

“A minha intenção hoje é contar para vocês como foi que larguei o vício. Cheguei a levar a minha família a loucura, vendi tudo para comprar a Noia. Até um liquidificador que tinha dado de presente para minha mãe.”

Por aí ele vai tirando lágrimas e sorrisos de todos que ali estão. Zé da Merda virou mesmo um excelente orador. Preste bastante atenção a interessante história que ele vai contar:

“Por que tenho o apelido de Zé da Merda? Vou explicar: tinha uns viciados na cadeia e estavam sempre pedindo drogas aos visitantes, mas a portaria não deixava passar nada. Nestes dias eu estava lá depois de ser preso tentando vender um celular roubado.”

Haviam encontrado uma nova maneira para traficar o Fumo brabo.

Engoliam várias cápsulas e arranjavam uma maneira de ser preso, uma vez dentro da cadeia era só esperar o bagulho sair.

Acontece que na maioria das vezes a embalagem não era bem preparada e rompia-se no estômago e ao sair dava mais trabalho na limpeza.

Era muito interessante, hilário mesmo, vendo ele contar com toda simplicidade como tudo aconteceu.

“Os presos não queriam nem saber, ia cada um pegando o seu papel para preparar o Brow. Mas na pressa eu peguei um pedaço da maldita e fiz logo o meu Palhão. Quando comecei a tirar as primeiras baforadas percebi um odor diferente. Aí fui verificar como haviam transportado a Planta do diabo até a cadeia e fiquei sabendo que tudo aquilo tinha vindo na barriga do idiota do Lolô, um maconheiro já velho que estava à beira da morte. Vomitei três dias seguidos e nunca mais coloquei qualquer tipo da droga na boca. Fumei merda, aí a razão do meu apelido.”

Dá para acreditar? Podem crer, existem viciados usando coisa muito pior que isso!

Boas Entradas de Ano

Fuja das drogas, droga é uma droga!

Manoel Amaral

sábado, 10 de dezembro de 2011

O ABRAÇO DA VELHINHA

O ABRAÇO DA VELHINHA


“Os aduladores são como as plantas parasitas que abraçam o tronco e
ramos de uma árvore para melhor a aproveitar e consumir
.” (Marquês de Maricá)


“Cuidado com abraço no meio da rua você pode perder alguma coisa,” sempre diziam aqueles policiais naquela esquina.


Mas era final de ano, cidade cheia de turistas, todos ávidos para comprar alguma coisa para os parentes.


O povo não queria prestar atenção a essas recomendações. Uma conversa aqui, outra acolá.
Lojas sempre cheias, pessoas com os bolsos cheios de dinheiro para gastar naqueles dias.

O Governo Federal e o Estadual já haviam recheado as contas dos Funcionários com o 13º e o 14º. Os Municípios já depositaram a primeira parcela e só iriam efetuar a segunda depois do Natal.


Todas as pessoas estavam alegres e caridosas naqueles dias, ao invés de darem moedinhas para os mendigos, abriam seus corações e tiravam dos bolsos as notas de dois reais.



Naquela esquina mais movimentada da avenida uma velhinha de cabelos brancos estendia a mão e dava um forte abraço nos passantes. Escolhia as pessoas mais velhas.


Estava sempre mudando de esquina, começou lá no alto da rua comercial da cidade. O movimento de gente era muito grande, quase ninguém reparou que ela carregava uma grande bolsa vermelha e grande.


Um senhor de bigode branco e mancando de uma perna, até gritou que havia perdido a sua carteira, mas que não prestara atenção onde isso ocorrera. Ele vinha descendo a rua principal a procura de umas cuecas e brinquedos para seus netos. De nada adiantou as suas lamentações para os guardas; procurar a quem?


E aquela velhinha continuava abraçando as pessoas e com aquela bolsa vermelha de lado. Fez apenas uma pausa para tomar um cafezinho e comer um salgadinho. Quando foi efetuar o pagamento, sacou da bolsa uma carteira preta cheia de notas de cem reais. Tirou uma de vinte e foi pagar, o balconista disse que não tinha troco, ela mandou guardar o resto, estava com pressa. Ele estranhou, mas guardou.


No outro dia, agora véspera de Natal, a velhinha lá estava na rua de cima começando a abraçar as pessoas.


Uma velhinha recebeu o abraço forte da outra velhinha e não acreditou muito na sinceridade do seu sorriso amarelo.

Até um rapaz ficou meio desconfiado, mas depois abraçou-a fortemente. Havia rendido aos apelos de terceira idade.


Aquele velhinho do bigode branco que mancava de uma perna voltou em cena e foi fazer compras na mesma rua e no mesmo local em que achava ter perdido a carteira. Não encontrou nada, só aquela velha de cabelos grisalhos que continuava abraçando todo mundo.


Chegou perto dela e abriu também os braços, num forte abraço. Quando notou que duas mãos estranhas saqueavam os seus bolsos, segurou imediatamente a bolsa vermelha da velha e gritou:
– Pega ladra! Pega ladra!


Ela saiu correndo, mas não conseguiu levar a bolsa que soltou-se de suas mãos, voando no espaço indo parar num galho de uma árvore.


Quando a polícia chegou, ninguém viu mais aquela velhinha do abraço e da bolsa vermelha. O velhinho de bigode branco e manco prestou o seu depoimento ali mesmo no meio da rua e mostrou a bolsa vermelha dependurada num galho da velha flamboyant, que nem é árvore própria para se plantar nas calçadas.


Com um bambu o jovem policial retirou a pesada bolsa do galho seco.

Dentro da bolsa vermelha havia carteiras pretas, com identidade de outras pessoas e muito dinheiro.


O esperto velhinho do bigode branco e manco é o mais velho dos quatro tios do Osvandir
Caso resolvido. E a polícia continuava avisando:
– Tome muito cuidado com seu dinheiro, a cidade está cheia de punguistas, os batedores de carteiras.


Na esquina do final da rua uma velhinha abraçava a todos com sua grande bolsa amarela...


Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA IV

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA IV
Capítulo IV - Final

O TESOURO ENTERRADO

Osvandir trazia um prospector de mineração, importado dos EUA. Comprou através de um colombiano. Estava novinho, era a primeira vez que iria usá-lo.

Ligou o aparelho, toda a área, com 30 metros de profundidade, era registrado na tela. Quando havia a presença de qualquer metal o aparelho dava um sinal.

Havia um multi-sensor integrado que oferecia as imagens em 3D, em alta resolução, aquele equipamento era de última geração, moderníssimo.

Um GPS estava acoplado ao aparelho para registrar o local exato dos metais. Tudo era registrado naquela diminuta tela digital.
Com o seu tablet (leitor de livro digital) de 10 polegadas, Osvandir ia fazendo as anotações registradas e acompanhando todos os detalhes das representações gráficas.

Um sinal no sensor, uma parada, e ali naquela tela estava registrado qualquer coisa interessante.
Mais um pouco para direita, esquerda e pronto. Era mesmo onde tudo estava enterrado.
Agora era escavar com todo cuidado.

Pararam para um pequeno lanche e depois um longo trabalho de tirar terra. Parece que tudo estava enterrado a mais ou menos 5 metros de profundidade.

Senhor Olívio, muito emocionado, não conteve as lágrimas. Depois de muita pesquisa estava quase chegando ao tão falado tesouro do Garimpo das Duas Serras.

O primeiro que apareceu foi uma sacola de couro, cheio de pedras brutas, mas muito brilhantes ao sol. O velho garimpeiro foi logo dizendo:
―São diamantes e dos redondos. Que maravilha! Devem valer uma fortuna.

Osvandir olhou aquelas pedras, se fosse ele o garimpeiro nem reparava que elas valessem tanto.
Foi até a sua mochila, apanhou uma pequena lupa, examinou e disse:
―São muito puras, sem nenhum trinco ou qualquer mancha.

Olívio, naquele momento sentiu um batida forte no coração e caiu no meio daqueles cascalhos.
Quando Osvandir colocou a mão sobre a sua boca, tocou a veia jugular, notou que ele esta morto!
E agora? O que fazer com aquele tesouro todo? Como impedir que aquele local sofresse uma invasão de garimpeiros e outras pessoas?

Osvandir continuou a cavar mais um pouco e encontrou um vidro de um litro cheio de pepitas de ouro. Algumas bem grandes.

Fez prospecção mais abaixo, mas não encontrou mais nada.

Pegou tudo que havia encontrado, guardou em lugar seguro.

Foi até a aldeia dos índios Cinta Fina, comentou os fatos com o cacique. Este não entendeu direito a proposta de Osvandir.

Ele queria passar para tribo todo ouro e diamantes encontrados na caverna.

Não queriam de maneira alguma aceitar aquela riqueza toda, achavam que Osvandir deveria ficar pelo menos com 10% do total de tudo.

Para não haver confusão, aceitou aquela oferta, pediu ao cacique que isolasse o local, apagasse todas as pistas e enterrasse o corpo do garimpeiro Olívio.

Chegando ao povoado, colocou fogo em todos os documentos relacionado com aquela aventura.
No dia seguinte, viajou para a capital e finalmente em casa pode resolver o que fazer com os diamantes e parte das pepitas que recebeu dos índios.

Depois de muito pensar fez a doação para o Museu do Ouro e Pedras Preciosas, de uma grande capital do país.

No local onde Olívio vivia, lá na mata, um astuto garimpeiro, encontrou num buraco, um mapa de pele humana, envolvido em vários tecidos...

Manoel Amaral

domingo, 27 de novembro de 2011

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA III

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA III


Capítulo III
O GARIMPO ABANDONADO



Olívio então soltou uma gargalhada e disse:
― Como pude ser tão ingênuo. Estava tão próximo do local, viajei tantos quilômetros para descobrir o óbvio.
― Pois é, as coisas são assim mesmo. Mas temos muitos segredos a descobrir ainda.

Os dois pagaram as contas, pegaram um avião monomotor, Cessna-208, Caravan e partiram para o local de onde Olívio havia saído.


Munidos de equipamentos de sobrevivência na selva, uma boa câmera digital, rádio, GPS para marcar as coordenadas.


Osvandir com poucas horas de observações pode notar que aquele desenho num papel menor seria uma anotação referente a algum garimpo. Visitou vários e não conseguiu identificar nenhum parecido com aquelas anotações.


Com a permissão dos índios entrou na reserva e guiado por um deles foi visitando os garimpos abandonados.


Próximo de duas serras achou vestígios de escavações, pelo minério exposto ao tempo, na beira do rio, verificou que haveria grande possibilidade de ser garimpo de diamante.


Os índios informaram que aquilo ali havia sido abandonado há muito tempo. Foi uma mineração que não deu certo. Não havia diamante nenhuma naquelas redondezas.


Mas Osvandir, insistentemente, seguiu rio abaixo e encontrou outro local abandonado recentemente.


Havia até uma cabana com pertences dos garimpeiros. Um chapéu foi reconhecido por Olívio, que disse tratar-se de um conhecido seu, que fora assassinado naquele dia que também mataram o rapaz da tatuagem.


Não havia dúvidas, o local era aquele. Mas e as duas serras? Olhando para o Norte não havia nada, para o Sul muito menos. Mas ao olharem para o leste, já no fim do dia, avistaram duas serrinhas que quase não apareciam, coberta que estavam pela floresta.


O local era aquele mesmo! Restava saber se o morto guardara alguma coisa por ali. Pesquisaram o local e encontraram três cavernas.


Olhando no outro papel verificou que tudo coincidia. Havia uma cruz vermelha bem na caverna do meio.


Agora era só pesquisar o local...


Manoel Amaral

Texto faz parte do Livro "Antologia I - Blog do Osvandir"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA II

OSVANDIR E O MISTÉRIO NA FLORESTA II


Capítulo II
O VELHO RELÓGIO

Olívio resolveu procurar alguém de sua confiança para ajudá-lo a desvendar o segredo daquilo tudo. Pegou o mapa e guardou num local desconhecido dos demais, tomando o cuidado de envolvê-lo em tecidos para não danificá-lo ainda mais.

O relógio, a cópia do mapa e dois pedacinhos de papéis, levou-os consigo até a capital.
Por pura sorte ficou sabendo que um rapaz iria dar uma palestra sobre “códigos na ufologia” no salão do hotel onde hospedava.

Foi, gostou, depois do show fez umas perguntas, sobre outros assuntos, as repostas foram satisfatórias. Viu que ele entendia um pouco de arqueologia, códigos, criptografia e povos indígenas do Amazonas. Convidou-o para uma conversa mais tarde.

Num local bem discreto, Olívio encontrou-se com o palestrante:
― Bom dia Osvandir – disse o velho garimpeiro.
― Bom dia meu Senhor - respondeu o palestrante.
― Vamos até aquela mesa ali – indicou uma mais afastada. Vamos tratar de negócios.
― Estou à disposição para analisar os seus problemas.

Daí, conversa vai, conversa vem e um pouco de receio de ambas as partes, Olívio mostrou o relógio, os dois papéis e a cópia do que seria um mapa para Osvandir.

Ao colocar as mãos naquele velho relógio, parecido com um que seu avô usava, lá no interior de Goiás, sentiu um calafrio.

Como lidava sempre com estes objetos antigos foi logo abrindo-o deixando cair um finíssimo papel na mesa.

O garimpeiro assustou-se e disse que não tinha conhecimento deste documento.

Osvandir desdobrou aquele papel, passando a mão direita sobre a mesa, para desamassá-lo.

Havia várias anotações, com caneta de ponta fina e um mini mapa de alguma região.

O velho homem, acostumado com tudo lá no sertão, ficou paralisado.

Era uma cópia perfeita do mapa tatuado nas costas do defunto e que tanto trabalho lhe deu para curtir a pele.

Contou toda a história para Osvandir, por que estava ali e sobre o outro mapa tatuado, os dois papeizinhos, o relógio e o medo de alguém descobrir aqueles segredos todos.

Osvandir tranquilizou-o dizendo que tudo ficaria só com os dois. Não precisaria preocupar-se.
Só aí ele pode dormir em paz, coisa que não fazia desde que descobrira aquele corpo.

De manhã, já no café, Olívio foi contando mais alguns detalhes. Falou sobre uma lenda de um grande garimpo de diamantes nas terras indígenas, entre duas serras, que até hoje ninguém havia descoberto e que os índios sempre falavam.

Osvandir havia examinado os dois pequenos pedaços de papel e achou que poderia ser outro tipo de informação importante diferente do mapa.

Quanto ao mapa foi analisando tudo e anotando em seu note book. Passou numa copiadora e mandou ampliar em papel tamanho A2 (42,0 cm x 59,4 cm), mas não existia aquele ali, então ampliou o máximo em tamanho A3 (29,7 cmx 42,0 cm).

Pelos contornos achou que já havia visto em algum lugar. Copiou os mapas mais antigos da região amazonas e foi examinando devagar.

― Eureka! Não falei, sabia que já tinha visto em algum lugar este desenho!

Era uma região de uma reserva indígena, os contornos conferiam.

Manoel Amaral
Este texto faz parte do livro "Antologia I - Blog do Osvandir"

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A MORTE VEIO DO ESPAÇO

A MORTE VEIO DO ESPAÇO

CAPÍTULO III

O ASTEROIDE

É a primeira vez, há mais de trinta anos, que um objeto tão grande passaria tão perto da terra. Vieram astrônomos do mundo inteiro para observá-lo, diretamente das terras do Tio Sam.

Oportunidade melhor não poderia surgir do que essa. Com seus possantes telescópios dirigidos para aquela região tentando não perder nada.

Foi aí que um deles percebeu que uma pequena explosão surgiu na parte inferior do asteroide. E mais outra, cujos clarões eram perfeitamente percebidos da terra.

Ampliando a imagem notou que poderia ser foguetes. E acertou, eram mesmo os foguetes da NASA que estava tentando alterar a rota daquele asteroide que virou manchete nos jornais do mundo inteiro.

O satélite descontrolado estava recebendo mensagens e não as processava. Continuava atirando por todos os lados.

Tudo estava indo como planejado pelos cientistas. O encontro era eminente. Canais de TV, jornais, internet, já haviam descoberto o truque da NASA. Manchetes pipocavam por todos os lados:

ASTEROIDE VAI EXPLODIR SATÉLITE MILITAR”

Houve uma explosão, um choque, metais derretidos, pedaços caindo por todos os lados e o asteroide seguiu como se não tivesse sofrido nenhum arranhão.

O satélite avariado continuou atirando, desta vez para lua, até que a NASA, pudesse dar um fim nesta engenhoca infernal.

E a nossa lua sob constante ataque de raios lasers, de uma arma terrestre.

Até quando ela irá suportar?

Manoel Amaral

A MORTE VEIO DO ESPAÇO

A MORTE VEIO DO ESPAÇO

CAPÍTULO II

PENTÁGONO VIRA CINZAS

E não durou muito a preocupação, na manhã seguinte o poderoso edifício fortemente guardado por muitos anos, num segundo, foi torrado por um dos maiores raios do satélite. Não sobrou nem escombros, tudo ficou derretido e um enorme buraco. Nem os andares mais profundos ficaram para contar a história.

Passado alguns dias e a arma atacando o mundo inteiro, um simples cidadão resolveu ver o buraco do Pentágono e cavaca daqui, cavaca dali, encontrou umas pepitas de ouro. O enorme buraco transformou-se na maior mina de ouro, em céu aberto, do planeta. Maior que a Serra Pelada, do Brasil.

Num dos filmes do ano 87, “O Milagre veio do Espaço”, de Steven Spielberg, pequeninas naves espaciais vinham à noite recuperar tudo que fora destruído durante o dia, naquele prédio destinado a demolição, pois o proprietário do terreno ergueria ali um conjunto de edifícios moderníssimos, de vários andares. Os pequenos discos-voadores ajudavam os velhinhos, moradores do local, a organizar o que os vândalos contratados por um testa-de-ferro destruíam.

Agora a morte estava vindo dos céus, através de um satélite militar enlouquecido.

Sete grandes vulcões já estavam em erupção, os gases já apresentavam um grande perigo para as pessoas, animais, agricultura e propriedades. Erupções vulcânicas podem produzir quantidades letais de gases tóxicos, como o Dióxido de Enxofre, Dióxido de Carbono e Ácido Fluorídrico.

Maremotos causavam tsunamis em todo planeta. O clima estava todo alterado.

O jornal de hoje, 8 de novembro, anunciava:

“Um asteroide número 2005 YU55, de 400 metros de comprimento, passará perto da Terra na terça-feira (8/11), em uma aproximação rara que não representa risco de impacto para o planeta. Quando eles se aproximar, às 21h28 (horário de Brasília) desta terça-feira (8) ele estará a apenas 324.600 quilômetros da superfície da Terra – mais próximo que a Lua.”

Estava armado o esquema de que a NASA precisava, sigilosamente ela enviou alguns foguetes contra o asteroide, para que este entrasse em rota de colisão contra o satélite que causava tantos problemas.

Manoel Amaral



A MORTE VEIO DO ESPAÇO

A MORTE VEIO DO ESPAÇO
CAPÍTULO I
O SATÉLITE LOUCO
Aquele satélite militar sob o número 12.12.12 fora lançado há alguns anos, numa daquelas operações sigilosas da NASA, muito dinheiro investido no projeto, vindo das polpudas verbas secretas recebidas do orçamento da união.
Trabalhou muitos anos a serviço da CIA, do FBI, e muitos outros órgãos federais de segurança.
No começo deste ano, uma informação estranha chegou aos mesmos órgãos indicando que qualquer coisa não ia bem com o caríssimo satélite.
Um zumbido desconhecido que fazia todo mundo ficar meio doido. Saiu da rota original. Muitas tentativas foram feitas para recuperar os milhões de dólares gastos no empreendimento.
Em caso de guerra eletrônica, ele seria o primeiro a desencadeá-la, com os inúmeros dispositivos que possuía.
E isso já estava acontecendo. O satélite primeiramente atingiu com o seu possante raio laser um vulcão inativo, que passou imediatamente a entrar em atividade.
Um terremoto foi localizado num setor, também obra do poderoso equipamento militar, que girava no espaço.
Alterações na temperatura, chuvas fora de época. Furacões, tornados. Frio excessivo em locais onde outrora fazia o máximo de calor.
A camada de gelo das calotas polares estava derretendo enquanto nas regiões tropicais o frio estava prejudicando vários países.
Colheitas perdendo por chuvas, outras torrando por causa do sol.
O litoral brasileiro, com sol quase o ano inteiro, agora estava constantemente sob chuva, granizo, queda de barreiras, estradas intransitáveis.
Os órgãos de segurança dos EUA estavam preocupados com outras coisas que o satélite poderia fazer.
E a preocupação aumentou quando a primeira grande cidade dos EUA foi atacada em vários lugares. Grandes edifícios, aeroportos, templos, monumentos, viraram entulho.
O Pentágono, de barbas de molho, pelo pequenino ataque da época do WTC, em 2001, (avião ou foguete?) a gora estava diante de algo criado por eles mesmos. Uma arma poderosíssima, que poderia lançar sobre a terra vários raios ao mesmo tempo.
Manoel Amaral


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O VELHO TIO SERAPHIM - II


O VELHO TIO SERAPHIM - II

Capítulo II
O Começo

Seraphim Toledo de Oliveira era o seu nome completo.

No dia seguinte ele já estava lá na Prefeitura para dar início a recepção de cargo. Muito políticos de outras cidades querendo aparecer ao seu lado nas fotos. Jornais, TVs e Rádios no seu encalço. Assessoria não dava trégua. Foi aí que ele falou:
– Fui eleito por este povo guerreiro de Jilópolis, vou fazer por onde para merecer o seu respeito...

Não acabou de dizer o resto e já foi uma salva de palmas de todos os cantos. Estava encerrado o discurso. Cafezinho, biscoitinhos, docinhos, todos produzidos pelas prendadas donas de casas.

Prefeito eleito e empossado, agora era começar a trabalhar. Chamou todos os servidores e fez uma listagem sobre o que cada um fazia.

Examinou a lista, alguma coisa achou muito engraçado, mas não riu. Tinha gente que era pago para vigiar os colegas de trabalho. Outros nem sabiam direito o que faziam, passavam o tempo todo andando pra lá e pra cá. Se fossem colocados em suas salas, iam faltar cadeiras.

A solução foi perguntar para todo mundo o que sabia fazer e separar por turmas. Muitos não sabiam ler. Tinha funcionário dirigindo trator sem ter habilitação.

Os que não tinham qualificação foram encaminhados, a cidade vizinha para participar de cursos. Os motoristas foram frequentar as autoescolas, os que tirassem carteira seriam admitidos os demais poderiam participar de outros trabalhos.
Logo nos primeiros dias as Diretoras das escolas queriam programar festinhas com a participação do Prefeito.

As escolas municipais estavam uma lástima. Prédios depredados, faltando tudo, inclusive merenda escolar. Um relatório foi encomendado e Seraphim ficou sabendo de todos os problemas.

As máquinas pesadas e os veículos estavam recolhidos ao pátio da Prefeitura para levantamento. Alguns carros (até com boa lataria) não tinham motores, pneus carecas. Um por um foram examinados e verificaram que só dois tinham condições de rodar. Na área da saúde não tinha nenhum. Ônibus escolar com freios amarrados até com arame farpado. Uma coisa de espantar.

Examinando a documentação dos mais novos, verificou que faltavam dois carros comprados na gestão passada. Onde estariam?

Perguntou mas ninguém respondeu. Aí o barbeiro da cidade disse:
– Um está na garagem do Cel. Odorico e o outro é só perguntar para o Vereador Ximbica.

Não precisou perguntar. No outro dia os dois carros estavam no pátio da Prefeitura.

O contador da gestão passada tinha adquirido 10 computadores e 2 impressoras, mas procurando por todas as salas, nada foi encontrado.

Novamente o barbeiro da cidade, Senhor Zelito disse:
– Procurem na Lan House do filho do ex-prefeito, está tudo lá.
Nos dias seguintes foi até engraçado: começaram aparecer motores, ventiladores, computadores e outros equipamentos menores, que eram cuidadosamente colocados no depósito.
O Prefeito resolveu de imediato contratar o Zelito como seu Secretário Particular. Viu que ele era um homem de coragem.

Ele até deu uma sugestão:
– Senhor Prefeito, enquanto não arrumam os caminhões de lixo poderíamos usar as carroças, tem muita gente precisando de trabalho.
– Boa ideia Zelito, vamos fazer isso sim.

Analisando todos os problemas do município, dos servidores, da cidade e da população, traçou um Plano para Desenvolvimento Integrado, tudo dentro das possibilidades e dentro da lei. Enviou para a Câmara Municipal. Os Vereadores, nem olharam, não gostaram e não aprovaram.

O Prefeito foi então até a Câmara, conversou com o Presidente e os Vereadores para saber a razão. Cada um foi ouvido. O que pediram foi anotado, mas informou que faria tudo de acordo com as verbas que recebesse mensalmente.

Havia contas atrasadas, compra ilegal, sem licitação. Muita gente mamando no dinheiro público. Fez uma limpeza nestas saídas indevidas.
Solicitou uma reunião com os secretários e o contador. Zelito estava lá anotando tudo.
O Contador veio logo com aquele papo de LDO-Lei Diretrizes Orçamentárias, LOA-Lei Orçamentária Anual, Lei de Responsabilidade Fiscal e outras Leis Federais. Começou muito bravo, mas se acalmou quando descobriu que Seraphim tinha vários cursos superiores e conhecimento de legislação municipal, estadual e federal.

Queria um relatório completo da situação de cada secretaria e contabilidade. De agora em diante, todos os dias, às 17 horas, o Caixa deveria apresentar a mesa do prefeito relatório das entradas e saídas.

Manoel Amaral

sábado, 1 de outubro de 2011

O VELHO TIO SERAPHIM - I

O VELHO TIO SERAPHIM
Capítulo I
Afinal uma cabeça pensante


Seraphim, assim com ph, parecia antiquado, mas a sua verdadeira história iria demonstrar que o que ele fez, pouca gente faria.

Ele vinha de uma cidade do nordeste, bem no meio do sertão, onde só crescia a caatinga.
Resolveu estabelecer-se naquela terrinha das fofocas, das mentiras, dos papos furados, onde quase ninguém trabalhava, na maioria aposentados.

Jilópolis era assim mesmo, terra da amargura, até no nome.

Não muito acolhedora, sem hotéis, sem restaurantes, sem posto de combustível, sem nada. Até o Prefeito fora cassado por causa de desvio de verbas. Mas não adiantou muito, o que entrou no seu lugar continuava a roubar mais que o anterior.

E Seraphim fora parar numa terra dessas, sem dono, sem lei, perdida num interior pior que o pior interior.

Ali ele não conseguiu arranjar amigos, já velho, ranzinza, cabeça branca, boina de intelectual, nariz adunco. Figura meio difícil de engolir. Ainda mais que não dava bola para ninguém.
Gostava de mulher só bem mais nova que ele, no mínimo 40 anos. Ele acabava de completar 70 anos e ainda considerava-se um jovem.

Bebia, somente vinho italiano. Fumava, somente charuto Cohiba Robusto, importados diretamente de Cuba.

Tinha um notebook novo e outro usado. No segundo ninguém punha as mãos. Coisas secretas do velho, enigmas e mais enigmas. Arquivos protegidos por senhas. Milhões de informações sobre todos os assuntos possíveis, até os mais simples como charadas.

O notebook novo era só para surfar na net. Às vezes permitia que algumas visitas escolhidas usassem o teclado, por pouco tempo.

Escrevia todos os dias. Levantava de madrugada com uma ideia na cabeça e passava logo a digitá-la. Quando chegava da rua, do boteco, da praça, ia logo para o computador.

Fazia ponto no “Recanto dos Velhos”, lá naquela terrinha não tinha nada destas frescuras de idosos, eram velhos mesmo. Os de cor escura eram chamados de pretos, eles não conheciam essas bobagens inventadas por intelectuais: afrodescendentes. Índio era índio, indiano era nascido na Índia. E político era honesto, do contrário: rua!

Quem olhava assim, na primeira chegada, não acreditava, mas Jilópolis era bem velhinha. Já estavam preparando a festa para os seus trezentos anos. Fora fundada por António Jiló, cidadão vindo de Algarve, no sul de Portugal. Quanto ao nome Jiló dizem que ele tinha uma plantação desta fruta, considerada erroneamente como leguminosa.

Quando foram escolher o nome alguns letrados queriam colocar Bitterlândia, mas prevaleceu o bom censo, nada de inglês, o primeiro coincidia com o nome do fundador.

Um velhinho até refutou:
– Bitterlândia é coisa de fresco!

E assim a história de Jilópolis nasceu com discussão até no nome. Era fácil, nem precisava dizer nada, era só unir o dedo indicador ao polegar e manter os demais abaixados. Estava criado o símbolo que representava o nome da cidade.

Quando perguntavam:
– De onde você é?
O cara levantava o braço com o sinal convencional. Muito fácil assim... facim.
Tudo era motivo de discussão, até caixa de fósforos, quando compravam, contavam o número dos pauzinhos, se faltava um, pra quê! Era aquele fuzuê. Cada cidadão por ali vivia aquela vidinha miserável até a chegada de Seraphim.

Ele foi o divisor de águas: antes e depois.

Viveu sem se envolver por cinco anos, depois não aguentou. Filiou-se a um partido, queria ser Vereador. Não deixaram, queriam que ele fosse candidato a Prefeito.

Veio, viu e venceu... a eleição. Não deixou nenhum candidato de pé. Derrubou todos, não ficou pedra sobre pedra. Caíram mais rápidos do que as torres gêmeas do WTC. Foi a maior votação que Jilópolis já teve, 90% dos eleitores votaram nele. O slogan era o seguinte: “Seraphim será o começo!”

(Continua)

Manoel Amaral

http://osvandir.blogspot.com

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

OSVANDIR NO ROCK IN RIO - I

Capítulo I
NEGOCIANDO COM LADRÃO




Osvandir saiu de casa mais cedo, foi de carro até Belo Horizonte. O seu destino: Rio de Janeiro, para assistir aos shows do Rock in Rio.

Depois de alguns engarrafamentos, pedágios, constrangimentos, conseguiu chegar até BH. Trafegando pela Avenida Getúlio, bem no centro, nas confluências com Rua Maranhão, olha para um lado, para o outro e avista uma faixa inusitada.

“Amigo ladrão, dia 19/09, às 20 h., neste local, você quebrou o vidro do meu carro, roubou um notebook e 2 HDs externos, calculadora HP 12C. Te pago R$1.500,00 pelo notebook e R$500,00 pelos 2 HDs.”

Logo a seguir constava o seu celular e uma notificação final, para tranquilizar o ladrão: “não irei chamar a polícia”.

Nem bem deu tempo de assimilar aquelas informações todas, viu num jornal, tipo pasquim, a seguinte notícia: “Bando vendia notebook de madeira”.

Parou o carro, correu a banca e adquiriu o jornalzinho. Leu toda a reportagem e achou muito interessante de como os bandidos estão ficando cada vez mais espertos e sempre encontrando os incautos para aplicar os seus golpes.

Eles faziam uma espécie de escultura de madeira, parecida com os notebooks e ainda colavam figuras e adesivos das grandes empresas da área. E o pior que tinha muita gente comprando. O material vinha numa sacola e envolvido num plástico de bolhas.

Depois destes acontecimentos todos Osvandir já estava quase desistindo de ir ver os grandes artistas no show do Rock in Rio. Informou a locadora que deixaria o veículo no Aeroporto.
Ao adentrar no avião, viu vários colegas seus que também iam para o Rio.

O Rock in Rio nasceu em 1985, foi montado em Lisboa e também Madrid, sempre com grandes espetáculos.

Osvandir e aquela multidão de espectadores, num espaço de 150 mil metros quadrados, iriam encher a cidade de rock.

Muita confusão na portaria, uns querendo entrar a qualquer custo. Outros com vários ingressos nas mãos vendendo a preços altíssimos.

Na primeira noite estava mais interessado em Cláudia Leite, Sir Elton John, Katy Perry e Rihanna, era emoção demais.

No dia seguinte os cantores e bandas seriam: NX ZERO, Capital Inicial, Stone Sour e Red Hot no palco do Mundo. Nos Sunset, Eletrônica e Rockstreet, inúmeros outros artistas estariam cantando.

Seria um sábado quente, era só aguardar e Osvandir estava preparando-se para isso. Pediu uma água de coco, alguns salgadinhos leves e foi fazer uma caminhada na praia.

No seu quarto, esqueceu em cima da cama, o notebook e a câmara digital.

Quando voltou não viu nem sinal dos seus equipamentos eletrônicos. Levou um tremendo susto, ligou imediatamente para a portaria do hotel. Sentiu um alívio quando a camareira lhe informou que colocara os equipamentos no guarda-roupa e trancou.

Na mesa do restaurante abriu o jornal, depois do almoço, uma manchete chamou-lhe a atenção: “Governo de Minas Cria a ‘Bolsa-Crack´.” Caiu de costas: desmaiou.

E o subtítulo da matéria anunciava: “Estado lança programa para auxiliar famílias com R$900,00, para internar usuários de drogas.”

Manoel Amaral





OSVANDIR NO ROCK IN RIO - II
Capítulo II
RIO DE JANEIRO



Se criarem a “Bolsa do Crack” para o usuário, agora mesmo estarão pensando em um “financiamento especial” para o Traficante ter mais facilidade em comprar um volume maior de drogas, por mais combustível no seu aviãozinho, pagar melhor o piloto, ficando tudo muito mais fácil.


Mas Rio de Janeiro é Rio de Janeiro, é cidade limpa, policiada, estudante não atira em professora, não tem assalto nos ônibus e nem nas padarias. O trânsito é organizado. Será?
O povo é hospitaleiro, recebe muito bem a todos. Estão se preparando para 2014, a Copa do Mundo.


Para receber os turistas do Rock in Rio os hotéis montaram novos equipamento para os jovens. Internet banda larga, telões, filmes selecionados e muita bebida no frigobar dos quartos.


Policiamento redobrado em toda parte. Dentro do perímetro da cidade do rock não haveria nenhuma possibilidade de assalto ou brigas, tudo muito bem organizado, com vários seguranças.



Mas houve algumas confusões, filas e gritarias, normais em grandes eventos.


Osvandir estava bem preparado, não levou celular, nem câmara digital cara, comprou uma baratinha só para bater algumas fotos e passar rápido para o computador para não acontecer como o sujeito que teve que negociar com o ladrão que roubou o seu notebook em BH.
Aguardava ansiosamente o show de sábado e domingo. Voltaria na segunda cedo, pois novas aventuras o aguardariam em outro local do planeta.



Na noite de sábado quando tentou entrar num daqueles ônibus especiais para a Cidade do Rock, foi um empurra-empurra danado. Muitas pessoas queriam entrar de uma vez só. Não se sabe de onde aparecerem tanta gente.


Esperou o próximo. Quando olhou para o lado direito vinha um furacão. A poeira levantava no asfalto, as folhas das árvores voavam no espaço. Era um arrastão, o grupo compunha de mais ou menos uns vinte jovens e adultos, limpando tudo pela frente.


O pobre do Osvandir ficou sem a câmara, algum dinheiro, só sobrou o que ele guardou cuidadosamente em vários bolsos e na meia.


Passado o susto; outro logo em seguida que é para o povo ficar alerta: um bueiro explodiu levando dois turistas ingleses para o alto. O Brasil não usa nem foguetes para enviar alguém ao espaço, usa o gás acumulado em suas tubulações nas ruas.


Confusão geral, os dois infelizes ingleses, vermelhos de raiva nem puderam assistir ao show, foram direto para o hospital mais próximo e ficaram em observação. Um observava a paisagem pela janela e o outro olhando sempre o soro que não acabava nunca.


Finalmente Osvandir pode ver os shows dos cantores e bandas de rock: NX ZERO, Capital Inicial, Stone Sour e Red Hot no palco do Mundo.




OSVANDIR NO ROCK IN RIO III - FINAL
Capítulo III – Final
A VOLTA PARA A REALIDADE


Todos sabem que aquilo tudo que o Osvandir foi ver não passava de pura fantasia, era chegada a hora de cair na realidade do dia-a-dia.



Depois do Show de Domingo à noite, onde viu os últimos astros do rock, preparou as malas para a volta ao seu lar.



Junta material daqui, outro dali e ainda teria que fazer uma última compra no shopping mais próximo de onde estava hospedado.


Tomou o café da manhã, que já não era manhã, quase dez horas. Desceu os últimos degraus do Hotel e caiu na rua para enfrentar o que desse e viesse. E não é que veio mesmo. Não andou nem dois quarteirões e um “di menor” mal-encarado solicitou educadamente que lhe passasse a grana. Mediante aquele pedido tão gentil, com um cano de 38 na nuca, enfiou a mão no bolso e entregou ao ladrão quatro notas de R$100,00 reais. E ele ainda reclamou que era pouco dinheiro para uma figura tão fina.


A sorte foi que os cartões de crédito estavam no bolso da camisa, do contrário adeus compras.
No shopping, passou nas lojas de eletrônicos para saber das últimas novidades. Comprou uma caneta espiã e um binóculo acoplado a uma câmara digital.



Saiu todo feliz e foi buscar as malas no hotel, mas o taxista reparando que era turista cobrou o dobro da corrida.



Dirigiu-se ao aeroporto Santos-Dumont, mais central, consultou a sua passagem e estava marcada saída para s 14 horas. Mas como sempre, estava tudo atrasado.



Assim que chegou em Belo Horizonte, entrou em contato com a empresa de aluguel de veículos e solicitou que lhe trouxessem um “Camaro” esportivo, da Chevrolet que está fazendo sucesso entre os jovens.



Queria a cor vermelha, que é para chegar a sua cidade e causar alvoroço nas ruas.


Mas se deu mal, a locadora informou-lhe, gentilmente, que não possuía aquele tipo de veículo, mas que levaria um Dodge Challenger, com a mesma qualidade e potência e com a cor vermelha conforme solicitara.



Chegando em casa, descansou um pouco e depois foi dar uma volta, resolveu visitar umas agências de venda de veículos. Lá estava o Camaro, lindo, leve e solto. Mas um preço de amargar: R$160.000,00.

Manoel Amaral

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O POBRE VAMPIRO DE SÃO JOSÉ DE BICAS

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de
chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite."
(Clarice Lispector)

Imagem Google


Ninguém sabia o seu nome, apareceu na festa de fim de semana.

Bebeu, fumou e cheirou. Saiu, tropeçou, caiu e dormiu.

De madrugada acordou. Olhou no escuro da noite e não viu nada.

O barulho de veículos foi diminuindo, ele dormiu novamente. Belos sonhos sonhou.
Da manhã, procurou um boteco para tomar um café forte a fim curar a ressaca de tantas drogas ingeridas.

A cabeça doía muito. Parecia que o cérebro havia evaporado. Não conseguia pensar coisa com coisa.

Enveredou por uma ladeira, viu umas mulheres na calçada. Magras, roupas curtas e muito feias. Ainda procuravam os últimos fregueses.

A pequena cidade de São Joaquim de Bicas, com pouco mais de 25 mil habitantes, pertence a pertence a Região Metropolitana de BH.

Não é a melhor nem a pior das cidades do entorno da capital. Tem as suas sequelas. Bandidagem, ladroagem, roubalheira, drogas, drogas e drogas.


O Jornal O Tempo abriu manchete: Polícia estoura laboratório de refino e distribuição de drogas em São Joaquim de Bicas.

Os serviços públicos, como em qualquer cidade brasileira, deixam muito a desejar.
A Prefeitura não tem como atender tantos pedidos de emprego, conserto de ruas, canalizações esgoto, construção de escolas, pontes, creches e outros prédios públicos.

Os Vereadores continuam legislando sobre troca de nome de rua. O prédio da Sede Administrativa é muito moderno.

Tudo ali deveria correr as mil maravilhas ao primeiro olhar, mas na realidade só mudou a construção, continua tudo como qualquer Prefeitura do Interior. A Oposição de um lado e a Situação de outro, cada um tentando mostrar mais serviço.

Lá também tem casos de crianças desaparecidas: Polícia investiga sequestro e encontra jovem em cárcere privado... que foi manchete Nacional.

Mas aquele Senhor sem nome estava no fim da linha. Os pensamentos voavam. Os restos das drogas no organismo faziam, agora, efeito contrário. Ele foi ficando depressivo, precisava arranjar um local para apagar as suas mágoas e arranjou.

Entrou num beco, viu um tambor velho com pedaços de pau queimando naquela manhã serena. Um friozinho subia a sua coluna vertebral e parava ali na nuca provocando um baque. Parecia uma chave de desligamento de energia. O seu corpo ficava mais leve.

De repente, por entre aquelas ruas estreitas surgiu um louco com uma estaca de metal.

Sem que tivesse tempo de desviar, recebeu aquele forte impacto no peito. Metal frio arregaçando as carnes.

Ainda vivo, tentou encontrar socorro na beira da rodovia, ficou ao lado de um Fiat Palio, de cor prata.

Foi encontrado pela Polícia Rodoviária Federal o homem, de 33 anos, com vida, no km 509 da rodovia, mas morreu logo após dar entrada no hospital.


Manoel Amaral
www.casadosmunicipios.com.br

sábado, 20 de agosto de 2011

O UFO LUMINOSO

EMBUS (DAS AR) TES

Imagem Google


“Os drones representam o que há de mais moderno em

aeronaves não tripuladas de finalidade estratégica militar

em países cujas forças armadas utilizam os recursos

de tais artefatos.” (Fábio Bettinassi)


Osvandir foi para São Paulo, mais precisamente para a cidade de Embu das Artes. Notícia dos jornais, da TV e internet chegavam ao seu conhecimento. No seu e-mail pipocavam comentários do mundo inteiro.

Seria uma nova onda de aparecimentos? Uma invasão? Ia começar tudo de novo? A INVASÃO DOS MARCIANOS? O susto de 1950 estaria voltando? Orson Welles estaria certo?

Estas perguntas toda giravam na cabeça do pobre Osvandir. Ninguém sabia direito o que era.

– Seria um drone?
Que é um considerado um drone?

Já num fórum na internet discutiam:
“–Eu não acredito que seja drone pelos seguintes motivos:
* O objeto foi filmado em Embú das Artes e não num país de primeiro mundo onde esses brinquedos são vendidos e a população possui um poder aquisitivo capaz de adquirir um dispositivo como esse.
* O objeto ficou muito tempo em pleno voo inclinado num angulo de 45 graus sem mostrar instabilidade, aparelhos rádio-controlados são instáveis.
* o operador teria muitas dificuldades em mantê-lo estático com o aparelho voando em alta altitude.
* Supondo que seja um drone, como o seu proprietário conseguiu pousá-lo sem contato visual, já que as luzes apagaram com ele em voo?
* Alguém arriscaria quebrar esse brinquedo só para fazer as pessoas pensarem que se trata de uma nave extraterrestre?”

“–Seria o objeto de Embu das Artes um aeromodelo?”

“–O vídeo de Embu das Artes é muito claro, contudo não temos maiores informações a respeito do paradeiro do objeto (Caíu? Voou para longe? Desapareceu?)”.

“–Seria este OVNI meramente um aeromodelo, ou seria mesmo algo mais espetacular, como uma aeronave experimental, ou até mesmo um veículo alheio à nossa cultura terrestre?”

Outro mais exaltado já afirmava: “–Basta eu dizer que é fake e é fake mesmo. entendeu???? Este video é fake e dos piores. aqui não há ovni nem ovet. simplesmente é uma brincadeira de alguém querendo gozar com nossa cara.”

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

“–Possibilidade de ser balão está descartada pra mim, pois o balão não possui estabilidade e o vento o desloca facilmente.”

“–Na minha opinião, de acordo com o vídeo mais os relatos das testemunhas o objeto avistado não seria um drone.”

Mesmo que este objeto for um aeromodelo, um balão, ou coisa similar, e não uma nave extraterrestre, se ele ainda não foi identificado, então deve ser sim considerado como OVNI.
Estes comentários todos fez Osvandir lembrar-se do “O Caso Roswell” tão divulgado na internet e nas revistas de ufologia no mundo inteiro.

“O Caso Roswell, ou Incidente em Roswell diz respeito a uma série de acontecimentos ocorridos em julho de 1947 na localidade de Roswell, Novo México, EUA.” (Wikipédia).
Pela tentativa de acobertamento de alguns e mencionarem logo que tratava-se de balão, como aconteceu no caso acima.

Tanto barulho por nada, na realidade o famoso ufo de Embú era um balão noturno, com bateria de celular e leds coloridos.

Manoel Amaral

Fonte: www.viafanzine.jor.br/ufovia
Vídeo: http://ovnihoje.com/2011/07/disco-voador-filmado-em-embu-das-artes-sp-brasil/

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O CASO SOUZA



"Não fume, pois neorônios você tem milhões, mas pulmões você só tem dois."

(Bob Marley)


Souza estava sempre tristonho, amarrotado, mal passado, gosto amargo na boca e no coração.

Fim da vida, internado, sem ninguém para cuidar daquelas dores reais.

Família não vinha vê-lo, tinha que pagar por um cuidador de idosos.

Não deixaria herança, estava fadado a passar os seus últimos momentos ali sozinho, sem ninguém, pelo SUS, até sem enfermeiros.

Entubado e amarrado, para não cair da cama, com aquele lençol encardido, um roupão simples, quase branco, do hospital de uma cidade qualquer.

Souza tivera muitos amigos quando ainda possuía dinheiro para pagar as farras. Agora ninguém vinha visitá-lo. Nem um papinho, nem um minutinho, nem um cigarrinho, nem uma pinguinha!

Até o seu melhor amigo, o João, aquele que vivia sempre com ele, não apareceu.

Souza era um grande cara, estava sempre rodeado de amigos. Bebia muito, fumava muito, vivia na noite, dormia de dia.

Começou a fumar aos quatorze anos quando foi numa pescaria com seu tio, lá pras bandas do rio. Diziam que era para matar mosquitos.

Era o pior cigarro, mais barato e fedorento: Saratoga.

Tomou gosto pela coisa. Estava sempre com um na boca mesmo apagado.

Fumou todas as marcas: Yolanda, Dalila, Neuza (mentolados), Odalisca, Continental, Camel, Minister, Hollywood, Mistura Fina, Liberty, Marrocos, Eldorado, Ascott, Negritos, Fulgor, Cigarrilhas Talvis e foi até colecionando algumas mais bonitas.
Passou até a vender fumo no mercado. Suas roupas eram todas furadas pelas brasas dos cigarros.

A fumaça invadia todos os locais onde estava, incomodando a todos não fumantes.
Disseram para ele que o fumo provocava:
-Diminuição dos batimentos cardíacos, da pressão arterial e da respiração.
-câncer do pulmão, da boca, da garganta, do esôfago da laringe e da bexiga.
-Angina de peito e infarto do miocárdio.
-Isquemias ou hemorragias cerebrais.
-doença pulmonar obstrutiva crônica.
-Maior risco de contrair câncer dos rins, pâncreas e estômago.
-Tosse típica.
-Maior probabilidade de sofrer bronquite crônica e enfisema.

Ele respondia que o seu avô fumava, o seu pai fumava e nunca tiveram nada e assim ele ia continuar fumando.

Mas a sua doença foi só aumentando: aquela falta de ar. Quase “subia pelas paredes”!
Falaram para ele voltar aos cigarros de palha, para fumar menos. (Cigarro de palha apaga toda hora, os outros não apagam porque tem pólvora).

Qual o quê, Souza arrumou um tição de fogo e ficava o dia inteiro acendendo o maldito cigarro de palha.

Daí foi parar no hospital, não tinha dinheiro para pagar. Ficou ali numa cama malcheirosa, seguindo o destino final.

Se tivesse algum dinheiro para gastar ou herança para distribuir o seu quarto continuaria cheio de gente, como não tinha nada disso a solidão baixou para o seu lado.

Ninguém nem sabia o seu nome completo, só o conheciam por Souza.
Morto e enterrado. Lá na certidão de óbito estava escrito o seu nome completo: Souza Cruz.

Manoel Amaral

sábado, 2 de julho de 2011

CARTA DE SÃO PAULO AOS CORINTHIANOS

SÃO PAULO AOS CORINTHIANOS

Lá pelos idos de 67 DC, estavam reunidos naquele grande estádio os principais sábios: Raposa, Galo, Coelho, Urubu, Mosquetinho, Periquito, Português, Mosqueteiro, Saci Pererê, Baleia, Pantera, Moleque, Macaca e Zebra.

Foi aí que São Paulo de Tarso resolveu falar:

Corinthianos,

Combati o bom combate”, não adiantou, hoje estou aqui numa Descrição: https://mail.google.com/mail/images/cleardot.gifsituação desagradável, não posso sair às ruas e todos gritam:

― É freguês!

Bem sei que são “néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia. Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.”

“Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;”

Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus colegas amados.

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre nós dissensões; antes sejamos unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”

“Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.”

Não estamos preocupados quem vença ou perca, o importante é que marchemos todos juntos neste campeonato, com times bem treinados e jogos bem equilibrados em todos sentidos.

Que “ninguém se engane a si mesmo”, hoje estão por cima amanhã poderão estar por baixo, é a roda da vida e deste campeonato.

É muito cedo para definir a situação de todos os times.

Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que” muitas vezes o juiz rouba mesmo! “Há coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu.”

“Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.”

“Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?”

Cá estou eu amargurado, abatido, arrazado, perdi de 5 x 0 e não tenho justificativa para este povo que me acompanha. Sem contar que sou obrigado a ouvir estas palavras torturantes:

― O freguês voltou, olé!

Manoel Amaral

Fonte Pesquisa:

Cartas do Apóstolo São Paulo.