quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

E-BOOK DO OSVANDIR, DE GRAÇA!

De 6.00 hs do dia 30/12 até 24,00 hs de 31/12/2010, Manoel Amaral estará distribuindo gratuitamente o seu último e-book "Osvandir e Lua Cheia", a todos leitores que informarem pelo e-mail osvandir.ovni@gmail.com quais as três últimas postagens deste blog do Osvandir.

Este é o Projeto Livro Leve e Solto.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AS TRÊS CEIAS DE NATAL

Que o espírito natalino traga aos nossos corações a fé inabalável
dos que acreditam em um novo tempo de paz e amor.
Boas Festas.
(Fernando Waki)

Ele não queria escrever sobre o assunto, neste fim de ano, tentou por várias vezes se livrar da ideia. Muita gente já tinha falado sobre o assunto. Mas aquilo ficou martelando a sua cabeça, sem cessar, teve que escrever.

Eram três casas que Osvandir teria de visitar na noite do Natal: a primeira, num luxo danado. A segunda o pessoal da classe média e a última lá no sítio do Poço Fundo.

Chegou à iluminada mansão do Senhor Josias por volta de nove horas, a mesa estava posta, com frutas, castanhas, vinhos das mais variadas marcas, tudo importado.

Tudo numa arrumação de fazer gosto, trabalhado por experts no assunto, especialmente contratados para aquela noite. Garçons refinadíssimos servindo a todos com muito préstimo.
Mulheres desfilando nos seus últimos modelos, vindos de Paris. Fotos e mais fotos nas mais modernas câmaras digitais.

Não ouviram nenhuma Ave Maria, assunto só eram política, futebol e festas.
Na segunda ceia, do Senhor Quinzinho, casa mais modesta, um pequeno presépio num canto, mal iluminado e a mesa bem no centro da sala principal.

Ali viram muita coisa importada, ainda, devido à baixa do dólar.
E todo mundo comendo, comendo e bebendo. Assuntos principais: futebol e últimos crimes. Não esqueceram de comentar aquele caso do estado do Pará, em Belém, do menino, recém nascido, que foi atirado pela mãe, no quintal do vizinho. Estava passando a reportagem naquele momento na TV.

Osvandir saiu dali, despedindo de todos e foi para a última ceia, na zona rural.
Antes de chegar ao local, já avistara uma criança encarregada de abrir a porteira para as visitas e indicar onde poderiam estacionar os seus carros. Casinha simples, branca com portas e janelas em azul forte.

Ao adentrar ali, a primeira coisa que viram foi o imenso presépio, muito bem montado, tudo com coisas da região. Cristo estava acomodado numa casca de palmeira. Frutinhas e flores do mato estavam espalhadas por todo canto. As figuras representativas eram feitas de saco de aniagem e cabaças. Várias pedras coloridas naturalmente. Uma pequena cachoeira foi montada, com a entrada da água sutilmente escondida, trabalho de mestre.

A mesa bem montada, com frutos da região: banana, abacaxi, laranja, alguns colhidos no mato. Mas uma chamou a atenção do Osvandir e perguntou para o Senhor Arthur, dono da casa:
-- É fruta importada?
-- Não, é de um pé que plantei no quintal. Uma muda que recebi de presente. Vamos lá para você ver como está bonita.

Chegando ao local depararam com uma enorme árvore cheia de frutos de cor arroxeada. Era a lichia, originária da China, se deu muito bem em terras brasileiras.

O interior do fruto é muito parecido com bacupari, fruto de cor alaranjada quando maduro e muito apreciado pelas crianças na zona rural. Com vários nomes em cada estado, tem também um cipó com este nome.

Dona Maria convidou a todos para orar e depois servir a ceia.
Uma leitoa estava estirada sobre a mesa, saída do forno naquela hora. Carne de porco, de boi, alguns frangos caipiras, farofa feita com farinha de mandioca, doces de todos os tipos, feitos em casa.

Cada visitante trazia um pratinho com alguma coisinha para completar a mesa.
Naquela confraternização, todos se abraçando, conversando e dando boas risadas.
E aí caros leitores, perguntamos para você: Em qual das casas ouve o verdadeiro Espírito do Natal?

Manoel Amaral

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A GATINHA CIND

A GATINHA CINDERELA

“Gatinha não gosta de sujeira, gosta é de ficar bem bonitinha.”
Tataravô de Osvandir


Ela perdeu a mãe muito cedo e seu pai, ainda jovem, resolveu se casar novamente. Ali naquela cidade do interior, quando acontecia isso era uma falação danada. Diziam que o sujeito estava doido, era mais velho dez anos que a mocinha casadoira. Ele não deu atenção às beatas, casou-se e estava quase feliz se não fosse a sua linda filha do primeiro casamento, a Cind.

Ela andava meio amuada, a sua madrasta era muito má e a colocava para lavar roupa naquela máquina velha e estragada. Limpava o chão da casa, dos três banheiros e ainda tinha que fazer o almoço todo dia. Era um trabalho muito pesado para a pobre menina.

Seu pai, como todo homem, era meio distraído e nem notou que a sua mulher estava maltratando a sua adorada filhinha.

Numa festa, uma balada, foi que reparou que ela queria falar-lhe alguma coisa:
– O que foi filhinha? Anda tão tristinha!
– Pai, é que hoje tem uma balada lá no SOM BALA e a sua adorada esposa não quer deixar-me ir, mesmo depois de tudo que tenho feito aqui em casa e ainda estudar à noite.
– Vou conversar com ela e vai ver, tudo vai dar certo, pode deixar...
– Só quero ver Papi!

O dia custou a passar para aquela menininha de cabelos louros anelados e nariz arrebitadinho. As sardas de seu rosto já estavam indo embora, já ia completar 15 anos e podia até tirar aquele horroroso aparelho dentário de metal. Era uma menina aplicada, tirava boas notas na escola, a famosa “Gral”, a melhor da região, onde só estudava crianças inteligentes e de boas famílias. A madrasta queria colocá-la numa escola pública, mas o pai foi incisivo:
– A Cind tem que estudar na melhor escola da região.

E assim foi. Lá estudavam e também arranjavam os namoradinhos. As duas filhas da madrasta também estudavam lá. Era duas meninas odiadas por todos. Muito exibidas e andavam com roupas de grife e acessórios caríssimos. Para a Cind sobrava apenas alguns brinquinhos de biju. Mas o celular ela tinha e fazia questão; devia estar sempre com bateria e créditos, para conversar com o pai.

Mas como roupa não melhora a imagem de ninguém, ela brilhava com aquele shortinho azul e a camisa branca da escola, sem nenhuma afetação.

A hora da balada chegou. As outras filhas estavam todas apavonadas e ela com toda simplicidade. Na hora da partida pensou que poderia ir, que seu pai teria conversado com a Madrasta Madalena, mas qual o que, o “velho”, como carinhosamente ela o chamava, nem lembrou do assunto.
– Você não vai bruxinha! Pode passar a mão na vassoura e no rodo e vá limpar os banheiros porque amanhã teremos visitas importantes.
– Mas “Madá”! (ela chamava carinhosamente a Madrasta assim.)
– Nada de ma, me, mi e coisa nenhuma. Vá fazer o que lhe mandei e não saia à rua sozinha que é muito perigoso! Tem muito maconheiro por aí.
– É Cind, você pensou que iria encontrar com aquele rapaz? Nós é que iremos vê-lo. Adeusinho querida e bom trabalho sujo para você!

As duas meninas eram mesmo implicantes. Enchiam o saco da todo mundo e ainda se julgavam as mais belas da cidade.

Mas como tudo pode acontecer, Cind recebeu um telefonema de seu primo Jonas que estava na cidade e queria conhecer o Clube.

Eles combinaram o horário e logo depois estavam os dois lá no meio da balada. Havia gente de todo tipo, era um verdadeiro zoológico.

A promotora da festa conseguiu uma mansão, com enormes escadarias, onde os jovens subiam e desciam a todo momento. Luzes de laser por todo lado e o som a toda altura. Alguns vizinhos já começavam a reclamar.

A velha e má Madrasta disse que voltaria para casa a meia-noite, o que significaria que voltaria lá pelas três da madrugada. O tempo passava, até que numa saída do banheiro feminino, Cind conheceu um belo rapaz com cara de príncipe de filme. Conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que era de outra cidade, de outro estado, bem longe dali.

Ele foi logo ficando gamadão pela linda menina de cabelos cacheados. O seu carrão, todo colorido e rodas cromadas de magnésio indicava que era filho de algum rico empresário. Mas Cind nem ligava para dinheiro, ela queria é ser feliz.

O relógio só tiquetaqueando, o tempo passando, quando ela olhou para o seu celular de cristal (um plástico fabricado na China, mas muito vistoso), foi que notou que já aproximava das três da matina.
Ela não teve como ficar mais tempo por ali, teria que ir embora, procurou o seu primo, este desaparecera no meio do salão. Chamou um táxi, o moço disse que a levaria onde quisesse, ela não quis.

Ao sair apressada, deixou escapar o celular, que caiu bem no meio da escadaria da mansão.
O rapaz viu qualquer coisa brilhar e foi lá apanhar, era o aparelho da linda menina. Ele pensou: “depois eu a procuro para devolvê-lo e aproveitar para bater um papo.” E foi o que aconteceu.
Como ele era esperto, olhou e notou que havia um GPS no aparelho, com mapas das ruas da cidade. Foi só instalá-lo no carro e seguir as direções indicadas.

Bateu na porta da casa da Cind. A velha foi quem atendeu.
– Sim?!
– Desejaria conversar com a dona deste celular...
– Deve ser de uma das minhas filhas, vou chamá-las.

Ela sumiu lá para dentro da grande casa e nesse meio tempo Cind veio atender à porta, pois ouvira o sinal da campainha. Ao ver o rapaz, assustou-se, pois estava com uma roupinha caseira, bem simples: uma camiseta de malha azul e um shortinho branco.
– Vim trazer o seu celular, acompanhei pelo GPS por isso encontrei muito rápido a sua casa.
– Mas que coisa, hein?! Vamos entrar, vou mandar alguém preparar alguma coisinha para a gente comer.

Foi aí que ela lembrou que quem preparava a mesa naquela casa era ela. Voltou e disse que daí a pouco viria um cafezinho, um “refri” ou um suco de açaí, acompanhado de gostosas bolachas recheadas.

Conversa vai, conversa vem e o papo estava muito agradável, ele contou tudo para ela. Quem era o seu pai, um rico empresário do ramo de tecidos lá do sul. Ela só caladinha ouvindo tudo.

Nesse meio tempo apareceu na sala uma das filhas da “Madá” e foi logo dizendo:
– Este celular é meu, meu príncipe.

Aí a confusão se formou; a outra filha mais velha também apareceu; a mãe, muito sem educação, queria por todos meios pegar o celular, mas o rapaz não deixou, entregou-o para a verdadeira dona, a Cind.

Quando a discussão estava feia apareceu o pai e quis saber o que se passava, quando a adorada filha contou tudo! Só assim que ele percebeu o quanto sua filhinha querida era maltratada por aquela mulher. Pediu o divórcio.

Meses depois o rapaz ligou que viria e veio, pediu-a em casamento.

Namoraram, casaram e tiveram muitos filhos.

MANOEL AMARAL

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OSVANDIR E A GUERRA CIBERNÉTICA

OSVANDIR E A GUERRA CIBERNÉTICA



As ações numa guerra cibernética visam quebrar a
disponibilidade, confidencialidade e integridade dos
sistemas críticos e do poder central, causando perdas
econômicas e descrédito no governo
”.
IBTA - Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada.


Osvandir estava para fazer uma viagem para o exterior quando estourou a guerra cibernética entre governos e a WikiLeaks. Vários computadores foram invadidos e alterados para projetar ataques a órgãos do Governo Americano.

Foi aí que ele descobriu que fora envolvido na trama diabólica dos mentores da Guerra. O seu computador não respeitava mais aos seus comandos. Quando qualquer texto era digitado aparecia uma mensagem no monitor: “PC requisitado para ajudar no ataque a vários órgãos públicos do mundo inteiro.”
Um técnico foi chamado para ver possíveis problemas na máquina, mas disse:

-- O seu PC está infectado por um vírus denominado Stuxnet, que pode fazer praticamente tudo que deseja no computador utilizando duas vulnerabilidades “zero day”.

Osvandir foi pesquisar para entender o que seria isso e encontrou na Wikpédia o seguinte: “Stuxnet é um worm de computador específico do sistema Windows descoberto em junho de 2010 pela empresa bielorrussa de antivírus VirusBlokAda. O Stuxnet é capaz de reprogramar CLPs e esconder as mudanças.” (Wikipédia)

Em computação um Worm, (verme, em português) é um programa auto-replicante, semelhante a um vírus. Stuxnet é um protótipo em operação de uma arma cibernética que levará a criação de uma nova corrida armamentista no mundo.

"Ele não foi criado para roubar dinheiro, enviar spam ou para se apoderar de dados pessoais. Ele foi criado para sabotar fábricas, para prejudicar sistemas industriais. É aí que está a diferença e o marco para um novo mundo. A década de 90 foi marcada pelos vândalos cibernéticos e os anos 2000 pelos criminosos cibernéticos. Agora estamos entrando na década do terrorismo cibernético, com armas e guerras virtuais", acredita Kaspersky..

Ele é capaz de:
Deixar um país às escuras ou sem comunicação durante horas.”
“O emprego maciço de todos os recursos e meios disponibilizados com o uso das redes de computadores
”.

Alvos vantajosos para uma guerra cibernética, segundo a importância das suas infra-estruturas, as redes de computadores e sistemas que gerenciam e controlam os serviços críticos de:
a. Redes de Telecomunicações;
b. Energia Elétrica;
c. Saúde Pública, Emergência e Água potável;
d. Sistema Financeiro;
e. Redes de Comando e Governo
.

Na guerra cibernética, permitem ao atacante o emprego maciço de todos os recursos e meios disponibilizados com o uso das redes de computadores. As ações numa guerra cibernética visam quebrar a disponibilidade, confidencialidade e integridade dos sistemas críticos e do poder central, causando perdas econômicas e descrédito no governo.” IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada).

Todos os fatos mencionados acima indicam que o desenvolvimento do Stuxnet foi, provavelmente, apoiado por uma nação-estado, que possuía fortes dados de inteligência à sua disposição”, informam os principais jornais do mundo. "

Os principais portais da internet ficaram sobrecarregados. Nada estava funcionando direito.

A passagem aérea do Osvandir foi cancelada, sem a sua solicitação. A escalada da guerra informática contra todas as companhias que lhes negaram os meios de financiamento do site.

Fóruns foram criados e reuniram milhões e milhões de participantes, todos empenhados em atingir os Cartões de Crédito, que tiveram um prejuízo de milhares de dólares.

Agora a polícia anda atrás do autor de toda esta confusão. Dizem que ele teve problemas com duas garotas na Suécia para tirar o assunto do foco, coisa típica de vários governos.

Aí entrou no jogo o Lammer (do inglês Lamer = fraco, desabilitado), que sem saber ajudou na guerra cibernética. Na realidade o Lammer é uma cara que pensa que é hacker, mas na verdade ele não é nada, é um bobão que está sendo dominado pelo esquema da cibernética.

Quando Osvandir pensou que o susto maior havia passado, novos ataques surgiram na onda do WikiLeaks; os anúncios com vírus:
-- Você acaba de ser premiado com um Celular, clique aqui e faça a sua escolha.

Na pressa o cidadão inocente acaba clicando e levando aquele chumbo grosso. Agora sim, a sua HD deverá ser substituída ou formatada e os seus arquivos foram todos para o beleléu.

Todo cuidado é pouco porque os vírus estão todos por aí, procurando só uma brechinha par penetrarem e causar o maior estrago possível.

Manoel Amaral
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domingo, 5 de dezembro de 2010

Homenagem ao Osvandir





Osvandir sempre entra em alguma aventura...

Repleta de emoção, diversão e loucura!

Ele encontra sempre uma lenda urbana...



Em cada esquina ou numa solitária cabana!



Ele conheceu o País das Maravilhas...

E virou fantasma em Brasília!

Ele não tem medo de navalha...

Só do palhaço chamado Palha,



Que foi muito bem eleito...

Mesmo sendo analfabeto funcional...

Lembrando de um jeito perfeito...

O Sassá Mutema da novela Global!



Osvandir já foi fantasiado de mosquito...

Num badalado e popular carnaval...

Mas pegou dengue de um modo aflito...

De um jeito nada original!



Osvandir também teve seu momento de ternura...

Quando ele se apaixonou com candura...

E de um jeito nada altivo...

Pela moça do coletivo...



Sem saber que ela surda-muda...

Mesmo assim o amor não perdeu a luta!



Osvandir sempre entra em alguma aventura...

Repleta de emoção, diversão e loucura!

Ele encontra sempre uma lenda urbana...

Em cada esquina ou numa solitária cabana.



Luciana do Rocio Mallon


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

OS TRÊS PORQUINHOS

OS TRÊS PORQUINHOS


Nova versão de Osvandir


Era uma vez, não faz muito tempo, três porquinhos que viviam felizes e tranqüilos na casa de sua mãe, na zona rural.

Como já estavam na meia idade, a mãe resolveu enviá-los para cidade, então chamou os porquinhos e disse:
– Queridos filhos, vocês já estão bem crescidinhos. Já é hora de terem mais responsabilidades, vou enviá-los para casa de seus tios, na cidade, para se tornarem mais experientes.

Distribuiu o cada um o dinheiro que seu pai, o senhor Porcão, deixara como herança e despediu-se dos mesmos:
– Até mais, meus filhos queridos, vão aprender alguma coisa na vida...
– Tchau mamãe, - disseram todos.

Pegaram o primeiro ônibus que por ali passava e foram para a cidade. O dia estava lindo, mas alguns passageiros reclamavam que o ambiente não estava cheirando bem.
– Deve ser o meu irmão mais novo, - disse Pedro, mais conhecido por Pedrito, - ele não costuma tomar banho direito.

– Olha irmão, eu estou limpinho! Tomei banho hoje. Deve ser alguém que soltou um pum por aí e está jogando a culpa nos outros, - respondeu o porquinho mais novo, conhecido como Palhaço.
– Ora gente, vamos deixar de briga, já estamos chegando à cidade, - falou Palito, o elegante porquinho do meio.

Desceram do ônibus e foram à procura da casa do tio, pejorativamente chamado de Senhor “Porcaria”. É que ele não prestava mesmo, bebia muito e vivia nas portas dos bares da cidade. Não cuidava bem da família.

Pedrito vendo aquilo, e a pobreza da família, resolveu procurar outro lugar para morar. Cada um foi para um lado. Palhinha foi para a periferia e acabou encontrando um barracão numa comunidade.
Palito comprou madeira, montou uma casa e passou a fabricar móveis ecológicos, com eucaliptos.
Já Pedrito que recebeu mais dinheiro, comprou uma boa casa no centro da cidade.

Os anos se passaram e cada um por seu lado. Um dia os bandidos subiram o morro, o chefão chamava-se Lobão, era muito bravo, mandou todo mundo sair e colocaram fogo nos barracões, entre eles estava o de Palhinha.

Muito triste, sem ter para onde ir, procurou o seu irmão mais velho
que o recebeu carinhosamente, mas como Palhinha não gostava muito de trabalho, resolveu procurar o outro irmão, o Palito, que fabricava móveis. Como por lá também tinha muito trabalho ele só almoçou e saiu para outros lados.

Filiou-se a um partido político da cidade. Ele que era palhaço de profissão e se deu muito bem, conseguindo uma vaga para candidatar-se a Vereador.

Seu número: 99.999 e dizia que “noves fora e sobra um”. Quase ninguém entendeu bem o recado, mas no fim da apuração ele teve uma votação espantosa.

Perguntavam para ele o que fazia um Vereador e ele respondia:
– Vote em mim que depois eu te conto. Pior que tá não pode ficá.

O Palhaço Palhinha foi eleito com 90% dos votos da cidade, elegendo mais quatro vereadores para o seu partido.

Aí todos entenderam o seu recado: noves fora e sobra um – todos 9 Vereadores não conseguiram reeleger. O PP (Partido dos Porcos) ficou com maioria na Câmara Municipal.

Com muita inveja, os demais Vereadores do PA (Partido das Araras) e PT (Partido dos Tatus), alegaram que ele era analfabeto e entraram com processo para impedir a sua posse.

No fim não deu em nada, ele era analfabeto funcional(*) e por que naquele país, que era igual aos outros, só mandava quem tinha dinheiro e agora o Palhinha estava muito bem assessorado e com muita grana no bolso.

MORAL: É melhor ser pobre e inteligente do que rico e burro.

Manoel Amaral

(*) analfabeto funcional: toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, lê e escreve frases simples e efetua cálculos básicos.

Imagem: Banco Google