sábado, 20 de novembro de 2010

A QUADRILHA
Capítulo II

A ORGANIZAÇÃO



Conforme aprofundava nas pesquisas, mais e mais tomava conhecimento que a organização era muito maior do que se imaginava.

Tinha vários aviões só para o transporte de drogas, colocavam o material nas asas e em todo corpo do aparelho. Depois carretas seguiam via rodoviária, quando chegavam as cidades, passavam para vários carros até o distribuidor final.

Na área dos combustíveis atuava na produção e distribuição da gasolina, diesel e etanol, os proprietários de postos eram obrigados a assinar contrato para recebimento de produtos “batizados”, isto é, com mistura.

Até nos produtos farmacêuticos: fabricavam, distribuíam e roubavam carga para revender.

Na produção e manufaturamento dos alimentos, apenas duas multinacionais é que mandavam. Todas as empresas pequenas foram adquiridas por elas.

Os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário já estavam contaminados. Todos os dias as TVs anunciavam prisão de Vereadores, Deputados, Governadores, Advogados, Juizes; envolvidos com o grupo, mas aquilo era de uma importância mínima; queima de arquivo.

A TV também estava dominada, só divulgavam notícias que indiretamente contribuíam para o crescimento e fortalecimento da Organização.

Quando uma pessoa do grupo caía, já havia dois ou três treinados para ocupar o seu lugar.

A Organização era estratificada e cada grupo atuava num determinado setor, sem conhecimento de que os outros grupos faziam.

No futebol, há muito tempo manipulado, trabalhavam para forjar resultados dos jogos; juizes, jogadores e as equipes eram todos comprados. As loterias seguiam da mesma maneira.

Os melhores cargos da nação eram vendidos pela organização que sabia muito bem burlar os concursos públicos. O nepotismo também imperava naquele país.

As empreiteiras e construtoras tinham mais de um nome registrados na Junta Comercial e concorriam com todos eles, fraudulentamente, numa licitação que já nascia marcada, todos sabiam quem ia vencer.

No Congresso possuíam mais de 50% de Deputados eleitos através de suas doações partidárias.

Naquele país a corrupção era tanta, que para um processo administrativo “andar”, era necessário um “amaciante” em dólares.

Nas maiores cidades tinham a coleta de lixo transportado apenas por uma empresa ligada ao grupo.

Na política aconteciam coisas que ninguém mais acreditava. Tanto dinheiro girando, passando de mão-em-mão e o pobre passando fome. Quem conseguia ganhar eleição ficava milionário. CPIs que não chegavam a nada.

Criaram vários tipos de cotas que na realidade não adiantavam nada, só colocavam os menos favorecidos, sob o domínio eleitoral e financeiro.

Uma das cotas era muito engraçada: Permitia a entrada em faculdades de pessoas de cor branca, com menor classificação que os demais.

Criaram uma lei proibindo de chamar branco de branco, diziam que era discriminação racial. Tinham que usar o termo: Euro-descendente.

No meio daquela profusão de informações, Osvandir resolveu recolher-se aos seus aposentos quando recebeu a notícia que poderia ser preso a qualquer momento. Usando estratégia conhecida da época da 2ª Guerra Mundial, internou-se num Convento.

Manoel Amaral

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