sábado, 13 de novembro de 2010

OSVANDIR E A DOBRA DO TEMPO
Marleno Moura


No inicio deste ano, Osvandir recebeu um telefonema do seu amigo Rui, perguntando-lhe se queria aproveitar seu avião para ir até Itumbiara, onde mora seu tio Osmair. Imediatamente aceitou o convite, pois não via seu tio há algum tempo, apenas falara com o mesmo sobre sua visita ao seu filho Zeca. Soube que iria passar no máximo um dia e não precisaria acertar algum negócio imobiliário, pendente.

A data foi marcada e se encontraram no Aeroporto Santa Gênova. Osvandir acompanhou Rui até seu avião, um Cessna – 150, depois que seu amigo comunicou-se com a Torre de Controle e acertaram o plano de vôo.

Rui aguardou a ordem de partida, taxiou, aumentou a velocidade e logo estavam nas alturas. Depois de uns minutos de vôo, o aparelho entrou em uma nuvem cinzenta, que é comum na região. Depois que entrou abriu-se um túnel largo, um vórtice, com relâmpagos como flashes de máquinas fotográficas. Rui olhou para a bússola e viu a “agulha” girar para ambos os lados, aleatoriamente. Ele sentiu o manche muito leve e notou que os flaps não controlavam a altitude do avião.

Osvandir nunca havia imaginado isso, nem Rui. Este manteve o sangue frio, pois só ele sabia conduzir a aeronave.

Osvandir não notou medo na expressão do amigo e por isso também se manteve calmo para ver o que aconteceria. Não passou muito tempo e o avião estava se aproximando de uma cidade, que parecia ser desconhecida por Rui. Este observou que bússola estava normal e que o aparelho estava se dirigindo para o NE. Rui contatou a Torre, perguntou o nome da cidade e pediu para aterrissar. A cidade era Portelândia a leste de Goiânia.

A Torre lhe deu um prazo para aterrissar; O avião deu 4 voltas ao redor do campo, para pousar, uma vez que havia um avião pequeno que estava de partida. Rui obedeceu, diminuiu a velocidade e a altitude. Desceu o trem de aterrissagem e foi pousando levemente no campo, como o faz qualquer falcão apanhando uma presa. .

Rui perguntou as horas à Torre e esta respondeu que eram 8:00 h. Rui tomou um susto, bateu com seu dedo indicador no vidro do relógio e notou que eles gastaram apenas 3 minutos de Goiânia para esta cidade, distante mais de 200 km. Nada entendeu e comunicou o fato a Osvandir, que ficou ainda mais embasbacado, examinando, também seu relógio, disse:
- Pare, ou estamos ficando loucos ou nossos relógios estão malucos. Mas logo os dois?
- E melhor não informar nada ao Controlador, pois ele não vai acreditar e colocar a culpa nos nossos relógios e na bússola do avião, disse Osvandir, procurado a anuência do amigo.
- Você tem razão. Eu ia para o sul e estou a leste. Agora tenho que seguir vôo para Itumbiara; novamente..
- De avião eu não vou mais. Vou alugar um carro na cidade e seguir para Goiânia. Depois eu pago alguém para retornar com o carro para cá. É mais caro que passagem de avião, mas não há outro jeito. Assim sendo, boa viagem para você e dê um forte abraço no meu tio. Não lhe conte o que aconteceu. Ela não irá acreditar, nem ninguém. Façamos de conta que isto não aconteceu. Não contarei nem a meu amigo Pepe Chaves. Ele diria que isso é fruto da minha ufologia maluca.

Abraçaram-se; Rui entrou em contato com a Torre pedindo permissão para o vôo. Logo depois viu o avião de Rui subir ao céu.

Osvandir tomou um táxi e foi a uma agência de aluguel de carros. Alugou uma Peugeot 1.4 para não gastar muita gasolina.

Entrou na rodovia GO-153, andou poucos minutos e seus olhos começaram a fechar com maior freqüência.

Abriu os olhos e estava na rodovia para Abadia de Goiânia, na entrada ao sudoeste da Capital. Achou que gastara pouco tempo, pois saíra da agência de automóveis de Portelândia às 09h28min , conforme anotação da gerência do estabelecimento. Seu relógio marcava 09h44min. Ele calculou que deve ter gasto uns 10 minutos para entrar na rodovia BR-060, rumo a Jataí para chegar à Capital, distante uns 200 km. Andou uns 5 minutos na estrada até ficar com sono. Então gastou uns 4 minutos para a entrada pelo sudoeste de Goiânia. Seu carro estava estacionado no acostamento da rodovia BR-060, na região da Abadia de Goiânia.

Pela segunda vez em um dia, sua mente perdeu senso de tempo-espaço.
Daria para explicar para alguém? Ninguém creditaria nele, nem o Pepe que entende de quase tudo o que é ufólogo. Ele achou que não percorreu nem 10 km.

Foi para seu apartamento, telefonou para a agência aonde havia alugado o carro e pediu para mandarem buscá-lo, pois ele pagaria toda a despesa, todos os custos.

Tentou dormir pensar em qualquer coisa, mas não pôde. Foi para o computador e pesquisou sobre “dobra do espaço” e “buraco de verme”. Só queria uma resposta lógica, mas não havia nenhuma. Ele não iria consultar ao Pepe para ele não lhe perguntar nada.

Ele achou que para melhor entender era necessário escrever suas suposições. E começou a pensar.
“- o avião do Rui foi sugado pelo túnel do tempo, seja ele qual for;
- seu automóvel deve ter sofrido levitação, pois ele não tem velocidade ultrassônica para percorrer uns 200 km em uns 4 minutos;
- algum extra-terrestre estava brincando comigo.”

Osvandir foi deitar já pela madrugada, procurando explicações. Finalmente adormeceu e com nada sonhou, pois tudo acontecera com muita rapidez. Ele só tinha medo de ser levado para a Sibéria, para o Arquipélago Gulag, por alguma espiã russa, loura.
(*) Moura é um de nossos colaboradores

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