sábado, 27 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I V

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo IV

A EXPLOSÃO

O médico resolveu colaborar e entrevistou a seguinte, aquele homem que sofria de tuberculose pelo uso constante de cigarro:
– Caro amigo, vamos contar tudo direitinho que você viu naquele dia?
– Claro Doutor, não toquei no assunto com ninguém, fiquei com medo das pessoas ficarem gozando a gente. Quando vi o aparelho já estava rente ao chão e houve explosão muito grande que as casas até tremeram. O cruzeiro balançou, fiquei com muito medo.

Osvandir já passara a ouvir a quinta testemunha, aquela jovem de 15 anos que sofria de problemas nos rins:
– O que você viu?
– Eu falo se você não publicar o meu nome, tá OK?
– Pode falar que o seu nome não vai sair na publicação.
– Eu vi pouca coisa, só um clarão muito grande lá na mata. Vinha aproximando em nossa direção...

Enquanto isso ao lado, no mesmo quarto, Waldemar conversava com a senhora que sofria de diabetes:
– Depois da explosão, que assustou a todos, o que a senhora viu?
– Não pude ver quase nada, apenas uma poeira branca que vinha correndo pelo vento, atingindo todos nós. Parecia com aquela fumaça de vulcão que a gente vê pela TV, mas rente ao chão.

No outro quarto o engenheiro entrevistava a última testemunha, aquele jovem que tinha AIDS:
– Você vinha com os amigos e ai?
– Quando olhei a poeira branca atingiu a todos nós. Eu gritei para que abaixassem e escondesse o rosto.
– Porque esta atitude de esconder o rosto?
– Pensei logo nas guerras, nas bombas...
– Mas não era guerras e nem bomba, era?
– Não! Quando tudo passou, nós começamos a sentir uma dormência na pele, como se tivesse sido queimado pelo sol do meio dia.
– E as outras pessoas da cidade não sofreram nada, porque será?
– Penso que é porque estavam dentro de casa ou mais longe da poeira. Nós estávamos lá embaixo, numa estrada que vai para um povoado.
– Ninguém foi no local da queda do objeto?
– Ficamos com medo...

As entrevistas ficaram por ali, agora a conversa seria com o médico.
Doutor Jacinto contou para todos o que vinha fazendo desde aquele dia:
– Primeiro tomei cuidado com a infecção. As queimaduras, provocadas pelo calor ou radiação, não se sabe ao certo, provoca lesões na pele como ainda podem observar nos pacientes. Causam dores fortes incomodando-os. A dor na queimadura é resultante do contato dos filetes nervosos com o ar.
– Doutor, posso chamá-lo apenas de Jacinto? O que provocou estas queimaduras?
– Não se sabe ao certo. Bomba atômica não foi, do contrário isto aqui estaria tudo destruído...
– É verdade! Por que ninguém foi ao local para ver de perto o que era?
– Eu mesmo recomendei a todos que não se aproximassem do local.
– Certo. Amanhã iremos até lá, - disse Osvandir.

Manoel Amaral

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