quinta-feira, 25 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I I

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo II

APARICÕES

Os três seguiram por aquelas estradas, e cada qual com um pensamento diferente. Uma chuva fina refrescou a temperatura que estava muito alta. Um vapor subiu da terra atingindo as nuvens.

Aquele dia estava prometendo muitas novidades. Pararam num posto, tomaram um suco de açaí, comeram peixe frito. Osvandir preferiu tomar um suco de cupuaçu e comer pastéis.

O calor daquele dia estava insuportável e o sol de “rachar mamona”. Juvêncio, assim que chegou, procurou os seus amigos, Osvandir seguiu para uma pousada com Waldemar, o escritor.

Lá mesmo, andou perguntando se alguém tinha alguma informação sobre os estranhos fenômenos que apareceram nos fins de outubro.

Senhor Antônio, muito prestativo, levou os dois até um casal que tinha passado por maus momentos com os objetos aéreos muito estranhos.

– O que foi que vocês viram? – perguntou Waldemar.
– Primeiro a TV saiu do ar, era apenas chuvisco na tela, os cachorros começaram a latir. Fui lá fora ver o que se passava. Eu e minha esposa vimos dois objetos esquisitos girando no ar. Iam e voltavam, como se fossem folhas secas caindo das árvores. Um deu a volta em torno da casa, passou pelo quintal. Depois sumiram lá pelos lados da piçarreira.

Waldemar perguntou se faziam barulho e eles responderam que não, apenas tinham muitas luzes girando.

O segundo quem entrevistou foi Osvandir:
– O que mesmo que o senhor viu?
– Olha moço, eu fiquei com um medo danado, porque sou da geração que assistiu os ataques da época da “Operação Prato”, na década de setenta. Os dois objetos vinham com uma espécie de farol muito forte e de luz muito branca, cegando todo mundo.
– Mas não poderia ser um helicóptero? Um avião? Um balão?
– Estas máquinas humanas que o senhor citou não fazem o que aquele misterioso objeto fazia. Ele subia, descia, seguia em linha reta, ia até a altura das copas das árvores e depois sumia...
– Fazia algum tipo de barulho? Fumaça? Cheiro forte?
– Não fazia barulho algum, nem soltava fumaça, a não ser um zumbido que punha os animais a latir, berrar e galo cantando fora de hora. Depois sumiam lá para os lados de Campos de Tauá.

Os dois, satisfeitos, foram para a Pousada. Lá chegando encontraram o Juvêncio fazendo suas anotações. Aí Osvandir perguntou:
– O que é piçarreira, Dr. Juvêncio?
– Você não sabe? Aqui isso é muito comum, é um nome que dão as grandes jazidas de piçarra (rocha). Vem das rochas de argila que se encontram em grande quantidade no subsolo do município.
– Na entrevista com um casal, eles citaram esta palavra.
– Você vai encontrar muitas palavras diferentes por aqui, eu já estou acostumado, já fiz até um mini-dicionário para esta região.
– Amanhã eu e o Waldemar vamos visitar algumas pessoas que afirmam que houve a explosão de uma nave lá para o lado daquelas grotas.

O resto do dia foi só conversa fiada: o Waldemar defendendo os seus livros, Osvandir com as suas teorias e Juvêncio só digitando em seu note book.

A noite não foi das melhores, os pernilongos ou muriçocas atacavam sem dó nem piedade. Os repelentes não funcionavam, as janelas tinham que ficar abertas por causa do calor, o que facilitava a entrada daqueles abomináveis insetos.

Levantaram revigorados, tomaram um banho frio e foram para o café da manhã.

Manoel Amaral

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