segunda-feira, 29 de novembro de 2010



OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo VI

The Rainbow

– Esquecemos de dizer que depois do susto, olhamos para o local, um arco-íris subia para o espaço. Foi muito bonito, disse a Jovem, de 15 anos, que sofria de rins.

Os demais confirmaram, mas disseram que observaram que a largura dele era muito maior, dava umas três do arco-íris comum, não tinha nuvem de chuva. As cores, disseram ser as mesmas: violeta, anil, azul, verde, amarelo, alaranjado e vermelho.

O médico disse aos três que cuidou dos pacientes com muita atenção, em alguns as queimaduras eram maiores, nos demais apenas um vermelhidão na pele. Fez todas as anotações nas fichas de cada um, tomou a precaução de fotografá-los. Pediu que todos fizessem novos exames. O velho que tinha problemas na arcada dentária foi examinado por uma dentista.

– Recomendei a todos uma dieta, sem açúcares, bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e muito suco de frutas todos os dias; uma caminhada, de preferência à tarde.

Osvandir examinou as fotos, as fichas, copiou algumas, fotografou os pacientes e já ia seguindo para pousada quando foi chamado pelo Dr. até o seu gabinete.
– Venha aqui, chame seus colegas, vou mostrar-lhes agora os exames realizados neste final de semana.

Osvandir chamou Juvêncio e Waldemar para ver os exames.
– Olha este aqui da mulher de câncer, os tumores sumiram, não tem mais nada. Exames de sangue estão normais.
– Como pode ser!
– Não sei Osvandir, mas aconteceu! Aquele velho de setenta anos, com problemas na arcada dentária, aconteceu uma coisa muito mais estranha ainda: está nascendo um dente, vejam a foto e podem verificar com ele, ainda hoje. A arcada dentária não tem mais nenhum problema.
– Incrível, nunca vi um caso assim, - disse Juvêncio.
– Aconteceu só um caso semelhante, de terceira dentição, na Argentina, na década de setenta, - comentou Waldemar.

– A mulher que era estéril, está com ovulação normal, tudo indica que poderá procriar. A mulher que tinha diabetes não tem mais nada, conforme confirmam os exames. A menina com problema de rins, examinei os raios-X hoje, não tem mais nenhuma pedra.
O senhor de tuberculose, ainda apresentou algumas pequenas manchas nos pulmões, mas parece que vai sarar.
– Mas isto é fantástico! Não existe nenhum caso como este na ufologia mundial! Mas falta um, o caso do rapaz com AIDS.
– Este deixei para o final por que é mais complexo. Ele está reagindo bem, vai demorar um pouco, mas a sua recuperação parece estar garantida. Os exames de sangue estão caminhando para a normalidade. A doença está desaparecendo progressivamente. Como aconteceu tudo isso eu não sei explicar.
– Caro Doutor, este foi o caso mais interessante que participei até hoje e acredito que com o Waldemar aconteceu o mesmo.
– É verdade pessoal, jamais participei dum caso como este.
– Vou solicitar ao amigo Jacinto, que me envie as cópias dos exames, antes e depois, bem como fotos de quando chegaram ao posto. Vou passar-lhe o meu cartão.

Passado alguns dias chegaram pelo correio o material solicitado e uma cartinha do médico, dizendo que estava muito feliz pois o rapaz do caso da AIDS estava praticamente curado. Foram feitos outros exames suplementares em Belém e não deu nada.

Depois de alguns dias Osvandir imaginou que aquelas curas poderiam até estar relacionadas com a cromoterapia. As cores do Arco-Íris: Vermelho com doença de rins; amarelo com diabetes; verde e o câncer; azul benéfico para úlceras na boca e nova dentição e assim por diante.

E você leitor, o que acha?

Manoel Amaral

domingo, 28 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - V


OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL


Capítulo V
A Queda da Nave



Na manhã seguinte os quatro pegaram um jipe da Prefeitura e seguiram com um guia, até o local.
Juvêncio, o engenheiro de minas, foi quem se manifestou primeiro:
– Engraçado, se passaram apenas vinte dias do acidente e aqui não tem mais nada, a não ser um vigor das plantas. Parece que jogaram adubo, dos bons, aqui neste local. Apenas algumas plantas chamuscadas, mais nada.
– Já passei o contador de Geiger e não encontrei radiação em nenhum local, avisou Waldemar, o ufólogo.
– Interessante; algumas plantas ainda estão levemente inclinadas para direita, parece que a nave ou que coisa for, não chegou a tocar o chão - concluiu Osvandir.

O médico ouviu tudo e nada disse. Todos ficaram imaginando o que poderia ter acontecido. O guia viu qualquer coisa brilhando perto de uma moita, correu até o local, mas era apenas um lixo humano: latinha de cerveja.

Osvandir teve uma ideia:
– Vamos fazer uma varredura por aqui, todos procurando qualquer coisa num raio de cem metros, no sentido dos ponteiros do relógio. Procuraram e nada encontraram além de pequenos objetos como tampinhas de garrafas plásticas, um copo plástico, um pedaço de pneu e outro de copo de vidro.

Juvêncio colheu algumas amostras do solo, para exame em Belém.

Manoel Amaral

sábado, 27 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I V

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo IV

A EXPLOSÃO

O médico resolveu colaborar e entrevistou a seguinte, aquele homem que sofria de tuberculose pelo uso constante de cigarro:
– Caro amigo, vamos contar tudo direitinho que você viu naquele dia?
– Claro Doutor, não toquei no assunto com ninguém, fiquei com medo das pessoas ficarem gozando a gente. Quando vi o aparelho já estava rente ao chão e houve explosão muito grande que as casas até tremeram. O cruzeiro balançou, fiquei com muito medo.

Osvandir já passara a ouvir a quinta testemunha, aquela jovem de 15 anos que sofria de problemas nos rins:
– O que você viu?
– Eu falo se você não publicar o meu nome, tá OK?
– Pode falar que o seu nome não vai sair na publicação.
– Eu vi pouca coisa, só um clarão muito grande lá na mata. Vinha aproximando em nossa direção...

Enquanto isso ao lado, no mesmo quarto, Waldemar conversava com a senhora que sofria de diabetes:
– Depois da explosão, que assustou a todos, o que a senhora viu?
– Não pude ver quase nada, apenas uma poeira branca que vinha correndo pelo vento, atingindo todos nós. Parecia com aquela fumaça de vulcão que a gente vê pela TV, mas rente ao chão.

No outro quarto o engenheiro entrevistava a última testemunha, aquele jovem que tinha AIDS:
– Você vinha com os amigos e ai?
– Quando olhei a poeira branca atingiu a todos nós. Eu gritei para que abaixassem e escondesse o rosto.
– Porque esta atitude de esconder o rosto?
– Pensei logo nas guerras, nas bombas...
– Mas não era guerras e nem bomba, era?
– Não! Quando tudo passou, nós começamos a sentir uma dormência na pele, como se tivesse sido queimado pelo sol do meio dia.
– E as outras pessoas da cidade não sofreram nada, porque será?
– Penso que é porque estavam dentro de casa ou mais longe da poeira. Nós estávamos lá embaixo, numa estrada que vai para um povoado.
– Ninguém foi no local da queda do objeto?
– Ficamos com medo...

As entrevistas ficaram por ali, agora a conversa seria com o médico.
Doutor Jacinto contou para todos o que vinha fazendo desde aquele dia:
– Primeiro tomei cuidado com a infecção. As queimaduras, provocadas pelo calor ou radiação, não se sabe ao certo, provoca lesões na pele como ainda podem observar nos pacientes. Causam dores fortes incomodando-os. A dor na queimadura é resultante do contato dos filetes nervosos com o ar.
– Doutor, posso chamá-lo apenas de Jacinto? O que provocou estas queimaduras?
– Não se sabe ao certo. Bomba atômica não foi, do contrário isto aqui estaria tudo destruído...
– É verdade! Por que ninguém foi ao local para ver de perto o que era?
– Eu mesmo recomendei a todos que não se aproximassem do local.
– Certo. Amanhã iremos até lá, - disse Osvandir.

Manoel Amaral

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I I I

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo III

Depoimentos


Nenhum dos três acreditavam muito na explosão, pouso de nave ou ufo naquela região, mas foram lá verificar os fatos. Desta vez o engenheiro resolveu acompanhá-los.

No caminho encontraram o médico Jacinto que veio lá do Rio de Janeiro.
– Como vai Doutor? Já fui apresentado ao Senhor lá na pousada – disse Osvandir.
– Você é o ufólogo lá de Minas? O que veio pesquisar aqui?
– Vim com o Waldemar para dar uma olhada, mas o que está me interessando mesmo é o caso da explosão...
– Escolheu a pessoa certa, eu sou quem foi designado para cuidar dos enfermos...
– Enfermos? Quem está doente por aqui. Casos de dengue hemorrágica?
– Não amigo, eu sou especialista em queimaduras, estou ajudando as enfermeiras num caso muito estranho acontecido por aqui. Não sei bem da história, vocês deverão entrevistar melhor as testemunhas.
– Mas será que é o mesmo caso que viemos pesquisar?
– A cidade é pequena, tem cerca de 25.000 habitantes, poucas ruas, logo vamos saber... – disse o médico.

O engenheiro Juvêncio que até aquele momento mantinha-se calado resolveu entrar na conversa:
– Será o caso dos fins de outubro?
– Pode ser – respondeu o médico.

Seguiram para o pequeno posto de saúde no final do quarteirão. Ali entre vários enfermos tinha sete pessoas que há 20 dias permaneciam internados. Tiveram que arrumar camas com os vizinhos, devido a precariedade do local.

Waldemar e Osvandir entraram primeiro, a enfermeira quis barrá-los, mas o médico disse que poderia deixar os dois entrar. Os quartos estavam isolados, com visitas proibidas.

Para piorar a situação um surto de catapora e meningite atacou a região.

Os que estavam internados eram:
O primeiro paciente, uma mulher de 40 anos, tinha câncer.
O segundo, uma mulher, 35 anos, era estéril.
O terceiro caso era mais simples, problemas na arcada dentária, um senhor, setenta anos de idade.
O quarto sofria de tuberculose.
O quinto, uma jovem de 15 anos, tinha problemas nos rins.
O sexto, uma mulher de 45 anos, com diabetes;
O sétimo, um jovem de 25 anos, com AIDS.
Todos os casos comprovados através de tratamentos anteriores, laudos médicos, exames de sangue, chapas de raio X, etc.

Waldemar e Osvandir tiveram o cuidado de resguardar os nomes verdadeiros de todos eles.

O primeiro a ser entrevistado por Osvandir foi a paciente com câncer:
– A senhora tinha câncer há muito tempo?
– Sim! Tudo comprovado por laudo médico, eu ia fazer tratamento em Belém, sempre. Olha meus cabelos, agora que estão renascendo.
– A Senhora estava junto com os outros seis, no final da rua, naquele dia?
– Sim moço, a coisa foi feia num certo sentido, mas por outro lado os benefícios...
– Benefícios? Que aconteceu depois? Estou ficando curioso.
– Eu e meus amigos, estávamos nos dirigindo para rezar o terço de domingo, na casa de um colega nosso, justamente pedindo graças.
– Desejo saber como foi e o que você viu, naquele dia 31 de outubro.
– Olha, veio um objeto descendo do espaço, fazendo caracol, parece que alguma coisa não ia bem com ele...

Do outro lado do quarto, Waldemar entrevistava a mulher de 35 anos, que não tinha filhos:
– O que foi que a Senhora viu, naquele domingo?
– Eu vinha junto com a minha companheira de quarto, descendo a rua e ela alertou-me para um objeto que vinha descendo em espiral, um barulho bem esquisito, parecia grande...

No outro quarto o engenheiro Juvêncio falava com aquele senhor de idade avançada, com problemas na arcada dentária.
– E aí, como foi que tudo aconteceu?
– “Nois” vinha vindo lá da rua de cima, todo mundo junto, “conversano”, até que alguém chamou a atenção para o céu. Uma coisa vinha caindo e deixando uma fumaça branca para trás, lá para o lado dos Campos de Tauá

Manoel Amaral

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I I

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo II

APARICÕES

Os três seguiram por aquelas estradas, e cada qual com um pensamento diferente. Uma chuva fina refrescou a temperatura que estava muito alta. Um vapor subiu da terra atingindo as nuvens.

Aquele dia estava prometendo muitas novidades. Pararam num posto, tomaram um suco de açaí, comeram peixe frito. Osvandir preferiu tomar um suco de cupuaçu e comer pastéis.

O calor daquele dia estava insuportável e o sol de “rachar mamona”. Juvêncio, assim que chegou, procurou os seus amigos, Osvandir seguiu para uma pousada com Waldemar, o escritor.

Lá mesmo, andou perguntando se alguém tinha alguma informação sobre os estranhos fenômenos que apareceram nos fins de outubro.

Senhor Antônio, muito prestativo, levou os dois até um casal que tinha passado por maus momentos com os objetos aéreos muito estranhos.

– O que foi que vocês viram? – perguntou Waldemar.
– Primeiro a TV saiu do ar, era apenas chuvisco na tela, os cachorros começaram a latir. Fui lá fora ver o que se passava. Eu e minha esposa vimos dois objetos esquisitos girando no ar. Iam e voltavam, como se fossem folhas secas caindo das árvores. Um deu a volta em torno da casa, passou pelo quintal. Depois sumiram lá pelos lados da piçarreira.

Waldemar perguntou se faziam barulho e eles responderam que não, apenas tinham muitas luzes girando.

O segundo quem entrevistou foi Osvandir:
– O que mesmo que o senhor viu?
– Olha moço, eu fiquei com um medo danado, porque sou da geração que assistiu os ataques da época da “Operação Prato”, na década de setenta. Os dois objetos vinham com uma espécie de farol muito forte e de luz muito branca, cegando todo mundo.
– Mas não poderia ser um helicóptero? Um avião? Um balão?
– Estas máquinas humanas que o senhor citou não fazem o que aquele misterioso objeto fazia. Ele subia, descia, seguia em linha reta, ia até a altura das copas das árvores e depois sumia...
– Fazia algum tipo de barulho? Fumaça? Cheiro forte?
– Não fazia barulho algum, nem soltava fumaça, a não ser um zumbido que punha os animais a latir, berrar e galo cantando fora de hora. Depois sumiam lá para os lados de Campos de Tauá.

Os dois, satisfeitos, foram para a Pousada. Lá chegando encontraram o Juvêncio fazendo suas anotações. Aí Osvandir perguntou:
– O que é piçarreira, Dr. Juvêncio?
– Você não sabe? Aqui isso é muito comum, é um nome que dão as grandes jazidas de piçarra (rocha). Vem das rochas de argila que se encontram em grande quantidade no subsolo do município.
– Na entrevista com um casal, eles citaram esta palavra.
– Você vai encontrar muitas palavras diferentes por aqui, eu já estou acostumado, já fiz até um mini-dicionário para esta região.
– Amanhã eu e o Waldemar vamos visitar algumas pessoas que afirmam que houve a explosão de uma nave lá para o lado daquelas grotas.

O resto do dia foi só conversa fiada: o Waldemar defendendo os seus livros, Osvandir com as suas teorias e Juvêncio só digitando em seu note book.

A noite não foi das melhores, os pernilongos ou muriçocas atacavam sem dó nem piedade. Os repelentes não funcionavam, as janelas tinham que ficar abertas por causa do calor, o que facilitava a entrada daqueles abomináveis insetos.

Levantaram revigorados, tomaram um banho frio e foram para o café da manhã.

Manoel Amaral

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL


Capítulo I
Mistério no céu do Tauá

Ao abrir o jornal eletrônico Diário do Pará, de vários dias atrás, notou as seguintes manchetes:

Aparição de ÓVNIS assusta quatro comunidades
Ufólogos visitam Tauá para investigar ÓVNIS
Ufos em Santo Antônio do Tauá
Mistério no céu do Tauá

Pegou o primeiro avião para Belém, solicitou uma reserva no seu hotel preferido, através da internet. Procurou ler uma revista, um livro, nada estava bom. Parecia muito preocupado. Queria chegar mais rápido possível. Mas a viagem era longa, muitos quilômetros a serem vencidos sobre a floresta.

O seu colega ao lado, falava muito e repetia que entre Mato Grosso e Amazonas tinha um ponto onde os aviões caíam com mais freqüência. Ninguém sabia por quê. Era uma espécie de Triângulo das Bermudas, no meio da floresta.

Aquela conversa não agradou ao Osvandir que queria dormir, mas não conseguia. Resolveu então bater um papo com o colega. Apresentou-se:
– Meu nome é Osvandir, sou ufólogo, trabalho em pesquisas de fenômenos estranhos...

O cidadão ficou tão empolgado que foi logo interrompendo:
– Sou Juvêncio, engenheiro de minas, vou para Santo Antônio de Tauá, Pará.
– Mas que coincidência amigo, eu também vou para lá.
– O que pretende estudar naquele fim de mundo, Osvandir?

Naquele instante Osvandir sacou de sua maleta o seu note book e mostrou as manchetes nos jornais eletrônicos de Belém.
– Havia esquecido, você está atrás dos Ufos.
– Não! Procuro um fenômeno maior por trás disso tudo...
– Como assim; não entendi?
– Você talvez possa ajudar-me. Fiquei sabendo que no Norte do Estado do Pará existe uma ocorrência muito grande de vários minerais valiosos.
– É verdade, naquela região tem ouro, manganês, alumínio e cobre (associado a molibdênio, prata e ouro) e urânio.
– Você vai direto para Santo Antônio assim que chegar a Belém?
– Não, devo entrar em contato com a empresa onde trabalho. Irei no dia seguinte.
– Então está combinado. Iremos juntos. É até bom, nesse meio tempo visito uns amigos de Belém.
– Tudo combinado então. Olha só, já estamos chegando. Em qual hotel você está?
– No Plaza, procure-me que vou deixar recado na portaria.

Osvandir saiu do aeroporto direto para o hotel. Não teve tempo nem de subir para o quarto e encontrou um amigo.
– O que fazes por estas bandas, Osvandir?
– A procura dos fenômenos...

Foram almoçar juntos, era o seu amigo Waldemar de Souza, escritor de vários livros sobre ufologia. Ele estava ali para recolher dados de várias testemunhas sobre avistamento recente, para seu novo livro.

Osvandir falou que ia para Santo Antônio na manhã seguinte.
– Que coincidência eu também vou para aquele local, então poderemos ir juntos.

– De Belém até lá tem cerca de 60 km, passando pela Rodovia Federal BR-316 e pela Estadual PA-140, num bom carro gastaremos mais ou menos uma hora de viagem – disse Osvandir.
– Poderemos fretar só um carro e dividir as despesas.
– Vou ter que esperar um outro amigo que também vai pra lá, um tal de Juvêncio, engenheiro de minas, que trabalha para uma multinacional – disse Osvandir.

Manoel Amaral

Leia a continuação:

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_25.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_26.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_27.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_28.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_29.html

domingo, 21 de novembro de 2010

OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA

OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA


“Essa doença incapacita e mata”
(Dr. Osmandir, Tio do Osvandir)


O Tio do Osvandir havia muito tempo precisava fazer um check up. É que ele estava levantando a noite para urinar, bebendo muita água e ficava sempre com muita fome, fora do horário das refeições.

Fora isso tudo ainda perdera alguns quilos e ficava num cansaço, que imaginava ser dengue. Algumas feridinhas de seu braço estavam demorando muito a cicatrizar.No mês passado teve uma infecção urinária que foi difícil controlar, só terminou a custa de muito antibiótico e anti-inflamatório.

Quando estava escrevendo seus textos no computador, sentia uma dormência nas mãos e pés, visão embaçada. Era como se fosse um formigamento.

Pensou com ele mesmo: -- deve ser a posição, a postura na cadeira. Foi até a loja mais próxima e comprou uma boa cadeira para uso na sala de computação. Qual o quê, tudo continuou na mesma!

Não tinha escapatória, ligou para seu médico, clínico geral e marcou consulta para o fim de semana.

Os dias se passaram rapidamente e na sexta-feira a secretária ligou informando que havia um horário vago mais cedo, perguntou se havia interesse em fazer a consulta na parte da manhã. Meu Tio que sempre gostou de se livrar do médico o mais rápido possível, confirmou o horário.

Às dez horas pegou o carro na garagem, ao abrir a porta do veículo sentiu uma dor aguda do lado esquerdo do peito. Apressou a saída, desceu a rua de sua residência, pegou a via principal e foi para o centro.Na clínica várias pessoas conversando sobre doenças.

Até que uma velhinha falou sobre o seu marido:
-- Ele andava meio triste, emagreceu muito, com a boca seca, visão embaçada e ia ao banheiro toda hora.

O meu Tio ficou ali escutando e conferindo com os seus sintomas. Começou a ficar preocupado.
E a anciã continuava:
-- Zezito, foi ao médico e ficou constatado...

Neste momento a secretária chamou-o para consulta, de maneira que não ficou sabendo o final da conversa das duas comadres.
Antes de sentar-se naquela cadeira macia e confortável da sala, o médico cumprimentou-o e perguntou-lhe como estava passando: -- Como vai o Senhor?
-- Vou vivendo...
-- Então vamos aos exames, o que está sentindo ultimamente?
-- Estou muito sonolento, boca seca, bebo muita água, dor nas mãos e pés, quero comer a toda hora e a noite levanto para urinar várias vezes.
-- Meu amigo, nem precisa falar mais, vou solicitar alguns exames e cuide de voltar o quanto antes ao meu consultório.
-- Sim doutor, vou voltar o mais rápido possível.

Osmandir, o tio do Osvandir, saiu dali com várias interrogações na cabeça. Foi para casa e nem quis trabalhar mais naquele dia. Ficou remoendo as macacoas.

No outro dia foi logo levantando bem cedinho e se dirigindo ao laboratório de análises mais próximo de sua casa.

Muito bem acolhido na chegada, mas esquecera de recolher a urina em casa. Deveria entregar outro dia.

A gentil secretária informou que poderia buscar os resultados na sexta-feira de manhã. Assim sendo aproveitou para marcar com o Dr. Salomão, naquele dia mesmo.

Passou a semana toda observando a si mesmo e aqueles sintomas eram reais. Estava mesmo perdendo peso, comendo muito, boca seca e querendo água. Mãos e pés então? Pioraram, estavam mais inchados.

Chegando à sexta-feira, foi ao centro da cidade três vezes, para o tempo passar mais depressa. Encontrou seus velhos amigos, mas com o mesmo papo de sempre: falando mal das eleições, da aposentadoria e do governo federal.
Chegou a sexta-feira, sol brilhante no céu, de repente uma chuvinha fraquinha só para apagar a poeira do asfalto. Almoçou menos, viu as notícias na TV e seguiu para o consultório.

As mesmas velhinhas faladeiras estavam lá. Não deu muito ouvido, ficou do lado de fora observando o grande movimento de veículos nas ruas. Perguntou a alguém a razão daquilo e foi informado que naquele dia haveria uma grande festa na cidade.
Chegou o momento de seu encontro com o médico. Estava tremendo, parecendo que ia receber uma péssima notícia.
Com os resultados de exame na mão entrou na sala.
-- E aí “Seo” Osmandir? Deu tudo certo?
-- Foi fácil, consegui os resultados para hoje e aqui estou.
-- Vamos ver... É amigo, a glicose está alta, também o colesterol.
-- Mas doutor, isso é coisa grave?
-- “Se não houver controle pode levar a pessoa a um processo de envelhecimento rápido, com falência de órgãos importantes como os rins, olhos, cérebro. O excesso de glicose na circulação provoca lesão de pequenos vasos sanguíneos que pode ocorrer em qualquer órgão do corpo.”
-- Como vou fazer para controlar isso tudo?
-- Tomando a medicação correta, fazendo a dieta que vou passar-lhe, não coma açúcares, doces. Consuma bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e faça, todos os dias, uma caminhada, de preferência à tarde.
-- Mas que doença é essa doutor?

-- Você tem diabetes.
Manoel Amaral

sábado, 20 de novembro de 2010

A QUADRILHA

A QUADRILHA

Capítulo III

A PROIBIÇÃO


Uma Liminar concedida pela Justiça Federal daquele país, proibia a publicação de qualquer reportagem sobre a Quadrilha.

Mais nada foi dito e nem publicado, para cumprir a ordem judicial.

Mediante esta proibição Osvandir ia ser preso e enviado para presídio desconhecido; como estava escondido no Convento da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Ordo Fratrum minorum Cappucinorum) fugiu usando aquelas roupas de frade, com documentos falsos.

Osvandir veio para seu país que adora tanto.

Manoel Amaral
A QUADRILHA
Capítulo II

A ORGANIZAÇÃO



Conforme aprofundava nas pesquisas, mais e mais tomava conhecimento que a organização era muito maior do que se imaginava.

Tinha vários aviões só para o transporte de drogas, colocavam o material nas asas e em todo corpo do aparelho. Depois carretas seguiam via rodoviária, quando chegavam as cidades, passavam para vários carros até o distribuidor final.

Na área dos combustíveis atuava na produção e distribuição da gasolina, diesel e etanol, os proprietários de postos eram obrigados a assinar contrato para recebimento de produtos “batizados”, isto é, com mistura.

Até nos produtos farmacêuticos: fabricavam, distribuíam e roubavam carga para revender.

Na produção e manufaturamento dos alimentos, apenas duas multinacionais é que mandavam. Todas as empresas pequenas foram adquiridas por elas.

Os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário já estavam contaminados. Todos os dias as TVs anunciavam prisão de Vereadores, Deputados, Governadores, Advogados, Juizes; envolvidos com o grupo, mas aquilo era de uma importância mínima; queima de arquivo.

A TV também estava dominada, só divulgavam notícias que indiretamente contribuíam para o crescimento e fortalecimento da Organização.

Quando uma pessoa do grupo caía, já havia dois ou três treinados para ocupar o seu lugar.

A Organização era estratificada e cada grupo atuava num determinado setor, sem conhecimento de que os outros grupos faziam.

No futebol, há muito tempo manipulado, trabalhavam para forjar resultados dos jogos; juizes, jogadores e as equipes eram todos comprados. As loterias seguiam da mesma maneira.

Os melhores cargos da nação eram vendidos pela organização que sabia muito bem burlar os concursos públicos. O nepotismo também imperava naquele país.

As empreiteiras e construtoras tinham mais de um nome registrados na Junta Comercial e concorriam com todos eles, fraudulentamente, numa licitação que já nascia marcada, todos sabiam quem ia vencer.

No Congresso possuíam mais de 50% de Deputados eleitos através de suas doações partidárias.

Naquele país a corrupção era tanta, que para um processo administrativo “andar”, era necessário um “amaciante” em dólares.

Nas maiores cidades tinham a coleta de lixo transportado apenas por uma empresa ligada ao grupo.

Na política aconteciam coisas que ninguém mais acreditava. Tanto dinheiro girando, passando de mão-em-mão e o pobre passando fome. Quem conseguia ganhar eleição ficava milionário. CPIs que não chegavam a nada.

Criaram vários tipos de cotas que na realidade não adiantavam nada, só colocavam os menos favorecidos, sob o domínio eleitoral e financeiro.

Uma das cotas era muito engraçada: Permitia a entrada em faculdades de pessoas de cor branca, com menor classificação que os demais.

Criaram uma lei proibindo de chamar branco de branco, diziam que era discriminação racial. Tinham que usar o termo: Euro-descendente.

No meio daquela profusão de informações, Osvandir resolveu recolher-se aos seus aposentos quando recebeu a notícia que poderia ser preso a qualquer momento. Usando estratégia conhecida da época da 2ª Guerra Mundial, internou-se num Convento.

Manoel Amaral

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A QUADRILHA


Capítulo I

CONEXÃO INTERNACIONAL


Osvandir estava ali naquele restaurante, de um país não tão distante, tomando uma Pepsi, fazendo hora para almoçar, quando ouviu uma conversa muito interessante entre dois jornalistas que estavam preparando matéria para uma revista.

Chegou próximo aos dois, pediu fogo, acendeu um cigarro e sorrateiramente deixou sobre a mesa a sua caneta espiã.

Nesse meio tempo os dois, sem desconfiar de nada, falaram sobre a origem, planos e conexões da Quadrilha. Tudo foi gravado por quase duas horas.

Quando eles estavam acertando a conta, Osvandir foi até a mesa e pegou a sua caneta que estava bem escondida ao lado de um prato.

Pelo que ouviu e anotou, somando ao que estava gravado, o assunto iria dar manchete de primeira página nos jornais ou então capa de revista semanal.

Nem almoçou direito, pagou a conta e seguiu correndo para o carro alugado. Quase bateu numa ambulância que fez ultrapassagem, bem próximo de um sinal. Um carro de coleta de lixo passava do outro lado, por pouco morreria imprensado.

No seu apartamento do Hotel, jogou algumas fotos no notebook e separou o vídeo, colocando-o no Desktop para encontrá-lo facilmente. Ouviu a gravação com mais calma e ficou com os pelos dos braços arrepiados. A coisa era mesmo de assustar a qualquer um.

Se aquilo já vinha sendo planejado há muito tempo, então teríamos o Executivo, Legislativo e o Judiciário, nas mãos dos bandidos.

Resolveu juntar mais material na internet, para confirmar alguns detalhes e ficou completamente abismado. O que eles descobriram era apenas uma pontinha do iceberg. Vamos dizer assim: apenas 10% da realidade. Havia conexão internacional, elementos de vários países participavam dos saques, bem como providenciavam os depósitos em contas no exterior e desaparecimento de bandidos no momento certo.

Com aquele material nas mãos, ficou esperando a publicação para verificar se sairia mais algum detalhe, porém nada foi publicado nos dias seguintes, pelo que ficou sabendo a Quadrilha com todos os informantes que tem no submundo do crime, tomou conhecimento da reportagem antes e pagou uma fortuna aos dois jornalistas para que não publicassem a matéria. Os dois foram convidados a fazer parte do esquema da organização, em trabalho de pesquisas, percebendo uma participação bem melhor. Se aceitaram ninguém sabe. O certo é que não se ouviu mais falar sobre o assunto.

As férias do Osvandir foram prorrogadas por mais alguns dias.

Manoel Amaral

Imagem: Google

sábado, 13 de novembro de 2010

OSVANDIR E A DOBRA DO TEMPO
Marleno Moura


No inicio deste ano, Osvandir recebeu um telefonema do seu amigo Rui, perguntando-lhe se queria aproveitar seu avião para ir até Itumbiara, onde mora seu tio Osmair. Imediatamente aceitou o convite, pois não via seu tio há algum tempo, apenas falara com o mesmo sobre sua visita ao seu filho Zeca. Soube que iria passar no máximo um dia e não precisaria acertar algum negócio imobiliário, pendente.

A data foi marcada e se encontraram no Aeroporto Santa Gênova. Osvandir acompanhou Rui até seu avião, um Cessna – 150, depois que seu amigo comunicou-se com a Torre de Controle e acertaram o plano de vôo.

Rui aguardou a ordem de partida, taxiou, aumentou a velocidade e logo estavam nas alturas. Depois de uns minutos de vôo, o aparelho entrou em uma nuvem cinzenta, que é comum na região. Depois que entrou abriu-se um túnel largo, um vórtice, com relâmpagos como flashes de máquinas fotográficas. Rui olhou para a bússola e viu a “agulha” girar para ambos os lados, aleatoriamente. Ele sentiu o manche muito leve e notou que os flaps não controlavam a altitude do avião.

Osvandir nunca havia imaginado isso, nem Rui. Este manteve o sangue frio, pois só ele sabia conduzir a aeronave.

Osvandir não notou medo na expressão do amigo e por isso também se manteve calmo para ver o que aconteceria. Não passou muito tempo e o avião estava se aproximando de uma cidade, que parecia ser desconhecida por Rui. Este observou que bússola estava normal e que o aparelho estava se dirigindo para o NE. Rui contatou a Torre, perguntou o nome da cidade e pediu para aterrissar. A cidade era Portelândia a leste de Goiânia.

A Torre lhe deu um prazo para aterrissar; O avião deu 4 voltas ao redor do campo, para pousar, uma vez que havia um avião pequeno que estava de partida. Rui obedeceu, diminuiu a velocidade e a altitude. Desceu o trem de aterrissagem e foi pousando levemente no campo, como o faz qualquer falcão apanhando uma presa. .

Rui perguntou as horas à Torre e esta respondeu que eram 8:00 h. Rui tomou um susto, bateu com seu dedo indicador no vidro do relógio e notou que eles gastaram apenas 3 minutos de Goiânia para esta cidade, distante mais de 200 km. Nada entendeu e comunicou o fato a Osvandir, que ficou ainda mais embasbacado, examinando, também seu relógio, disse:
- Pare, ou estamos ficando loucos ou nossos relógios estão malucos. Mas logo os dois?
- E melhor não informar nada ao Controlador, pois ele não vai acreditar e colocar a culpa nos nossos relógios e na bússola do avião, disse Osvandir, procurado a anuência do amigo.
- Você tem razão. Eu ia para o sul e estou a leste. Agora tenho que seguir vôo para Itumbiara; novamente..
- De avião eu não vou mais. Vou alugar um carro na cidade e seguir para Goiânia. Depois eu pago alguém para retornar com o carro para cá. É mais caro que passagem de avião, mas não há outro jeito. Assim sendo, boa viagem para você e dê um forte abraço no meu tio. Não lhe conte o que aconteceu. Ela não irá acreditar, nem ninguém. Façamos de conta que isto não aconteceu. Não contarei nem a meu amigo Pepe Chaves. Ele diria que isso é fruto da minha ufologia maluca.

Abraçaram-se; Rui entrou em contato com a Torre pedindo permissão para o vôo. Logo depois viu o avião de Rui subir ao céu.

Osvandir tomou um táxi e foi a uma agência de aluguel de carros. Alugou uma Peugeot 1.4 para não gastar muita gasolina.

Entrou na rodovia GO-153, andou poucos minutos e seus olhos começaram a fechar com maior freqüência.

Abriu os olhos e estava na rodovia para Abadia de Goiânia, na entrada ao sudoeste da Capital. Achou que gastara pouco tempo, pois saíra da agência de automóveis de Portelândia às 09h28min , conforme anotação da gerência do estabelecimento. Seu relógio marcava 09h44min. Ele calculou que deve ter gasto uns 10 minutos para entrar na rodovia BR-060, rumo a Jataí para chegar à Capital, distante uns 200 km. Andou uns 5 minutos na estrada até ficar com sono. Então gastou uns 4 minutos para a entrada pelo sudoeste de Goiânia. Seu carro estava estacionado no acostamento da rodovia BR-060, na região da Abadia de Goiânia.

Pela segunda vez em um dia, sua mente perdeu senso de tempo-espaço.
Daria para explicar para alguém? Ninguém creditaria nele, nem o Pepe que entende de quase tudo o que é ufólogo. Ele achou que não percorreu nem 10 km.

Foi para seu apartamento, telefonou para a agência aonde havia alugado o carro e pediu para mandarem buscá-lo, pois ele pagaria toda a despesa, todos os custos.

Tentou dormir pensar em qualquer coisa, mas não pôde. Foi para o computador e pesquisou sobre “dobra do espaço” e “buraco de verme”. Só queria uma resposta lógica, mas não havia nenhuma. Ele não iria consultar ao Pepe para ele não lhe perguntar nada.

Ele achou que para melhor entender era necessário escrever suas suposições. E começou a pensar.
“- o avião do Rui foi sugado pelo túnel do tempo, seja ele qual for;
- seu automóvel deve ter sofrido levitação, pois ele não tem velocidade ultrassônica para percorrer uns 200 km em uns 4 minutos;
- algum extra-terrestre estava brincando comigo.”

Osvandir foi deitar já pela madrugada, procurando explicações. Finalmente adormeceu e com nada sonhou, pois tudo acontecera com muita rapidez. Ele só tinha medo de ser levado para a Sibéria, para o Arquipélago Gulag, por alguma espiã russa, loura.
(*) Moura é um de nossos colaboradores

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

OSVANDIR E O HALLOWEEN



Raloim para nós aqui do Brasil é o mesmo que “Dia das Bruxas”. Em Inglês o nome veio de “All hallow’s eve”, que significa a “véspera de todos os santos”.

É comemorado em 31 de outubro, mas não é como nos Estados Unidos. Aqui é tudo diferente.

Foi numa destas festas que o Osvandir ficou conhecendo uma infinidade de criaturas.
O Negrinho do Pastoreio veio montado no seu alazão. Já o Caipora (ou Caapora) chegou montado em um porco selvagem. A Cuca, com aquele bocão de jacaré, veio pelas águas poluídas do rio.

O Boitatá, a Cobra de Fogo, fez um risco no céu e desceu velozmente para perto de todos. O Boto que não é bobo nem nada, chegou assim disfarçado de homem bonito, de causar inveja a todos.

O Curupira, aquele anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás, atravessou a mata, num minuto. Mãe-D'água, a nossa a sereia, ou a Yara, do Rio Amazonas veio parar no meio da Festa.

Lobisomem também apareceu fantasiado de homem, para partir os corações das donzelas e mais tarde transformar-se em lobo selvagem.

Corpo-seco, este tipo de assombração, deixou de assustar nas estradas e fazer coisas ruins, também veio.

A Pisadeira, uma velha de chinelos, parou de atormentar as pessoas de madrugada e resolveu se divertir um pouco.

Mula-sem-cabeça, que aparece de quinta para sexta-feira, resolveu vir no domingo, galopando pela estrada, sem parar, soltando fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro, uma bola de fogo, parou de indicar jazidas de ouro e desceu no meio da festa para conhecer os novos amigos. Veio em forma de uma mulher bonita para atrair homens casados.

Saci-Pererê, chegou num rodamoinho. Com o seu cachimbo e com um gorro vermelho, dando gargalhadas.

O Unhudo veio lá de São Paulo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. De meter medo, mas ficaram com mais medo ainda quando ele pegou o Osvandir e deu-lhe um soco na sua cara e ele foi parar lá do outro lado do rio.

Quando a festa já ia começar, todos olharam para o céu e uma figura esquisita apareceu; era uma bruxa americana, montada em sua vassoura carregando abóboras, maçãs e velas.

Para completar a festa apareceram os morcegos e um gato preto, muitos ligados à bruxa.

A festa estava “bombando”, todos muito alegres, cada um com a sua fantasia. O som era dos melhores, aquele batidão tudo misturado: Rock, Pop, Funk, Axé e até Sertanejo Universitário. O som mais cavernoso chegou pouco depois.

O Boto foi chamando logo a Yara para dançar, enquanto o moço lobisomem, olhou para a lua cheia e soltou um urro daqueles, Pererê que havia assentado para descansar, caiu para trás.

A Mãe-do-Ouro juntou-se com o Boitatá, que também vive no espaço e foram dar os seus vôos rasantes por ali.

Corpo Seco pegou a Pisadeira e saíram dançando pelo salão. A Mula-sem-cabeça, pisou no rabo da Cuca e foi aquela confusão.

O Negrinho do Pastoreio, o Saci, o Caipora e o Curupira foram fumar cachimbo na beira do fogo e todos de olho na mata.

Quando a animação estava muito grande surgiu para o lado do cemitério a Mulher de Branco, a de Preto, a da Mala e outras nada recomendáveis para aquele tipo de festa.
O burburinho foi geral, cada um saiu para o seu lado. O Negrinho do Pastoreio pegou o seu alazão e sumiu dali. Saci Pererê desapareceu num abrir e fechar de olhos. A Cuca, a Mãe-D’água, o Boto e outros colegas caíram na água do rio e sumiram.

Mãe-do-Ouro e Boitatá que já estavam juntos fizeram um sinal de coração no espaço e ninguém mais os viu.

O Corpo Seco, o Curupira e o Caipora se embrenharam na mata mais próxima. A Pisadeira tentava acompanhá-lo, mas sentiu mal e ficou parada perto de uma cruz, na encruzilhada.

Para fugir dali, o mais rápido possível, a Bruxa Americana acionou a sua vassoura, falou a palavra mágica, mas esta não funcionou, foi verificar e notou que alguém trocara a sua por uma feita de garrafa pet. Era o faxineiro que passara por ali e encontrara aquela vassoura de piaçava tão boa e levara para o seu serviço noturno.

Sobrou o Unhudo e o Lobisomem para enfrentá-las. O som foi desligado e só se ouvia o seu urro.

Unhudo deu um soco na Mulher da Mala que ela foi parar no cemitério. A Mulher de Branco queria beijar o Lobisomem, ele usou suas enormes garras e jogou-a a um km de distância. Quanto à mulher de Preto, que foi sua antiga namorada, pegou-a pela mão e saíram pela estrada afora.

Osvandir que estava escondido atrás de uma moita, achou tudo uma coisa do outro mundo.

Manoel Amaral e Mão Seca
31/10/2010