terça-feira, 26 de outubro de 2010

OSVANDIR E A COBRA GRANDE

Capítulo II
O CÃO DO INFERNO

Ao correrem apavorados, Zeca puxou o crucifixo grande, de madeira, que estava pendurado no seu pescoço por um pedaço de cordão de algodão. Lançou-o no chão. Ambos continuaram correndo, mas o cão estacionou diante do crucifixo. Depois de uns 5 minutos de corrida chegaram ofegantes, à casa do Zeca

Zeca ao entrar na casa mandou Zilda fechar todas as portas e não perguntar nada.

Ambos não conseguiram dormir e ficaram conversando na varanda.
- Só corri porque você correu, - disse Osvandir, muito sério.
- Também corri porque você correu! - Respondeu Zeca.

Ambos riram bastante.
- Se fosse um cachorro doido eu o teria abatido com a alavanca! Mas era o cachorro do demônio! - Disse Osvandir, como um desabafo.
- Pra mim tanto faz um como o outro eu não teria coragem para tanto! O crucifixo ajudou um pouco. O danado parou.
- Que isto fique entre nós dois! - Disse Osvandir, desejando uma confidência e cumplicidade.
- É claro! Disse Zeca, também tive muito medo!
- Então estamos de acordo.

Osvandir comprou passagem em um navio de pequeno porte que aportou no trapiche da fazenda do Zeca; para receber também um carregamento de pirarucu. Despediu-se de Zeca com um forte abraço e gargalhadas. Zilda não sabia do que se tratava. Ficou séria, apenas olhando para ambos. Já eram 17h30min. Osvandir se despediu da família. Iria contar a história um pouco de frente com pai do Zeca, a seu tio Osmair.

Entrou no pequeno navio branco. Colocou sua maleta à sua frente e sentou-se no primeiro banco comprido que comportava uns 5 passageiros sentados lado a lado.

Ao passarem pelo lado esquerdo do rio Manacapuru, em direção ao rio Solimões, na frente da ilha de Monte Cristo a proa do barco chocou-se com algo sólido e volumoso. Osvandir foi lançado para frente, no convés, batendo a cabeça em uma caixa de papelão cheia de algo macio.

Várias pessoas forram jogadas para frente e alguns se feriram na cabeça e em outras partes do corpo.

Do convés superior do navio Osvandir ouviu um clamor do operador de rádio pedindo socorro de Manacapuru, onde havia várias embarcações, por ser um entreposto de pesca bastante concorrido. O pequeno navio foi adernando pela proa. Muitos passageiros sabiam nadar. Nadavam para a margem, mas a correnteza os levava para o rio Solimões.

Osvandir ouviu o operador comentando que um tronco comprido, muito grosso e sinuoso atravessava o rio em direção à ilha. Enquanto o barco mergulhava de proa para dentro do rio escuro, embarcações e vários tipos e tamanhos vieram se aproximando para apanhar os náufragos. Osvandir nadava de lado segurado a maleta com mão esquerda. Era muito cansativo e muito pouco era o avanço para a margem do rio. Uma canoa passou perto dele e duas mãos seguraram o braço esquerdo que estava fora da água, outra foi pegando a maleta. Logo que ele começou a ser suspenso outras mãos segurando sua camisa e cintura, o puxaram para dentro da canoa.
-Você está bem? - Alguém perguntou.
- Estou salvo graças a vocês, - respondeu sorrindo agradecido.
Os navegantes da canoa grande recolheram outros náufragos.

Autor: Moura

Um comentário:

  1. Uma aventura desta, que eu queria viver. Acho que vou fazer parceria com o Osvandir.
    Osvandir é sinônimo de aventura. rsrsrsr
    Muito legal esta aventura.
    Lendo, a gente "entra" na história e se coloca no lugar do Osvandir.
    Abraços

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