quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O REINO DA ROUBOLÂNDIA


“Caixa de Pandora: Na mitologia era uma caixa de segredos,
ninguém poderia abri-la, mas em Roubolândia, este Reino podre,
com cheiro de arruda, todo mundo metia a mão na caixa de Pandora.”
(Deputado da Oposição)

Era uma vez, num reino muito próximo, onde mandava um reizinho com nome de planta fedorenta... Alecrim.

Ele queria tudo para si. Não contentava com pouco. Tinha que ser muito dinheiro, pacotes e mais pacotes. Gostava de receber todo mês, aí criou o mensalão.

As empreiteiras, construtoras, fornecedoras tinham que ter altos lucros em seus contratos, obras e mercadorias pois no fim do mês tinham que dividir com aquele rei careca.

Quando o dinheiro não cabia nos bolsos, punham na cueca e meias. Naquele reino alguém teve a idéia de montar uma pequena fábrica de cuecas e meias grandes, que era para caber mais dinheiro. Foi um sucesso, mas no fim do mês tinha que dividir os lucros com o rei.

Acontece que nada neste mundo muito fica escondido. Um fotógrafo, (não tinham inventado a filmadora) dos bons, ficou por trás das cortinas e foi fotografando tudo.

Um dia era a empreiteira, outro a construtora e no final os fornecedores. Cada um com vários pacotes de notas nas mãos, bendizendo aquelas gordas licitações fraudulentas. Até rezavam na hora da distribuição das rendas.

Tudo que aquele reizinho careca fazia era para encher os bolsos. Não importava se o povo passava fome.

Mas sempre existe alguém querendo tomar o trono nestes reinados corruptos. Alguém armou tudo e pagou altas somas para aquele fotógrafo, pregou aquelas fotos nas árvores e muros do castelo do Reino de Roubolândia.

Foi um escândalo danado. Os partidos ficaram todos arrepiados. Ninguém queria ficar perto para não receber respingos da lama escura da corrupção.

Mas algum tempo ainda se passou até que tiveram notícias que outro mensalão aconteceu há muito tempo em outro Reino das Gerais e só agora estava sendo julgado.

Alecrim, aquele rei sacana, que só queria dinheiro de todos, não largava o osso de jeito nenhum, não saía da carniça. Pior que urubu, só sai do local quando não existe mais nada para devorar.

O seu partido de sustentação no poder, o SEM, queria expulsá-lo. Expulsar não é solução. Deveriam prendê-lo e manda-lo devolver todo dinheiro roubado daquele reino para o erário público e aplicá-lo em saúde, educação, construção de estradas e tantas obras de que estavam precisando.

O partido das Araras, estava uma arara, nervoso como ele só, queria mandar prender todo mundo. O partido do Anu Preto queria ver todo mundo de luto. Já o do Pica-Pau mandava a população ajudar nas investigações.

A história política daquele reinado era muito rica em escândalos, o rei anterior também já havia metido a mão na cumbuca. Foi flagrado ordenando a partilha de vários milhões por um empresário.

Agora com este “Esquema do Panetone”, logo em vésperas de Natal, é muita sacanagem com o povo.

Querem o impeachment do Rei Alecrim e no lugar dele pretendem colocar um empreiteiro muito rico e poderoso que assim ele não precisa se envolver com esta turma do trambique. Mas em outros tempos ele já foi flagrado enfiando maços de dinheiro na meia.
Com “a corrupção e a falta de compostura deixaram a maioria dos candidatos ao reinado sem condição moral de pleitear um cargo. Com tantos escândalos, Roubolândia acabou se transformando em um ícone da política degenerada.”

”Tantos problemas colocam aquele Distrito na vergonhosa condição de campeão nacional da bandalheira política, além das incertezas decorrentes da complicada linha sucessória neste momento. Ainda assim, a falta de ética não é privilegio da política de Roubolândia e quem sobrou não tem condição moral para trazer a ética aos palanques nas próximas eleições”
Alguns partidos, em pânico, queriam fechar a Caixa de Pandora, mas não adiantava mais nada, todos os males haviam saído, só restando a esperança.

Esperança de dias melhores.

MANOEL AMARAL - Dez.2009

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