quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O beijo de língua do til, na portuguesa

Ou o beijo do til e a língua portuguesa


A Sátira e a Paródia, sarcásticas, saíram juntas com o Humor Negro, que agora havia mudado de nome para Humor Afro-Descendente, por questões raciais; estavam em festa de estranhos.

O C saiu abraçado com a , (cedilha), fazendo a maior festa.

O Q estava encostado no muro parecendo um gato perdido na noite, a procura de sua gata.

Os estrangeiros K, W e Y estavam querendo entrar de penetra na festa. Alguém até gritou:
__ Pegue este aí do meio, que parece uma âncora de navio inglês e fica querendo botar banca por aqui, ora!
O Y pegou o (travessão) e partiu para cima do _ (underline). Se não fosse a intervenção do K a coisa tinha ficado feia.

A ? (interrogação), com aquela mão de Capitão Gancho, saiu interrogando todo mundo, queria saber onde estava a ! (exclamação), que não parava de dar saltos e ficar com a cabeça para baixo.

A @ (arroba) juntou-se com $ (cifrão) e foram tomar uma cerveja no bar do % (por cento).

Nesse meio tempo chegou o ¨ (trema) e reclamou para os : (dois pontos) que ninguém queria sair com ele, estava abandonado.

O + pensando melhor resolveu se juntar ao = para promover a união entre as pessoas.

Quando * (asterístico) apareceu, o & (tironiano) ficou impressionado com tanta beleza.

Os ( ) (parênteses) que não tinham mais parentes por ali, aproveitaram para fazer a maior farra.

As { } (chaves) e os [ ] (colchetes) largaram a matemática num canto e foram namorar num lugar mais escuro.

O § (parágrafo) e Item perguntaram para a / (barra) como estava a barra, esta respondeu que ia tudo bem.

A ... (reticência), toda inocente, ficava no escurinho cochichando com o etc.

O ~ falou para o “a” e o “o” que poderiam perder a esperança que ele não iria mais ficar em cima deles. Sabendo desta decisão, o ^ também disse ao “e” e ao “o” que não iria posar de chapéu só para embelezá-los.

O . falou para “,” sair de baixo, não formariam mais o ;.

Ele o # (sustenido, mais conhecido por cardinal ou popularmente por joguinho da velha) não era um bom músico, por isso o ´ (agudo) e o (grave) disseram que não poderiam sair juntos, foi apenas uma desculpa, eles havia arranjado duas garotas, as “” (aspas).

As bebidas foram diminuindo, os ânimos crescendo e novamente o K, o W e o Y apareceram para arranjar confusão. Queriam entrar de qualquer jeito.

Quando tudo parecia perdido chegou um baixinho, preto e redondinho e resolveu a situação. Apagou as luzes e mandou todo mundo ir embora. Era o valente ponto final.
Foi aí que Osvandir percebeu que havia cochilado em cima do teclado do computador.

Manoel Amaral :)

3 comentários:

  1. Esta estória ficou muito legal.
    Só mesmo o osvandir para ter um sonho destes.
    Abraços
    Thy

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  2. Legal, Manoel. Gostei bastante, muito criativo e divertido seu texto. Agradeço seu comentário, no email que me enviou. Abraços e bom domingo.

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  3. Osvandir agradece os elogios.
    Vai continuar esforçando-se.
    Quem sabe um dia os grandes
    editores descubram as suas
    Aventuras.

    Abraços

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