sábado, 23 de outubro de 2010

A BOTIJA E A COBRA GRANDE

Autor: Marleno de Paula Moura
O cearense Moura nasceu no ano de
1935 em Fortaleza-CE, onde reside.

Osvandir recebeu um telefonema do seu primo Zeca. Este disse ter sonhado com um homem velho, barbado, que lhe pediu para desenterrar um pote cheio de utensílios de ouro, como cálices, castiçais, pulseiras, anéis, moedas etc. O homem o enterrou na fazenda dele, a uns dez passos a partir do tronco de uma mangueira velha, na direção leste, nos fundos da fazenda. O velho pediu para ir à meia noite e não levar ninguém, como companhia. Este sonho se repetiu por 3 noites seguidas. O homem velho disse que queria descanso para seu espírito.
Zeca lembrou-se do seu primo Osvandir.


Capítulo I

A VIAGEM


Aceitou o convite do primo, apesar dessa viagem ser dispendiosa e com lucro muito duvidoso. Foi vacinado contra malaria para poder estar algum tempo em qualquer região úmida, cheia de muriçocas ou carapanãs.
Comprou passagem até Manaus. Deixou em Goiás todos os seus negócios imobiliários em dia.

Arrumou uma pequena maleta, contendo 3 mudas de roupa, Cartão de Crédito e algum dinheiro em cédulas. Iria passar poucos dias. Partiu de avião, para Manaus de onde iria de embarcação para Manacapuru; distante uns 90 km, subindo pelo rio Solimões.

Quando lá chegou, Zeca já o esperava no porto com um largo sorriso e de braços abertos. Se abraçaram sorrindo.

O primo era agricultor e criava pirarucu em curral. Ele conduziu Osvandir no seu Fuscão-95, para sua fazenda em Matões, distante uns 5 km de Manacapuru, mas margeando e subindo pelo rio do mesmo nome.

Osvandir não era dotado de cupidez, mas sentiu a atração pela aventura e via uma oportunidade para pesquisar mais um fenômeno paranormal.

Conversaram durante o trajeto trocando idéias de como agiriam. Chegando na fazenda, Osvandir foi apresentado à simpática esposa e seus dois filhos menores de idade. Jantaram e deitaram-se cedo para despertarem às 23h, conforme a aparição havia exigido.

Osvandir carregava uma alavanca e uma pá. Zeca levava uma enxada e uma lanterna de 4 pilhas. A noite estava úmida, mas não estava fria. Depois de caminharem uns 20 minutos chegaram à grande e antiga mangueira de uns 30 metros de altura. Zeca já havia marcado 15 passos a partir do tronco da árvore em direção ao leste, conforme a instrução do homem.

A marca foi feita durante o dia por meio de estaca enfiada no chão. Começaram a cavar ali, terra macia e negra. Zeca começou a cavar mais ou menos um metro e tocou em alguma coisa sólida. Abriu mais a largura do buraco para melhor ver a tampa de argila do pote.

Osvandir quebrou a tampa com a ponta da alavanca e havia milhares de baratas fervilhando no seu interior. No mesmo instante os dois ouviram o rosnado de um cachorro. Um frio desceu pelas suas respectivas espinhas. Viraram-se e viram um cão preto com olhos em brasa saindo do pé da mangueira vindo em direção deles. Soltaram tudo no chão e correram em direção à casa do Zeca.

Moura

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