segunda-feira, 5 de abril de 2010

OSVANDIR INVESTIGA:

QUEM MATOU KEYLA?

Ela estava ali, sobre aquela fria mesa de granito. Um pequeno hematoma na testa, orelha avermelhada, mais nada.

Exames foram feitos em seu corpo, por vários médicos. Nada foi encontrado.

Alguns dos observadores entenderam que ela poderia ter caído e batido a cabeça em algum móvel da casa, razão do sinal na testa.

Um dia antes de seu falecimento algumas pessoas informaram a Osvandir que viram luzes sobre o telhado de sua casa.

-- Como eram estas luzes? -- perguntou Osvandir.

-- Sabe, não eram luzes comuns, elas brilhavam muito e iam do branco ao vermelho, passando por todas as outras cores. Pensamos até que ela estivesse realizando uma festa para recepcionar os amigos, com essas emissões de raios laser, muito comum em cidade grande. Porém não vimos ninguém por lá naquela noite.

Osvandir resolveu visitar a casa de keyla. Ela morava sozinha num casarão bem antigo, do início do século. Um pouco afastado das demais, no fim do quarteirão. Fora construído por um rico comerciante português, segundo história local.

Seus pais sumiram num acidente misterioso. O carro fora encontrado numa estrada, com todos os pertences do casal. O delegado até hoje acredita que se tratou de sequestro.

Osvandir resolveu seguir o roteiro que foi traçado pelo delegado, na época do desaparecimento dos pais de Keyla, em sua investigação.

Analisou documentos do processo que tratava do suposto sequestro. Interessante que os corpos nunca foram encontrados e nem os sequestradores nunca fizeram contato ou exigiram qualquer valor para o resgate.

Já se passaram mais de dois anos e nada ainda resolvido sobre o assunto.

Osvandir seguiu de carro até o local onde foi encontrado o veículo dos pais de Keyla, no dia do incidente. O próprio delegado informou que não ocorreu imperícia, imprudência ou negligência do motorista.

Olhou para os lados, era um lugar alto, viu uma casa na beira de uma estradinha vicinal.

Virou o carro à esquerda e desceu até lá. Interrogou duas pessoas que ali estavam no momento:

-- Sou Osvandir, vim investigar um acidente que houve ali em cima, cerca de dois anos atrás, lembram?

-- Como poderíamos esquecer, - falou o dono da casa.

-- O senhor viu ou ouviu alguma coisa diferente, naquele dia?

-- Vimos o carro parar de repente. Olhamos para céu e lá estava um objeto grande, como dois carros um sob o outro, sendo o de baixo com rodas para cima.

-- Quantos metros têm daqui até a estrada, -- quis saber Osvandir.

-- Mais ou menos uns 300 metros.

-- O que mais vocês viram?

A mulher que até aquele momento permanecera calada resolveu entrar no assunto:

-- Será que convém falar sobre o foco de luz e o que aconteceu, Luis?

-- Vimos duas coisas subindo pela luz, pareciam pessoas. Depois tudo escureceu. Fui até a estrada, examinei o carro, não achei sangue, nem nada, tudo estava lá, menos o casal. Segui até a cidade e avisei ao delegado, mas não disse nada do que vimos.

-- Obrigado a vocês. Foi melhor mesmo não ter dito nada para o delegado, ele não iria entender.

Osvandir voltou para a cidade e foi direto para a sala de autópsia do hospital.

Quis ver as roupas de Keyla. O responsável pelo caso trouxe uma calça jeans e uma blusa vermelha, de malha. As peças íntimas não quis examinar.

Tirou da maleta de mão, uma lupa, um saquinho plástico, pequeno, com fechamento automático.

Começou passando a lupa de ponta a ponta na calça. Encontrou algumas queimaduras no tecido. Na blusa uma mancha escura na altura dos seios.

O delegado estava apreensivo com as análises de Osvandir.

-- E aí, descobriu alguma coisa?

-- Veja, delegado, estas roupas sofreram um superaquecimento, algumas partes estão chamuscadas.

-- Mas o interessante é que o corpo não tem queimaduras, -- disse um dos legistas.

-- É muito estranho este fato, -- interpelou Osvandir.

-- Então quem matou Keyla?

-- Senhor delegado, seria o caso de se perguntar: o que matou Keyla? E como?

Manoel Amaral

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