quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Grilo Falante

Imagem Google


Era uma vez, não faz muito tempo, um grilo saiu de sua terra e resolveu conhecer o mundo.

Na ânsia de ir mais rápido, trombou em qualquer coisa que saiu arrastando-lhe. Não sabia o que era, mas sentiu a força daquela máquina.

Caiu na frente dela, entre dois galhinhos que ficavam balançando prá lá e pra cá. Segurou num deles, como tábua de salvação. De nada adiantou. Foi jogado lá na frente. Agarrou-se com toda força, mas a superfície era muito lisa, foi assim dependurado.

Andaram por um longo tempo e o Grilo observando tudo. Cada vez ficava mais interessante. Chegaram numa construção, a máquina parou e então ele pode observar duas criaturas muito esquisitas: duas patas inferiores, duas patas superiores, dois olhos redondinhos, uma boca grande, não tinham antenas e sim uma concha de cada lado da cabeça. Um topete com muitos fios. A fêmea ficava só agarrada ao macho, tinha os fios compridos na cabeça e boca vermelha.

O grilo contou tudo para seus amigos lá da roça:

“Ficavam sobre duas patas, balançando as superiores, falavam uma linguagem estranha, não dava para entender.”

“Entraram na construção, fui atrás, lá tinha pouca coisa para comer, estava faminto. Pulei aqui e acolá, vi algumas folhas verdes, não prestavam para alimentação, eram amargas e muito duras.”

“Segui daqui e dali, mais adiante, sobre uma madeira plana, vi algumas frutas, bati meus dentinhos nelas e nunca vi tão duras.”

“Encontrei algumas folhas verdes que tiraram de uma caixa quadrada e alta, estavam frias. Comi, eram muito boas. Satisfeito, tirei uma soneca.”

“Acordei alegre e cantei: -- Cri, cri, cri.”

“Um ser menor, acordou com meu canto e chorou. A fêmea saiu correndo e foi alimentá-lo.”

“Coisa estranha, ela sacou um membro e enfiou na boca do filhote, como fazem as vacas lá no pasto e tudo se acalmou.”

“Vi uns seres entrando numa caixa grande e subindo, resolvi experimentar e acompanhei. Fui lá para o alto. Olhei o céu azul por uma abertura, pulei e planei, caí num campo verde. Que beleza, alimento à vontade. Grama boa para minha alimentação.”

“Ouvi um barulho, parecendo um bater de asas. Olhei e vi um gafanhoto, do tamanho de um grande boi e uma enorme cauda, pousando. Suas asas não batiam, giravam.”

“Andei naquelas estradas, com construções de lado a lado e vi muitas coisas interessantes.”

“Encontrei um grande grilo de quatro olhos amarelos, dois de cada lado, que com o seu cri, cri, abria uma enorme porteira, quando as máquinas se aproximavam para entrar. Só que ele não andava, ficava ali parado e cricando, enquanto os seres passavam.”

“Aquela estrada, preta, lisa e dura, não tinha poeira, era diferente da nossa, poucas árvores,.”

Na aldeia ninguém acreditou nas histórias do grilo. Virou folclore, serviu de objeto de gozação para todos, até o dia em que o presidente da Grilolândia foi seqüestrado pela mesma máquina.


Manoel Amaral

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sexta-feira, 16 de abril de 2010

A EXPLOSÃO

O terreno, outrora utilizado pela Prefeitura para depósito final de detritos, agora com várias construções e moradores, virou um bairro.

Zequinha Cabeludo e seu irmão Picuim ainda menor de idade moravam bem no alto do morro, naquele barraco, que conquistaram pedra por pedra, tijolo por tijolo.

Conheciam todos os moradores, desde a rua de baixo até aquela lá no alto, onde edificaram o humilde barraco de três cômodos: quarto, cozinha e banheiro.

Viviam de coleta de latinhas de alumínio e papelão, recolhidas lá em baixo, onde passavam maior parte do dia.

Vendiam o material recolhido nas ruas para um explorador, atravessador, que depois revendia pelo dobro do preço da aquisição.

Mas Zequinha e Picuim estavam felizes, tinham o que comer todos os dias e trabalho era o que não faltava. Quanto mais os escritórios, casas chiques, lojas, bares e supermercados, botavam para fora o seu lixo, mais eles sorriam. Aquele dia estava garantido.

Passavam no depósito de Jack; os atravessadores sempre tem nomes, carros e casas bonitas. Exploravam os coitados, mas eles se sentiam os donos do mundo, lá do alto viam melhor o céu, as estrelas e até algumas luzes muito estranhas.

Acordavam de manhã e Zequinha ia comprar o pão dormido no comércio do Juventino enquanto Picuim coava o café ralo. O fogão era a lenha, queimavam os pedaços de caixas de madeira que sobrava do supermercado. Assim desciam do alto, cantando os últimos sucessos tocados nas rádios.

Algumas meninas (minas) já tinham engraçado com Zequinha, mas ele que cuidava de seu irmãozinho, não tinha tempo para namorar.

Naquele findar do dia, escutou um assunto muito interessante de seu amigo que morava mais embaixo. Guardou aquilo na cabeça e depois iria conversar direito sobre isso.

Os dias se passaram e o assunto foi esquecido. A chuva começou a cair. Cada dia pior, os barracos desmoronando. Mas o deles agüentava firme lá no alto, fora bem construído.

O serviço de coleta de papelão e papel ficara prejudicado com as chuvas que caiam insistentemente, só restaram as latinhas de alumínio. Mesmo assim eles passavam bem, comendo o seu arroz e feijão. Nos fins de semana quando a coleta era boa ou quando o supermercado tinha em oferta, eles compravam um quilo de carne moída que colocavam numa geladeira velha que conseguiram levar lá para cima, com ajuda de alguns colegas.

Estavam os dois naquela vidinha de sempre, tranqüila. Foi aí que Zequinha lembrou do assunto interessante que queria conversar com seu amigo. Ficara sabendo que algumas pessoas estavam cozinhando sem uso de lenha ou botijão de gás.

Foi conversar com seu amigo para saber como faziam isso. Juquinha, mais velho, experiente, vivido e revivido, explicou-lhes que utilizavam um cano de ferro, destes de tubulação de água, fincavam no chão, do lado de fora da casa, até uma profundidade de três, quatro ou cinco metros para baixo e faziam ligação com o fogão na mangueira do botijão. Riscavam o fósforo e o fogo acendia tão bem como o do gás comum. Para apagar usavam a mesma chave.

Zequinha queria modernizar, iria passar da lenha para o gás, isso seria muito bom, não precisaria trazer aqueles restos de caixa de madeira todo dia.

Procurou nas suas velharias, encontrou um cano e pensou: - Este aqui deve servir.

Marcou mais ou menos a uns dois metros do barraco e começou a fincar o cano no chão. De repente um cheiro forte de gás, mas o seu colega sabe-tudo, disse que era assim mesmo, era o metano. Que nome esquisito, ele não entendia nada destas coisas.

Agora estava faltando um fogão e ele já tinha um que havia recolhido no mês passado, que veio até com a mangueira. Não entendia como a população lá de baixo trocava tanto de eletrodomésticos, este estava praticamente novo, dava para ser usado por muitos anos.

Colocou o fogão perto da janela, fez a ligação dos canos, abriu a chave, riscou o fósforo e uma chama azul apareceu.
-- É só um teste, traga o arroz aí Picuim, vamos aproveitar este fogo. – disse Zequinha.

Cozinharam a manhã inteira, até esqueceram de ir trabalhar. Estavam tão felizes, dava para notar em seus rostos.

À tarde o proprietário do supermercado perguntou ao Zequinha se ele queria os restos de taboas, ele disse que não e ainda revelou:
-- Agora tenho gás lá em casa!

Na manhã seguinte o Picuim fez o café e algumas torradinhas com os restos dos pães. Comeram e desceram.

Já haviam recolhido um bom material e já iam subindo a rua para fazer o almoço, quando ouviram uma explosão e viram um montão de terra deslizando morro abaixo. O susto foi tão grande que correram para qualquer lugar mais alto.

Picuim foi o primeiro a falar:
-- Acho que esqueci de desligar o gás.

Manoel Amaral

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

OSVANDIR E A CHUVA DE OURO

Tudo parecia calmo; engano! Um desenrolar de fatos iriam acontecer naquela noite.

Osvandir estava numa fazenda perto de Quixadá, no Ceará, de onde dava para avistar a pedra da Galinha Choca. Fora convidado por um fazendeiro para desvendar o segredo de algumas luzes noturnas.

Seguiram para um ranchinho de sapê, bem no sopé da montanha. Os últimos raios solares sumiam por detrás das pedras e das árvores.

Aquilo parecia bizarro, mas estava lá no céu, quase estrelado, um objeto não identificado, de formato irregular, dançando pra lá e pra cá, como se estivesse dependurado numa corda e amarrado num galho de uma árvore. Só que não existia corda nem árvore!

Aproximando a imagem por binóculo dava para ver pequenas luzes nas bordas. Coisa mais estranha, não fazia barulho nenhum, não girava e nem seguia para qualquer lugar, ficava ali balançando.

Era de um bom tamanho, coisa assim entre 100 a 120 metros de diâmetro. Seria um helicóptero? Nunca vimos um com este tamanho. Seria mesmo tão grande? Ou era pura ilusão de ótica?

Sem mais nem menos ele se dirigiu em alta velocidade em direção a Pedra da Galinha Choca, girou várias vezes em torno dela e pousou nas suas proximidades.

Nossa intenção era chegar o mais próximo possível, no entanto o mato era cheio de espinhos e garranchos, o que nos impediu de seguir rápido até aquele local, disse seu Joaquim, amigo de Osvandir.

Andaram mais de um quilômetro e não conseguiram encontrar nada. Já eram quase vinte e duas horas e não de encontrarem o objeto dançante.

Novas bolas de luzes circundaram o espaço, coisas que os habitantes do local chamam de mãe-do-ouro.

Todos cansados voltaram para o rancho, onde passariam a noite. Depois de comerem uma carne assada, o assunto principal eram os casos de assombrações:

Tinha uma Senhora lá de um bairro de Quixadá que contava a história de um capeta muito comprido, com mais de cinco metros de altura, que andava assustando as pessoas por lá.

Na rua onde moro já contam é o caso de uma velhinha de branco que aparecia para pessoas, quando elas mais precisavam de conforto. Ninguém sabia de onde vinha.

Assim decorreu a noite e quando amanheceu seu Joaquim chamou Osvandir para dar uma pesquisada num material que encontraram no meio do mato, sobre as árvores.

Parecia espaguete, daquele bem fininho. Era amarelinho, mas com o passar do tempo desaparecia. Os peões disseram que encontraram ali próximo do rancho. Osvandir quis ir até lá e foi.

No local as árvores estavam cobertas daquele material, parecido com aquela erva daninha amarela, chamada “cipó chumbo, cipó dourado ou fios de ovos” que cobre algumas plantas.

Coletaram uma boa porção para analisar, mas à tarde já tinha desaparecido totalmente.

De onde viria aquele maná? Ninguém sabia.

Na segunda noite de vigília, quando todos já estavam indo para a cama, alguém olhou pela janela e viu objeto voando baixinho próximo do rancho.

Todos saíram para fora e notaram uma “chuva de ouro” descendo dos céus, quando aquele objeto passou. Cobriu toda a extensão entre onde estavam e a pedra da Galinha Choca.

Osvandir pegou uma pequena caixa de isopor, capturou sobre as árvores uma boa quantidade do material dourado e guardou para levar até o laboratório.

Aquele material recolhido lembrava aqueles “Cabelos de Anjo”, da década de 50, em Portugal. Recentemente, em 2007, choveu filamentos também na Itália, vindo de esferas luminosas.

Osvandir pegou alguns “fios de ouro” deixo-os ao sol e depois de quatro horas eles desapareceram para sempre.

Ao chegar a Quixadá, conversou com algumas pessoas, como físicos, e outros que estudavam química para analisarem o material.

Para quê serviria aqueles filamentos e por que estariam deixando aquele material logo ali, bem próximo da pedra da Galinha Choca, Ceará?

Manoel Amaral

segunda-feira, 5 de abril de 2010

OSVANDIR INVESTIGA:

QUEM MATOU KEYLA?

Ela estava ali, sobre aquela fria mesa de granito. Um pequeno hematoma na testa, orelha avermelhada, mais nada.

Exames foram feitos em seu corpo, por vários médicos. Nada foi encontrado.

Alguns dos observadores entenderam que ela poderia ter caído e batido a cabeça em algum móvel da casa, razão do sinal na testa.

Um dia antes de seu falecimento algumas pessoas informaram a Osvandir que viram luzes sobre o telhado de sua casa.

-- Como eram estas luzes? -- perguntou Osvandir.

-- Sabe, não eram luzes comuns, elas brilhavam muito e iam do branco ao vermelho, passando por todas as outras cores. Pensamos até que ela estivesse realizando uma festa para recepcionar os amigos, com essas emissões de raios laser, muito comum em cidade grande. Porém não vimos ninguém por lá naquela noite.

Osvandir resolveu visitar a casa de keyla. Ela morava sozinha num casarão bem antigo, do início do século. Um pouco afastado das demais, no fim do quarteirão. Fora construído por um rico comerciante português, segundo história local.

Seus pais sumiram num acidente misterioso. O carro fora encontrado numa estrada, com todos os pertences do casal. O delegado até hoje acredita que se tratou de sequestro.

Osvandir resolveu seguir o roteiro que foi traçado pelo delegado, na época do desaparecimento dos pais de Keyla, em sua investigação.

Analisou documentos do processo que tratava do suposto sequestro. Interessante que os corpos nunca foram encontrados e nem os sequestradores nunca fizeram contato ou exigiram qualquer valor para o resgate.

Já se passaram mais de dois anos e nada ainda resolvido sobre o assunto.

Osvandir seguiu de carro até o local onde foi encontrado o veículo dos pais de Keyla, no dia do incidente. O próprio delegado informou que não ocorreu imperícia, imprudência ou negligência do motorista.

Olhou para os lados, era um lugar alto, viu uma casa na beira de uma estradinha vicinal.

Virou o carro à esquerda e desceu até lá. Interrogou duas pessoas que ali estavam no momento:

-- Sou Osvandir, vim investigar um acidente que houve ali em cima, cerca de dois anos atrás, lembram?

-- Como poderíamos esquecer, - falou o dono da casa.

-- O senhor viu ou ouviu alguma coisa diferente, naquele dia?

-- Vimos o carro parar de repente. Olhamos para céu e lá estava um objeto grande, como dois carros um sob o outro, sendo o de baixo com rodas para cima.

-- Quantos metros têm daqui até a estrada, -- quis saber Osvandir.

-- Mais ou menos uns 300 metros.

-- O que mais vocês viram?

A mulher que até aquele momento permanecera calada resolveu entrar no assunto:

-- Será que convém falar sobre o foco de luz e o que aconteceu, Luis?

-- Vimos duas coisas subindo pela luz, pareciam pessoas. Depois tudo escureceu. Fui até a estrada, examinei o carro, não achei sangue, nem nada, tudo estava lá, menos o casal. Segui até a cidade e avisei ao delegado, mas não disse nada do que vimos.

-- Obrigado a vocês. Foi melhor mesmo não ter dito nada para o delegado, ele não iria entender.

Osvandir voltou para a cidade e foi direto para a sala de autópsia do hospital.

Quis ver as roupas de Keyla. O responsável pelo caso trouxe uma calça jeans e uma blusa vermelha, de malha. As peças íntimas não quis examinar.

Tirou da maleta de mão, uma lupa, um saquinho plástico, pequeno, com fechamento automático.

Começou passando a lupa de ponta a ponta na calça. Encontrou algumas queimaduras no tecido. Na blusa uma mancha escura na altura dos seios.

O delegado estava apreensivo com as análises de Osvandir.

-- E aí, descobriu alguma coisa?

-- Veja, delegado, estas roupas sofreram um superaquecimento, algumas partes estão chamuscadas.

-- Mas o interessante é que o corpo não tem queimaduras, -- disse um dos legistas.

-- É muito estranho este fato, -- interpelou Osvandir.

-- Então quem matou Keyla?

-- Senhor delegado, seria o caso de se perguntar: o que matou Keyla? E como?

Manoel Amaral