terça-feira, 2 de março de 2010

OSVANDIR E AVATAR

“Avatara, significa aquele que descende de Deus,
ou simplesmente encarnação.”
(Wikipédia)

Osvandir com sua ousadia, espírito competitivo, independência, força de vontade e originalidade; desceu num campo de pouso, improvisado, lá naqueles confins do Amazonas.

Só não sabia o que estava por acontecer.

Vária forças extraterrestres foram convocadas.

Das águas, em cima de um bloco gigante de gelo, desprendido das geleiras, por um maremoto, vinha Aguatar.

Do mais profundo vulcão, do Chile, embrenhava nas matas Fogatar.Num rodamoinho, dos ares caía Arratar e finalmente do mais profundo da floresta chegava Terratar.

Água, fogo, ar e terra vinham para auxiliar Osvandir a combater a devastação da floresta.

O encontro daquelas forças, geradas por seres originários de encarnação, provocou um abalo sísmico, sentido na maior parte do território brasileiro, provocando um pequeno desvio no eixo da terra.

O primeiro ser espiritual, Aguatar encarnou no corpo de um índio que acabava de ser morto por uma cobra.

Fogatar, encontrou o corpo de um incendiário e devastador das matas. Um avião caiu, vários corpos estirados no chão, Arratar escolheu um deles. No corpo de um pequeno agricultor entrou de mansinho Terratar.

Parecia tão simples, mas não era. Osvandir assistiu aquilo tudo e teve que fechar os olhos para acostumar com aquelas cenas inéditas.

Sentiram que a floresta estava necessitando de suas forças. A devastação estava aumentando dia-a-dia.

Incêndios aqui e acolá. Cortes de grandes árvores e troncos descendo rio abaixo. Nossa madeira indo parar em paises da Ásia. Os índios cada vez mais afastados de seu habitat natural. Os pequenos agricultores pressionados a venderem suas terras para os magnatas da soja ou do gado.

Nosso minério, extraído das entranhas da terra, sendo contrabandeado ou vendido a preço de banana. Nióbio saindo por baixo do pano, entre fronteiras, sem ninguém dar notícia. Ouro indo enfeitar coroa de reis de algum país da Europa. Os diamantes, rubis, esmeraldas, ágatas, ametistas, topázios e granada, enviadas a paises distantes para serem usadas como jóias, bijuterias, brincos, colares, pulseiras, anéis, pedras lapidadas, brutas, cinzeiros, chapas, chaveiros e enfeites.

Nossos tesouros sumindo e ficando como lembrança, apenas buracos no solo. Aqui jaz uma mina de diamantes, ali uma de ouro, acolá outra de topázio.

Começando agir, Fogatar aplicou a técnica do contra-fogo, apagando fogo com fogo. Terratar atacou os contrabandistas de minérios, cobrindo de terra, todas as minas em exploração. Em seguida Arratar, num rodamoinho, levou as construções e os móveis dos expansionistas da soja e do gado, deixando o campo limpo para explorações. Aguatar carregou todos os troncos de madeira que seguiam pelos rios e os escondeu na floresta.
Pressionados por aqueles acontecimentos, sem explicação, os exploradores da Amazônia, fugiram do local, cada um seguindo o seu destino.

Osvandir que a tudo assistia, cumprimentou os seres Avatares, divindades de outras eras, que tanto bem fez a floresta.

Eles disseram que ficassem atentos, que em qualquer dia ou época, voltariam para beneficiar a querida Amazônia.

Dizendo adeus a todos, e esperando um outro encontro no futuro, Osvandir, partiu para a sua terra com o coração mais leve.

MANOEL AMARAL

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