quarta-feira, 10 de março de 2010

OSVANDIR E ABDUÇÃO NA FAZENDA

“Nesta fuga para o nada, numa terra onde só
existe o presente, sem passado e nem futuro.”
(O sábio Avô do Osvandir)


Ali na fazenda do senhor William aparecia luzes de madrugada. Os vizinhos andavam assustados. Algumas vacas haviam desaparecido.
Ninguém sabia o que estava acontecendo.

Uma vaca foi encontrada sem os olhos, sem língua e sem sangue. Alguns órgãos internos foram retirados como se o trabalho fosse feito por um experiente cirurgião.

Convidaram Osvandir para investigar o fenômeno. Ele não fez de rogado, partiu para o local “de mala e cuia”. Planejou ficar por lá uns dez dias. Levou todo seu material investigativo. Desta vez fez questão de colocar na maleta de mão, o seu possante binóculo, para fins noturnos e a câmara digital que já vinha acoplada ao mesmo.

Voou num monomotor Cirrus SR 22, de propriedade do fazendeiro. Não foi muito fácil o pouso, a pista era muito ruim. Sacudiu muito, mas como Osvandir já está acostumado com estas coisas de tanto ir e vir, isto foi o de menos.

Na primeira noite de investigação, aguardou a luzes, nada apareceu.

Na segunda noite um alvoroço. Alguns peões diziam que próximo da mata estava aparecendo uma luz, mas um deles deu um tiro para o alto e o objeto desapareceu.

Um peão informou:
__ Era uma luz clara, muito forte, queimava os olhos da gente.

Tudo estava muito estranho, se no outro caso levaram os órgãos internos; neste deixaram, num descampado, apenas as patas, os chifres e o estômago, mais conhecido como “bucho de vaca”. Um saco de aniagem também estava ali perto do que restou do animal.

Osvandir fotografou a primeira vaca e o que restou da segunda, comparando os casos notou que no primeiro era muito bem calculado os cortes, como se tivessem usando raio laser. Já no segundo não havia tanto cuidado e o sangue estava esparramado pelo chão, bem como vários pedacinhos de carne.

Outros casos começaram aparecer nas fazendas vizinhas, que vinham logo relatar ao Senhor William.

Numa delas além do chifre, patas e bucho, ficaram também as costelas e alguns ossos. Desossaram o animal ali mesmo, no meio do pasto. Isto significava que estavam interessados somente na carne.

Paralelamente, nas cidades vizinhas, Osvandir tomou conhecimento que havia gente vendendo carne para açougueiros, bem mais barato que o preço cotado por arroba.

Foi investigar de perto e numa delegacia local encontrou cinco ladrões de gado que mais tarde confessaram que estavam roubando vaca, utilizando uma camionete, aproveitando o alvoroço das luzes que aparecerem no primeiro caso.

O Senhor William montou uma emboscada e aguardou por duas noites e finalmente pegou quatro ladrões tentando matar uma de suas vacas. Foram pegos e entregues a delegacia para que tomassem as devidas providências.

Quando pensaram que estava tudo resolvido, numa outra fazenda apareceu um bezerro com a língua cortada, olhos arrancados e todos os órgãos internos retirados. Várias luzes apareceram no céu, sem contar que um rapaz viu um aparelho no ar, antes de escurecer.

Foi assim que ele descreveu o objeto voador:
__ Parecia duas bacias grandes, uma debaixo da outra, tipo oval. Refletia a luz do sol no seu metal, não fazia qualquer barulho, nem soltava qualquer tipo de fumaça, voava em todas as direções. Fiquei com muito medo e corri para dentro de casa.

Cada um descreve um objeto desconhecido de acordo com o ambiente onde vive.

Osvandir arquivou o primeiro e o último caso na sua pasta de assuntos ufológicos para futuros estudos.

Ao chegar em casa, abrindo o seu jornal eletrônico preferido, leu a seguinte manchete:

MAIS DUAS VACAS MUTILADAS FORAM
ENCONTRADAS NO COLORADO - EUA


MANOEL AMARAL

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