terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

OSVANDIR E O CARNAVAL

Capítulo I
Carrum Navalis: Carnevale

"Em Roma, na abertura das festas ao deus Saturno,
carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida",
com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os
carrum navalis, daí surgiu a expressão carnevale."


Osvandir queria fugir das festas carnavalescas e ficar até quarta-feira de cinzas numa boa pousada no nordeste, para descansar.

Estava no programa um bom passeio de barco e corrida de jipe nas dunas.

A visita a uma cachoeira, escalada e rapel também faziam parte da aventura.

Viajou com essas idéias todas na cabeça e foi até conferindo tudo que poderia fazer, pelo site da pousada. Ali nas fotos, os quartos eram amplos, o restaurante muito bom e comidinha de primeira. As paisagens lindas e a variedade de atrações foi que convenceu o jovem a optar por aquela pousada.

Quando desceu do avião na capital, lá estava a van da empresa que levaria aqueles turistas sonhadores até o destino final.

Qualquer coisa não fora bem informada no site. As estradas eram de terra batida, sem pontes, passavam direto sobre as águas dos córregos, isto significava que se chovesse ficariam ilhados naquele local.

Nada de pensar negativo, a natureza ali era mesmo espetacular. As matas, apesar das devastações, estavam com um verde de causar inveja aos cerrados de Minas.

Ao chegarem à pousada, com o sugestivo no de “Verde Mar”, os hóspedes foram descendo do veículo, pegando as malas, dirigindo-se a portaria.

O atencioso proprietário foi logo indicando onde ficavam os quartos de acordo com as reservas.

Muitos demonstraram insatisfação com as instalações. Osvandir quis ver o resto; saiu pelas trilhas observando as velhas placas indicativas.
Numa delas tinha um grosseiro erro de português: Caxoeira da Mata Virgem.

Viu uma pequena praia e a mata não era tão virgem. Uma canoa quebrada e um barco pequeno, velho, carcomido pela ferrugem.

Bem mais longe dali avistou outro barco maior, em pleno mar, com vários turistas animadíssimos.

Quando atravessou alguns barrancos notou alguém encostado numa pedra. Aproximando-se notou que era uma jovem, parecia muito cansada.

Antes que ele pronunciasse qualquer palavra ela já foi logo avisando:
__ Nem vem que não tem!

Osvandir, que não vinha com “terceiras intenções”, pegou uma garrafa de água mineral de sua mochila, ofereceu a bonita garota, que estava com roupa de festa e toda molhada.
__ O que aconteceu? Se quiser contar, vou ouvir...
__ Nem me fale em viagem programada pela internet. Fechei contrato com uma agência de viagem, para cinco dias, pelo mar, num maravilhoso navio “Sea King”. Seria mesmo o Rei dos mares? Para mim não foi.

Ai ela foi contando todas as decepções por que passou, desde o embarque. O navio maravilhoso anunciado, era um barco onde existiam poucas mulheres e muitos homens bêbados!

Viajou por dois dias naquele antro, onde valia tudo. Foi quando ela avistou uma praia, pulou do barco e nadou até perder as forças, o mar a trouxera até ali.

Sem dinheiro, sem roupas, com fome e muito cansada, foi levada por Osvandir até a velha pousada onde hospedava.

Conseguiu uma vaga junto com outras moças que lhe deram toda atenção, cada uma emprestando-lhe uma roupa, até que pudesse visitar algumas lojinhas mais próximas.


MANOEL AMARAL

Se gostou deste capítulo leia os outros:
http://osvandir.blogspot.com.br/2010/02/osvandir-e-o-carnaval-ii.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2011/03/osvandir-e-o-carnaval-de-2011.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-e-o-carnaval-2009-quarta-feira.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-em-draga-e-uma-droga-uma-chave.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário