quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

OSVANDIR E O MISTÉRIO DA CIDADE PERDIDA

Aqueles círculos foram aparecendo nas areias do deserto como os que apareceram nos trigais da Europa.

Primeiro um círculo, depois desenhos mais complicados. Rostos enigmáticos pequenos, grandes e de todos os tipos.

Quando estes sinais encheram a imprensa impressa, TV, internet e todos os meios de comunicação de massa, o povo foi perdendo o interesse, aí um novo mistério surgiu nas areias do deserto.

Eram estátuas misteriosas que apareciam da noite para o dia. Antropólogos, sociólogos, arquitetos, arqueólogos e uma série de cientistas e estudantes de outras áreas estudaram aquele conjunto de pedras que formavam magníficas construções.

Ninguém soube precisar a origem daqueles blocos de estátuas e construções que ali estavam.

No outro dia, esculturas lindas de seres humanos e animais lá estavam para todos verem.

Mais e mais casas e palácios surgiam como num passe de mágica.

Até o Osvandir foi apreciar as belezas daquela cidade perdida, que rapidamente se transformaria em ponto turístico.

Tentando solucionar aquele mistério, instalou câmaras em vários locais.

O interessante é que aquele aparecimento se dava somente à noite.

No outro dia verificou que sempre que aparecia um novo prédio ou escultura no meio daquele deserto, havia uma nuvem de poeira que rebaixava o terreno.

Analisou todas as filmagens das câmaras e notou que uma pequena luz aparecia, com se fosse a lua, com um voo rasante sobre aquele local. Depois começavam os rodamoinhos e a areia era transportada para outro lugar.

Conversou com vários pesquisadores e alguns datavam a cidade de 10.000 a.C.

De fato ali existiam enormes estátuas de mármore e outras pedras que estariam sendo analisadas. Os vasos eram muito bem trabalhados. Tudo estava incrivelmente bem conservado.

No primeiro dia que Osvandir esteve naquele local, uma enorme torre circular apareceu e se destacava do conjunto, toda construída de pedra lapidada, com uma escadaria interna. Os cientistas não conseguiram definir a utilidade daquela construção.

Andando por aqueles amplos salões, quartos e vastos jardins que poderiam existir, daria para imaginar o poderio daquele povo.

O turismo tomou conta daquele local, gente vinha dos confins do mundo para visitar aquelas magníficas raridades.

Os rodamoinhos aconteciam somente à noite. Todos dormiam nas cidades e povoados mais próximos.

Começou a cair granizo naquele deserto que há muitos anos não via água de chuva.

As estradas ficaram intransitáveis, as pontes caíram. Atingir a cidade desconhecida, que surgiu no meio do deserto, ficou praticamente impossível.

Como do nada apareceu, da noite para o dia tudo aquilo desapareceu, foi recoberto pela areia escaldante do deserto.

Aviões, com os mais modernos equipamentos tentaram descobrir alguma coisa, mas tudo em vão. Havia apenas areia e mais areia naquele local, como se nada tivesse existido por ali.

Analisando novamente as filmagens que fizera à noite com as câmaras ali instaladas, Osvandir só viu areia e mais nada.

Teria acontecido apenas uma miragem? Ou foi uma histeria, uma ilusão coletiva? Ou um teletransporte vindo do passado? Quem sabe até um meio de projeção do futuro?

MANOEL AMARAL

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

OSVANDIR E O CARNAVAL II

Capítulo II
CARNAL, NAVAL E CARNAVAL

No carnaval ninguém é de ninguém.
(Osamir: Prima do Osvandir)


Dejanira, filha de tradicional família de Belo Horizonte, havia completado 21 anos naqueles dias, como presente, recebera do pai, uma viagem a sua escolha. Optou ir por mar e conhecer vários lugares.

Pesquisou pela internet e achou uma que estava dentro do orçamento. Pagou antecipado, conseguiu um desconto de 10%, com as passagens nas mãos, aguardou com ansiedade o dia do embarque.

Cheia de sonhos, pensou que poderia resolver tudo sozinha. Preparou as malas, os documentos, algum dinheiro em cédulas e os cartões de crédito.

O dia do embarque chegou. No porto vários navios acostados, um ao lado do outro.

Procurava o nome do seu: “Sea King”. Olhou pela direita e pela esquerda, nada. Pensou que estivesse caído no golpe da viagem. Conversou com alguns turistas e um senhor de óculos escuros disse-lhe para procurar do outro lado, perto de umas lanchas e iates.

Num barco, com as letras quase apagadas conseguiu ler: ea King, o “S” não estava aparecendo quase nada. Era ele mesmo, mas o tamanho não correspondia com a realidade das fotos de propaganda da agência.

Subiu o primeiro degrau, voltou, queria desistir. Pensou melhor e seguiu em frente.

O olhar malicioso do capitão não lhe agradou. Procurou por seus aposentos, era bem pequeno, proporcional ao tamanho do barco.

Quando saiu para a parte superior, o salão de festas, o que viu foram vários homens correndo atrás de algumas garotas, quase nuas.

Deixou de lado estas observações e foi direto para o restaurante. A comida não era lá grandes coisas, mas deu para acalmar o estômago.

Na manhã seguinte, observou uma pequena ilha e uma praia no litoral. Não suportando o ambiente e mediante o ataque de três homens, muito mal encarados, resolveu saltar do “Rei dos Mares” e o resto seria o que Deus quisesse.
Ela nadou até cansar, o mar a levou até aquelas pedras onde Osvandir a encontrou.

Agora, recomposta, mais feliz, já queria até passear pelas trilhas da Pousada e quem sabe até escalada e descer em rapel.

Um grupo saiu para o lado da praia e outro para a cachoeira, Osvandir e Dejanira estavam neste segundo. Divertiram-se por entre aquelas pedras durante a parte da manhã.

Terça-feira chegava ao fim, quarta-feira de manhã terminava o contrato com a Pousada e muitos retornariam a sua cidade.

Osvandir também seguiria para a sua terra, mas primeiro teria que resolver como ficariam as contas de Dejanira.

Entrou em contato com a administração e mandou somar as despesas de sua estadia. Não chegou a quinhentos reais. Pagou com seu cartão de crédito.

Solicitou ao Senhor Jorge, que reservasse uma passagem aérea de Natal, RN até Belo Horizonte, MG.

Ambos seguiram no mesmo avião para a capital mineira, descendo no Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Confins.

De táxi foram até a casa daquela jovem, num bairro ali bem próximo do aeroporto.

Os pais já sabiam de toda a história. Agradeceram ao Osvandir por ter acolhido a sua filha.

Tomaram um lanche e o pai de Dejanira quis saber quais as despesas que fizera com a sua filha. Nada foi cobrado e o assunto encerrado.

Despedindo-se da amável família, seguiu para sua terra.

Na quinta-feira, tirando um extrato bancário, notou um depósito de diferente. Consultou os seus documentos e não conseguiu descobrir de que se tratava.

Seria depósito da família de Dejanira? Mas como ela descobrira o banco, número de sua conta e agência?

Lembrou que quando estava efetuando os pagamentos das despesas, na pousada, ao tirar os documentos do bolso, o talão de cheques caiu sobre a cadeira, Dejanira ficou com ele nas mãos por um tempo e depois lhe entregou.

Para tirar as dúvidas Osvandir pegou o talonário de cheques e descobriu que a primeira folha havia desaparecido, exatamente onde consta a quantidade de cheques, o nome do cliente, o número da agência e conta corrente,

Manoel Amaral

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

OSVANDIR E O CARNAVAL

Capítulo I
Carrum Navalis: Carnevale

"Em Roma, na abertura das festas ao deus Saturno,
carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida",
com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os
carrum navalis, daí surgiu a expressão carnevale."


Osvandir queria fugir das festas carnavalescas e ficar até quarta-feira de cinzas numa boa pousada no nordeste, para descansar.

Estava no programa um bom passeio de barco e corrida de jipe nas dunas.

A visita a uma cachoeira, escalada e rapel também faziam parte da aventura.

Viajou com essas idéias todas na cabeça e foi até conferindo tudo que poderia fazer, pelo site da pousada. Ali nas fotos, os quartos eram amplos, o restaurante muito bom e comidinha de primeira. As paisagens lindas e a variedade de atrações foi que convenceu o jovem a optar por aquela pousada.

Quando desceu do avião na capital, lá estava a van da empresa que levaria aqueles turistas sonhadores até o destino final.

Qualquer coisa não fora bem informada no site. As estradas eram de terra batida, sem pontes, passavam direto sobre as águas dos córregos, isto significava que se chovesse ficariam ilhados naquele local.

Nada de pensar negativo, a natureza ali era mesmo espetacular. As matas, apesar das devastações, estavam com um verde de causar inveja aos cerrados de Minas.

Ao chegarem à pousada, com o sugestivo no de “Verde Mar”, os hóspedes foram descendo do veículo, pegando as malas, dirigindo-se a portaria.

O atencioso proprietário foi logo indicando onde ficavam os quartos de acordo com as reservas.

Muitos demonstraram insatisfação com as instalações. Osvandir quis ver o resto; saiu pelas trilhas observando as velhas placas indicativas.
Numa delas tinha um grosseiro erro de português: Caxoeira da Mata Virgem.

Viu uma pequena praia e a mata não era tão virgem. Uma canoa quebrada e um barco pequeno, velho, carcomido pela ferrugem.

Bem mais longe dali avistou outro barco maior, em pleno mar, com vários turistas animadíssimos.

Quando atravessou alguns barrancos notou alguém encostado numa pedra. Aproximando-se notou que era uma jovem, parecia muito cansada.

Antes que ele pronunciasse qualquer palavra ela já foi logo avisando:
__ Nem vem que não tem!

Osvandir, que não vinha com “terceiras intenções”, pegou uma garrafa de água mineral de sua mochila, ofereceu a bonita garota, que estava com roupa de festa e toda molhada.
__ O que aconteceu? Se quiser contar, vou ouvir...
__ Nem me fale em viagem programada pela internet. Fechei contrato com uma agência de viagem, para cinco dias, pelo mar, num maravilhoso navio “Sea King”. Seria mesmo o Rei dos mares? Para mim não foi.

Ai ela foi contando todas as decepções por que passou, desde o embarque. O navio maravilhoso anunciado, era um barco onde existiam poucas mulheres e muitos homens bêbados!

Viajou por dois dias naquele antro, onde valia tudo. Foi quando ela avistou uma praia, pulou do barco e nadou até perder as forças, o mar a trouxera até ali.

Sem dinheiro, sem roupas, com fome e muito cansada, foi levada por Osvandir até a velha pousada onde hospedava.

Conseguiu uma vaga junto com outras moças que lhe deram toda atenção, cada uma emprestando-lhe uma roupa, até que pudesse visitar algumas lojinhas mais próximas.


MANOEL AMARAL

Se gostou deste capítulo leia os outros:
http://osvandir.blogspot.com.br/2010/02/osvandir-e-o-carnaval-ii.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2011/03/osvandir-e-o-carnaval-de-2011.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-e-o-carnaval-2009-quarta-feira.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2009/02/osvandir-em-draga-e-uma-droga-uma-chave.html

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE

O jornal noticiou que um louco fora internado no hospital. Tinha mania de querer matar o Presidente.

O Presidente estava preparando-se para partir. Iria visitar um estado que lhe era hostil, para acalmar os ânimos na política.

A política da esposa era outra e avisava sempre: __ Cuidado querido. Quero que você volte vivo! A gente nunca pode confiar num louco. Ele é sempre capaz de cometer desatinos...
__ Desatinos! O que há? Está com medo querida? Já viajei tanto e nunca me aconteceu nada. Tudo é a prova de bala no carro...

O carro americano, modelo 1963, deslizava suavemente no asfalto e a rádio anunciava que um louco fugira do hospital. O rádio do carro foi desligado por um instante.

Há instante dali, num recanto da cidade mais próxima a conversa era diferente: __ Você já está com o fuzil?
__ Já!
__ Então faça tudo como te ensinamos. Você não deve perder tempo. Estaremos te esperando do outro lado da rua.

Do outro da rua principal dera entrada o carro presidencial e vinha uma fila enorme de outros carros atrás. Os Senadores, Deputados, Governadores e Jornalistas sempre acompanhavam o presidente onde quer que ele fosse. Um forte dispositivo de segurança estava preparado.

Preparado ninguém está para o imprevisto. O presidente sentindo muito calor (teria o ar condicionado enguiçado?), mandou abaixar as capotas à prova de bala, justamente na hora em que virava a esquina.

Na esquina, do alto do prédio mais próximo, um tiro partiu. Todos ouviram, mas ninguém foi atingido. Outros três foram disparados de locais diferentes e o presidente foi atingido na cabeça e no pescoço.

Pelo pescoço abaixo o sangue escorria e hemorragia instalou-se naquele cérebro.

Naqueles cérebros a confusão se formava: __ Mataram o presidente! Assassinos loucos!

O louco saiu correndo, escada abaixo, atravessou a rua mas foi preso por um soldado que já estava ali para isso.

Enquanto isso, o carro presidencial dava entrada no hospital da cidade.

Na cidade o comentário era muito grande e um boato começou a ser espalhado no meio da multidão:
__ Um louco matou o presidente, dando três tiros lá de cima!

De cima, mais alto em pensamento do que a camada popular, os jornalistas imaginavam diferente:
__ Foram três tiros vindo de locais diferentes, o louco preso não era o assassino, o tiro vindo do prédio da esquina não atingiu ninguém.

Ninguém imaginava que o suposto assassino do presidente ia para o matadouro. Os saldados levaram o psicopata para a rua central da cidade. Ele não parecia doente mental, alguém que perdeu a razão, pelo contrário, articulava bem as palavras e seus gestos eram bem compreendidos. Contudo qualquer coisa o impedia de falar o que desejava. Queria gritar para todos que não estava louco. Que aquilo tudo não passava de uma farsa! Até a fotografia com o fuzil! Tudo combinado! Planejado!

Planejado também estava a sua morte! Quando fez um esforço maior para falar, um tiro a queima-roupa provocou uma fumaça no meio da multidão e a câmara da TV pode captar o último gesto do inocente útil, ainda algemado a um soldado.

Um soldado sem qualquer esforço pegou o atirador, ainda com a arma na mão.

Na mão da polícia estava o segredo da morte dos dois e ninguém se atreveu a verificar a verdade. O Relatório famoso, dizia que não havia complicação com organismos internacionais e que o único culpado era o “assassino louco,” o outro era apenas um “espectador exaltado.”

MANOEL AMARAL
Em dezembro de 1963

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

OSVANDIR E A VIAGEM NO TEMPO

“Sobre o fascinante tema viagem no tempo,
os egípcios assim como Einstein
viam o tempo como algo estático,
nós é que nos movimentamos nele.”
Fábio Bettinassi


Aquele avião, um Fokker 100, estava com problemas. O tempo chuvoso sobre São Paulo interferia em sua rota. Raios e trovões pipocavam no céu.

Esta aeronave havia decolado do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e seguia para Campo Grande (MS).

Vinte e quatro passageiros e cinco tripulantes estavam apreensivos quanto aos seus destinos.

Fizeram um pouso forçado perto de Araçatuba, a 535 quilômetros de São Paulo, numa pequena fazenda, atropelando uma vaca.

Apenas quatro passageiros tiveram ferimentos leves, os outros somente uma ligeira crise nervosa.

Não houve explosão ou qualquer tipo de incêndio. Várias viaturas policiais e ambulâncias compareceram ao local.

Osvandir, entre os aflitos, pegou suas malas aproveitou uma carona e seguiu para Birigui (SP), cidade mais próxima.

No caminho via as paisagens e achava qualquer coisa estranha. Conhecia bem aquele local e aquela não parecia ser a estrada para onde ia.

Na cidade, andando pelas ruas, perguntou a um velhinho que por ali passava, como era o nome daquela praça. Osvandir ficou assustado, à proporção que firmava a vista, aquele velho de repente ficava jovem e depois velho novamente.

Mais apavorado ainda ficou quando o velho respondeu:
__Eu não sou deste tempo e nem desta cidade.

Qualquer coisa estava se passando e ele não sabia o que era.

Seria algo relacionado com o vôo? Poderia ter batido a cabeça na queda do avião?

Com essas perguntas todas, procurou a farmácia mais próxima e pediu um comprimido.
__Você tem Neosaldina?
__Claro. Vai tomar agora? Quer um copo com água? __ O funcionário notou a sua confusão mental e pediu que ele se assentasse.
__Pode trazer a água, estou mesmo precisando, __ respondeu Osvandir.

O funcionário, muito solícito, quis saber o que estava se passando:
__O que aconteceu?
__Sou um dos passageiros do acidente de hoje.
__Quer que chame um táxi para levá-lo ao hospital?
__Não, não é necessário. Tem um hotel aqui perto, vou descansar um pouco. Muito obrigado pelo atendimento.

Saiu dali cambaleando, apoiando-se nas paredes das casas. Entrou no hotel preencheu as fichas. Sentiu um calafrio a percorrer-lhe pela espinha dorsal quando leu a data que constava no documento.
__Quatro de março, tem qualquer coisa errada. __ Falou baixinho.

Subiu para o quarto. Arrumando suas malas deparou com o seu cartão de crédito, sentiu um estremecer, um arrepio. Atirou aquele objeto no chão. A data das fichas de registro voltou a perturbar a sua mente. __ Como pode ser quatro de março, se estamos em quatro de fevereiro? Havia viajado um mês para o futuro?

Dormiu cerca de uma hora, tomou um banho e desceu para o almoço.

Ao descer as escadarias para atingir a rua, viu as placas de uma casa lotérica. Teve um impulso, entrou ali e anotou todos os resultados das loterias daquela semana, até do bilhete da Loteria Federal. Pensou: __ Se tiver mesmo no futuro, quando voltar ao presente, posso ficar rico. Basta jogar os números daquela semana.

No outro dia, já recuperado, procurou viajar para sua cidade, desta vez de carro, não queria nada com aviões. Mas as chuvas, os trovões e raios o perseguiam. O carro sofreu uma descarga elétrica, saiu da pista e foi parar no acostamento, bem próximo de um despenhadeiro. Novamente sentiu um calafrio em todo corpo!

Recuperando do susto, seguiu pela estrada contando os fatos para o motorista, sobre a sua estranha viagem ao futuro. Ele fez de conta que acreditou para agradar o passageiro.

Dias se passaram e chegara o primeiro de março. Entrou numa casa lotérica e comprou bilhetes para os cinco dias seguintes, tomando o cuidado de preencher tal como anotara no seu caderninho; não encontrou o número que queria da Loteria Federal.

Aguardou ansiosamente os resultados de cada dia, acertara apenas alguns números em cada bilhete. O que teria acontecido? Então não fora ao futuro?
Tentou encontrar a solução na internet. Começou pelo dia primeiro, uma segunda-feira, quando jogou na Quina. Digitou os números para pesquisa e encontrou um arquivo da Caixa, datado de março de 2009. Todos os outros resultados foram parar no mesmo mês e ano.

Osvandir havia viajado no tempo; para o passado...

MANOEL AMARAL