domingo, 17 de janeiro de 2010

OSVANDIR E OS INCENDIÁRIOS DA FLORESTA

Capítulo I
BICO DE TUCANO

Na região Norte de Tocantins (do Tupi: bico de tucano), quase divisa com o estado do Pará, estaria aparecendo algumas bolas de fogo que caiam a noite.

Osvandir pegou suas malas, que estavam sempre arrumadas, para qualquer eventualidade e partiu para aquele estado.

Foi de avião até Palmas, de onde partira até Araguaina pela BR-153 e daí para o local, por rodovia e depois por caminhos mais estreitos.

O que foi notando é que a devastação da floresta estava atingindo toda a região. Queimadas, fumaça branca subindo... Queimadas, fauna e flora desaparecendo... Queimadas, céu escurecido por grandes nuvens...

Pássaros e animais mortos pela estrada, urubus devorando a carniça.
Uma placa indicativa: Plano de expansão de plantação de soja – e mais em baixo indicava o nome da empresa – SOJA-MIL.

Aquele novo mercado de agro-negócio para exportação, de bilhões de dólares, estava acabando com nossas florestas, derrubavam o verde para conseguir o amarelo – o ouro/dólares.

Mais adiante outra placa chamava a atenção na beira da estrada recém aberta: Criação de Gado Bovino – Frigorífico Boi Gordo.

O pior que a devastação era tão grande e não sobrava nada, nem uma árvore. Derrubavam a mata, aproveitavam as árvores maiores, vendiam para China e o resto era torrado ali mesmo.

Havia constantes invasões dos grandes proprietários contra os pequenos. Não respeitavam os limites, avançavam, tomando conta de tudo. Depois resolviam a situação com uma ação de revisão de área, coisa fácil para os bons advogados contratados a peso de ouro pelos empresários.

Estas mesmas empresas, que agora estavam devastando naquela região já haviam feito o mesmo em outras regiões, como Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná.

Acabaram com as matas do sul, com os serrados do centro-oeste e agora estavam derrubando a última fronteira do país.

Os proprietários de pequenas áreas, ficavam cada vez com menos e muito assustados.

Foi este ambiente que Osvandir encontrou quando chegou na Fazenda Três Porteiras, bem ao norte de Tocantins.

Estava muito interessado nos fenômenos que estavam acontecendo por ali. Qualquer coisa estava caindo dos céus e abrindo grandes crateras na terra, assustando os pequenos proprietários da região.

O Senhor Moacir poderia ser descrito como um daqueles fazendeiros dos filmes americanos: chapéu grande, calça jeans, camisa xadrez de mais puro algodão. Nos pés aquelas botas de cano alto. Três filhos já crescidos e uma esposa ainda jovem.

Era o contato que iria levar o ufólogo pesquisador, até onde estava aparecendo as bolas de fogo no céu.

-- Senhor Moacir, como poderemos ir até o local dos fenômenos que estão acontecendo nesta região?

-- Caro Osvandir, para chegar mais rápido, usaremos o nosso pequeno avião, porque existe uma pista de aviação bem próxima de lá.

-- Então não devemos perder tempo, vamos rápido, – disse Osvandir.

Prepararam as malas, o piloto era José, o filho mais velho de Sô Moacir.

Rodaram no espaço, em direção ao estado do Pará, quase na divisa desceram e pousaram numa pequena pista improvisada.

Foram até uma pequena propriedade, com casa de madeira, onde plantavam mandioca e arroz. O sitiante, Raimundinho, como era mais conhecido, quem nos contou o que estava acontecendo por ali.

Ele estava assustado, as queimadas vinham aproximando-se e agora essas bolas de fogo descendo do espaço e explodindo.

Visitaram uma cratera que apareceu na noite anterior. Tinha aproximadamente doze metros de diâmetro, que Osvandir pode conferir pela contagem de seus passos. A profundidade era de três metros. Com terra arenosa havia possibilidade de ser bem maior.

Uma pesquisa no entorno mostrou algum material desconhecido. Osvandir recolheu tudo para análise.

Na noite seguinte o pessoal do Sô Raimundinho resolveu fazer um churrasquinho para os visitantes. Tudo estava muito animado quando uma pessoa gritou:

-- Aí vem uma bola de fogo!
(Continua)

Manoel Amaral

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