terça-feira, 26 de janeiro de 2010

OSVANDIR E O DESPERTAR

“A realidade supera a ficção.”
(Osair, tio do Osvandir)


Ela estava ali naquela cama de hospital, viera por causa de uma pneumonia.

Há muito não andava, não falava, não movia nem um dedo, imóvel por mais de três anos, em estado de coma.

Era ainda jovem, de repente caiu doente e não se levantou mais. Os médicos não descobriram por que. Seus órgãos internos funcionavam normalmente. O coração batia, o sangue corria nas veias. Alimentava através de sonda. Abria os olhos mas não via.

Ouvia, mas somente aqueles além do ultra-som. Sentimentos tinha. Precisava despertar daquela vontade adormecida.

Passava anos e anos e sua família ali cuidando sempre. Algumas partes do corpo já estavam com enormes feridas devido à posição do deitar.

O seu estado era razoável. A família foi diminuindo. A mãe faleceu, algumas irmãs também.

Mas a luta diária continuava. Os tios, as tias, os irmãos, todos se revesavam para cuidar daquela menina-moça que não despertava.

Tinha uma irmã que não gostava muito daquilo tudo e resmungava sempre: -- Não quero ver esta menina sofrer tanto.

No outro dia a dita irmã faleceu. Não viu ela sofrer mais.

Num dia qualquer, de um mês ensolarado da primavera, despertou, levantou-se, sem ninguém saber como e por que, continuou a andar e falar como se nada tivesse acontecido.

MANOEL AMARAL

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