quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

E-BOOK DO OSVANDIR, DE GRAÇA!

De 6.00 hs do dia 30/12 até 24,00 hs de 31/12/2010, Manoel Amaral estará distribuindo gratuitamente o seu último e-book "Osvandir e Lua Cheia", a todos leitores que informarem pelo e-mail osvandir.ovni@gmail.com quais as três últimas postagens deste blog do Osvandir.

Este é o Projeto Livro Leve e Solto.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AS TRÊS CEIAS DE NATAL

Que o espírito natalino traga aos nossos corações a fé inabalável
dos que acreditam em um novo tempo de paz e amor.
Boas Festas.
(Fernando Waki)

Ele não queria escrever sobre o assunto, neste fim de ano, tentou por várias vezes se livrar da ideia. Muita gente já tinha falado sobre o assunto. Mas aquilo ficou martelando a sua cabeça, sem cessar, teve que escrever.

Eram três casas que Osvandir teria de visitar na noite do Natal: a primeira, num luxo danado. A segunda o pessoal da classe média e a última lá no sítio do Poço Fundo.

Chegou à iluminada mansão do Senhor Josias por volta de nove horas, a mesa estava posta, com frutas, castanhas, vinhos das mais variadas marcas, tudo importado.

Tudo numa arrumação de fazer gosto, trabalhado por experts no assunto, especialmente contratados para aquela noite. Garçons refinadíssimos servindo a todos com muito préstimo.
Mulheres desfilando nos seus últimos modelos, vindos de Paris. Fotos e mais fotos nas mais modernas câmaras digitais.

Não ouviram nenhuma Ave Maria, assunto só eram política, futebol e festas.
Na segunda ceia, do Senhor Quinzinho, casa mais modesta, um pequeno presépio num canto, mal iluminado e a mesa bem no centro da sala principal.

Ali viram muita coisa importada, ainda, devido à baixa do dólar.
E todo mundo comendo, comendo e bebendo. Assuntos principais: futebol e últimos crimes. Não esqueceram de comentar aquele caso do estado do Pará, em Belém, do menino, recém nascido, que foi atirado pela mãe, no quintal do vizinho. Estava passando a reportagem naquele momento na TV.

Osvandir saiu dali, despedindo de todos e foi para a última ceia, na zona rural.
Antes de chegar ao local, já avistara uma criança encarregada de abrir a porteira para as visitas e indicar onde poderiam estacionar os seus carros. Casinha simples, branca com portas e janelas em azul forte.

Ao adentrar ali, a primeira coisa que viram foi o imenso presépio, muito bem montado, tudo com coisas da região. Cristo estava acomodado numa casca de palmeira. Frutinhas e flores do mato estavam espalhadas por todo canto. As figuras representativas eram feitas de saco de aniagem e cabaças. Várias pedras coloridas naturalmente. Uma pequena cachoeira foi montada, com a entrada da água sutilmente escondida, trabalho de mestre.

A mesa bem montada, com frutos da região: banana, abacaxi, laranja, alguns colhidos no mato. Mas uma chamou a atenção do Osvandir e perguntou para o Senhor Arthur, dono da casa:
-- É fruta importada?
-- Não, é de um pé que plantei no quintal. Uma muda que recebi de presente. Vamos lá para você ver como está bonita.

Chegando ao local depararam com uma enorme árvore cheia de frutos de cor arroxeada. Era a lichia, originária da China, se deu muito bem em terras brasileiras.

O interior do fruto é muito parecido com bacupari, fruto de cor alaranjada quando maduro e muito apreciado pelas crianças na zona rural. Com vários nomes em cada estado, tem também um cipó com este nome.

Dona Maria convidou a todos para orar e depois servir a ceia.
Uma leitoa estava estirada sobre a mesa, saída do forno naquela hora. Carne de porco, de boi, alguns frangos caipiras, farofa feita com farinha de mandioca, doces de todos os tipos, feitos em casa.

Cada visitante trazia um pratinho com alguma coisinha para completar a mesa.
Naquela confraternização, todos se abraçando, conversando e dando boas risadas.
E aí caros leitores, perguntamos para você: Em qual das casas ouve o verdadeiro Espírito do Natal?

Manoel Amaral

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A GATINHA CIND

A GATINHA CINDERELA

“Gatinha não gosta de sujeira, gosta é de ficar bem bonitinha.”
Tataravô de Osvandir


Ela perdeu a mãe muito cedo e seu pai, ainda jovem, resolveu se casar novamente. Ali naquela cidade do interior, quando acontecia isso era uma falação danada. Diziam que o sujeito estava doido, era mais velho dez anos que a mocinha casadoira. Ele não deu atenção às beatas, casou-se e estava quase feliz se não fosse a sua linda filha do primeiro casamento, a Cind.

Ela andava meio amuada, a sua madrasta era muito má e a colocava para lavar roupa naquela máquina velha e estragada. Limpava o chão da casa, dos três banheiros e ainda tinha que fazer o almoço todo dia. Era um trabalho muito pesado para a pobre menina.

Seu pai, como todo homem, era meio distraído e nem notou que a sua mulher estava maltratando a sua adorada filhinha.

Numa festa, uma balada, foi que reparou que ela queria falar-lhe alguma coisa:
– O que foi filhinha? Anda tão tristinha!
– Pai, é que hoje tem uma balada lá no SOM BALA e a sua adorada esposa não quer deixar-me ir, mesmo depois de tudo que tenho feito aqui em casa e ainda estudar à noite.
– Vou conversar com ela e vai ver, tudo vai dar certo, pode deixar...
– Só quero ver Papi!

O dia custou a passar para aquela menininha de cabelos louros anelados e nariz arrebitadinho. As sardas de seu rosto já estavam indo embora, já ia completar 15 anos e podia até tirar aquele horroroso aparelho dentário de metal. Era uma menina aplicada, tirava boas notas na escola, a famosa “Gral”, a melhor da região, onde só estudava crianças inteligentes e de boas famílias. A madrasta queria colocá-la numa escola pública, mas o pai foi incisivo:
– A Cind tem que estudar na melhor escola da região.

E assim foi. Lá estudavam e também arranjavam os namoradinhos. As duas filhas da madrasta também estudavam lá. Era duas meninas odiadas por todos. Muito exibidas e andavam com roupas de grife e acessórios caríssimos. Para a Cind sobrava apenas alguns brinquinhos de biju. Mas o celular ela tinha e fazia questão; devia estar sempre com bateria e créditos, para conversar com o pai.

Mas como roupa não melhora a imagem de ninguém, ela brilhava com aquele shortinho azul e a camisa branca da escola, sem nenhuma afetação.

A hora da balada chegou. As outras filhas estavam todas apavonadas e ela com toda simplicidade. Na hora da partida pensou que poderia ir, que seu pai teria conversado com a Madrasta Madalena, mas qual o que, o “velho”, como carinhosamente ela o chamava, nem lembrou do assunto.
– Você não vai bruxinha! Pode passar a mão na vassoura e no rodo e vá limpar os banheiros porque amanhã teremos visitas importantes.
– Mas “Madá”! (ela chamava carinhosamente a Madrasta assim.)
– Nada de ma, me, mi e coisa nenhuma. Vá fazer o que lhe mandei e não saia à rua sozinha que é muito perigoso! Tem muito maconheiro por aí.
– É Cind, você pensou que iria encontrar com aquele rapaz? Nós é que iremos vê-lo. Adeusinho querida e bom trabalho sujo para você!

As duas meninas eram mesmo implicantes. Enchiam o saco da todo mundo e ainda se julgavam as mais belas da cidade.

Mas como tudo pode acontecer, Cind recebeu um telefonema de seu primo Jonas que estava na cidade e queria conhecer o Clube.

Eles combinaram o horário e logo depois estavam os dois lá no meio da balada. Havia gente de todo tipo, era um verdadeiro zoológico.

A promotora da festa conseguiu uma mansão, com enormes escadarias, onde os jovens subiam e desciam a todo momento. Luzes de laser por todo lado e o som a toda altura. Alguns vizinhos já começavam a reclamar.

A velha e má Madrasta disse que voltaria para casa a meia-noite, o que significaria que voltaria lá pelas três da madrugada. O tempo passava, até que numa saída do banheiro feminino, Cind conheceu um belo rapaz com cara de príncipe de filme. Conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que era de outra cidade, de outro estado, bem longe dali.

Ele foi logo ficando gamadão pela linda menina de cabelos cacheados. O seu carrão, todo colorido e rodas cromadas de magnésio indicava que era filho de algum rico empresário. Mas Cind nem ligava para dinheiro, ela queria é ser feliz.

O relógio só tiquetaqueando, o tempo passando, quando ela olhou para o seu celular de cristal (um plástico fabricado na China, mas muito vistoso), foi que notou que já aproximava das três da matina.
Ela não teve como ficar mais tempo por ali, teria que ir embora, procurou o seu primo, este desaparecera no meio do salão. Chamou um táxi, o moço disse que a levaria onde quisesse, ela não quis.

Ao sair apressada, deixou escapar o celular, que caiu bem no meio da escadaria da mansão.
O rapaz viu qualquer coisa brilhar e foi lá apanhar, era o aparelho da linda menina. Ele pensou: “depois eu a procuro para devolvê-lo e aproveitar para bater um papo.” E foi o que aconteceu.
Como ele era esperto, olhou e notou que havia um GPS no aparelho, com mapas das ruas da cidade. Foi só instalá-lo no carro e seguir as direções indicadas.

Bateu na porta da casa da Cind. A velha foi quem atendeu.
– Sim?!
– Desejaria conversar com a dona deste celular...
– Deve ser de uma das minhas filhas, vou chamá-las.

Ela sumiu lá para dentro da grande casa e nesse meio tempo Cind veio atender à porta, pois ouvira o sinal da campainha. Ao ver o rapaz, assustou-se, pois estava com uma roupinha caseira, bem simples: uma camiseta de malha azul e um shortinho branco.
– Vim trazer o seu celular, acompanhei pelo GPS por isso encontrei muito rápido a sua casa.
– Mas que coisa, hein?! Vamos entrar, vou mandar alguém preparar alguma coisinha para a gente comer.

Foi aí que ela lembrou que quem preparava a mesa naquela casa era ela. Voltou e disse que daí a pouco viria um cafezinho, um “refri” ou um suco de açaí, acompanhado de gostosas bolachas recheadas.

Conversa vai, conversa vem e o papo estava muito agradável, ele contou tudo para ela. Quem era o seu pai, um rico empresário do ramo de tecidos lá do sul. Ela só caladinha ouvindo tudo.

Nesse meio tempo apareceu na sala uma das filhas da “Madá” e foi logo dizendo:
– Este celular é meu, meu príncipe.

Aí a confusão se formou; a outra filha mais velha também apareceu; a mãe, muito sem educação, queria por todos meios pegar o celular, mas o rapaz não deixou, entregou-o para a verdadeira dona, a Cind.

Quando a discussão estava feia apareceu o pai e quis saber o que se passava, quando a adorada filha contou tudo! Só assim que ele percebeu o quanto sua filhinha querida era maltratada por aquela mulher. Pediu o divórcio.

Meses depois o rapaz ligou que viria e veio, pediu-a em casamento.

Namoraram, casaram e tiveram muitos filhos.

MANOEL AMARAL

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OSVANDIR E A GUERRA CIBERNÉTICA

OSVANDIR E A GUERRA CIBERNÉTICA



As ações numa guerra cibernética visam quebrar a
disponibilidade, confidencialidade e integridade dos
sistemas críticos e do poder central, causando perdas
econômicas e descrédito no governo
”.
IBTA - Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada.


Osvandir estava para fazer uma viagem para o exterior quando estourou a guerra cibernética entre governos e a WikiLeaks. Vários computadores foram invadidos e alterados para projetar ataques a órgãos do Governo Americano.

Foi aí que ele descobriu que fora envolvido na trama diabólica dos mentores da Guerra. O seu computador não respeitava mais aos seus comandos. Quando qualquer texto era digitado aparecia uma mensagem no monitor: “PC requisitado para ajudar no ataque a vários órgãos públicos do mundo inteiro.”
Um técnico foi chamado para ver possíveis problemas na máquina, mas disse:

-- O seu PC está infectado por um vírus denominado Stuxnet, que pode fazer praticamente tudo que deseja no computador utilizando duas vulnerabilidades “zero day”.

Osvandir foi pesquisar para entender o que seria isso e encontrou na Wikpédia o seguinte: “Stuxnet é um worm de computador específico do sistema Windows descoberto em junho de 2010 pela empresa bielorrussa de antivírus VirusBlokAda. O Stuxnet é capaz de reprogramar CLPs e esconder as mudanças.” (Wikipédia)

Em computação um Worm, (verme, em português) é um programa auto-replicante, semelhante a um vírus. Stuxnet é um protótipo em operação de uma arma cibernética que levará a criação de uma nova corrida armamentista no mundo.

"Ele não foi criado para roubar dinheiro, enviar spam ou para se apoderar de dados pessoais. Ele foi criado para sabotar fábricas, para prejudicar sistemas industriais. É aí que está a diferença e o marco para um novo mundo. A década de 90 foi marcada pelos vândalos cibernéticos e os anos 2000 pelos criminosos cibernéticos. Agora estamos entrando na década do terrorismo cibernético, com armas e guerras virtuais", acredita Kaspersky..

Ele é capaz de:
Deixar um país às escuras ou sem comunicação durante horas.”
“O emprego maciço de todos os recursos e meios disponibilizados com o uso das redes de computadores
”.

Alvos vantajosos para uma guerra cibernética, segundo a importância das suas infra-estruturas, as redes de computadores e sistemas que gerenciam e controlam os serviços críticos de:
a. Redes de Telecomunicações;
b. Energia Elétrica;
c. Saúde Pública, Emergência e Água potável;
d. Sistema Financeiro;
e. Redes de Comando e Governo
.

Na guerra cibernética, permitem ao atacante o emprego maciço de todos os recursos e meios disponibilizados com o uso das redes de computadores. As ações numa guerra cibernética visam quebrar a disponibilidade, confidencialidade e integridade dos sistemas críticos e do poder central, causando perdas econômicas e descrédito no governo.” IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada).

Todos os fatos mencionados acima indicam que o desenvolvimento do Stuxnet foi, provavelmente, apoiado por uma nação-estado, que possuía fortes dados de inteligência à sua disposição”, informam os principais jornais do mundo. "

Os principais portais da internet ficaram sobrecarregados. Nada estava funcionando direito.

A passagem aérea do Osvandir foi cancelada, sem a sua solicitação. A escalada da guerra informática contra todas as companhias que lhes negaram os meios de financiamento do site.

Fóruns foram criados e reuniram milhões e milhões de participantes, todos empenhados em atingir os Cartões de Crédito, que tiveram um prejuízo de milhares de dólares.

Agora a polícia anda atrás do autor de toda esta confusão. Dizem que ele teve problemas com duas garotas na Suécia para tirar o assunto do foco, coisa típica de vários governos.

Aí entrou no jogo o Lammer (do inglês Lamer = fraco, desabilitado), que sem saber ajudou na guerra cibernética. Na realidade o Lammer é uma cara que pensa que é hacker, mas na verdade ele não é nada, é um bobão que está sendo dominado pelo esquema da cibernética.

Quando Osvandir pensou que o susto maior havia passado, novos ataques surgiram na onda do WikiLeaks; os anúncios com vírus:
-- Você acaba de ser premiado com um Celular, clique aqui e faça a sua escolha.

Na pressa o cidadão inocente acaba clicando e levando aquele chumbo grosso. Agora sim, a sua HD deverá ser substituída ou formatada e os seus arquivos foram todos para o beleléu.

Todo cuidado é pouco porque os vírus estão todos por aí, procurando só uma brechinha par penetrarem e causar o maior estrago possível.

Manoel Amaral
COPIEM E DIVULGUEM, ESTE TEXTO PODERÁ SAIR DO AR A QUALQUER MOMENTO!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Homenagem ao Osvandir





Osvandir sempre entra em alguma aventura...

Repleta de emoção, diversão e loucura!

Ele encontra sempre uma lenda urbana...



Em cada esquina ou numa solitária cabana!



Ele conheceu o País das Maravilhas...

E virou fantasma em Brasília!

Ele não tem medo de navalha...

Só do palhaço chamado Palha,



Que foi muito bem eleito...

Mesmo sendo analfabeto funcional...

Lembrando de um jeito perfeito...

O Sassá Mutema da novela Global!



Osvandir já foi fantasiado de mosquito...

Num badalado e popular carnaval...

Mas pegou dengue de um modo aflito...

De um jeito nada original!



Osvandir também teve seu momento de ternura...

Quando ele se apaixonou com candura...

E de um jeito nada altivo...

Pela moça do coletivo...



Sem saber que ela surda-muda...

Mesmo assim o amor não perdeu a luta!



Osvandir sempre entra em alguma aventura...

Repleta de emoção, diversão e loucura!

Ele encontra sempre uma lenda urbana...

Em cada esquina ou numa solitária cabana.



Luciana do Rocio Mallon


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

OS TRÊS PORQUINHOS

OS TRÊS PORQUINHOS


Nova versão de Osvandir


Era uma vez, não faz muito tempo, três porquinhos que viviam felizes e tranqüilos na casa de sua mãe, na zona rural.

Como já estavam na meia idade, a mãe resolveu enviá-los para cidade, então chamou os porquinhos e disse:
– Queridos filhos, vocês já estão bem crescidinhos. Já é hora de terem mais responsabilidades, vou enviá-los para casa de seus tios, na cidade, para se tornarem mais experientes.

Distribuiu o cada um o dinheiro que seu pai, o senhor Porcão, deixara como herança e despediu-se dos mesmos:
– Até mais, meus filhos queridos, vão aprender alguma coisa na vida...
– Tchau mamãe, - disseram todos.

Pegaram o primeiro ônibus que por ali passava e foram para a cidade. O dia estava lindo, mas alguns passageiros reclamavam que o ambiente não estava cheirando bem.
– Deve ser o meu irmão mais novo, - disse Pedro, mais conhecido por Pedrito, - ele não costuma tomar banho direito.

– Olha irmão, eu estou limpinho! Tomei banho hoje. Deve ser alguém que soltou um pum por aí e está jogando a culpa nos outros, - respondeu o porquinho mais novo, conhecido como Palhaço.
– Ora gente, vamos deixar de briga, já estamos chegando à cidade, - falou Palito, o elegante porquinho do meio.

Desceram do ônibus e foram à procura da casa do tio, pejorativamente chamado de Senhor “Porcaria”. É que ele não prestava mesmo, bebia muito e vivia nas portas dos bares da cidade. Não cuidava bem da família.

Pedrito vendo aquilo, e a pobreza da família, resolveu procurar outro lugar para morar. Cada um foi para um lado. Palhinha foi para a periferia e acabou encontrando um barracão numa comunidade.
Palito comprou madeira, montou uma casa e passou a fabricar móveis ecológicos, com eucaliptos.
Já Pedrito que recebeu mais dinheiro, comprou uma boa casa no centro da cidade.

Os anos se passaram e cada um por seu lado. Um dia os bandidos subiram o morro, o chefão chamava-se Lobão, era muito bravo, mandou todo mundo sair e colocaram fogo nos barracões, entre eles estava o de Palhinha.

Muito triste, sem ter para onde ir, procurou o seu irmão mais velho
que o recebeu carinhosamente, mas como Palhinha não gostava muito de trabalho, resolveu procurar o outro irmão, o Palito, que fabricava móveis. Como por lá também tinha muito trabalho ele só almoçou e saiu para outros lados.

Filiou-se a um partido político da cidade. Ele que era palhaço de profissão e se deu muito bem, conseguindo uma vaga para candidatar-se a Vereador.

Seu número: 99.999 e dizia que “noves fora e sobra um”. Quase ninguém entendeu bem o recado, mas no fim da apuração ele teve uma votação espantosa.

Perguntavam para ele o que fazia um Vereador e ele respondia:
– Vote em mim que depois eu te conto. Pior que tá não pode ficá.

O Palhaço Palhinha foi eleito com 90% dos votos da cidade, elegendo mais quatro vereadores para o seu partido.

Aí todos entenderam o seu recado: noves fora e sobra um – todos 9 Vereadores não conseguiram reeleger. O PP (Partido dos Porcos) ficou com maioria na Câmara Municipal.

Com muita inveja, os demais Vereadores do PA (Partido das Araras) e PT (Partido dos Tatus), alegaram que ele era analfabeto e entraram com processo para impedir a sua posse.

No fim não deu em nada, ele era analfabeto funcional(*) e por que naquele país, que era igual aos outros, só mandava quem tinha dinheiro e agora o Palhinha estava muito bem assessorado e com muita grana no bolso.

MORAL: É melhor ser pobre e inteligente do que rico e burro.

Manoel Amaral

(*) analfabeto funcional: toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, lê e escreve frases simples e efetua cálculos básicos.

Imagem: Banco Google

segunda-feira, 29 de novembro de 2010



OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo VI

The Rainbow

– Esquecemos de dizer que depois do susto, olhamos para o local, um arco-íris subia para o espaço. Foi muito bonito, disse a Jovem, de 15 anos, que sofria de rins.

Os demais confirmaram, mas disseram que observaram que a largura dele era muito maior, dava umas três do arco-íris comum, não tinha nuvem de chuva. As cores, disseram ser as mesmas: violeta, anil, azul, verde, amarelo, alaranjado e vermelho.

O médico disse aos três que cuidou dos pacientes com muita atenção, em alguns as queimaduras eram maiores, nos demais apenas um vermelhidão na pele. Fez todas as anotações nas fichas de cada um, tomou a precaução de fotografá-los. Pediu que todos fizessem novos exames. O velho que tinha problemas na arcada dentária foi examinado por uma dentista.

– Recomendei a todos uma dieta, sem açúcares, bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e muito suco de frutas todos os dias; uma caminhada, de preferência à tarde.

Osvandir examinou as fotos, as fichas, copiou algumas, fotografou os pacientes e já ia seguindo para pousada quando foi chamado pelo Dr. até o seu gabinete.
– Venha aqui, chame seus colegas, vou mostrar-lhes agora os exames realizados neste final de semana.

Osvandir chamou Juvêncio e Waldemar para ver os exames.
– Olha este aqui da mulher de câncer, os tumores sumiram, não tem mais nada. Exames de sangue estão normais.
– Como pode ser!
– Não sei Osvandir, mas aconteceu! Aquele velho de setenta anos, com problemas na arcada dentária, aconteceu uma coisa muito mais estranha ainda: está nascendo um dente, vejam a foto e podem verificar com ele, ainda hoje. A arcada dentária não tem mais nenhum problema.
– Incrível, nunca vi um caso assim, - disse Juvêncio.
– Aconteceu só um caso semelhante, de terceira dentição, na Argentina, na década de setenta, - comentou Waldemar.

– A mulher que era estéril, está com ovulação normal, tudo indica que poderá procriar. A mulher que tinha diabetes não tem mais nada, conforme confirmam os exames. A menina com problema de rins, examinei os raios-X hoje, não tem mais nenhuma pedra.
O senhor de tuberculose, ainda apresentou algumas pequenas manchas nos pulmões, mas parece que vai sarar.
– Mas isto é fantástico! Não existe nenhum caso como este na ufologia mundial! Mas falta um, o caso do rapaz com AIDS.
– Este deixei para o final por que é mais complexo. Ele está reagindo bem, vai demorar um pouco, mas a sua recuperação parece estar garantida. Os exames de sangue estão caminhando para a normalidade. A doença está desaparecendo progressivamente. Como aconteceu tudo isso eu não sei explicar.
– Caro Doutor, este foi o caso mais interessante que participei até hoje e acredito que com o Waldemar aconteceu o mesmo.
– É verdade pessoal, jamais participei dum caso como este.
– Vou solicitar ao amigo Jacinto, que me envie as cópias dos exames, antes e depois, bem como fotos de quando chegaram ao posto. Vou passar-lhe o meu cartão.

Passado alguns dias chegaram pelo correio o material solicitado e uma cartinha do médico, dizendo que estava muito feliz pois o rapaz do caso da AIDS estava praticamente curado. Foram feitos outros exames suplementares em Belém e não deu nada.

Depois de alguns dias Osvandir imaginou que aquelas curas poderiam até estar relacionadas com a cromoterapia. As cores do Arco-Íris: Vermelho com doença de rins; amarelo com diabetes; verde e o câncer; azul benéfico para úlceras na boca e nova dentição e assim por diante.

E você leitor, o que acha?

Manoel Amaral

domingo, 28 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - V


OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL


Capítulo V
A Queda da Nave



Na manhã seguinte os quatro pegaram um jipe da Prefeitura e seguiram com um guia, até o local.
Juvêncio, o engenheiro de minas, foi quem se manifestou primeiro:
– Engraçado, se passaram apenas vinte dias do acidente e aqui não tem mais nada, a não ser um vigor das plantas. Parece que jogaram adubo, dos bons, aqui neste local. Apenas algumas plantas chamuscadas, mais nada.
– Já passei o contador de Geiger e não encontrei radiação em nenhum local, avisou Waldemar, o ufólogo.
– Interessante; algumas plantas ainda estão levemente inclinadas para direita, parece que a nave ou que coisa for, não chegou a tocar o chão - concluiu Osvandir.

O médico ouviu tudo e nada disse. Todos ficaram imaginando o que poderia ter acontecido. O guia viu qualquer coisa brilhando perto de uma moita, correu até o local, mas era apenas um lixo humano: latinha de cerveja.

Osvandir teve uma ideia:
– Vamos fazer uma varredura por aqui, todos procurando qualquer coisa num raio de cem metros, no sentido dos ponteiros do relógio. Procuraram e nada encontraram além de pequenos objetos como tampinhas de garrafas plásticas, um copo plástico, um pedaço de pneu e outro de copo de vidro.

Juvêncio colheu algumas amostras do solo, para exame em Belém.

Manoel Amaral

sábado, 27 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I V

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo IV

A EXPLOSÃO

O médico resolveu colaborar e entrevistou a seguinte, aquele homem que sofria de tuberculose pelo uso constante de cigarro:
– Caro amigo, vamos contar tudo direitinho que você viu naquele dia?
– Claro Doutor, não toquei no assunto com ninguém, fiquei com medo das pessoas ficarem gozando a gente. Quando vi o aparelho já estava rente ao chão e houve explosão muito grande que as casas até tremeram. O cruzeiro balançou, fiquei com muito medo.

Osvandir já passara a ouvir a quinta testemunha, aquela jovem de 15 anos que sofria de problemas nos rins:
– O que você viu?
– Eu falo se você não publicar o meu nome, tá OK?
– Pode falar que o seu nome não vai sair na publicação.
– Eu vi pouca coisa, só um clarão muito grande lá na mata. Vinha aproximando em nossa direção...

Enquanto isso ao lado, no mesmo quarto, Waldemar conversava com a senhora que sofria de diabetes:
– Depois da explosão, que assustou a todos, o que a senhora viu?
– Não pude ver quase nada, apenas uma poeira branca que vinha correndo pelo vento, atingindo todos nós. Parecia com aquela fumaça de vulcão que a gente vê pela TV, mas rente ao chão.

No outro quarto o engenheiro entrevistava a última testemunha, aquele jovem que tinha AIDS:
– Você vinha com os amigos e ai?
– Quando olhei a poeira branca atingiu a todos nós. Eu gritei para que abaixassem e escondesse o rosto.
– Porque esta atitude de esconder o rosto?
– Pensei logo nas guerras, nas bombas...
– Mas não era guerras e nem bomba, era?
– Não! Quando tudo passou, nós começamos a sentir uma dormência na pele, como se tivesse sido queimado pelo sol do meio dia.
– E as outras pessoas da cidade não sofreram nada, porque será?
– Penso que é porque estavam dentro de casa ou mais longe da poeira. Nós estávamos lá embaixo, numa estrada que vai para um povoado.
– Ninguém foi no local da queda do objeto?
– Ficamos com medo...

As entrevistas ficaram por ali, agora a conversa seria com o médico.
Doutor Jacinto contou para todos o que vinha fazendo desde aquele dia:
– Primeiro tomei cuidado com a infecção. As queimaduras, provocadas pelo calor ou radiação, não se sabe ao certo, provoca lesões na pele como ainda podem observar nos pacientes. Causam dores fortes incomodando-os. A dor na queimadura é resultante do contato dos filetes nervosos com o ar.
– Doutor, posso chamá-lo apenas de Jacinto? O que provocou estas queimaduras?
– Não se sabe ao certo. Bomba atômica não foi, do contrário isto aqui estaria tudo destruído...
– É verdade! Por que ninguém foi ao local para ver de perto o que era?
– Eu mesmo recomendei a todos que não se aproximassem do local.
– Certo. Amanhã iremos até lá, - disse Osvandir.

Manoel Amaral

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I I I

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo III

Depoimentos


Nenhum dos três acreditavam muito na explosão, pouso de nave ou ufo naquela região, mas foram lá verificar os fatos. Desta vez o engenheiro resolveu acompanhá-los.

No caminho encontraram o médico Jacinto que veio lá do Rio de Janeiro.
– Como vai Doutor? Já fui apresentado ao Senhor lá na pousada – disse Osvandir.
– Você é o ufólogo lá de Minas? O que veio pesquisar aqui?
– Vim com o Waldemar para dar uma olhada, mas o que está me interessando mesmo é o caso da explosão...
– Escolheu a pessoa certa, eu sou quem foi designado para cuidar dos enfermos...
– Enfermos? Quem está doente por aqui. Casos de dengue hemorrágica?
– Não amigo, eu sou especialista em queimaduras, estou ajudando as enfermeiras num caso muito estranho acontecido por aqui. Não sei bem da história, vocês deverão entrevistar melhor as testemunhas.
– Mas será que é o mesmo caso que viemos pesquisar?
– A cidade é pequena, tem cerca de 25.000 habitantes, poucas ruas, logo vamos saber... – disse o médico.

O engenheiro Juvêncio que até aquele momento mantinha-se calado resolveu entrar na conversa:
– Será o caso dos fins de outubro?
– Pode ser – respondeu o médico.

Seguiram para o pequeno posto de saúde no final do quarteirão. Ali entre vários enfermos tinha sete pessoas que há 20 dias permaneciam internados. Tiveram que arrumar camas com os vizinhos, devido a precariedade do local.

Waldemar e Osvandir entraram primeiro, a enfermeira quis barrá-los, mas o médico disse que poderia deixar os dois entrar. Os quartos estavam isolados, com visitas proibidas.

Para piorar a situação um surto de catapora e meningite atacou a região.

Os que estavam internados eram:
O primeiro paciente, uma mulher de 40 anos, tinha câncer.
O segundo, uma mulher, 35 anos, era estéril.
O terceiro caso era mais simples, problemas na arcada dentária, um senhor, setenta anos de idade.
O quarto sofria de tuberculose.
O quinto, uma jovem de 15 anos, tinha problemas nos rins.
O sexto, uma mulher de 45 anos, com diabetes;
O sétimo, um jovem de 25 anos, com AIDS.
Todos os casos comprovados através de tratamentos anteriores, laudos médicos, exames de sangue, chapas de raio X, etc.

Waldemar e Osvandir tiveram o cuidado de resguardar os nomes verdadeiros de todos eles.

O primeiro a ser entrevistado por Osvandir foi a paciente com câncer:
– A senhora tinha câncer há muito tempo?
– Sim! Tudo comprovado por laudo médico, eu ia fazer tratamento em Belém, sempre. Olha meus cabelos, agora que estão renascendo.
– A Senhora estava junto com os outros seis, no final da rua, naquele dia?
– Sim moço, a coisa foi feia num certo sentido, mas por outro lado os benefícios...
– Benefícios? Que aconteceu depois? Estou ficando curioso.
– Eu e meus amigos, estávamos nos dirigindo para rezar o terço de domingo, na casa de um colega nosso, justamente pedindo graças.
– Desejo saber como foi e o que você viu, naquele dia 31 de outubro.
– Olha, veio um objeto descendo do espaço, fazendo caracol, parece que alguma coisa não ia bem com ele...

Do outro lado do quarto, Waldemar entrevistava a mulher de 35 anos, que não tinha filhos:
– O que foi que a Senhora viu, naquele domingo?
– Eu vinha junto com a minha companheira de quarto, descendo a rua e ela alertou-me para um objeto que vinha descendo em espiral, um barulho bem esquisito, parecia grande...

No outro quarto o engenheiro Juvêncio falava com aquele senhor de idade avançada, com problemas na arcada dentária.
– E aí, como foi que tudo aconteceu?
– “Nois” vinha vindo lá da rua de cima, todo mundo junto, “conversano”, até que alguém chamou a atenção para o céu. Uma coisa vinha caindo e deixando uma fumaça branca para trás, lá para o lado dos Campos de Tauá

Manoel Amaral

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL - I I

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL

Capítulo II

APARICÕES

Os três seguiram por aquelas estradas, e cada qual com um pensamento diferente. Uma chuva fina refrescou a temperatura que estava muito alta. Um vapor subiu da terra atingindo as nuvens.

Aquele dia estava prometendo muitas novidades. Pararam num posto, tomaram um suco de açaí, comeram peixe frito. Osvandir preferiu tomar um suco de cupuaçu e comer pastéis.

O calor daquele dia estava insuportável e o sol de “rachar mamona”. Juvêncio, assim que chegou, procurou os seus amigos, Osvandir seguiu para uma pousada com Waldemar, o escritor.

Lá mesmo, andou perguntando se alguém tinha alguma informação sobre os estranhos fenômenos que apareceram nos fins de outubro.

Senhor Antônio, muito prestativo, levou os dois até um casal que tinha passado por maus momentos com os objetos aéreos muito estranhos.

– O que foi que vocês viram? – perguntou Waldemar.
– Primeiro a TV saiu do ar, era apenas chuvisco na tela, os cachorros começaram a latir. Fui lá fora ver o que se passava. Eu e minha esposa vimos dois objetos esquisitos girando no ar. Iam e voltavam, como se fossem folhas secas caindo das árvores. Um deu a volta em torno da casa, passou pelo quintal. Depois sumiram lá pelos lados da piçarreira.

Waldemar perguntou se faziam barulho e eles responderam que não, apenas tinham muitas luzes girando.

O segundo quem entrevistou foi Osvandir:
– O que mesmo que o senhor viu?
– Olha moço, eu fiquei com um medo danado, porque sou da geração que assistiu os ataques da época da “Operação Prato”, na década de setenta. Os dois objetos vinham com uma espécie de farol muito forte e de luz muito branca, cegando todo mundo.
– Mas não poderia ser um helicóptero? Um avião? Um balão?
– Estas máquinas humanas que o senhor citou não fazem o que aquele misterioso objeto fazia. Ele subia, descia, seguia em linha reta, ia até a altura das copas das árvores e depois sumia...
– Fazia algum tipo de barulho? Fumaça? Cheiro forte?
– Não fazia barulho algum, nem soltava fumaça, a não ser um zumbido que punha os animais a latir, berrar e galo cantando fora de hora. Depois sumiam lá para os lados de Campos de Tauá.

Os dois, satisfeitos, foram para a Pousada. Lá chegando encontraram o Juvêncio fazendo suas anotações. Aí Osvandir perguntou:
– O que é piçarreira, Dr. Juvêncio?
– Você não sabe? Aqui isso é muito comum, é um nome que dão as grandes jazidas de piçarra (rocha). Vem das rochas de argila que se encontram em grande quantidade no subsolo do município.
– Na entrevista com um casal, eles citaram esta palavra.
– Você vai encontrar muitas palavras diferentes por aqui, eu já estou acostumado, já fiz até um mini-dicionário para esta região.
– Amanhã eu e o Waldemar vamos visitar algumas pessoas que afirmam que houve a explosão de uma nave lá para o lado daquelas grotas.

O resto do dia foi só conversa fiada: o Waldemar defendendo os seus livros, Osvandir com as suas teorias e Juvêncio só digitando em seu note book.

A noite não foi das melhores, os pernilongos ou muriçocas atacavam sem dó nem piedade. Os repelentes não funcionavam, as janelas tinham que ficar abertas por causa do calor, o que facilitava a entrada daqueles abomináveis insetos.

Levantaram revigorados, tomaram um banho frio e foram para o café da manhã.

Manoel Amaral

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OSVANDIR E O FENÔMENO SIDERAL


Capítulo I
Mistério no céu do Tauá

Ao abrir o jornal eletrônico Diário do Pará, de vários dias atrás, notou as seguintes manchetes:

Aparição de ÓVNIS assusta quatro comunidades
Ufólogos visitam Tauá para investigar ÓVNIS
Ufos em Santo Antônio do Tauá
Mistério no céu do Tauá

Pegou o primeiro avião para Belém, solicitou uma reserva no seu hotel preferido, através da internet. Procurou ler uma revista, um livro, nada estava bom. Parecia muito preocupado. Queria chegar mais rápido possível. Mas a viagem era longa, muitos quilômetros a serem vencidos sobre a floresta.

O seu colega ao lado, falava muito e repetia que entre Mato Grosso e Amazonas tinha um ponto onde os aviões caíam com mais freqüência. Ninguém sabia por quê. Era uma espécie de Triângulo das Bermudas, no meio da floresta.

Aquela conversa não agradou ao Osvandir que queria dormir, mas não conseguia. Resolveu então bater um papo com o colega. Apresentou-se:
– Meu nome é Osvandir, sou ufólogo, trabalho em pesquisas de fenômenos estranhos...

O cidadão ficou tão empolgado que foi logo interrompendo:
– Sou Juvêncio, engenheiro de minas, vou para Santo Antônio de Tauá, Pará.
– Mas que coincidência amigo, eu também vou para lá.
– O que pretende estudar naquele fim de mundo, Osvandir?

Naquele instante Osvandir sacou de sua maleta o seu note book e mostrou as manchetes nos jornais eletrônicos de Belém.
– Havia esquecido, você está atrás dos Ufos.
– Não! Procuro um fenômeno maior por trás disso tudo...
– Como assim; não entendi?
– Você talvez possa ajudar-me. Fiquei sabendo que no Norte do Estado do Pará existe uma ocorrência muito grande de vários minerais valiosos.
– É verdade, naquela região tem ouro, manganês, alumínio e cobre (associado a molibdênio, prata e ouro) e urânio.
– Você vai direto para Santo Antônio assim que chegar a Belém?
– Não, devo entrar em contato com a empresa onde trabalho. Irei no dia seguinte.
– Então está combinado. Iremos juntos. É até bom, nesse meio tempo visito uns amigos de Belém.
– Tudo combinado então. Olha só, já estamos chegando. Em qual hotel você está?
– No Plaza, procure-me que vou deixar recado na portaria.

Osvandir saiu do aeroporto direto para o hotel. Não teve tempo nem de subir para o quarto e encontrou um amigo.
– O que fazes por estas bandas, Osvandir?
– A procura dos fenômenos...

Foram almoçar juntos, era o seu amigo Waldemar de Souza, escritor de vários livros sobre ufologia. Ele estava ali para recolher dados de várias testemunhas sobre avistamento recente, para seu novo livro.

Osvandir falou que ia para Santo Antônio na manhã seguinte.
– Que coincidência eu também vou para aquele local, então poderemos ir juntos.

– De Belém até lá tem cerca de 60 km, passando pela Rodovia Federal BR-316 e pela Estadual PA-140, num bom carro gastaremos mais ou menos uma hora de viagem – disse Osvandir.
– Poderemos fretar só um carro e dividir as despesas.
– Vou ter que esperar um outro amigo que também vai pra lá, um tal de Juvêncio, engenheiro de minas, que trabalha para uma multinacional – disse Osvandir.

Manoel Amaral

Leia a continuação:

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_25.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_26.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_27.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_28.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/11/osvandir-e-o-fenomeno-sideral-capitulo_29.html

domingo, 21 de novembro de 2010

OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA

OSVANDIR E A DOENÇA MISTERIOSA


“Essa doença incapacita e mata”
(Dr. Osmandir, Tio do Osvandir)


O Tio do Osvandir havia muito tempo precisava fazer um check up. É que ele estava levantando a noite para urinar, bebendo muita água e ficava sempre com muita fome, fora do horário das refeições.

Fora isso tudo ainda perdera alguns quilos e ficava num cansaço, que imaginava ser dengue. Algumas feridinhas de seu braço estavam demorando muito a cicatrizar.No mês passado teve uma infecção urinária que foi difícil controlar, só terminou a custa de muito antibiótico e anti-inflamatório.

Quando estava escrevendo seus textos no computador, sentia uma dormência nas mãos e pés, visão embaçada. Era como se fosse um formigamento.

Pensou com ele mesmo: -- deve ser a posição, a postura na cadeira. Foi até a loja mais próxima e comprou uma boa cadeira para uso na sala de computação. Qual o quê, tudo continuou na mesma!

Não tinha escapatória, ligou para seu médico, clínico geral e marcou consulta para o fim de semana.

Os dias se passaram rapidamente e na sexta-feira a secretária ligou informando que havia um horário vago mais cedo, perguntou se havia interesse em fazer a consulta na parte da manhã. Meu Tio que sempre gostou de se livrar do médico o mais rápido possível, confirmou o horário.

Às dez horas pegou o carro na garagem, ao abrir a porta do veículo sentiu uma dor aguda do lado esquerdo do peito. Apressou a saída, desceu a rua de sua residência, pegou a via principal e foi para o centro.Na clínica várias pessoas conversando sobre doenças.

Até que uma velhinha falou sobre o seu marido:
-- Ele andava meio triste, emagreceu muito, com a boca seca, visão embaçada e ia ao banheiro toda hora.

O meu Tio ficou ali escutando e conferindo com os seus sintomas. Começou a ficar preocupado.
E a anciã continuava:
-- Zezito, foi ao médico e ficou constatado...

Neste momento a secretária chamou-o para consulta, de maneira que não ficou sabendo o final da conversa das duas comadres.
Antes de sentar-se naquela cadeira macia e confortável da sala, o médico cumprimentou-o e perguntou-lhe como estava passando: -- Como vai o Senhor?
-- Vou vivendo...
-- Então vamos aos exames, o que está sentindo ultimamente?
-- Estou muito sonolento, boca seca, bebo muita água, dor nas mãos e pés, quero comer a toda hora e a noite levanto para urinar várias vezes.
-- Meu amigo, nem precisa falar mais, vou solicitar alguns exames e cuide de voltar o quanto antes ao meu consultório.
-- Sim doutor, vou voltar o mais rápido possível.

Osmandir, o tio do Osvandir, saiu dali com várias interrogações na cabeça. Foi para casa e nem quis trabalhar mais naquele dia. Ficou remoendo as macacoas.

No outro dia foi logo levantando bem cedinho e se dirigindo ao laboratório de análises mais próximo de sua casa.

Muito bem acolhido na chegada, mas esquecera de recolher a urina em casa. Deveria entregar outro dia.

A gentil secretária informou que poderia buscar os resultados na sexta-feira de manhã. Assim sendo aproveitou para marcar com o Dr. Salomão, naquele dia mesmo.

Passou a semana toda observando a si mesmo e aqueles sintomas eram reais. Estava mesmo perdendo peso, comendo muito, boca seca e querendo água. Mãos e pés então? Pioraram, estavam mais inchados.

Chegando à sexta-feira, foi ao centro da cidade três vezes, para o tempo passar mais depressa. Encontrou seus velhos amigos, mas com o mesmo papo de sempre: falando mal das eleições, da aposentadoria e do governo federal.
Chegou a sexta-feira, sol brilhante no céu, de repente uma chuvinha fraquinha só para apagar a poeira do asfalto. Almoçou menos, viu as notícias na TV e seguiu para o consultório.

As mesmas velhinhas faladeiras estavam lá. Não deu muito ouvido, ficou do lado de fora observando o grande movimento de veículos nas ruas. Perguntou a alguém a razão daquilo e foi informado que naquele dia haveria uma grande festa na cidade.
Chegou o momento de seu encontro com o médico. Estava tremendo, parecendo que ia receber uma péssima notícia.
Com os resultados de exame na mão entrou na sala.
-- E aí “Seo” Osmandir? Deu tudo certo?
-- Foi fácil, consegui os resultados para hoje e aqui estou.
-- Vamos ver... É amigo, a glicose está alta, também o colesterol.
-- Mas doutor, isso é coisa grave?
-- “Se não houver controle pode levar a pessoa a um processo de envelhecimento rápido, com falência de órgãos importantes como os rins, olhos, cérebro. O excesso de glicose na circulação provoca lesão de pequenos vasos sanguíneos que pode ocorrer em qualquer órgão do corpo.”
-- Como vou fazer para controlar isso tudo?
-- Tomando a medicação correta, fazendo a dieta que vou passar-lhe, não coma açúcares, doces. Consuma bastante verduras, legumes, saladas, cereais, alimentos integrais e faça, todos os dias, uma caminhada, de preferência à tarde.
-- Mas que doença é essa doutor?

-- Você tem diabetes.
Manoel Amaral

sábado, 20 de novembro de 2010

A QUADRILHA

A QUADRILHA

Capítulo III

A PROIBIÇÃO


Uma Liminar concedida pela Justiça Federal daquele país, proibia a publicação de qualquer reportagem sobre a Quadrilha.

Mais nada foi dito e nem publicado, para cumprir a ordem judicial.

Mediante esta proibição Osvandir ia ser preso e enviado para presídio desconhecido; como estava escondido no Convento da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Ordo Fratrum minorum Cappucinorum) fugiu usando aquelas roupas de frade, com documentos falsos.

Osvandir veio para seu país que adora tanto.

Manoel Amaral
A QUADRILHA
Capítulo II

A ORGANIZAÇÃO



Conforme aprofundava nas pesquisas, mais e mais tomava conhecimento que a organização era muito maior do que se imaginava.

Tinha vários aviões só para o transporte de drogas, colocavam o material nas asas e em todo corpo do aparelho. Depois carretas seguiam via rodoviária, quando chegavam as cidades, passavam para vários carros até o distribuidor final.

Na área dos combustíveis atuava na produção e distribuição da gasolina, diesel e etanol, os proprietários de postos eram obrigados a assinar contrato para recebimento de produtos “batizados”, isto é, com mistura.

Até nos produtos farmacêuticos: fabricavam, distribuíam e roubavam carga para revender.

Na produção e manufaturamento dos alimentos, apenas duas multinacionais é que mandavam. Todas as empresas pequenas foram adquiridas por elas.

Os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário já estavam contaminados. Todos os dias as TVs anunciavam prisão de Vereadores, Deputados, Governadores, Advogados, Juizes; envolvidos com o grupo, mas aquilo era de uma importância mínima; queima de arquivo.

A TV também estava dominada, só divulgavam notícias que indiretamente contribuíam para o crescimento e fortalecimento da Organização.

Quando uma pessoa do grupo caía, já havia dois ou três treinados para ocupar o seu lugar.

A Organização era estratificada e cada grupo atuava num determinado setor, sem conhecimento de que os outros grupos faziam.

No futebol, há muito tempo manipulado, trabalhavam para forjar resultados dos jogos; juizes, jogadores e as equipes eram todos comprados. As loterias seguiam da mesma maneira.

Os melhores cargos da nação eram vendidos pela organização que sabia muito bem burlar os concursos públicos. O nepotismo também imperava naquele país.

As empreiteiras e construtoras tinham mais de um nome registrados na Junta Comercial e concorriam com todos eles, fraudulentamente, numa licitação que já nascia marcada, todos sabiam quem ia vencer.

No Congresso possuíam mais de 50% de Deputados eleitos através de suas doações partidárias.

Naquele país a corrupção era tanta, que para um processo administrativo “andar”, era necessário um “amaciante” em dólares.

Nas maiores cidades tinham a coleta de lixo transportado apenas por uma empresa ligada ao grupo.

Na política aconteciam coisas que ninguém mais acreditava. Tanto dinheiro girando, passando de mão-em-mão e o pobre passando fome. Quem conseguia ganhar eleição ficava milionário. CPIs que não chegavam a nada.

Criaram vários tipos de cotas que na realidade não adiantavam nada, só colocavam os menos favorecidos, sob o domínio eleitoral e financeiro.

Uma das cotas era muito engraçada: Permitia a entrada em faculdades de pessoas de cor branca, com menor classificação que os demais.

Criaram uma lei proibindo de chamar branco de branco, diziam que era discriminação racial. Tinham que usar o termo: Euro-descendente.

No meio daquela profusão de informações, Osvandir resolveu recolher-se aos seus aposentos quando recebeu a notícia que poderia ser preso a qualquer momento. Usando estratégia conhecida da época da 2ª Guerra Mundial, internou-se num Convento.

Manoel Amaral

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A QUADRILHA


Capítulo I

CONEXÃO INTERNACIONAL


Osvandir estava ali naquele restaurante, de um país não tão distante, tomando uma Pepsi, fazendo hora para almoçar, quando ouviu uma conversa muito interessante entre dois jornalistas que estavam preparando matéria para uma revista.

Chegou próximo aos dois, pediu fogo, acendeu um cigarro e sorrateiramente deixou sobre a mesa a sua caneta espiã.

Nesse meio tempo os dois, sem desconfiar de nada, falaram sobre a origem, planos e conexões da Quadrilha. Tudo foi gravado por quase duas horas.

Quando eles estavam acertando a conta, Osvandir foi até a mesa e pegou a sua caneta que estava bem escondida ao lado de um prato.

Pelo que ouviu e anotou, somando ao que estava gravado, o assunto iria dar manchete de primeira página nos jornais ou então capa de revista semanal.

Nem almoçou direito, pagou a conta e seguiu correndo para o carro alugado. Quase bateu numa ambulância que fez ultrapassagem, bem próximo de um sinal. Um carro de coleta de lixo passava do outro lado, por pouco morreria imprensado.

No seu apartamento do Hotel, jogou algumas fotos no notebook e separou o vídeo, colocando-o no Desktop para encontrá-lo facilmente. Ouviu a gravação com mais calma e ficou com os pelos dos braços arrepiados. A coisa era mesmo de assustar a qualquer um.

Se aquilo já vinha sendo planejado há muito tempo, então teríamos o Executivo, Legislativo e o Judiciário, nas mãos dos bandidos.

Resolveu juntar mais material na internet, para confirmar alguns detalhes e ficou completamente abismado. O que eles descobriram era apenas uma pontinha do iceberg. Vamos dizer assim: apenas 10% da realidade. Havia conexão internacional, elementos de vários países participavam dos saques, bem como providenciavam os depósitos em contas no exterior e desaparecimento de bandidos no momento certo.

Com aquele material nas mãos, ficou esperando a publicação para verificar se sairia mais algum detalhe, porém nada foi publicado nos dias seguintes, pelo que ficou sabendo a Quadrilha com todos os informantes que tem no submundo do crime, tomou conhecimento da reportagem antes e pagou uma fortuna aos dois jornalistas para que não publicassem a matéria. Os dois foram convidados a fazer parte do esquema da organização, em trabalho de pesquisas, percebendo uma participação bem melhor. Se aceitaram ninguém sabe. O certo é que não se ouviu mais falar sobre o assunto.

As férias do Osvandir foram prorrogadas por mais alguns dias.

Manoel Amaral

Imagem: Google

sábado, 13 de novembro de 2010

OSVANDIR E A DOBRA DO TEMPO
Marleno Moura


No inicio deste ano, Osvandir recebeu um telefonema do seu amigo Rui, perguntando-lhe se queria aproveitar seu avião para ir até Itumbiara, onde mora seu tio Osmair. Imediatamente aceitou o convite, pois não via seu tio há algum tempo, apenas falara com o mesmo sobre sua visita ao seu filho Zeca. Soube que iria passar no máximo um dia e não precisaria acertar algum negócio imobiliário, pendente.

A data foi marcada e se encontraram no Aeroporto Santa Gênova. Osvandir acompanhou Rui até seu avião, um Cessna – 150, depois que seu amigo comunicou-se com a Torre de Controle e acertaram o plano de vôo.

Rui aguardou a ordem de partida, taxiou, aumentou a velocidade e logo estavam nas alturas. Depois de uns minutos de vôo, o aparelho entrou em uma nuvem cinzenta, que é comum na região. Depois que entrou abriu-se um túnel largo, um vórtice, com relâmpagos como flashes de máquinas fotográficas. Rui olhou para a bússola e viu a “agulha” girar para ambos os lados, aleatoriamente. Ele sentiu o manche muito leve e notou que os flaps não controlavam a altitude do avião.

Osvandir nunca havia imaginado isso, nem Rui. Este manteve o sangue frio, pois só ele sabia conduzir a aeronave.

Osvandir não notou medo na expressão do amigo e por isso também se manteve calmo para ver o que aconteceria. Não passou muito tempo e o avião estava se aproximando de uma cidade, que parecia ser desconhecida por Rui. Este observou que bússola estava normal e que o aparelho estava se dirigindo para o NE. Rui contatou a Torre, perguntou o nome da cidade e pediu para aterrissar. A cidade era Portelândia a leste de Goiânia.

A Torre lhe deu um prazo para aterrissar; O avião deu 4 voltas ao redor do campo, para pousar, uma vez que havia um avião pequeno que estava de partida. Rui obedeceu, diminuiu a velocidade e a altitude. Desceu o trem de aterrissagem e foi pousando levemente no campo, como o faz qualquer falcão apanhando uma presa. .

Rui perguntou as horas à Torre e esta respondeu que eram 8:00 h. Rui tomou um susto, bateu com seu dedo indicador no vidro do relógio e notou que eles gastaram apenas 3 minutos de Goiânia para esta cidade, distante mais de 200 km. Nada entendeu e comunicou o fato a Osvandir, que ficou ainda mais embasbacado, examinando, também seu relógio, disse:
- Pare, ou estamos ficando loucos ou nossos relógios estão malucos. Mas logo os dois?
- E melhor não informar nada ao Controlador, pois ele não vai acreditar e colocar a culpa nos nossos relógios e na bússola do avião, disse Osvandir, procurado a anuência do amigo.
- Você tem razão. Eu ia para o sul e estou a leste. Agora tenho que seguir vôo para Itumbiara; novamente..
- De avião eu não vou mais. Vou alugar um carro na cidade e seguir para Goiânia. Depois eu pago alguém para retornar com o carro para cá. É mais caro que passagem de avião, mas não há outro jeito. Assim sendo, boa viagem para você e dê um forte abraço no meu tio. Não lhe conte o que aconteceu. Ela não irá acreditar, nem ninguém. Façamos de conta que isto não aconteceu. Não contarei nem a meu amigo Pepe Chaves. Ele diria que isso é fruto da minha ufologia maluca.

Abraçaram-se; Rui entrou em contato com a Torre pedindo permissão para o vôo. Logo depois viu o avião de Rui subir ao céu.

Osvandir tomou um táxi e foi a uma agência de aluguel de carros. Alugou uma Peugeot 1.4 para não gastar muita gasolina.

Entrou na rodovia GO-153, andou poucos minutos e seus olhos começaram a fechar com maior freqüência.

Abriu os olhos e estava na rodovia para Abadia de Goiânia, na entrada ao sudoeste da Capital. Achou que gastara pouco tempo, pois saíra da agência de automóveis de Portelândia às 09h28min , conforme anotação da gerência do estabelecimento. Seu relógio marcava 09h44min. Ele calculou que deve ter gasto uns 10 minutos para entrar na rodovia BR-060, rumo a Jataí para chegar à Capital, distante uns 200 km. Andou uns 5 minutos na estrada até ficar com sono. Então gastou uns 4 minutos para a entrada pelo sudoeste de Goiânia. Seu carro estava estacionado no acostamento da rodovia BR-060, na região da Abadia de Goiânia.

Pela segunda vez em um dia, sua mente perdeu senso de tempo-espaço.
Daria para explicar para alguém? Ninguém creditaria nele, nem o Pepe que entende de quase tudo o que é ufólogo. Ele achou que não percorreu nem 10 km.

Foi para seu apartamento, telefonou para a agência aonde havia alugado o carro e pediu para mandarem buscá-lo, pois ele pagaria toda a despesa, todos os custos.

Tentou dormir pensar em qualquer coisa, mas não pôde. Foi para o computador e pesquisou sobre “dobra do espaço” e “buraco de verme”. Só queria uma resposta lógica, mas não havia nenhuma. Ele não iria consultar ao Pepe para ele não lhe perguntar nada.

Ele achou que para melhor entender era necessário escrever suas suposições. E começou a pensar.
“- o avião do Rui foi sugado pelo túnel do tempo, seja ele qual for;
- seu automóvel deve ter sofrido levitação, pois ele não tem velocidade ultrassônica para percorrer uns 200 km em uns 4 minutos;
- algum extra-terrestre estava brincando comigo.”

Osvandir foi deitar já pela madrugada, procurando explicações. Finalmente adormeceu e com nada sonhou, pois tudo acontecera com muita rapidez. Ele só tinha medo de ser levado para a Sibéria, para o Arquipélago Gulag, por alguma espiã russa, loura.
(*) Moura é um de nossos colaboradores

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

OSVANDIR E O HALLOWEEN



Raloim para nós aqui do Brasil é o mesmo que “Dia das Bruxas”. Em Inglês o nome veio de “All hallow’s eve”, que significa a “véspera de todos os santos”.

É comemorado em 31 de outubro, mas não é como nos Estados Unidos. Aqui é tudo diferente.

Foi numa destas festas que o Osvandir ficou conhecendo uma infinidade de criaturas.
O Negrinho do Pastoreio veio montado no seu alazão. Já o Caipora (ou Caapora) chegou montado em um porco selvagem. A Cuca, com aquele bocão de jacaré, veio pelas águas poluídas do rio.

O Boitatá, a Cobra de Fogo, fez um risco no céu e desceu velozmente para perto de todos. O Boto que não é bobo nem nada, chegou assim disfarçado de homem bonito, de causar inveja a todos.

O Curupira, aquele anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás, atravessou a mata, num minuto. Mãe-D'água, a nossa a sereia, ou a Yara, do Rio Amazonas veio parar no meio da Festa.

Lobisomem também apareceu fantasiado de homem, para partir os corações das donzelas e mais tarde transformar-se em lobo selvagem.

Corpo-seco, este tipo de assombração, deixou de assustar nas estradas e fazer coisas ruins, também veio.

A Pisadeira, uma velha de chinelos, parou de atormentar as pessoas de madrugada e resolveu se divertir um pouco.

Mula-sem-cabeça, que aparece de quinta para sexta-feira, resolveu vir no domingo, galopando pela estrada, sem parar, soltando fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro, uma bola de fogo, parou de indicar jazidas de ouro e desceu no meio da festa para conhecer os novos amigos. Veio em forma de uma mulher bonita para atrair homens casados.

Saci-Pererê, chegou num rodamoinho. Com o seu cachimbo e com um gorro vermelho, dando gargalhadas.

O Unhudo veio lá de São Paulo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. De meter medo, mas ficaram com mais medo ainda quando ele pegou o Osvandir e deu-lhe um soco na sua cara e ele foi parar lá do outro lado do rio.

Quando a festa já ia começar, todos olharam para o céu e uma figura esquisita apareceu; era uma bruxa americana, montada em sua vassoura carregando abóboras, maçãs e velas.

Para completar a festa apareceram os morcegos e um gato preto, muitos ligados à bruxa.

A festa estava “bombando”, todos muito alegres, cada um com a sua fantasia. O som era dos melhores, aquele batidão tudo misturado: Rock, Pop, Funk, Axé e até Sertanejo Universitário. O som mais cavernoso chegou pouco depois.

O Boto foi chamando logo a Yara para dançar, enquanto o moço lobisomem, olhou para a lua cheia e soltou um urro daqueles, Pererê que havia assentado para descansar, caiu para trás.

A Mãe-do-Ouro juntou-se com o Boitatá, que também vive no espaço e foram dar os seus vôos rasantes por ali.

Corpo Seco pegou a Pisadeira e saíram dançando pelo salão. A Mula-sem-cabeça, pisou no rabo da Cuca e foi aquela confusão.

O Negrinho do Pastoreio, o Saci, o Caipora e o Curupira foram fumar cachimbo na beira do fogo e todos de olho na mata.

Quando a animação estava muito grande surgiu para o lado do cemitério a Mulher de Branco, a de Preto, a da Mala e outras nada recomendáveis para aquele tipo de festa.
O burburinho foi geral, cada um saiu para o seu lado. O Negrinho do Pastoreio pegou o seu alazão e sumiu dali. Saci Pererê desapareceu num abrir e fechar de olhos. A Cuca, a Mãe-D’água, o Boto e outros colegas caíram na água do rio e sumiram.

Mãe-do-Ouro e Boitatá que já estavam juntos fizeram um sinal de coração no espaço e ninguém mais os viu.

O Corpo Seco, o Curupira e o Caipora se embrenharam na mata mais próxima. A Pisadeira tentava acompanhá-lo, mas sentiu mal e ficou parada perto de uma cruz, na encruzilhada.

Para fugir dali, o mais rápido possível, a Bruxa Americana acionou a sua vassoura, falou a palavra mágica, mas esta não funcionou, foi verificar e notou que alguém trocara a sua por uma feita de garrafa pet. Era o faxineiro que passara por ali e encontrara aquela vassoura de piaçava tão boa e levara para o seu serviço noturno.

Sobrou o Unhudo e o Lobisomem para enfrentá-las. O som foi desligado e só se ouvia o seu urro.

Unhudo deu um soco na Mulher da Mala que ela foi parar no cemitério. A Mulher de Branco queria beijar o Lobisomem, ele usou suas enormes garras e jogou-a a um km de distância. Quanto à mulher de Preto, que foi sua antiga namorada, pegou-a pela mão e saíram pela estrada afora.

Osvandir que estava escondido atrás de uma moita, achou tudo uma coisa do outro mundo.

Manoel Amaral e Mão Seca
31/10/2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O REINO DA ROUBOLÂNDIA


“Caixa de Pandora: Na mitologia era uma caixa de segredos,
ninguém poderia abri-la, mas em Roubolândia, este Reino podre,
com cheiro de arruda, todo mundo metia a mão na caixa de Pandora.”
(Deputado da Oposição)

Era uma vez, num reino muito próximo, onde mandava um reizinho com nome de planta fedorenta... Alecrim.

Ele queria tudo para si. Não contentava com pouco. Tinha que ser muito dinheiro, pacotes e mais pacotes. Gostava de receber todo mês, aí criou o mensalão.

As empreiteiras, construtoras, fornecedoras tinham que ter altos lucros em seus contratos, obras e mercadorias pois no fim do mês tinham que dividir com aquele rei careca.

Quando o dinheiro não cabia nos bolsos, punham na cueca e meias. Naquele reino alguém teve a idéia de montar uma pequena fábrica de cuecas e meias grandes, que era para caber mais dinheiro. Foi um sucesso, mas no fim do mês tinha que dividir os lucros com o rei.

Acontece que nada neste mundo muito fica escondido. Um fotógrafo, (não tinham inventado a filmadora) dos bons, ficou por trás das cortinas e foi fotografando tudo.

Um dia era a empreiteira, outro a construtora e no final os fornecedores. Cada um com vários pacotes de notas nas mãos, bendizendo aquelas gordas licitações fraudulentas. Até rezavam na hora da distribuição das rendas.

Tudo que aquele reizinho careca fazia era para encher os bolsos. Não importava se o povo passava fome.

Mas sempre existe alguém querendo tomar o trono nestes reinados corruptos. Alguém armou tudo e pagou altas somas para aquele fotógrafo, pregou aquelas fotos nas árvores e muros do castelo do Reino de Roubolândia.

Foi um escândalo danado. Os partidos ficaram todos arrepiados. Ninguém queria ficar perto para não receber respingos da lama escura da corrupção.

Mas algum tempo ainda se passou até que tiveram notícias que outro mensalão aconteceu há muito tempo em outro Reino das Gerais e só agora estava sendo julgado.

Alecrim, aquele rei sacana, que só queria dinheiro de todos, não largava o osso de jeito nenhum, não saía da carniça. Pior que urubu, só sai do local quando não existe mais nada para devorar.

O seu partido de sustentação no poder, o SEM, queria expulsá-lo. Expulsar não é solução. Deveriam prendê-lo e manda-lo devolver todo dinheiro roubado daquele reino para o erário público e aplicá-lo em saúde, educação, construção de estradas e tantas obras de que estavam precisando.

O partido das Araras, estava uma arara, nervoso como ele só, queria mandar prender todo mundo. O partido do Anu Preto queria ver todo mundo de luto. Já o do Pica-Pau mandava a população ajudar nas investigações.

A história política daquele reinado era muito rica em escândalos, o rei anterior também já havia metido a mão na cumbuca. Foi flagrado ordenando a partilha de vários milhões por um empresário.

Agora com este “Esquema do Panetone”, logo em vésperas de Natal, é muita sacanagem com o povo.

Querem o impeachment do Rei Alecrim e no lugar dele pretendem colocar um empreiteiro muito rico e poderoso que assim ele não precisa se envolver com esta turma do trambique. Mas em outros tempos ele já foi flagrado enfiando maços de dinheiro na meia.
Com “a corrupção e a falta de compostura deixaram a maioria dos candidatos ao reinado sem condição moral de pleitear um cargo. Com tantos escândalos, Roubolândia acabou se transformando em um ícone da política degenerada.”

”Tantos problemas colocam aquele Distrito na vergonhosa condição de campeão nacional da bandalheira política, além das incertezas decorrentes da complicada linha sucessória neste momento. Ainda assim, a falta de ética não é privilegio da política de Roubolândia e quem sobrou não tem condição moral para trazer a ética aos palanques nas próximas eleições”
Alguns partidos, em pânico, queriam fechar a Caixa de Pandora, mas não adiantava mais nada, todos os males haviam saído, só restando a esperança.

Esperança de dias melhores.

MANOEL AMARAL - Dez.2009

OSVANDIR E A COBRA GRANDE

Capítulo III
A COBRA GRANDE


Osvandir e os demais náufragos estavam sendo aguardados no porto de Manacapuru. Zeca já o esperava no porto. Perguntou a Osvandir se ele queria voltar para a fazenda, mas este respondeu:
- Por favor, leve-me daqui direto para Manaus, pois já tomei muito susto por ontem e hoje.

Zeca perguntou-lhe. – Você vai assim mesmo, molhado?
- Vou como estou. Se quiser me levar agora agradeço muito. Voltarei para Manaus pela Rodovia AM-070. Coloque o combustível, vamos embora daqui o mais rápido possível.

Zeca entendeu o estado psicológico do primo e amigo. Levou-o para o Fusca e Osvandir sentou-se com a roupa molhada, segurando ainda, sua maleta.
Procuraram a entrada para a 070 e rumaram para Manaus margeando o rio Solimões. Havia queimadas na margem da estrada. Zeca perguntou:
- Por quê o navio afundou?
- Deve ter batido em uma cobra grande. Foi o boato que ouvi, - respondeu Osvandir, quase sem acreditar.

Continuaram a viagem sem comentar mais nada. Cada um carregava seus demônios nas cabeças: Cão do Inferno e Cobra Grande.

Depois de uns 90 km percorridos chegaram à Capital. Zeca o levou para uma loja de roupas e Osvandir comprou duas mudas de roupa e uma mala nova, pois a dele estava molhada e deformada. Depois de trocar de roupa na Loja, foram comprar passagem de avião para S. Paulo. Procuraram um Hotel, onde Osvandir hospedou-se. Despediram-se, às gargalhadas e enviou lembranças para a família dele.

Zeca partiu para sua fazenda lembrando-se da aventura que ambos haviam vivido.

Osvandir viajou de avião para S. Paulo e de lá tomou um jatinho para Goiânia.
Chegando lá, telefonou para Amaral, Pepe e seu tio Osmair. A este, contou uma mentira bem forjada e lhe transmitiu o abraço do primo Zeca.

Osvandir não esqueceu a Botija, o Cão do Inferno e a Cobra Grande. Manacapuru e muriçocas. Nunca mais. Agora pensava em procurar o Curupira nas matas do Amazonas.

Moura.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

OSVANDIR E A COBRA GRANDE

Capítulo II
O CÃO DO INFERNO

Ao correrem apavorados, Zeca puxou o crucifixo grande, de madeira, que estava pendurado no seu pescoço por um pedaço de cordão de algodão. Lançou-o no chão. Ambos continuaram correndo, mas o cão estacionou diante do crucifixo. Depois de uns 5 minutos de corrida chegaram ofegantes, à casa do Zeca

Zeca ao entrar na casa mandou Zilda fechar todas as portas e não perguntar nada.

Ambos não conseguiram dormir e ficaram conversando na varanda.
- Só corri porque você correu, - disse Osvandir, muito sério.
- Também corri porque você correu! - Respondeu Zeca.

Ambos riram bastante.
- Se fosse um cachorro doido eu o teria abatido com a alavanca! Mas era o cachorro do demônio! - Disse Osvandir, como um desabafo.
- Pra mim tanto faz um como o outro eu não teria coragem para tanto! O crucifixo ajudou um pouco. O danado parou.
- Que isto fique entre nós dois! - Disse Osvandir, desejando uma confidência e cumplicidade.
- É claro! Disse Zeca, também tive muito medo!
- Então estamos de acordo.

Osvandir comprou passagem em um navio de pequeno porte que aportou no trapiche da fazenda do Zeca; para receber também um carregamento de pirarucu. Despediu-se de Zeca com um forte abraço e gargalhadas. Zilda não sabia do que se tratava. Ficou séria, apenas olhando para ambos. Já eram 17h30min. Osvandir se despediu da família. Iria contar a história um pouco de frente com pai do Zeca, a seu tio Osmair.

Entrou no pequeno navio branco. Colocou sua maleta à sua frente e sentou-se no primeiro banco comprido que comportava uns 5 passageiros sentados lado a lado.

Ao passarem pelo lado esquerdo do rio Manacapuru, em direção ao rio Solimões, na frente da ilha de Monte Cristo a proa do barco chocou-se com algo sólido e volumoso. Osvandir foi lançado para frente, no convés, batendo a cabeça em uma caixa de papelão cheia de algo macio.

Várias pessoas forram jogadas para frente e alguns se feriram na cabeça e em outras partes do corpo.

Do convés superior do navio Osvandir ouviu um clamor do operador de rádio pedindo socorro de Manacapuru, onde havia várias embarcações, por ser um entreposto de pesca bastante concorrido. O pequeno navio foi adernando pela proa. Muitos passageiros sabiam nadar. Nadavam para a margem, mas a correnteza os levava para o rio Solimões.

Osvandir ouviu o operador comentando que um tronco comprido, muito grosso e sinuoso atravessava o rio em direção à ilha. Enquanto o barco mergulhava de proa para dentro do rio escuro, embarcações e vários tipos e tamanhos vieram se aproximando para apanhar os náufragos. Osvandir nadava de lado segurado a maleta com mão esquerda. Era muito cansativo e muito pouco era o avanço para a margem do rio. Uma canoa passou perto dele e duas mãos seguraram o braço esquerdo que estava fora da água, outra foi pegando a maleta. Logo que ele começou a ser suspenso outras mãos segurando sua camisa e cintura, o puxaram para dentro da canoa.
-Você está bem? - Alguém perguntou.
- Estou salvo graças a vocês, - respondeu sorrindo agradecido.
Os navegantes da canoa grande recolheram outros náufragos.

Autor: Moura

sábado, 23 de outubro de 2010

A BOTIJA E A COBRA GRANDE

Autor: Marleno de Paula Moura
O cearense Moura nasceu no ano de
1935 em Fortaleza-CE, onde reside.

Osvandir recebeu um telefonema do seu primo Zeca. Este disse ter sonhado com um homem velho, barbado, que lhe pediu para desenterrar um pote cheio de utensílios de ouro, como cálices, castiçais, pulseiras, anéis, moedas etc. O homem o enterrou na fazenda dele, a uns dez passos a partir do tronco de uma mangueira velha, na direção leste, nos fundos da fazenda. O velho pediu para ir à meia noite e não levar ninguém, como companhia. Este sonho se repetiu por 3 noites seguidas. O homem velho disse que queria descanso para seu espírito.
Zeca lembrou-se do seu primo Osvandir.


Capítulo I

A VIAGEM


Aceitou o convite do primo, apesar dessa viagem ser dispendiosa e com lucro muito duvidoso. Foi vacinado contra malaria para poder estar algum tempo em qualquer região úmida, cheia de muriçocas ou carapanãs.
Comprou passagem até Manaus. Deixou em Goiás todos os seus negócios imobiliários em dia.

Arrumou uma pequena maleta, contendo 3 mudas de roupa, Cartão de Crédito e algum dinheiro em cédulas. Iria passar poucos dias. Partiu de avião, para Manaus de onde iria de embarcação para Manacapuru; distante uns 90 km, subindo pelo rio Solimões.

Quando lá chegou, Zeca já o esperava no porto com um largo sorriso e de braços abertos. Se abraçaram sorrindo.

O primo era agricultor e criava pirarucu em curral. Ele conduziu Osvandir no seu Fuscão-95, para sua fazenda em Matões, distante uns 5 km de Manacapuru, mas margeando e subindo pelo rio do mesmo nome.

Osvandir não era dotado de cupidez, mas sentiu a atração pela aventura e via uma oportunidade para pesquisar mais um fenômeno paranormal.

Conversaram durante o trajeto trocando idéias de como agiriam. Chegando na fazenda, Osvandir foi apresentado à simpática esposa e seus dois filhos menores de idade. Jantaram e deitaram-se cedo para despertarem às 23h, conforme a aparição havia exigido.

Osvandir carregava uma alavanca e uma pá. Zeca levava uma enxada e uma lanterna de 4 pilhas. A noite estava úmida, mas não estava fria. Depois de caminharem uns 20 minutos chegaram à grande e antiga mangueira de uns 30 metros de altura. Zeca já havia marcado 15 passos a partir do tronco da árvore em direção ao leste, conforme a instrução do homem.

A marca foi feita durante o dia por meio de estaca enfiada no chão. Começaram a cavar ali, terra macia e negra. Zeca começou a cavar mais ou menos um metro e tocou em alguma coisa sólida. Abriu mais a largura do buraco para melhor ver a tampa de argila do pote.

Osvandir quebrou a tampa com a ponta da alavanca e havia milhares de baratas fervilhando no seu interior. No mesmo instante os dois ouviram o rosnado de um cachorro. Um frio desceu pelas suas respectivas espinhas. Viraram-se e viram um cão preto com olhos em brasa saindo do pé da mangueira vindo em direção deles. Soltaram tudo no chão e correram em direção à casa do Zeca.

Moura

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O beijo de língua do til, na portuguesa

Ou o beijo do til e a língua portuguesa


A Sátira e a Paródia, sarcásticas, saíram juntas com o Humor Negro, que agora havia mudado de nome para Humor Afro-Descendente, por questões raciais; estavam em festa de estranhos.

O C saiu abraçado com a , (cedilha), fazendo a maior festa.

O Q estava encostado no muro parecendo um gato perdido na noite, a procura de sua gata.

Os estrangeiros K, W e Y estavam querendo entrar de penetra na festa. Alguém até gritou:
__ Pegue este aí do meio, que parece uma âncora de navio inglês e fica querendo botar banca por aqui, ora!
O Y pegou o (travessão) e partiu para cima do _ (underline). Se não fosse a intervenção do K a coisa tinha ficado feia.

A ? (interrogação), com aquela mão de Capitão Gancho, saiu interrogando todo mundo, queria saber onde estava a ! (exclamação), que não parava de dar saltos e ficar com a cabeça para baixo.

A @ (arroba) juntou-se com $ (cifrão) e foram tomar uma cerveja no bar do % (por cento).

Nesse meio tempo chegou o ¨ (trema) e reclamou para os : (dois pontos) que ninguém queria sair com ele, estava abandonado.

O + pensando melhor resolveu se juntar ao = para promover a união entre as pessoas.

Quando * (asterístico) apareceu, o & (tironiano) ficou impressionado com tanta beleza.

Os ( ) (parênteses) que não tinham mais parentes por ali, aproveitaram para fazer a maior farra.

As { } (chaves) e os [ ] (colchetes) largaram a matemática num canto e foram namorar num lugar mais escuro.

O § (parágrafo) e Item perguntaram para a / (barra) como estava a barra, esta respondeu que ia tudo bem.

A ... (reticência), toda inocente, ficava no escurinho cochichando com o etc.

O ~ falou para o “a” e o “o” que poderiam perder a esperança que ele não iria mais ficar em cima deles. Sabendo desta decisão, o ^ também disse ao “e” e ao “o” que não iria posar de chapéu só para embelezá-los.

O . falou para “,” sair de baixo, não formariam mais o ;.

Ele o # (sustenido, mais conhecido por cardinal ou popularmente por joguinho da velha) não era um bom músico, por isso o ´ (agudo) e o (grave) disseram que não poderiam sair juntos, foi apenas uma desculpa, eles havia arranjado duas garotas, as “” (aspas).

As bebidas foram diminuindo, os ânimos crescendo e novamente o K, o W e o Y apareceram para arranjar confusão. Queriam entrar de qualquer jeito.

Quando tudo parecia perdido chegou um baixinho, preto e redondinho e resolveu a situação. Apagou as luzes e mandou todo mundo ir embora. Era o valente ponto final.
Foi aí que Osvandir percebeu que havia cochilado em cima do teclado do computador.

Manoel Amaral :)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Convite

Lançamento E-book:
OSVANDIR E LUA CHEIA
Vampiros, lobisomens
& assombrações
de
Manoel Amaral

Conversa com o autor.
Não haverá venda de livros.
Sexta-feira, dia 13, agosto
Início: às 19h30m.
Encerramento: 20h30m.
Local: Bib. Pública A. Lago
Av. Sete Setembro, 1160
Divinópolis-MG

terça-feira, 13 de julho de 2010

OSVANDIR, O ESPIÃO QUE ABALOU A RÚSSIA


Capítulo II
OSVANDIR, UM ESPIÃO


Ele foi preso e, acusado de ser um agente da CIA, a serviço de inteligência dos EUA.
“Osvandir foi acusado, pela Promotoria, de se passar por cidadão russo para, sob as ordens dos serviços de inteligência americano, se infiltrar em círculos políticos influentes da Rússia e coletar informações. Após as confissões no tribunal de Moscou, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra o suspeito - entre elas a de microfilmar importantes pesquisas sobre ufologia - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões..”

Se todas aquelas acusações se confirmassem ele seria enviado para a Sibéria, para trabalhos forçados, num local com temperatura maior que -25º (vinte e cinco graus abaixo de zero!). Logo ele que não estava suportando nem 20º, acostumado que estava com sol o ano inteiro em sua terra natal.

O Governo Americano mandou um avião com alguns espiões, a Rússia fez o mesmo. Pousaram num campo secretO e a impressa não teve acesso. Tentaram fotografar, mas não foi possível. Tudo fora projetado para que a integridade física do espiões fosse mantida.

Osvandir que mal conhecera a Rússia foi deportado para o EUA.
No avião, abriu sorrateiramente o seu note book e viu no seu jornal eletrônico preferido a seguinte manchete:

EUA e Rússia realizam maior troca de espiões pós-Guerra Fria

“Os órfãos da Guerra Fria voltaram a suspirar esta semana com a prisão em Nova York da jovem espiã russa Anna Chapman, acusada de usar seus encantos de mulher fatal, e ainda por cima ruiva, para seduzir funcionários do governo e empresários americanos. Buscava, diz a Polícia Federal dos EUA, “segredos íntimos” para o Kremlim.”
Outro texto vinha da Rússia:

“Um avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev.”

Assim, nesta confusão de contra-informação Osvandir estava metido até o pescoço. A Rússia o acusava de espião, os EUA nem desconfiava que ele era brasileiro.
Quando puseram os pés em New York foi que o FBI descobriu um estranho entre os espiões. Interrogado e jogado numa cela fria por dois dias, depois foi levado para a prisão de Guantânamo, Base Naval dos EUA em Cuba, acusado de terrorista.

Por ali ficou até que o Consulado Brasileiro tomou conhecimento e providenciou documentação para a sua soltura.

Quando as autoridades americanas souberam que ele era “ufólogo brasileiro”, todos caíram na gargalhada.

Liberado e deportado com forte esquema de segurança. Partiu de Cuba num dia chuvoso e veio parar no aeroporto de São Paulo. De lá conseguiu ligar para um amigo que o trouxe até a sua terra.

Depois de passado o susto, ficou imaginando o que seria dele se fosse para a Sibéria, morreria dentro de poucos dias com os trabalhos forçados e o frio, logo ele que não passou nenhuma noite com a linda espiã ruiva Anna Chapman.

Manoel Amaral

Leia o Capítulo I e II

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia_13.html

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Osvandir, o Espião que abalou a Rússia


Imagem Google

Capítulo I
Moscou

“А информационная война - это комплекс мероприятий и операций,
проводимых в мирное и военное время, в которых информация
является одновременно оружием, ресурсом и целью.”

“E a guerra de informação - é um complexo de atividades e
operações realizadas em tempo de paz e de guerra, na qual a
informação é tanto uma arma , de recursos e efeitos.”
Jornal Pravda, Rússia


Osvandir passeava tranquilamente entre uns turistas, no Rio de Janeiro, antes de embarcar para a Rússia e assistiu a uma cena chocante. Um casal passeava na rua e um bueiro explodiu, lançando uma mulher a mais de três metros de altura. O fogo que saia do buraco provocou queimadura no casal, que foi imediatamente internado, em estado grave.

Depois dessa Osvandir seguiu direto para o hotel e em seguida para o Aeroporto Internacional do Galeão, comprando passagem, bem como seguro de viagem, para a Rússia. Perguntaram se era a passeio ou a negócios e foi informado que era a negócios. Foi Informado as reservas de hotel e programação da data de retorno em seus documentos.

Embarcou às 10h, para uma viagem de aproximadamente de 11.542 km de distância em linha reta do Rio de Janeiro, Brasil até Moscou, na Rússia. Horas e horas naquele confortável assento.

Um cafezinho, um salgadinho, bebida alcoólica que foi prontamente recusada. As aeromoças muito gentis.

Leu revistas e os dois livros que levou: Como aprender Russo em 30 dias e Giselle Montfort, a espiã nua que abalou Paris”, de David Nasser. Um Guia da capital russa, Moscou, também encontrava-se na maleta de mão.

Abriu um jornal, mas estava em Russo e não entendeu quase nada, dizia qualquer coisa relacionada com espionagem nos EUA.

Fizeram escala num país da Europa, Portugal. Seguiram em frente.
Osvandir resolveu perguntar quantas horas de Brasil a Moscou, a aeromoça, num português muito enrolado respondeu que gastariam 15 horas.

Mês de julho deste ano 2010, a temperatura em Moscou apresenta-se em média de 21 a 24 graus, quente para eles, mas suave para Osvandir.
A maior dificuldade foi devido à língua, o problema foi resolvido com a contratação de um intérprete.

Na Praça Vermelha viu o Kremlin ao lado. Andou de metrô, na Linha Vermelha. Aquilo que é meio de transporte. Que organização. Com 19 estações e 26,1 km de comprimento. Foi uma das primeiras linhas de metrô criadas em Moscou.

Os principais pontos turísticos de Moscou: Visitou o Museu Nacional de História, Catedral do Cristo Salvador, Museu de Belas Artes Púshkin, Catedral de São Basílio, Teatro Bolshoi.
Osvandir fez uma reserva, com antecedência para o espetáculo de 6 de julho, no Teatro Bolshoi, valor US$279 por ingresso. Conforme o cartaz tratava-se do Ballet Clássico Alexander Glazunov "Raymonda" (Balé em três atos).

O luxo nas dependências do Teatro impressionou o nosso herói, a Orquestra Sinfônica Teatro Bolshoi, estava lá com todos seus membros, na direção de Pavet Sorokin.

O pessoal do Teatro ainda estava um pouco abalado pelo falecimento de Marina Semenova, lendária bailarina clássica da época soviética, aos 102 anos, dia 9 de junho próximo passado.
Ficar nas residências, ao aconchego do aquecimento é muito bom, mas sair às ruas, para quem vive o verão praticamente o ano inteiro, no seu país de origem, é meio difícil. O frio é muito forte para quem não está acostumado.

Por esta razão, assim que a peça terminou, Osvandir correu para o hotel, mas teve uma surpresa quando atravessou a porta de entrada. Dois policiais da KGB estavam a sua espera. Foi preso.

Manoel Amaral

Leia os dois capítulos I e II

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia.html

http://osvandir.blogspot.com.br/2010/07/osvandir-o-espiao-que-abalou-russia_13.html